Jornal Página 3
Coluna
Mobilidade Urbana BC
Por Henrique da Silva Wendhausen

Mobilidade Urbana x Mobilidade Humana

 
Conceito pessoal "a mobilidade urbana é o conjunto da infraestrutura de ruas, calçadas e ciclovias e mobilidade humana é o próprio ser humano se deslocando a pé, de bicicleta, de cadeira de rodas, motocicletas, carros, ônibus, carretas e outros". Esta sequência leva a um conceito básico que está bem informado no CTB (código de transito Brasileiro )  "NO TRÂNSITO O MAIOR PROTEGE O MENOR" coisa simples de se entender para qualquer pessoa. O trânsito faz parte do nosso dia a dia, mesmo para aqueles que são meros pedestres.
 
Todos tentam ocupar o seu espaço nas ruas da melhor maneira possível é o que vemos no dia a dia.
Mas para que façamos o nosso deslocamento por nossa ou outra e qualquer cidade, temos que nos encontrar com os outros, que também estão tentando o mesmo que nos. E é nesta situação que surgem as "brigas" pelos espaços por onde queremos nos deslocar, sejam nas ruas, nas calçadas ou ciclovias.  Falo em "brigas" por que é o que vemos nas ruas por todas as cidades, estamos todos querendo desafiar uma lei da física, "dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo" nesta situação acabamos nos tornando seres irracionais, tomamos atitudes de agressão para com os outros sem nos lembrarmos de que vira e mexe estamos no seu lugar. Exemplo: o motorista que não para na faixa de segurança para pedestres, lhe negando a preferência por ser o mais frágil, sendo que em outro momento este mesmo motorista vira um pedestre e xinga a um igual pela mesma atitude. Outra, estacionar o carro em vagas não permitidas (deficiente físico, idoso) alegando que é uma rápida parada e em outro momento você reclama do motorista que estacionou ocupando duas vagas ao mesmo tempo.    
 
Como podemos resolver estas situações que geram atitudes tão negativas no deslocamento das pessoas pelas ruas? A resposta é simples, cada um tem que fazer a sua parte corretamente. Começando pelo poder público que tem que projetar a infraestrutura com o olhar voltado para o coletivo, calçadas que possam receber as pessoas com suas respectivas necessidades, transportes de massas e integração entre os mesmos, ciclovias e ciclofaixa e por ai vai. Em contra partida, os cidadãos tem que fazer corretamente o uso destas infraestruturas, cada qual no seu lugar, respeitando as regras. Mas infelizmente não é o que vemos aqui em Balneário Camboriú.
 
O poder público divulga que está investindo na melhoria da mobilidade urbana, como exemplo cita a implementação das calçadas padrões e ciclovias. Mas não conseguimos enxergar ou sentir a evolução destas obras, por que estão sempre inacabadas. Ao caminharmos pelas calçadas vemos que não há continuidade na estrutura, notamos que são bem projetadas, mas mal executadas. Exemplos: rampas de acessibilidade que dão em bueiros, pisos podotátil que contém postes e outros mobiliários no seu segmento. Quando pedalamos pelas ciclovias e ciclofaixas, que existem para gerar segurança aos ciclistas, nos sentimos inseguros pela falta de sinalizações, carros adentram por estas com a maior facilidade, pondo em risco as vidas que por ali transitam. Da mesma maneira os motoristas não ligam ou não prestam a atenção aos sinais de transito, cruzam vias aonde não é permitido, avançam em sinais fechados, não param nas faixa de pedestres e outras situações mais. Já os ciclistas também ficam a desejar, pois pedalam na contra mão das vias, mesmo em locais aonde há ciclovias, andam sobre as calçadas e também não respeitam os pedestres nas faixas. Posso citar aqui inúmeros erros cometidos por todos, mas este não é o meu objetivo e sim mostrar que podemos evoluir em tudo isto e chegar a uma infraestrutura aonde possamos ocupar os espaços sem nos preocuparmos se este já está sendo ocupado por outro.
 
