Jornal Página 3
Coluna
Marisa Fernandes
Por Marisa Zanoni Fernandes

MULHERES VAMOS À LUTA

 

Em meio a uma forte onda conservadora que assola o país, assistimos perplexos declarações que evocam preconceito, ódio, discriminação sem o mínimo de reservas. Fatos que geram e, de certa forma, legitimam a violência.

Naturalizamos e até institucionalizamos a violência, sobretudo, aquela que golpeia mulheres – pelo histórico patriarcado e machismo social; aquela que marca crianças – pelo falso ideário de educação; aquela que atinge as minorias – pela hierarquização e subjugação da diversidade humana e das classes sociais.   Tradicionalmente a sociedade brasileira vive o “mito da não violência” negando e mascarando a dura e cruel realidade. 

Em 2017, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), o Brasil concentrou 40% dos feminicídios da América Latina. O Instituto Data Folha relata que nos últimos 12 meses, 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativas de estrangulamento no Brasil. Enquanto 22 milhões, 37,1% das brasileiras, passaram por algum tipo de assédio. Entre os casos de mais violência, 42% ocorreram no ambiente doméstico. Em Santa Catarina  os números são impressionantes: 23 assassinatos nos últimos sete meses e 92 tentativas de homicídio - mais de 3 feminicídios por mês -a desembargadora Salete Sommariva (TJSC) afirmou que SC é “um dos Estados que mais matam mulheres no Brasil”. Centenas de ocorrências de ameaça, lesão corporal, injúria, calúnia, difamação e dano são registradas todos os dias nas delegacias. Conforme dados da Secretaria de Segurança Pública, divulgados no site do Tribunal de Justiça, nove mulheres são estupradas diariamente no Estado, um número acima da média nacional. O espaço doméstico e familiar é, na grande maioria dos casos (60%), o lugar onde ocorrem as agressões e o agressor alguém que mantém ou manteve com a vítima uma relação de proximidade e intimidade - marido, companheiro e/ou namorado (46% de relações atuais e 23% de relações passadas).

Para enfrentar este quadro é imprescindível desnaturalizar e desinstitucionalizar a violência e, para tanto, é necessário voltar ao próprio conceito de violência, o que faço recorrendo ao proposto Barus-Michel (2011): “experiência de um caos interno ou a ações ultrajantes cometidas sobre um ambiente, sobre coisas ou pessoas, segundo o ponto de vista de quem a comete ou de quem a sofre”.  Portanto, como a violência é percebida se relaciona diretamente com a maneira como é sentida. O Autor ainda, reforça que a violência se manifesta como excesso na afirmação do “um, todo poderoso que nega a alteridade”. Não podemos mais aceitar justificativas para a violência, ou ouvirmos - ela se descuidou – não devia ter colocado ele para dentro de casa; o crime foi passional; ela o traiu; onde ela estava e com que roupa estava... expressões comuns que culpabilizam a vítima e amenizam o fato em si, como se fosse possível justificar qualquer ato de violência.

A construção de uma cultura que expresse e promova valores de solidariedade, igualdade, equidade, alteridade e respeito às mulheres deve ser vista como uma tarefa cotidiana pública, privada e multidisciplinar. No entanto, o papel do Estado na criação de políticas públicas que atuem fortemente na propagação e articulação de ações para enfrentar a violência contra as meninas e as mulheres brasileiras, é imprescindível para a mudança de rota da cultura da subordinação de gênero.

São necessárias ações educativas, especialmente vinculadas às escolas desde a educação infantil ao ensino superior, fazendo a urgente inclusão da dimensão gênero nos currículos escolares, de tal modo a mostrar como a hierarquia existente na cultura brasileira de subordinação da mulher ao homem, traz sofrimento e desequilíbrios de todas as ordens – econômico, familiar, emocional e aumenta a violência. Ou seja, as escolas e seus professores, não podem – sob pena de colaborarem no aprofundamento da violência -  se submeterem a insanidade que paira nas declarações/ações de membros do atual governo ficando isolada de um processo amplo de transformação para alcançar a equidade de gênero.  

