Jornal Página 3
Coluna
Marisa Fernandes
Por Marisa Zanoni Fernandes

SENTIR: SEM OU COM TINO

 

Naquela tarde não lembro ao certo se chovia ou fazia sol.

As sensações eram tantas que de fato não tem importância as condições do tempo, o sol, a chuva. Havia algo diferente em mim e no ar. Apenas me permiti sentir.

 Sentir parece algo humano, ou uma dimensão humana que está sendo esquecida. Precisa ser reaquecida.

Quero sentir. Quero dar sentido em um conturbado movimento fora de sentido. Celebrar a estesia. O incrível processo viver como um intenso deleite que necessita incessantemente de sentido.

Gesto, cor, força, fraqueza, angústia, liberdade, tudo tem sua essência simbólica que ora se faz feliz, ora se faz trágica.

Mas afinal, o que é a vida senão uma busca constante de sentidos?

Estamos rodeados pelos “sem”.  Pelos sem ter, sem ser, sem prazer, sem tino. Sem ânimo de nada e antônimo de tudo.

Me permito percorrer nesta aventura humana e mesmo sem ser, dar voz ao sentir que diz: Sinta a força do seu amor, do seu calor, do seu sabor,  para que outros possam mergulhar nas quimeras que afagam a alma, que  tornam os dias mais delicados, mais plenos de sentido.

E assim vamos, como pontes que unem caminhos ou ramos de flores que embelezam o jardim. Como o canto dos pássaros que harmonizam os ouvidos ou uma leve neblina que permite caminhar sem controle total do caminho e te faz suavemente ir ao encontro do que tem de mais precioso do ser e ter sentido: você com o outro. Afinal, sem o outro qual sentido de si?

Sinto que é preciso ir buscar, narrar, ver. Enfrentar o empobrecido e aborrecido sentido atribuído ao contexto social, as dores alheias, aos amores clandestinos, aos horrores.

Que tal dar um novo sentido? Talvez encontremos um jeito desajeitado de viver neste enquadrado mundo sem o mínimo sentido. Nesse mundo avesso ao bom senso de sentir.

Sem ressentimento com sua e com a minha anestesia. Mas que venha logo uma magia, transforme a alegoria e espante o mau sentido. Abra seu coração e deixe que ele diga a direção (mas cuidado com a aceleração – você pode ficar sem tino).

Basta de obedecer ao comando das batalhas. Deixe de ouvir a voz e o grito: “sentido’!. Saia da brutal obediência militar e vem militar no sentido do sentir.

Siga o sentido humano: aquele de voz mais sensível, que te envolve no sentido da compaixão, da paixão, do bem querer. Daquele que não se apequena na mediocridade da discriminação, do preconceito, mas que busca o sentido da existência no coletivo e generosamente se entrega no exercício de SER com sentido, com tino.

Bem, qual o sentido que você vai escolher?

Aquela tarde.... Eu lembro, não era vazia!

*obra Labirintítese Tchello D'Barros

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 19/01/2021 às 12h21 | marisazf@hotmail.com



Marisa Zanoni Fernandes

Assina a coluna Marisa Fernandes

Ex-vereadora em Balneário Camboriú, é doutora em educação e professora universitária.














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Marisa Fernandes
Por Marisa Zanoni Fernandes

SENTIR: SEM OU COM TINO

 

Naquela tarde não lembro ao certo se chovia ou fazia sol.

As sensações eram tantas que de fato não tem importância as condições do tempo, o sol, a chuva. Havia algo diferente em mim e no ar. Apenas me permiti sentir.

 Sentir parece algo humano, ou uma dimensão humana que está sendo esquecida. Precisa ser reaquecida.

Quero sentir. Quero dar sentido em um conturbado movimento fora de sentido. Celebrar a estesia. O incrível processo viver como um intenso deleite que necessita incessantemente de sentido.

Gesto, cor, força, fraqueza, angústia, liberdade, tudo tem sua essência simbólica que ora se faz feliz, ora se faz trágica.

Mas afinal, o que é a vida senão uma busca constante de sentidos?

Estamos rodeados pelos “sem”.  Pelos sem ter, sem ser, sem prazer, sem tino. Sem ânimo de nada e antônimo de tudo.

Me permito percorrer nesta aventura humana e mesmo sem ser, dar voz ao sentir que diz: Sinta a força do seu amor, do seu calor, do seu sabor,  para que outros possam mergulhar nas quimeras que afagam a alma, que  tornam os dias mais delicados, mais plenos de sentido.

E assim vamos, como pontes que unem caminhos ou ramos de flores que embelezam o jardim. Como o canto dos pássaros que harmonizam os ouvidos ou uma leve neblina que permite caminhar sem controle total do caminho e te faz suavemente ir ao encontro do que tem de mais precioso do ser e ter sentido: você com o outro. Afinal, sem o outro qual sentido de si?

Sinto que é preciso ir buscar, narrar, ver. Enfrentar o empobrecido e aborrecido sentido atribuído ao contexto social, as dores alheias, aos amores clandestinos, aos horrores.

Que tal dar um novo sentido? Talvez encontremos um jeito desajeitado de viver neste enquadrado mundo sem o mínimo sentido. Nesse mundo avesso ao bom senso de sentir.

Sem ressentimento com sua e com a minha anestesia. Mas que venha logo uma magia, transforme a alegoria e espante o mau sentido. Abra seu coração e deixe que ele diga a direção (mas cuidado com a aceleração – você pode ficar sem tino).

Basta de obedecer ao comando das batalhas. Deixe de ouvir a voz e o grito: “sentido’!. Saia da brutal obediência militar e vem militar no sentido do sentir.

Siga o sentido humano: aquele de voz mais sensível, que te envolve no sentido da compaixão, da paixão, do bem querer. Daquele que não se apequena na mediocridade da discriminação, do preconceito, mas que busca o sentido da existência no coletivo e generosamente se entrega no exercício de SER com sentido, com tino.

Bem, qual o sentido que você vai escolher?

Aquela tarde.... Eu lembro, não era vazia!

*obra Labirintítese Tchello D'Barros

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 19/01/2021 às 12h21 | marisazf@hotmail.com



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Ex-vereadora em Balneário Camboriú, é doutora em educação e professora universitária.