Para finalizar, temos que cobrar dos poderes públicos para que a infraestrutura da mobilidade urbana seja construída de maneira correta, com a devida qualidade, para que a mobilidade humana seja respeitada e possa evoluir com a devida naturalidade que todos nós temos direito.
Escrito por Henrique da Silva Wendhausen, 10/04/2015 às 11h19 | h.s.wendhausen@gmail.com

Balneário Camboriú, uma ilha na Mobilidade Urbana da AMFRI

 
Termina este mês o prazo para as cidades brasileiras com até 20 mil habitantes elaborarem o Plano Municipal de Mobilidade Urbana, sob pena de não receberem mais verbas federais para projetos de mobilidade urbana enquanto o plano não estiver em vigência.
 
Algumas Secretarias de Planejamento de grandes cidades brasileiras fizeram pedido ao Ministério das Cidades para prorrogação da entrega do plano e estão aguardando uma resposta.
 
O Ministério das Cidades através de sua assessoria de imprensa já adiantou que não há estimativa para prorrogação. “O prazo estabelecido em lei, que é abril de 2015, marca na verdade o início da obrigatoriedade como requisito para contratação de novas operações que utilizem recursos orçamentários federais, porém a resolução, contudo, não interfere no repasse de recursos para contratos antigos”.
 
Existe ainda o Projeto de Lei 7898/2014 que se encontra atualmente na Comissão de Desenvolvimento Urbano do Congresso Nacional para parecer do relator, propondo a alteração do art. 24 da Lei nº 12.587, de 3 de janeiro de 2012, para estender o prazo exigido para a apresentação dos Planos de Mobilidade Urbana de 3 (três) para 6 (seis) anos. Pelo curto prazo de tempo até a vigência da lei, talvez não seja possível que seja votado até o prazo final.
 
A lei de Mobilidade Urbana Nacional é do ano de 2012, e previa 3 (três) anos para que as cidades elaborassem e aprovassem as leis municipais, mas na maioria das cidades isso não ocorreu.
 
Mesmo que seja aprovada a prorrogação, Balneário Camboriú perdeu uma oportunidade única de se credenciar a receber verba federal para seus projetos, tendo em vista que o número de cidades brasileiras aptas a receber as verbas neste momento é pequeno, facilitando, portanto o recebimento daquelas que já elaboraram os planos e tem projetos de mobilidade para captação de recursos federais.
 
Infelizmente, Balneário Camboriú parece uma ilha em relação aos municípios da AMFRI (Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí), pois ao invés de planejar e executar projetos em conjunto com os municípios vizinhos (Itajaí, Camboriú, Itapema) como é feito, por exemplo, na Grande Florianópolis com o PLAMUS (Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis), nossa cidade sequer iniciou os estudos iniciais.
 
Os municípios da AMFRI já contrataram, em novembro de 2014, a consultoria técnica da empresa a Le Padron para a elaboração dos Planos na região, e o estudo já está na fase de diagnóstico, com previsão de entrega no começo de julho de 2015 da Minuta de Termo de Acordo e Cooperação Técnica e/ou Convênio entre os Municípios Signatários do PlaMob Regional da AMFRI.
 
Enquanto não planejarmos e executarmos nossa cidade em conjunto com as cidades vizinhas, continuaremos apenas apagando fogo e tentando resolver os problemas pontuais do dia a dia.
 
Já passou da hora de pensarmos a Mobilidade em BC de forma organizada, ouvindo a opinião da sociedade civil organizada, das associações, que tem suas atividades voltadas à melhoria da Mobilidade Urbana em nossa cidade.
 
Verba para projetos de mobilidade existem, mas infelizmente faltam projetos para captação destes recursos, e falta principalmente vontade política para acelerar estes processos, que só irão acontecer de forma efetiva, através do chamamamento e do envolvimento da comunidade para discutir o assunto.
 
 
Escrito por , 31/03/2015 às 11h44 |

Mobilidade Urbana BC

 

Saímos das redes sociais e chegamos ao Jornal Página 3 Online.

Há 2 anos, criamos um grupo no Facebook chamado Mobilidade Urbana BC, que tinha a finalidade de discutir políticas de Mobilidade Urbana para Balneário Camboriú, felizmente a aceitação e a repercussão dos assuntos lá discutidos foi muito boa, tanto que recebemos um convite no começo deste ano, para assinarmos esta coluna no Página 3 Online.

O assunto é muito amplo e ao longo de nossas publicações, vocês verão que o tema esta no dia a dia de todos nós, mesmo aqueles que desconhecem o assunto, mais cedo ou mais tarde serão afetados pela falta de Mobilidade Urbana, para isso é necessário discutirmos o assunto e juntos escolhermos um novo caminho a seguir.

