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Coluna
Marisa Fernandes
Por Marisa Zanoni Fernandes

A esperança não tem fim

Ao chegarmos ao término de mais ano, é preciso resignificar as passagens, os tempos os rituais, as marcas que deixamos e também é imprescindível fazer um balanço de como fomos marcados.

No percurso da vida e do ano 2017, perdemos amigos, familiares, conhecidos, pessoas próximas e até distantes, mas que por algum, ou por muitos, sentimos profundamente e choramos.  Nos rituais de despedidas sempre há um turbilhão de emoções e eu particularmente, reflito sobre o curto tempo que temos, sobre o quanto nos apegamos a coisas insignificantes e o quanto “tiramos tempo” para se despedir, fazer homenagens, enviar flores – imagino quanta alegria em vida poderíamos dar às pessoas se enviássemos flores? Se dissemos que elas são importantes para nós? Que são amadas?

A vida em sociedade exige, amorosidade, compreensão de cidadania e de civilidade. Este ano, sem dúvida, atingimos estratosféricos números de violência, intolerância, ganância, brutalidade e mentiras. Os meios de comunicação, de modo geral, potencializados pelas redes sociais, protagonizaram um assombroso movimento separatista (e não falo do absurdo “o Sul é o meu país”), os brasileiros, ao meu ver, ao se digladiarem entre si, ocultaram o foco, as suas identidades e continuam sendo manipulados por aqueles que historicamente aviltaram o patrimônio econômico, natural e cultural do Brasil. Exercer cidadania requer um movimento profundo de disciplina, criticidade e generosidade. No entanto, esta postura e estes papéis, como de homens e mulheres, não são inatos ou biológicos – exigem movimento, uma escola, uma igreja, uma família, uma cultura dinâmica, ativa, livre e libertadora.

De fato, nestes últimos tempos, vivemos retrocessos inimagináveis – avanço do conservadorismo, da ocupação política de grupos religiosos fundamentalistas, de ataque a democracia e aos princípios constitucionais, de venda e saque do patrimônio público, de congelamento dos gastos, sobretudo, da educação, atingindo de modo perverso grupos étnicos, religiosos, homossexuais, estrangeiros, mulheres e crianças. A Reação é necessária. A Esperança não pode ter fim. O grito das ruas, o diálogo das vilas, o clamor dos excluídos precisam ser instituídos, acalentados e acolhidos por uma grande irmandade capaz de tecer “a mesma antiga trama que não se desfaz. E a coisa mais divina que há no mundo é viver cada segundo como nunca mais” (Vinicius de Morais)

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 31/12/2017 às 15h56 | marisazf@hotmail.com

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Marisa Zanoni Fernandes

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Ex-vereadora em Balneário Camboriú, é doutora em educação e professora universitária.
















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