Jornal Página 3
Coluna
Marisa Fernandes
Por Marisa Zanoni Fernandes

Por que uma escola democrática?

Longe de simples, unívoco e linear, o contexto educacional tem todas as características de um sistema altamente complexo e, portanto, necessita ser considerado nesta complexidade se desejamos uma educação de qualidade.

O termo qualidade tem múltiplas representações pela sua polissemia, talvez por isso, a educação é constantemente afetada pela falta de coerência na própria definição de qualidade, fato agravado pela tomada de decisões sem a voz da comunidade escolar, especialmente, dos educadores e dos estudantes.

Dentre os movimentos implementados e as novas ideias observamos que aumenta-se o tempo escolar, contraturno, mas não mudam-se as práticas – o que gera, como lembra o professor Pacheco (2012), uma “dose dupla de tédio”; fala-se em tecnologias, uso de tablets, lousas digitais, mas continuam as aulas acríticas, reforçadoras do individualismo e do afastamento afetivo – elemento chave da cooperação, da fraternidade e da vida em comunidade; fala-se da ruptura com as relações de favor, subordinação e clientelismo, mas a gestão da escola continua tendo como critério a indicação política e de apadrinhamento.

Este cenário reforça a convicção na assertiva de que a escola vive no modelo epistemológico do século XIX e é foco de outras formas de colonialismo - que tem gerado inercia e desesperança. Neste contexto, parece adequada a reflexão de Boaventura de Sousa (2017) quando diz “é por isso que as vítimas se viram contra a vítimas. Por esta razão é que as vítimas, votam e elegem seus próprios opressores. ”

Por que então, precisamos uma escola democrática? Para respeitar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, (9.394/1996), que tem como princípio a gestão democrática da educação pública, o Plano Nacional de Educação (13.005/2014) e, principalmente, a Lei 4.013/2016 que dispõe sobre o processo de eleição para Diretores e Coordenadores das unidades educativas da Rede Municipal de Ensino de Balneário Camboriú - que deveria acontecer na primeira quinzena de dezembro de 2017. Ainda, pelo fato da gestão ser um dos pilares fundamentais do bom funcionamento e da qualidade escola e por sua função social de formadora da cidadania.

A falta de democracia na escola e a exclusão da comunidade escolar da esfera decisória, é, portanto, repressiva, opressora e promotora da alienação. Somente a participação livre e consciente nos processos de decisão asseguram a ruptura da passividade e da subordinação, pois) “ninguém vive plenamente a democracia nem tampouco a ajuda a crescer, primeiro, se é interdito no seu direito de falar, de ter voz, de fazer o seu discurso crítico (FREIRE, 2000). A educação de Balneário Camboriú, para assegurar plenamente a sua qualidade precisa concretizar urgentemente este propósito.

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 29/11/2017 às 12h22 | marisazf@hotmail.com



Marisa Zanoni Fernandes

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Ex-vereadora em Balneário Camboriú, é doutora em educação e professora universitária.


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