A partir de hoje dividirei este espaço com dois amigos, Chaves Júnior (presidente da ACBC - Associação de Ciclismo de Balneário Camboriú e Camboriú) e Henrique Wendhausen (ex-presidente da ACBC). Este espaço será atualizado no mínimo duas vezes por semana, trazendo assuntos relativos a Mobilidade Urbana, notícias e boas ideias que estão sendo discutidas e implementadas em outras cidades do Brasil e do Mundo.

Porém, antes de discutirmos a Mobilidade de Balneário Camboriú, entendo que é necessário contar um pouco da minha ligação com a cidade, bicicleta e cicloativismo.

Meu nome é Fernando Marchiori, sou advogado, tenho 41 anos, e moro em Balneário Camboriú há 30 anos.

Como todos que vivem aqui, percebi que a cada ano que se passa fica mais difícil me deslocar de automóvel pelas ruas da nossa cidade, foi então que há 4 anos tomei a decisão de mudar a forma de me deslocar até o trabalho. Comprei uma bicicleta, depois de muitos anos só fazendo uso de carro, talvez tenha sido uma das melhores escolhas que fiz nos últimos tempos.

A partir desta data comecei ver a cidade de outra forma, comecei a pedalar pelas ruas que passava pouquíssimas vezes, descobri atalhos, e também muitos lugares, dentre eles lojas, comércios, restaurantes que nunca descobriria se continuasse passando somente de carro.

Descobri ainda que a vida em cima de uma bicicleta passa mais lentamente, do que na loucura do trânsito.
Mas é claro, nem tudo são flores, descobri também as dificuldades que os ciclistas enfrentam diariamente, sol e calor, chuvas e frio, a falta de vias adequadas para trafegar, a falta de interligação entre as vias que existem, a falta de conservação e sinalização das vias existentes, a falta de respeito dos motoristas, motociclistas e também dos pedestres, que na atravessam fora da faixa de segurança, cruzando muitas vezes as ciclovias existentes na cidade, colocando em risco a suas próprias vidas.

Foi assim que há 4 anos me tornei, mais um cicloativista, que nada mais é do que aquele que fazem o ativismo político voltado ao uso da bicicleta como meio de transporte, reivindicando direitos dos ciclistas e sua segurança nas vias públicas, pressionando autoridades para garantirem esses direitos.

Acredito que nestes últimos anos avançamos bastante, principalmente em relação ao ciclismo, devido ao trabalho árduo, incansável e voluntário, de pessoas que fortaleceram a ACBC - Associação de Ciclismo de Balneário Camboriú e Camboriú, e que, assim como eu, lutam pela melhoria constante e progressiva na mobilidade ciclística da cidade.

Creio que possamos avançar muito mais, e entendo que o primeiro passo seria cobrar que nossos governantes cumprissem o que determina a legislação, em especial a Lei 12.587/2012, Lei Nacional de Mobilidade Urbana, em vigor desde 2012, e que sequer teve sua discussão pública iniciada em Balneário Camboriú. Esta lei define regras para que essas políticas sejam definidas, priorizando sempre o meio de transporte coletivo motorizado (ônibus, metrô, trem, etc) ao invés do individual motorizado (carro), bem como a prioridade do meio de transporte individual não motorizado (bicicleta) ao invés do individual motorizado (motocicleta).

A estrada é longa, e corremos contra o tempo, mas tenho a certeza que, com a contribuição de pessoas dispostas a ajudar com ideias, críticas construtivas, ou soluções para os problemas conhecidos, possamos tornar Balneário Camboriú cada dia melhor, não só para nós que escolhemos aqui para viver, mas também para todas as pessoas que nos visitam todos os anos.

Aproveito ainda está primeira coluna para, em nome do Chaves Junior e Henrique, agradecer a confiança depositada em nós pelo Jornal Página 3 e os Jornalistas Waldemar, Marlise e Dani.

Sintam-se à vontade para participar, com críticas e sugestões através deste espaço, por email: moburbanabc@gmail.com ou através do nosso grupo no Facebook: Mobilidade Urbana BC

Até breve.

