Jornal Página 3
Coluna
Céres Felski
Por Céres Fabiana Felski

Sorria menos, por favor.

Tenho observado que grande parte dos meus amigos saiu das redes sociais. Inclusive notei até que os que nunca estiveram numa me parecem bem mais felizes (embora eu ache engraçado quando eles fazem algum comentário do tipo “não sei, como que é isso?” quando a gente se refere ao stories, por exemplo). Junto a isto, também tenho me analisado, e notado que ando acessando as redes cada vez com menor frequencia, e que não apenas não me faz falta como me parece ser até mais divertido.

Na semana passada enviei uma boneca de pano pra uma priminha linda que mora em São Paulo, e me lembrei que no ano anterior eu tinha recebido um bilhetinho manuscrito do vô dela e do quanto isso tinha me feito feliz. Não tive dúvidas, procurei papel de carta (ainda existe, acreditam?), uma caneta e sentei para escrever. A primeira sensação, preciso confessar, foi de dor no punho. Quanto tempo faz que não escrevo mais a mão? Nem me lembro… no consultório, no hospital, em casa, tudo informatizado. Caneta só pra assinar o nome, e pense que não uso talão de cheques há anos, então até isso é pouco.

Escrevi a primeira cartinha, a segunda, e logo tinha escrito para vários primos. E senti novamente o sabor de colocar no papel os sentimentos, e parece que assim, manuscritos, eles ficam até mais palpáveis. Sim, ao manuscrever cada cartinha, meu coração transbordou de amor e algumas lágrimas até chegaram aos olhos, a garganta apertou de saudade…

O que isso tem a ver com o início da conversa? Simples, estamos cansando de mundos de fachada, de poses de comercial, de vidas perfeitamente fakes. Por isso, estou pensando seriamente em sair das redes sociais, pelo menos por um tempo. Quero recordar que sou e somos reais, que sorrimos mas também choramos, temos momentos de raiva, de dor, de solidão. Não é só de alegria que a vida é feita, aliás, é nos momentos difíceis que a gente cresce.

Há alguns dias, um amigo me fez refletir muito nisso: quantos amigos de verdade você tem? Então, por favor, sorria menos. Seja mais você. O mundo precisa de gente de verdade.

 

Escrito por Céres Fabiana Felski, 21/12/2017 às 12h58 | cereshmrc@gmail.com



Céres Fabiana Felski

Assina a coluna Céres Felski

Médica formada pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1991, atuando na rede pública de Balneário Camboriú há quase 20 anos. Escritora, apaixonada por educação em saúde e literatura. Lançou romances educativos sobre insuficiência renal crônica, hemodialise, diabetes tipo 1 (insulinodependente), diabetes 2 (não insulinodependente), além de livros de poesia. Blogueira (www.ceresfelski.com.br)


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Céres Felski
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Sorria menos, por favor.

Tenho observado que grande parte dos meus amigos saiu das redes sociais. Inclusive notei até que os que nunca estiveram numa me parecem bem mais felizes (embora eu ache engraçado quando eles fazem algum comentário do tipo “não sei, como que é isso?” quando a gente se refere ao stories, por exemplo). Junto a isto, também tenho me analisado, e notado que ando acessando as redes cada vez com menor frequencia, e que não apenas não me faz falta como me parece ser até mais divertido.

Na semana passada enviei uma boneca de pano pra uma priminha linda que mora em São Paulo, e me lembrei que no ano anterior eu tinha recebido um bilhetinho manuscrito do vô dela e do quanto isso tinha me feito feliz. Não tive dúvidas, procurei papel de carta (ainda existe, acreditam?), uma caneta e sentei para escrever. A primeira sensação, preciso confessar, foi de dor no punho. Quanto tempo faz que não escrevo mais a mão? Nem me lembro… no consultório, no hospital, em casa, tudo informatizado. Caneta só pra assinar o nome, e pense que não uso talão de cheques há anos, então até isso é pouco.

Escrevi a primeira cartinha, a segunda, e logo tinha escrito para vários primos. E senti novamente o sabor de colocar no papel os sentimentos, e parece que assim, manuscritos, eles ficam até mais palpáveis. Sim, ao manuscrever cada cartinha, meu coração transbordou de amor e algumas lágrimas até chegaram aos olhos, a garganta apertou de saudade…

O que isso tem a ver com o início da conversa? Simples, estamos cansando de mundos de fachada, de poses de comercial, de vidas perfeitamente fakes. Por isso, estou pensando seriamente em sair das redes sociais, pelo menos por um tempo. Quero recordar que sou e somos reais, que sorrimos mas também choramos, temos momentos de raiva, de dor, de solidão. Não é só de alegria que a vida é feita, aliás, é nos momentos difíceis que a gente cresce.

Há alguns dias, um amigo me fez refletir muito nisso: quantos amigos de verdade você tem? Então, por favor, sorria menos. Seja mais você. O mundo precisa de gente de verdade.

 

Escrito por Céres Fabiana Felski, 21/12/2017 às 12h58 | cereshmrc@gmail.com



Céres Fabiana Felski

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Médica formada pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1991, atuando na rede pública de Balneário Camboriú há quase 20 anos. Escritora, apaixonada por educação em saúde e literatura. Lançou romances educativos sobre insuficiência renal crônica, hemodialise, diabetes tipo 1 (insulinodependente), diabetes 2 (não insulinodependente), além de livros de poesia. Blogueira (www.ceresfelski.com.br)


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