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Coluna
Vinho comigo
Por Carlos Mayer

O gosto do vinho

Finalmente o vinho vai à boca! Fazer a análise sensorial do vinho é uma situação daquelas em que provamos a relatividade do tempo. Os segundos usados para olhar o vinho e depois para cheirar o vinho parecem eternos. O visual e o aroma aguçam nossa sede de beber, tornando esta última parte ainda mais prazerosa.

Com o vinho na boca, percebemos os gostos como a doçura, amargor, acidez até mesmo salgado e umami em alguns vinhos. Sabores também marcam presença trazendo comparações tal qual no aroma: notas de frutas vermelhas, banana ou especiarias, por exemplo. Bem comum repetir no paladar o que percebemos no nariz, mas não é difícil ter surpresas como vinhos doces no aroma, mas secos no paladar. Outro ponto a perceber no vinho, na análise gustativa, são as sensações táteis. Estas são exclusivas deste momento. Percebemos o peso do vinho, a efervescência, perlage e também o tanino.

O peso ou corpo do vinho é sensação de preenchimento da nossa boca ao beber o vinho. Comparando, é como se fosse a diferença entre o leite integral e o leite desnatado, um é fino e o outro grosso. Da mesma forma que o leite integral é mais rico em gordura, o vinho encorpado é mais rico em diversos elementos que o tornam mais pesado, denso e untuoso. Normalmente vinhos mais encorpados bebemos mais devagar, são mais “bebericados”, não por regra ou etiqueta, mas porque assim descem melhor.

A efervescência e o perlage, são a espuma do vinho, ou melhor, do vinho frisante ou do espumante. Estes vinhos precisam ter gás, se não tiverem é ruim. Via de regra o perlage bom é fino, delicado, abundante, constante e persistente. O espumante deve se manter vivo na taça o tempo que for preciso, se o gás acabar logo, perde a graça. Na boca, sentimos picadas, estalos, borbulhas e cremosidade.

O tanino, por sua vez, é amado e odiado. Tanino é adstringência. Tem pessoas que o procuram e o consideram o principal do vinho. Vinho que não trava na boca, parece incompleto. Outras pessoas já fogem dessa sensação, vinho que amarra, vinho que agride, que não desce delicado na boca. Aqui não há classificação por qualidade, é preferência pessoal. Mas todo vinho tinto tem tanino, alguns mais outros menos, alguns mais macios, outros menos polidos. Encontre o seu. Vinhos brancos não tem taninos, se tiverem, serão praticamente imperceptíveis.
Agora que já conversamos sobre como fazer a análise sensorial do vinho, recomendo só fazê-la se quiser. Nada disso é regra para beber vinho.

A regra é gostar e beber!
 

Escrito por Carlos Mayer, 31/03/2018 às 11h26 | carlos@casamayer.com.br



Carlos Mayer

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O gosto do vinho

Finalmente o vinho vai à boca! Fazer a análise sensorial do vinho é uma situação daquelas em que provamos a relatividade do tempo. Os segundos usados para olhar o vinho e depois para cheirar o vinho parecem eternos. O visual e o aroma aguçam nossa sede de beber, tornando esta última parte ainda mais prazerosa.

Com o vinho na boca, percebemos os gostos como a doçura, amargor, acidez até mesmo salgado e umami em alguns vinhos. Sabores também marcam presença trazendo comparações tal qual no aroma: notas de frutas vermelhas, banana ou especiarias, por exemplo. Bem comum repetir no paladar o que percebemos no nariz, mas não é difícil ter surpresas como vinhos doces no aroma, mas secos no paladar. Outro ponto a perceber no vinho, na análise gustativa, são as sensações táteis. Estas são exclusivas deste momento. Percebemos o peso do vinho, a efervescência, perlage e também o tanino.

O peso ou corpo do vinho é sensação de preenchimento da nossa boca ao beber o vinho. Comparando, é como se fosse a diferença entre o leite integral e o leite desnatado, um é fino e o outro grosso. Da mesma forma que o leite integral é mais rico em gordura, o vinho encorpado é mais rico em diversos elementos que o tornam mais pesado, denso e untuoso. Normalmente vinhos mais encorpados bebemos mais devagar, são mais “bebericados”, não por regra ou etiqueta, mas porque assim descem melhor.

A efervescência e o perlage, são a espuma do vinho, ou melhor, do vinho frisante ou do espumante. Estes vinhos precisam ter gás, se não tiverem é ruim. Via de regra o perlage bom é fino, delicado, abundante, constante e persistente. O espumante deve se manter vivo na taça o tempo que for preciso, se o gás acabar logo, perde a graça. Na boca, sentimos picadas, estalos, borbulhas e cremosidade.

O tanino, por sua vez, é amado e odiado. Tanino é adstringência. Tem pessoas que o procuram e o consideram o principal do vinho. Vinho que não trava na boca, parece incompleto. Outras pessoas já fogem dessa sensação, vinho que amarra, vinho que agride, que não desce delicado na boca. Aqui não há classificação por qualidade, é preferência pessoal. Mas todo vinho tinto tem tanino, alguns mais outros menos, alguns mais macios, outros menos polidos. Encontre o seu. Vinhos brancos não tem taninos, se tiverem, serão praticamente imperceptíveis.
Agora que já conversamos sobre como fazer a análise sensorial do vinho, recomendo só fazê-la se quiser. Nada disso é regra para beber vinho.

A regra é gostar e beber!
 

Escrito por Carlos Mayer, 31/03/2018 às 11h26 | carlos@casamayer.com.br



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