Escrito por , 11/03/2015 às 16h01 |



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Henrique da Silva Wendhausen

Assina a coluna Mobilidade Urbana BC

Administrador e cicloativista. Presidente da Associação de Ciclismo de Balneário Camboriú


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Por Henrique da Silva Wendhausen

Mobilidade Urbana x Mobilidade Humana

 
Conceito pessoal "a mobilidade urbana é o conjunto da infraestrutura de ruas, calçadas e ciclovias e mobilidade humana é o próprio ser humano se deslocando a pé, de bicicleta, de cadeira de rodas, motocicletas, carros, ônibus, carretas e outros". Esta sequência leva a um conceito básico que está bem informado no CTB (código de transito Brasileiro )  "NO TRÂNSITO O MAIOR PROTEGE O MENOR" coisa simples de se entender para qualquer pessoa. O trânsito faz parte do nosso dia a dia, mesmo para aqueles que são meros pedestres.
 
Todos tentam ocupar o seu espaço nas ruas da melhor maneira possível é o que vemos no dia a dia.
Mas para que façamos o nosso deslocamento por nossa ou outra e qualquer cidade, temos que nos encontrar com os outros, que também estão tentando o mesmo que nos. E é nesta situação que surgem as "brigas" pelos espaços por onde queremos nos deslocar, sejam nas ruas, nas calçadas ou ciclovias.  Falo em "brigas" por que é o que vemos nas ruas por todas as cidades, estamos todos querendo desafiar uma lei da física, "dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo" nesta situação acabamos nos tornando seres irracionais, tomamos atitudes de agressão para com os outros sem nos lembrarmos de que vira e mexe estamos no seu lugar. Exemplo: o motorista que não para na faixa de segurança para pedestres, lhe negando a preferência por ser o mais frágil, sendo que em outro momento este mesmo motorista vira um pedestre e xinga a um igual pela mesma atitude. Outra, estacionar o carro em vagas não permitidas (deficiente físico, idoso) alegando que é uma rápida parada e em outro momento você reclama do motorista que estacionou ocupando duas vagas ao mesmo tempo.    
 
Como podemos resolver estas situações que geram atitudes tão negativas no deslocamento das pessoas pelas ruas? A resposta é simples, cada um tem que fazer a sua parte corretamente. Começando pelo poder público que tem que projetar a infraestrutura com o olhar voltado para o coletivo, calçadas que possam receber as pessoas com suas respectivas necessidades, transportes de massas e integração entre os mesmos, ciclovias e ciclofaixa e por ai vai. Em contra partida, os cidadãos tem que fazer corretamente o uso destas infraestruturas, cada qual no seu lugar, respeitando as regras. Mas infelizmente não é o que vemos aqui em Balneário Camboriú.
 
O poder público divulga que está investindo na melhoria da mobilidade urbana, como exemplo cita a implementação das calçadas padrões e ciclovias. Mas não conseguimos enxergar ou sentir a evolução destas obras, por que estão sempre inacabadas. Ao caminharmos pelas calçadas vemos que não há continuidade na estrutura, notamos que são bem projetadas, mas mal executadas. Exemplos: rampas de acessibilidade que dão em bueiros, pisos podotátil que contém postes e outros mobiliários no seu segmento. Quando pedalamos pelas ciclovias e ciclofaixas, que existem para gerar segurança aos ciclistas, nos sentimos inseguros pela falta de sinalizações, carros adentram por estas com a maior facilidade, pondo em risco as vidas que por ali transitam. Da mesma maneira os motoristas não ligam ou não prestam a atenção aos sinais de transito, cruzam vias aonde não é permitido, avançam em sinais fechados, não param nas faixa de pedestres e outras situações mais. Já os ciclistas também ficam a desejar, pois pedalam na contra mão das vias, mesmo em locais aonde há ciclovias, andam sobre as calçadas e também não respeitam os pedestres nas faixas. Posso citar aqui inúmeros erros cometidos por todos, mas este não é o meu objetivo e sim mostrar que podemos evoluir em tudo isto e chegar a uma infraestrutura aonde possamos ocupar os espaços sem nos preocuparmos se este já está sendo ocupado por outro.
 
