Jornal Página 3
Coluna
Marisa Fernandes
Por Marisa Zanoni Fernandes

“MARCHA SOLDADO CABEÇA DE PAPEL”

 

Calar, silenciar, recolher-se.... Acredito que há um insistente movimento para que tenhamos este comportamento. E, confesso, tenho as vezes assim me comportado.

No entanto, mediante a assombrosa realidade, compreendo que é exatamente o modo como o atual sistema espera que nos comportemos: “com cabeça de papel e vestindo verde amarelo”.

É fato que assistimos o avanço de posturas antidemocráticas, da censura, da retórica do deboche e do preconceito. Do ataque aos direitos fundamentais conquistados a duras penas na constituição federal.  Assistimos também aos cortes orçamentários da educação, da pesquisa, da cultura e da saúde. Os processos de venda do patrimônio público, da destruição das florestas, da liberação de uso de agrotóxicos. 

Cenas cotidianas que tem anunciado uma realidade inimaginável em pleno século XXI e incompatível com a história das últimas décadas da Nação brasileira.

Há uma crise real, sobretudo, causada pelo ataque ao estado democrático de direito e por movimentos com interesses antirrepublicanos, que acirraram a crise econômica, ética e existencial.  

Nos dividimos. Confundimos justiça com vingança, amor a terra natal com ufanismo. Flertamos com o fascismo.

Se há algo importante a fazer neste 7 de setembro e nos dias vindouros é  nos colocarmos em marcha: pela educação pública, pelas universidades, pela pesquisa, pelo Estado laico, pelo patriotismo que respeita a diversidade étnica-cultural e a pluralidade da sua gente.

Avanssemos para não ver as fronteiras pela mediocridade das lentes empobrecidas de quem é “feio ou bonito”, de quem é verde, vermelho, do Sul ou do Nordeste, mas como um território interconectado que precisa reencontrar-se solidariamente. Somente neste caminho poderemos preservar as condições existenciais, pois o processo civilizatório está em perigo.

Sigamos em marcha sabendo que não há liberdade enquanto existir fome, exclusão, desemprego, violência, pessoas sendo chicoteadas e mortes sendo comemoradas. Não há liberdade na cisão social e no discurso medieval que vivemos.

Não sei o que você pensa. A mim me parece necessário ressignificar nossos espaços e nossas lutas. Me parece cabível engendrar uma nova utopia. Enxergar o outro como vizinho/irmão/irmã. Bater à porta. Caminhar juntos defendendo a verdadeira liberdade/independência, prosseguir como no poema Clarice Lispector:

“Apesar de todos os medos, escolho a ousadia. Apesar dos ferros, construo a dura liberdade. Prefiro a loucura à realidade, e um par de asas tortas aos limites da comprovação e da segurança. Eu, sou assim. Pelo menos assim quero fazer: a que explode o ponto e arqueia a linha, e traça o contorno que ela mesma há de romper”.

Sigamos em marcha!

  

Arte: Os Gêmeos

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 07/09/2019 às 15h17 | marisazf@hotmail.com



Marisa Zanoni Fernandes

Assina a coluna Marisa Fernandes

Ex-vereadora em Balneário Camboriú, é doutora em educação e professora universitária.


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Marisa Fernandes
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“MARCHA SOLDADO CABEÇA DE PAPEL”

 

Calar, silenciar, recolher-se.... Acredito que há um insistente movimento para que tenhamos este comportamento. E, confesso, tenho as vezes assim me comportado.

No entanto, mediante a assombrosa realidade, compreendo que é exatamente o modo como o atual sistema espera que nos comportemos: “com cabeça de papel e vestindo verde amarelo”.

É fato que assistimos o avanço de posturas antidemocráticas, da censura, da retórica do deboche e do preconceito. Do ataque aos direitos fundamentais conquistados a duras penas na constituição federal.  Assistimos também aos cortes orçamentários da educação, da pesquisa, da cultura e da saúde. Os processos de venda do patrimônio público, da destruição das florestas, da liberação de uso de agrotóxicos. 

Cenas cotidianas que tem anunciado uma realidade inimaginável em pleno século XXI e incompatível com a história das últimas décadas da Nação brasileira.

Há uma crise real, sobretudo, causada pelo ataque ao estado democrático de direito e por movimentos com interesses antirrepublicanos, que acirraram a crise econômica, ética e existencial.  

Nos dividimos. Confundimos justiça com vingança, amor a terra natal com ufanismo. Flertamos com o fascismo.

Se há algo importante a fazer neste 7 de setembro e nos dias vindouros é  nos colocarmos em marcha: pela educação pública, pelas universidades, pela pesquisa, pelo Estado laico, pelo patriotismo que respeita a diversidade étnica-cultural e a pluralidade da sua gente.

Avanssemos para não ver as fronteiras pela mediocridade das lentes empobrecidas de quem é “feio ou bonito”, de quem é verde, vermelho, do Sul ou do Nordeste, mas como um território interconectado que precisa reencontrar-se solidariamente. Somente neste caminho poderemos preservar as condições existenciais, pois o processo civilizatório está em perigo.

Sigamos em marcha sabendo que não há liberdade enquanto existir fome, exclusão, desemprego, violência, pessoas sendo chicoteadas e mortes sendo comemoradas. Não há liberdade na cisão social e no discurso medieval que vivemos.

Não sei o que você pensa. A mim me parece necessário ressignificar nossos espaços e nossas lutas. Me parece cabível engendrar uma nova utopia. Enxergar o outro como vizinho/irmão/irmã. Bater à porta. Caminhar juntos defendendo a verdadeira liberdade/independência, prosseguir como no poema Clarice Lispector:

“Apesar de todos os medos, escolho a ousadia. Apesar dos ferros, construo a dura liberdade. Prefiro a loucura à realidade, e um par de asas tortas aos limites da comprovação e da segurança. Eu, sou assim. Pelo menos assim quero fazer: a que explode o ponto e arqueia a linha, e traça o contorno que ela mesma há de romper”.

Sigamos em marcha!

  

Arte: Os Gêmeos

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 07/09/2019 às 15h17 | marisazf@hotmail.com



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Ex-vereadora em Balneário Camboriú, é doutora em educação e professora universitária.


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