Jornal Página 3
Coluna
Vinho comigo
Por Carlos Mayer

Fui xingado!

É real, fui xingado. Mas quem trabalha no comércio, tipo eu, sabe que muitas vezes escutamos coisas que não gostamos e ficamos quietinhos, tentando contornar a situação do melhor jeito possível. Mas nesse caso, resolvi desabafar aqui no Página3.

Vendi algumas garrafas de vinho para um homem, na casa dos 60 anos, boa aparência, até então educado e aceitou bem as sugestões de vinhos que eu ofereci. Pagou e foi embora com a caixa de vinhos. Tudo normal. Até que no dia seguinte ele, telefona para a loja e me solta os cachorros porque entre os vinhos, havia um com tampa rosca ao invés de rolha.

Pra quê?! Me deu um sermão sem fim, sobre como os vinhos sem rolha são “tudo porcaria”, são “vinhos baratos”, são vinhos “pra quem não entende nada de vinhos” e o resto da ladainha eu ativei meu ouvido seletivo e não lembro mais ao certo. É obvio que vou preservar a identidade da pessoa, mas você que me ligou, fique sabendo que você é um b... Não consigo!

Mas aproveito a situação para deixar bem claro que as screwcaps, como são chamadas essas tampas roscadas de alumínio, são amigas! Elas vêm para preservar melhor o vinho na gôndola do mercado, pra facilitar a vida do garçom, pra você não precisar pedir o saca-rolhas emprestado do vizinho, pra ser fácil de fechar a garrafa e beber o resto no dia seguinte e para baratear o custo total do vinho.

Aliás, a grosso modo, o preço que você paga em uma garrafa de vinho, é composto pelo vinho (líquido), pela garrafa (vidro), rótulo e rolha (e impostos, óbvio!). Então lembre-se de que, quando você compra um vinho numa garrafa chique, com um rótulo cheio de brilho ou purpurina e com uma rolha de cortiça da melhor qualidade, você está pagando por tudo isso. E nada disso pode fazer um vinho (líquido) ruim ficar bom. Pode até fazer bem pro ego e, se você aceita pagar, ok. Muitos vinhos merecem e precisam de boas garrafas e rolhas, mas minha crítica é que tem muita gente ainda preferindo pagar mais caro na rolha que no vinho.

Sobre o cliente, sugeri que me devolvesse a garrafa. Eu trocaria por outra ou devolveria o dinheiro. Mas ele já tinha bebido tudo.

 

Escrito por Carlos Mayer, 21/01/2019 às 10h39 | carlos@casamayer.com.br



Carlos Mayer

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Fui xingado!

É real, fui xingado. Mas quem trabalha no comércio, tipo eu, sabe que muitas vezes escutamos coisas que não gostamos e ficamos quietinhos, tentando contornar a situação do melhor jeito possível. Mas nesse caso, resolvi desabafar aqui no Página3.

Vendi algumas garrafas de vinho para um homem, na casa dos 60 anos, boa aparência, até então educado e aceitou bem as sugestões de vinhos que eu ofereci. Pagou e foi embora com a caixa de vinhos. Tudo normal. Até que no dia seguinte ele, telefona para a loja e me solta os cachorros porque entre os vinhos, havia um com tampa rosca ao invés de rolha.

Pra quê?! Me deu um sermão sem fim, sobre como os vinhos sem rolha são “tudo porcaria”, são “vinhos baratos”, são vinhos “pra quem não entende nada de vinhos” e o resto da ladainha eu ativei meu ouvido seletivo e não lembro mais ao certo. É obvio que vou preservar a identidade da pessoa, mas você que me ligou, fique sabendo que você é um b... Não consigo!

Mas aproveito a situação para deixar bem claro que as screwcaps, como são chamadas essas tampas roscadas de alumínio, são amigas! Elas vêm para preservar melhor o vinho na gôndola do mercado, pra facilitar a vida do garçom, pra você não precisar pedir o saca-rolhas emprestado do vizinho, pra ser fácil de fechar a garrafa e beber o resto no dia seguinte e para baratear o custo total do vinho.

Aliás, a grosso modo, o preço que você paga em uma garrafa de vinho, é composto pelo vinho (líquido), pela garrafa (vidro), rótulo e rolha (e impostos, óbvio!). Então lembre-se de que, quando você compra um vinho numa garrafa chique, com um rótulo cheio de brilho ou purpurina e com uma rolha de cortiça da melhor qualidade, você está pagando por tudo isso. E nada disso pode fazer um vinho (líquido) ruim ficar bom. Pode até fazer bem pro ego e, se você aceita pagar, ok. Muitos vinhos merecem e precisam de boas garrafas e rolhas, mas minha crítica é que tem muita gente ainda preferindo pagar mais caro na rolha que no vinho.

Sobre o cliente, sugeri que me devolvesse a garrafa. Eu trocaria por outra ou devolveria o dinheiro. Mas ele já tinha bebido tudo.

 

Escrito por Carlos Mayer, 21/01/2019 às 10h39 | carlos@casamayer.com.br



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