Para finalizar, temos que cobrar dos poderes públicos para que a infraestrutura da mobilidade urbana seja construída de maneira correta, com a devida qualidade, para que a mobilidade humana seja respeitada e possa evoluir com a devida naturalidade que todos nós temos direito.
Escrito por Henrique da Silva Wendhausen, 10/04/2015 às 11h19 | h.s.wendhausen@gmail.com

Balneário Camboriú, uma ilha na Mobilidade Urbana da AMFRI

 
Termina este mês o prazo para as cidades brasileiras com até 20 mil habitantes elaborarem o Plano Municipal de Mobilidade Urbana, sob pena de não receberem mais verbas federais para projetos de mobilidade urbana enquanto o plano não estiver em vigência.
 
Algumas Secretarias de Planejamento de grandes cidades brasileiras fizeram pedido ao Ministério das Cidades para prorrogação da entrega do plano e estão aguardando uma resposta.
 
O Ministério das Cidades através de sua assessoria de imprensa já adiantou que não há estimativa para prorrogação. “O prazo estabelecido em lei, que é abril de 2015, marca na verdade o início da obrigatoriedade como requisito para contratação de novas operações que utilizem recursos orçamentários federais, porém a resolução, contudo, não interfere no repasse de recursos para contratos antigos”.
 
Existe ainda o Projeto de Lei 7898/2014 que se encontra atualmente na Comissão de Desenvolvimento Urbano do Congresso Nacional para parecer do relator, propondo a alteração do art. 24 da Lei nº 12.587, de 3 de janeiro de 2012, para estender o prazo exigido para a apresentação dos Planos de Mobilidade Urbana de 3 (três) para 6 (seis) anos. Pelo curto prazo de tempo até a vigência da lei, talvez não seja possível que seja votado até o prazo final.
 
A lei de Mobilidade Urbana Nacional é do ano de 2012, e previa 3 (três) anos para que as cidades elaborassem e aprovassem as leis municipais, mas na maioria das cidades isso não ocorreu.
 
Mesmo que seja aprovada a prorrogação, Balneário Camboriú perdeu uma oportunidade única de se credenciar a receber verba federal para seus projetos, tendo em vista que o número de cidades brasileiras aptas a receber as verbas neste momento é pequeno, facilitando, portanto o recebimento daquelas que já elaboraram os planos e tem projetos de mobilidade para captação de recursos federais.
 
Infelizmente, Balneário Camboriú parece uma ilha em relação aos municípios da AMFRI (Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí), pois ao invés de planejar e executar projetos em conjunto com os municípios vizinhos (Itajaí, Camboriú, Itapema) como é feito, por exemplo, na Grande Florianópolis com o PLAMUS (Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis), nossa cidade sequer iniciou os estudos iniciais.
 
Os municípios da AMFRI já contrataram, em novembro de 2014, a consultoria técnica da empresa a Le Padron para a elaboração dos Planos na região, e o estudo já está na fase de diagnóstico, com previsão de entrega no começo de julho de 2015 da Minuta de Termo de Acordo e Cooperação Técnica e/ou Convênio entre os Municípios Signatários do PlaMob Regional da AMFRI.
 
Enquanto não planejarmos e executarmos nossa cidade em conjunto com as cidades vizinhas, continuaremos apenas apagando fogo e tentando resolver os problemas pontuais do dia a dia.
 
Já passou da hora de pensarmos a Mobilidade em BC de forma organizada, ouvindo a opinião da sociedade civil organizada, das associações, que tem suas atividades voltadas à melhoria da Mobilidade Urbana em nossa cidade.
 
Verba para projetos de mobilidade existem, mas infelizmente faltam projetos para captação destes recursos, e falta principalmente vontade política para acelerar estes processos, que só irão acontecer de forma efetiva, através do chamamamento e do envolvimento da comunidade para discutir o assunto.
 
 
Escrito por , 31/03/2015 às 11h44 |

Mobilidade Urbana BC

 

Saímos das redes sociais e chegamos ao Jornal Página 3 Online.

Há 2 anos, criamos um grupo no Facebook chamado Mobilidade Urbana BC, que tinha a finalidade de discutir políticas de Mobilidade Urbana para Balneário Camboriú, felizmente a aceitação e a repercussão dos assuntos lá discutidos foi muito boa, tanto que recebemos um convite no começo deste ano, para assinarmos esta coluna no Página 3 Online.

O assunto é muito amplo e ao longo de nossas publicações, vocês verão que o tema esta no dia a dia de todos nós, mesmo aqueles que desconhecem o assunto, mais cedo ou mais tarde serão afetados pela falta de Mobilidade Urbana, para isso é necessário discutirmos o assunto e juntos escolhermos um novo caminho a seguir.

