Jornal Página 3
Coluna
Marisa Fernandes
Por Marisa Zanoni Fernandes

ALVORADA VORAZ

Ao término de cada ano é comum projetarmos sonhos, renovarmos esperanças e planejar o futuro. Aguardamos a alvorada.

As projeções, no entanto, estão intimamente vinculadas as percepções que cada um tem da realidade, das experiências que vive e das próprias condições emocionais e existenciais.

Deste modo, parece difícil finalizar o ano de 2018 sem a incômoda percepção que já não é possível previsões seguras. A dinâmica social, política, econômica e cultural tem marcado rupturas e transformações incomensuráveis. Situar-se neste novo ambiente, exige esforço cognitivo e afetivo, isso porque, o que imaginávamos saber sobre o dinamismo social, já não tem validade, e o que acreditávamos ver em algumas pessoas foi desconstruído.

A revolução tecnológica, a crise do capitalismo, as questões ambientais afetaram e afetam os modos de vermos o mundo, as formas de trabalho, o papel do Estado, da escola, da política, das famílias e, marcadamente, os processos de interação social.

Se partirmos do pressuposto que nos humanizamos nas relações sociais e nos tornamos gente no contato com o outro, o que assistimos é um crescente isolamento social que aprofunda a crise existencial. O mundo tecnológico ou a revolução 4.0   literalmente tem nos locado na ‘nuvem’ – o que parece gerar serias dificuldades de pertencimento. Estamos menos propensos ao diálogo, a profundidade, a persistência. Tudo e todos passam por nós de modo efêmero:  em manchetes, WhatsApp, Facebook, trocamos informações e construímos nossas “verdades” sobre a realidade e sobre as pessoas. Nos sentimos empoderados e nos tornamos cientistas políticos, críticos econômicos, doutores em educação, experts em segurança e, é claro soldados na guerra contra a corrupção.

 Como num passe de mágica, encontram-se soluções para todos os problemas sociais e despertam a ‘‘alvorada voraz”: excluir e prender os vermelhos, criminalizar os movimentos sociais, fazer apologia à violência contra a mulher, à morte da população LGBTI, dos negros, quilombolas, indígenas; envenenaram a população com agrotóxicos, com as fake news e, assim constrói-se uma distorção sistemática e criminosa da realidade. E ainda, “Nos aguardam exércitos que nos guardam da paz. Que paz?” (RPM)

Perplexidade talvez seja a palavra que marca este momento.  No entanto, recorro ao filosofo alemão Hölderlin quando diz que “onde existe o perigo, nasce também a salvação”. Sejamos capazes de uma séria e critica defesa da Democracia e da construção de um país sem pobreza intelectual, ética e material.

Que nossa Alvorada se inspire em Cartola: ‘’a alvorada lá no morro que beleza, ninguém chora, não há tristeza, ninguém sente dissabor. O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo [...]’’
Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 31/12/2018 às 14h40 | marisazf@hotmail.com



Marisa Zanoni Fernandes

Assina a coluna Marisa Fernandes

Ex-vereadora em Balneário Camboriú, é doutora em educação e professora universitária.


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Marisa Fernandes
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ALVORADA VORAZ

Ao término de cada ano é comum projetarmos sonhos, renovarmos esperanças e planejar o futuro. Aguardamos a alvorada.

As projeções, no entanto, estão intimamente vinculadas as percepções que cada um tem da realidade, das experiências que vive e das próprias condições emocionais e existenciais.

Deste modo, parece difícil finalizar o ano de 2018 sem a incômoda percepção que já não é possível previsões seguras. A dinâmica social, política, econômica e cultural tem marcado rupturas e transformações incomensuráveis. Situar-se neste novo ambiente, exige esforço cognitivo e afetivo, isso porque, o que imaginávamos saber sobre o dinamismo social, já não tem validade, e o que acreditávamos ver em algumas pessoas foi desconstruído.

A revolução tecnológica, a crise do capitalismo, as questões ambientais afetaram e afetam os modos de vermos o mundo, as formas de trabalho, o papel do Estado, da escola, da política, das famílias e, marcadamente, os processos de interação social.

Se partirmos do pressuposto que nos humanizamos nas relações sociais e nos tornamos gente no contato com o outro, o que assistimos é um crescente isolamento social que aprofunda a crise existencial. O mundo tecnológico ou a revolução 4.0   literalmente tem nos locado na ‘nuvem’ – o que parece gerar serias dificuldades de pertencimento. Estamos menos propensos ao diálogo, a profundidade, a persistência. Tudo e todos passam por nós de modo efêmero:  em manchetes, WhatsApp, Facebook, trocamos informações e construímos nossas “verdades” sobre a realidade e sobre as pessoas. Nos sentimos empoderados e nos tornamos cientistas políticos, críticos econômicos, doutores em educação, experts em segurança e, é claro soldados na guerra contra a corrupção.

 Como num passe de mágica, encontram-se soluções para todos os problemas sociais e despertam a ‘‘alvorada voraz”: excluir e prender os vermelhos, criminalizar os movimentos sociais, fazer apologia à violência contra a mulher, à morte da população LGBTI, dos negros, quilombolas, indígenas; envenenaram a população com agrotóxicos, com as fake news e, assim constrói-se uma distorção sistemática e criminosa da realidade. E ainda, “Nos aguardam exércitos que nos guardam da paz. Que paz?” (RPM)

Perplexidade talvez seja a palavra que marca este momento.  No entanto, recorro ao filosofo alemão Hölderlin quando diz que “onde existe o perigo, nasce também a salvação”. Sejamos capazes de uma séria e critica defesa da Democracia e da construção de um país sem pobreza intelectual, ética e material.

Que nossa Alvorada se inspire em Cartola: ‘’a alvorada lá no morro que beleza, ninguém chora, não há tristeza, ninguém sente dissabor. O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo [...]’’
Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 31/12/2018 às 14h40 | marisazf@hotmail.com



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Ex-vereadora em Balneário Camboriú, é doutora em educação e professora universitária.


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