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Coluna
Vinho comigo
Por Carlos Mayer

Tá tudo muito chato!

Nunca gostei muito do tema harmonização. Pronto, falei!

Apesar de eu ter estudado o assunto por alguns anos numa especialização, dar aulas e dicas sobre o tema constantemente e reconhecer que há muita diferença entre comer peixe com vinho branco e peixe com tinto, sinto que essas regras todas já foram longe demais.

Na verdade, não curto o modo como a harmonização é tratada no mundo do vinho. Tudo está muito complicado, muito chato, cheio de variáveis e dúvidas. Pra mim, o assunto harmonização chegou num ponto, que parece ter como único objetivo separar as pessoas entendidas do assunto das pessoas que bebem vinho e comem comida do jeito normal. Fazendo com que as segundas fiquem com cara de bobas frente às explicações enogastronômica subjetivas e impossíveis de contestar.

Precisamos relaxar!

Harmonizar é simples, fácil e pessoal. E é desse jeito que sempre deveria ser tratada, sem regras imutáveis, enigmas ou prepotência. Se eu quero comer peixe com vinho tinto a regra é minha. Certa vez comi ostras gratinadas com Merlot e tudo foi fantástico! Escolha sua comida favorita, um vinho que goste e seja feliz. Não deixe que outra pessoa dê palpite no seu paladar, afinal c* e gosto cada um tem o seu.

Outro ponto (irritante) que levanto é o excesso de detalhes e a busca por uma perfeição que não existe. Você não vai estragar a pizza se beber Pinot Noir ao invés de Carmenere. O mignon também não fica no prejuízo se você optar por Shiraz ao invés de Merlot. E o peixe fica tão gostoso com Sauvignon Blanc australiano quanto com o neozelandês ou o catarinense. Para quem tem medo de harmonizar, costumo tranquilizar dizendo que é mais fácil acertar uma boa harmonização do que errar feio e estragar tudo.

 Às vezes, quando já estou meio alto de tanto “estudar” a enogastronomia, penso que neste assunto teorias deveriam ser proibidas. Apenas interações práticas teriam valor científico e as mesmas deveriam ser testadas a exaustão. Tenho medo que algo tão legal e prazeroso que é comer e beber vinho, se torne chato para a maioria das pessoas devido ao comportamento de alguns diferentões. Essa é minha luta!

Espero não perder o emprego...

 

Escrito por Carlos Mayer, 01/04/2019 às 18h50 | carlos@casamayer.com.br



Carlos Mayer

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Vinho comigo
Por Carlos Mayer

Tá tudo muito chato!

Nunca gostei muito do tema harmonização. Pronto, falei!

Apesar de eu ter estudado o assunto por alguns anos numa especialização, dar aulas e dicas sobre o tema constantemente e reconhecer que há muita diferença entre comer peixe com vinho branco e peixe com tinto, sinto que essas regras todas já foram longe demais.

Na verdade, não curto o modo como a harmonização é tratada no mundo do vinho. Tudo está muito complicado, muito chato, cheio de variáveis e dúvidas. Pra mim, o assunto harmonização chegou num ponto, que parece ter como único objetivo separar as pessoas entendidas do assunto das pessoas que bebem vinho e comem comida do jeito normal. Fazendo com que as segundas fiquem com cara de bobas frente às explicações enogastronômica subjetivas e impossíveis de contestar.

Precisamos relaxar!

Harmonizar é simples, fácil e pessoal. E é desse jeito que sempre deveria ser tratada, sem regras imutáveis, enigmas ou prepotência. Se eu quero comer peixe com vinho tinto a regra é minha. Certa vez comi ostras gratinadas com Merlot e tudo foi fantástico! Escolha sua comida favorita, um vinho que goste e seja feliz. Não deixe que outra pessoa dê palpite no seu paladar, afinal c* e gosto cada um tem o seu.

Outro ponto (irritante) que levanto é o excesso de detalhes e a busca por uma perfeição que não existe. Você não vai estragar a pizza se beber Pinot Noir ao invés de Carmenere. O mignon também não fica no prejuízo se você optar por Shiraz ao invés de Merlot. E o peixe fica tão gostoso com Sauvignon Blanc australiano quanto com o neozelandês ou o catarinense. Para quem tem medo de harmonizar, costumo tranquilizar dizendo que é mais fácil acertar uma boa harmonização do que errar feio e estragar tudo.

 Às vezes, quando já estou meio alto de tanto “estudar” a enogastronomia, penso que neste assunto teorias deveriam ser proibidas. Apenas interações práticas teriam valor científico e as mesmas deveriam ser testadas a exaustão. Tenho medo que algo tão legal e prazeroso que é comer e beber vinho, se torne chato para a maioria das pessoas devido ao comportamento de alguns diferentões. Essa é minha luta!

Espero não perder o emprego...

 

Escrito por Carlos Mayer, 01/04/2019 às 18h50 | carlos@casamayer.com.br



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