A partir de hoje dividirei este espaço com dois amigos, Chaves Júnior (presidente da ACBC - Associação de Ciclismo de Balneário Camboriú e Camboriú) e Henrique Wendhausen (ex-presidente da ACBC). Este espaço será atualizado no mínimo duas vezes por semana, trazendo assuntos relativos a Mobilidade Urbana, notícias e boas ideias que estão sendo discutidas e implementadas em outras cidades do Brasil e do Mundo.

Porém, antes de discutirmos a Mobilidade de Balneário Camboriú, entendo que é necessário contar um pouco da minha ligação com a cidade, bicicleta e cicloativismo.

Meu nome é Fernando Marchiori, sou advogado, tenho 41 anos, e moro em Balneário Camboriú há 30 anos.

Como todos que vivem aqui, percebi que a cada ano que se passa fica mais difícil me deslocar de automóvel pelas ruas da nossa cidade, foi então que há 4 anos tomei a decisão de mudar a forma de me deslocar até o trabalho. Comprei uma bicicleta, depois de muitos anos só fazendo uso de carro, talvez tenha sido uma das melhores escolhas que fiz nos últimos tempos.

A partir desta data comecei ver a cidade de outra forma, comecei a pedalar pelas ruas que passava pouquíssimas vezes, descobri atalhos, e também muitos lugares, dentre eles lojas, comércios, restaurantes que nunca descobriria se continuasse passando somente de carro.

Descobri ainda que a vida em cima de uma bicicleta passa mais lentamente, do que na loucura do trânsito.
Mas é claro, nem tudo são flores, descobri também as dificuldades que os ciclistas enfrentam diariamente, sol e calor, chuvas e frio, a falta de vias adequadas para trafegar, a falta de interligação entre as vias que existem, a falta de conservação e sinalização das vias existentes, a falta de respeito dos motoristas, motociclistas e também dos pedestres, que na atravessam fora da faixa de segurança, cruzando muitas vezes as ciclovias existentes na cidade, colocando em risco a suas próprias vidas.

Foi assim que há 4 anos me tornei, mais um cicloativista, que nada mais é do que aquele que fazem o ativismo político voltado ao uso da bicicleta como meio de transporte, reivindicando direitos dos ciclistas e sua segurança nas vias públicas, pressionando autoridades para garantirem esses direitos.

Acredito que nestes últimos anos avançamos bastante, principalmente em relação ao ciclismo, devido ao trabalho árduo, incansável e voluntário, de pessoas que fortaleceram a ACBC - Associação de Ciclismo de Balneário Camboriú e Camboriú, e que, assim como eu, lutam pela melhoria constante e progressiva na mobilidade ciclística da cidade.

Creio que possamos avançar muito mais, e entendo que o primeiro passo seria cobrar que nossos governantes cumprissem o que determina a legislação, em especial a Lei 12.587/2012, Lei Nacional de Mobilidade Urbana, em vigor desde 2012, e que sequer teve sua discussão pública iniciada em Balneário Camboriú. Esta lei define regras para que essas políticas sejam definidas, priorizando sempre o meio de transporte coletivo motorizado (ônibus, metrô, trem, etc) ao invés do individual motorizado (carro), bem como a prioridade do meio de transporte individual não motorizado (bicicleta) ao invés do individual motorizado (motocicleta).

A estrada é longa, e corremos contra o tempo, mas tenho a certeza que, com a contribuição de pessoas dispostas a ajudar com ideias, críticas construtivas, ou soluções para os problemas conhecidos, possamos tornar Balneário Camboriú cada dia melhor, não só para nós que escolhemos aqui para viver, mas também para todas as pessoas que nos visitam todos os anos.

Aproveito ainda está primeira coluna para, em nome do Chaves Junior e Henrique, agradecer a confiança depositada em nós pelo Jornal Página 3 e os Jornalistas Waldemar, Marlise e Dani.

Sintam-se à vontade para participar, com críticas e sugestões através deste espaço, por email: moburbanabc@gmail.com ou através do nosso grupo no Facebook: Mobilidade Urbana BC

Até breve.

Escrito por , 11/03/2015 às 16h01 |



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