Jornal Página 3
Coluna
Nascer
Por Ellen Mendes

Primeiro Olhar


Naquele momento por uma fração de segundos nada mais importa: se as contas estão em dia, se a casa está limpa, se o trabalho está ok, se a família está bem, se você tem preocupações. Naquele breve instante você só consegue olhar naqueles olhos profundos que acabaram de chegar e estão fixos nos seus. Não existe definição para essa sensação, alguns chamam de janelas do céu, outros que esse é o verdadeiro amor à primeira vista.

Essa busca através do olhar tem definição científica: imprinting, estudado pelo cientista austríaco Konrad Lorenz. Ele observou que os patos, assim que saíam dos ovos, buscavam o primeiro objeto que se movia em sua frente e o seguiam como se fosse sua mãe (mesmo não sendo). Essa ligação é como se fosse um carimbo, imediato e irreversível no sistema nervoso. No ambiente natural o imprinting é a primeira forma de sobrevivência dos recém nascidos, que devem reconhecer os pais pela probabilidade de ataques de outros animais.

Com os humanos o primeiro olhar deve ser com a mãe: no emocional garante o vínculo imediato; no fisiológico, faz a parturiente produzir mais ocitocina, que é a responsável pela ejeção do leite e sensação de segurança, confiança e amor. O corpo da mulher se prepara para ter o bebê nos braços, a temperatura corporal eleva no peito para compensar a temperatura do recém nascido. Quando respeitada a primeira hora de vida, conhecida como hora dourada, esse primeiro olhar se estende para lambidas nos seios, cheiro, reconhecimento, e a primeira mamada, enquanto o reflexo de sucção do bebê está muito ativo e a amamentação é facilitada.

O contato da mãe e do bebê é natural, o vínculo original é beneficiado se houver poucas ou nenhumas interferências nesse momento precioso. No sistema nervoso do bebê o olhar da mãe fica carimbado como sua segurança, sua sobrevivência. Na mãe os olhos brilhantes do bebê acendem o instinto para os cuidados, a proteção. A pele macia, o cheiro, grunhidos e olhar marcante e profundo ficarão para sempre na memória.

Deixem os bebês chegar com calma.
Deixem os bebês terem os olhos das mães como primeira marca de amor.

Escrito por Ellen Mendes, 14/10/2020 às 14h18 | ellenmendesfotografia@gmail.com



Ellen Mendes

Assina a coluna Nascer

Ellen Mendes é mãe de três meninas, fotógrafa de nascimentos e encantada pelo universo do parto natural.














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Naquele momento por uma fração de segundos nada mais importa: se as contas estão em dia, se a casa está limpa, se o trabalho está ok, se a família está bem, se você tem preocupações. Naquele breve instante você só consegue olhar naqueles olhos profundos que acabaram de chegar e estão fixos nos seus. Não existe definição para essa sensação, alguns chamam de janelas do céu, outros que esse é o verdadeiro amor à primeira vista.

Essa busca através do olhar tem definição científica: imprinting, estudado pelo cientista austríaco Konrad Lorenz. Ele observou que os patos, assim que saíam dos ovos, buscavam o primeiro objeto que se movia em sua frente e o seguiam como se fosse sua mãe (mesmo não sendo). Essa ligação é como se fosse um carimbo, imediato e irreversível no sistema nervoso. No ambiente natural o imprinting é a primeira forma de sobrevivência dos recém nascidos, que devem reconhecer os pais pela probabilidade de ataques de outros animais.

Com os humanos o primeiro olhar deve ser com a mãe: no emocional garante o vínculo imediato; no fisiológico, faz a parturiente produzir mais ocitocina, que é a responsável pela ejeção do leite e sensação de segurança, confiança e amor. O corpo da mulher se prepara para ter o bebê nos braços, a temperatura corporal eleva no peito para compensar a temperatura do recém nascido. Quando respeitada a primeira hora de vida, conhecida como hora dourada, esse primeiro olhar se estende para lambidas nos seios, cheiro, reconhecimento, e a primeira mamada, enquanto o reflexo de sucção do bebê está muito ativo e a amamentação é facilitada.

O contato da mãe e do bebê é natural, o vínculo original é beneficiado se houver poucas ou nenhumas interferências nesse momento precioso. No sistema nervoso do bebê o olhar da mãe fica carimbado como sua segurança, sua sobrevivência. Na mãe os olhos brilhantes do bebê acendem o instinto para os cuidados, a proteção. A pele macia, o cheiro, grunhidos e olhar marcante e profundo ficarão para sempre na memória.

Deixem os bebês chegar com calma.
Deixem os bebês terem os olhos das mães como primeira marca de amor.

Escrito por Ellen Mendes, 14/10/2020 às 14h18 | ellenmendesfotografia@gmail.com



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