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Coluna
Vinho comigo
Por Carlos Mayer

Vinhas velhas

Com este texto, completo três safras de produção! Foram 26 postagens, o que dá uma média de um texto a cada mês e meio, mais ou menos. Achei que produzi pouco...

Uma videira ao ser plantada, também não produz muito em seus primeiros anos. Neste tempo, a vinha considera mais importante se fortalecer no solo, criar raízes e um tronco firme, do que produzir frutos. Vou usar da mesma desculpa.

Após este tempo, com os frutos que a videira produz, já é possível elaborar vinhos com muito boa qualidade e melhorando ano após ano. Durante um período de quinze ou vinte anos, a videira se mantém firme na produção, gerando boas uvas e grandes safras em volume, mas depois disso, o cenário muda. A partir daí, elas já podem ser consideradas “vinhas velhas”, e a quantidade, definitivamente, deixa de ser o foco.

Neste estágio, as vinhas velhas já não produzem mais com tanto vigor, todavia, é possível obter um ganho de qualidade significativo, além de proporcionar um caráter exclusivo ao vinho. Vinhas velhas não são tão comuns. Uma praga, chamada filoxera, devastou grande parte dos vinhedos do mundo em meados do século XIX. Logo, as vinhas mais velhas não passam de 150 anos, com raras exceções. No Brasil, as mais antigas estão na cidade de Santana do Livramento, RS, nos vinhedos da Vinícola Almadén. Foram plantadas em 1977 e estão hoje com 41 anos. O vinho feito com elas ilustra esse post.

Comparo as vinhas velhas aos profissionais aposentados, bem vividos, bem-sucedidos, cheios de experiência e que ainda trabalham. Mas trabalham no ritmo que desejam, sem pressão, meta ou preocupação. O resultado, ou seja, o vinho produzido, é admirado e desejado por todos.

Vou finalizar com uma frase de Kevin Glastonbury, enólogo australiano, que copiei de uma matéria da Revista Adega (Inner): “As vinhas velhas não são boas porque são velhas, elas são velhas porque são boas”.

Com essa frase em mente, vou trabalhar para poder envelhecer!

Escrito por Carlos Mayer, 20/09/2018 às 18h38 | carlos@casamayer.com.br



Carlos Mayer

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Com este texto, completo três safras de produção! Foram 26 postagens, o que dá uma média de um texto a cada mês e meio, mais ou menos. Achei que produzi pouco...

Uma videira ao ser plantada, também não produz muito em seus primeiros anos. Neste tempo, a vinha considera mais importante se fortalecer no solo, criar raízes e um tronco firme, do que produzir frutos. Vou usar da mesma desculpa.

Após este tempo, com os frutos que a videira produz, já é possível elaborar vinhos com muito boa qualidade e melhorando ano após ano. Durante um período de quinze ou vinte anos, a videira se mantém firme na produção, gerando boas uvas e grandes safras em volume, mas depois disso, o cenário muda. A partir daí, elas já podem ser consideradas “vinhas velhas”, e a quantidade, definitivamente, deixa de ser o foco.

Neste estágio, as vinhas velhas já não produzem mais com tanto vigor, todavia, é possível obter um ganho de qualidade significativo, além de proporcionar um caráter exclusivo ao vinho. Vinhas velhas não são tão comuns. Uma praga, chamada filoxera, devastou grande parte dos vinhedos do mundo em meados do século XIX. Logo, as vinhas mais velhas não passam de 150 anos, com raras exceções. No Brasil, as mais antigas estão na cidade de Santana do Livramento, RS, nos vinhedos da Vinícola Almadén. Foram plantadas em 1977 e estão hoje com 41 anos. O vinho feito com elas ilustra esse post.

Comparo as vinhas velhas aos profissionais aposentados, bem vividos, bem-sucedidos, cheios de experiência e que ainda trabalham. Mas trabalham no ritmo que desejam, sem pressão, meta ou preocupação. O resultado, ou seja, o vinho produzido, é admirado e desejado por todos.

Vou finalizar com uma frase de Kevin Glastonbury, enólogo australiano, que copiei de uma matéria da Revista Adega (Inner): “As vinhas velhas não são boas porque são velhas, elas são velhas porque são boas”.

Com essa frase em mente, vou trabalhar para poder envelhecer!

Escrito por Carlos Mayer, 20/09/2018 às 18h38 | carlos@casamayer.com.br



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