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Coluna
Vinho comigo
Por Carlos Mayer

Surreal

Quem gosta de viajar sabe que as viagens são capazes de nos transportar também no tempo, além do espaço. As vezes nos fazem voltar ao passado, em outras vezes nos levam para o futuro. Mas eu, graças ao vinho, vivi as quatro estações do ano num único dia! Juro que não estava bêbado.

Fui conhecer os trabalhos realizados pela Vinícola Miolo, na cidade de Casa Nova, estado da Bahia. As cidades conhecidas mais próximas são Juazeiro, também na Bahia, e Petrolina, que fica no estado do Pernambuco, do outro lado do rio São Francisco e são ligadas por uma ponte de 800 metros que atravessei a pé.

Uma região vinícola única no mundo! A água do rio São Francisco, represada pela usina hidrelétrica de Sobradinho, criou o segundo maior lago artificial do mundo, com essa água, com um clima quente e seco durante todo o ano, com um solo interessante e com muito trabalho, a região se tornou a maior produtora de frutas do Brasil. Mas vamos focar no vinho. Nesse clima regular, sempre quente, videiras muito bem adaptadas para a região, podem ter seu ciclo vegetativo “deslocado no tempo” para qualquer época do ano, basta o manejo da poda e irrigação corretos.

Quem já teve a oportunidade de viajar para alguma região vinícola, sabe que dependendo da época do ano a paisagem é diferente. Se for verão, verá parreirais verdes e com cachos coloridos, prontos para a colheita, costuma ser a época preferida da maioria. Se for no outono a paisagem já é mais avermelhada, meio marrom, mas as fotos ainda ficam bonitas. Se for no inverno só é interessante para quem, tipo eu, consegue admirar a beleza de um galho seco. Época boa de beber e nem tanto de bater fotos.

No Vale do São Francisco, tudo muda. Os vinhedos são divididos em cinco áreas e cada uma delas está a exatamente um mês a frente da outra na fase de produção da planta. Isso faz com que durante dez meses do ano, sempre haja alguma área do vinhedo no momento da colheita. As cinco áreas, são definidas assim por causa dos cinco principais estágios da videira: descanso, poda, brotação e floração, formação dos cachos e colheita. É possível ver todas elas em qualquer época do ano que você resolver ir pra lá. Podes ajudar a colher e também a podar. Ali que eu me refiro, quando digo que vivi todas as estações do ano em um único dia.

Mas quais são as vantagens disso tudo?

Otimização de mão de obra, otimização da estrutura física da vinícola, uvas frescas e vinhos jovens em qualquer época do ano, melhoria no padrão de qualidade e preços mais baratos. Há mais um último detalhe que ainda não falei, que é o que torna o Vale do São Francisco ainda único no mundo, a possibilidade de fazer a videira produzir duas vezes no mesmo ano. Logo, vinho em dobro!

Se interessou? Muitos desses vinhos já estão no mercado, é só procurar. Abaixo algumas fotos da viagem.

Descanso da videira.

 Brotação e floração.

 Formação de cachos.

 Colheita

 

Escrito por Carlos Mayer, 19/09/2019 às 00h05 | carlos@casamayer.com.br



Carlos Mayer

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Quem gosta de viajar sabe que as viagens são capazes de nos transportar também no tempo, além do espaço. As vezes nos fazem voltar ao passado, em outras vezes nos levam para o futuro. Mas eu, graças ao vinho, vivi as quatro estações do ano num único dia! Juro que não estava bêbado.

Fui conhecer os trabalhos realizados pela Vinícola Miolo, na cidade de Casa Nova, estado da Bahia. As cidades conhecidas mais próximas são Juazeiro, também na Bahia, e Petrolina, que fica no estado do Pernambuco, do outro lado do rio São Francisco e são ligadas por uma ponte de 800 metros que atravessei a pé.

Uma região vinícola única no mundo! A água do rio São Francisco, represada pela usina hidrelétrica de Sobradinho, criou o segundo maior lago artificial do mundo, com essa água, com um clima quente e seco durante todo o ano, com um solo interessante e com muito trabalho, a região se tornou a maior produtora de frutas do Brasil. Mas vamos focar no vinho. Nesse clima regular, sempre quente, videiras muito bem adaptadas para a região, podem ter seu ciclo vegetativo “deslocado no tempo” para qualquer época do ano, basta o manejo da poda e irrigação corretos.

Quem já teve a oportunidade de viajar para alguma região vinícola, sabe que dependendo da época do ano a paisagem é diferente. Se for verão, verá parreirais verdes e com cachos coloridos, prontos para a colheita, costuma ser a época preferida da maioria. Se for no outono a paisagem já é mais avermelhada, meio marrom, mas as fotos ainda ficam bonitas. Se for no inverno só é interessante para quem, tipo eu, consegue admirar a beleza de um galho seco. Época boa de beber e nem tanto de bater fotos.

No Vale do São Francisco, tudo muda. Os vinhedos são divididos em cinco áreas e cada uma delas está a exatamente um mês a frente da outra na fase de produção da planta. Isso faz com que durante dez meses do ano, sempre haja alguma área do vinhedo no momento da colheita. As cinco áreas, são definidas assim por causa dos cinco principais estágios da videira: descanso, poda, brotação e floração, formação dos cachos e colheita. É possível ver todas elas em qualquer época do ano que você resolver ir pra lá. Podes ajudar a colher e também a podar. Ali que eu me refiro, quando digo que vivi todas as estações do ano em um único dia.

Mas quais são as vantagens disso tudo?

Otimização de mão de obra, otimização da estrutura física da vinícola, uvas frescas e vinhos jovens em qualquer época do ano, melhoria no padrão de qualidade e preços mais baratos. Há mais um último detalhe que ainda não falei, que é o que torna o Vale do São Francisco ainda único no mundo, a possibilidade de fazer a videira produzir duas vezes no mesmo ano. Logo, vinho em dobro!

Se interessou? Muitos desses vinhos já estão no mercado, é só procurar. Abaixo algumas fotos da viagem.

Descanso da videira.

 Brotação e floração.

 Formação de cachos.

 Colheita

 

Escrito por Carlos Mayer, 19/09/2019 às 00h05 | carlos@casamayer.com.br



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