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Coluna
Vinho comigo
Por Carlos Mayer

O visual do vinho.

Olhar o vinho, o primeiro contato com a bebida tão logo ela sai da garrafa. Dá água na boca só de ver o vinho escorrendo pelas paredes da taça. O movimento vai parando lentamente até que ele repouse tranquilo, antes do primeiro gole.


Mas calma lá! Nada de goles ainda. No último texto (antes das férias) avisei que iríamos analisar o vinho mais lentamente, começando pelo visual, ou seja, apenas olhando para ele. Nas primeiras vezes parecerá tortura, mas logo notamos que as preliminares também são boas.

Mas olhar o que?! Começamos pelo mais óbvio: a cor do vinho. Os vinhos são divididos em três grandes grupos por cor. Os tintos que são de cor vermelha, os roses que são rosados ou vermelhos bem fraquinho, e os brancos, que nunca são brancos, mas amarelos. Além da cor, ao olhar o vinho é possível ainda deduzir características como corpo, idade e até imaginar um pouco dos aromas e sabores.

Quando a cor do vinho for mais intensa e forte, o vinho será mais encorpado. Um tinto de cor vermelho escuro, bordô, as vezes até lembrando o marrom, será pesado de beber, será um vinho tinto encorpado. O mesmo para o branco, se o tom de amarelo for mais escuro, menos transparente, mais dourado, será também encorpado. Todavia, dificilmente um vinho branco será mais encorpado que um tinto, é preciso ter em mente a cor do vinho, a cor pesa mais que o tom. Destaco que o corpo do vinho perceberemos de verdade, bebendo, agora é apenas uma primeira impressão.

Olhando para o vinho, podemos notar quão jovem ou maduro ele é. O tempo passa de forma diferente para cada tipo de vinho, uns duram mais, outros menos, daí esse aspecto nos ajuda bastante a entender os vinhos. Com o passar do tempo, vinhos tintos perdem cor, vão ficando menos vivos, os tons violeta, rubi e bordô vão sumindo e passam a predominar tons alaranjados, semelhante a telha ou tijolo. Nos vinhos brancos ocorre o contrário, com o passar do tempo ganham cor. O vinho que quando jovem era amarelo bem clarinho, quase água, passa a ter tons mais fortes, indo ao dourado. Os roses se comportam um pouco como tintos e um pouco como brancos. Ganham cor como os brancos, mas também adquirem o toque alaranjado dos tintos. Conhecendo a idade do vinho, é possível fazer uma avaliação mais justa, se um vinho branco, por exemplo, já não tem toda aquela acidez que gostaríamos, ou se um tinto exagera nas notas amadeiradas. Lembrando que o passar do tempo pode trazer defeitos, mas também qualidades para os vinhos.

Aromas e sabores são mais subjetivos de se deduzir a partir do visual, mas dá para pensar algumas coisas no olhar. Tintos jovens terão aromas e sabores também jovem, frutas vermelhas não muito madura, mais ácidas, talvez algumas notas florais como lavanda, rosa ou violeta. Tintos mais maduros terão aromas de frutas vermelhas maduras, as vezes pacificadas ou secas, podem ter também especiarias e as famosas notas de madeira, caso o vinho tenha envelhecido em barricas.

Ah! Claro, não poderíamos deixar de dar aquele famoso girozinho com a taça, sempre muito charmoso (às vezes desastrado no meu caso), que faz o vinho passear novamente pela taça, e quando paramos, observamos as lágrimas no vinho. Essas lágrimas, ou pernas, são formadas pelo vinho que escorre para o fundo da taça, e a regra é: quanto mais lágrimas tivermos e mais lentamente elas forem ao fundo, mais alcoólico é o vinho. No giro, o álcool presente se evapora mais rápido, sobrando na parede da taça os demais elementos presentes no vinho, entre eles os açúcares, que tendem e ser mais viscosos.

Olhar para o vinho é ter a primeira impressão a seu respeito. Olhar também precisa ser gostoso, afinal comemos e bebemos com os olhos. Confie no seu olhar. Mas se você não gostar do aspecto do vinho, torça o nariz. Falando em nariz, este será o tema do próximo texto.

Escrito por Carlos Mayer, 23/01/2018 às 10h39 | carlos@casamayer.com.br



Carlos Mayer

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