Neste sentido, parece extremamente contraditório que a sociedade brasileira tenha a segurança como uma das suas maiores preocupações e aceita passivamente e de modo acrítico o sofrimento e morte de tantas filhas, mães, esposas, irmãs, meninas, jovens, mulheres, pois não percebe  que a equidade entre homens e mulheres – constitui um caminho para alterar a violência em geral e, de gênero, em particular. Não se combate violência, dizendo que o nascimento da filha mulher “foi uma fraquejada” (Bolsonaro); não se combate o machismo afirmando que “agora meninas usam rosa e meninos azul” (ministra Damares Alves); não se combate preconceito dizendo que “a universidade não é para todos, que ela representa uma elite intelectual” (Ministro da educação Ricardo Vélez).

O fim da violência e da supremacia masculina, reproduzida em falas e ações, é tarefa indispensável mediante a nossa realidade, pois ao mudar a cultura patriarcal, sexista e misógina enraizada nas representações sociais e na mente das pessoas, estaremos pavimentando um caminho para que as mulheres sejam protagonistas dos seus destinos, sejam empoderadas e, assim de fato, possam VIVER sem medo e exercendo a plena cidadania. No entanto, empoderamento, não pode ser apenas um novo jargão, pois, como alerta Friedmann (1996) deve ser entendido como todo acréscimo de poder que, permite aos indivíduos aumentarem a eficácia do seu exercício de cidadania.

Vamos à luta! Até que sejamos todas livres e sem medo se ser MULHER.

 

Imagem: A Mulata - Di Cavalcanti

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 08/03/2019 às 00h52 | marisazf@hotmail.com

ALVORADA VORAZ

Ao término de cada ano é comum projetarmos sonhos, renovarmos esperanças e planejar o futuro. Aguardamos a alvorada.

As projeções, no entanto, estão intimamente vinculadas as percepções que cada um tem da realidade, das experiências que vive e das próprias condições emocionais e existenciais.

Deste modo, parece difícil finalizar o ano de 2018 sem a incômoda percepção que já não é possível previsões seguras. A dinâmica social, política, econômica e cultural tem marcado rupturas e transformações incomensuráveis. Situar-se neste novo ambiente, exige esforço cognitivo e afetivo, isso porque, o que imaginávamos saber sobre o dinamismo social, já não tem validade, e o que acreditávamos ver em algumas pessoas foi desconstruído.

A revolução tecnológica, a crise do capitalismo, as questões ambientais afetaram e afetam os modos de vermos o mundo, as formas de trabalho, o papel do Estado, da escola, da política, das famílias e, marcadamente, os processos de interação social.

Se partirmos do pressuposto que nos humanizamos nas relações sociais e nos tornamos gente no contato com o outro, o que assistimos é um crescente isolamento social que aprofunda a crise existencial. O mundo tecnológico ou a revolução 4.0   literalmente tem nos locado na ‘nuvem’ – o que parece gerar serias dificuldades de pertencimento. Estamos menos propensos ao diálogo, a profundidade, a persistência. Tudo e todos passam por nós de modo efêmero:  em manchetes, WhatsApp, Facebook, trocamos informações e construímos nossas “verdades” sobre a realidade e sobre as pessoas. Nos sentimos empoderados e nos tornamos cientistas políticos, críticos econômicos, doutores em educação, experts em segurança e, é claro soldados na guerra contra a corrupção.

 Como num passe de mágica, encontram-se soluções para todos os problemas sociais e despertam a ‘‘alvorada voraz”: excluir e prender os vermelhos, criminalizar os movimentos sociais, fazer apologia à violência contra a mulher, à morte da população LGBTI, dos negros, quilombolas, indígenas; envenenaram a população com agrotóxicos, com as fake news e, assim constrói-se uma distorção sistemática e criminosa da realidade. E ainda, “Nos aguardam exércitos que nos guardam da paz. Que paz?” (RPM)

Perplexidade talvez seja a palavra que marca este momento.  No entanto, recorro ao filosofo alemão Hölderlin quando diz que “onde existe o perigo, nasce também a salvação”. Sejamos capazes de uma séria e critica defesa da Democracia e da construção de um país sem pobreza intelectual, ética e material.

Que nossa Alvorada se inspire em Cartola: ‘’a alvorada lá no morro que beleza, ninguém chora, não há tristeza, ninguém sente dissabor. O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo [...]’’
Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 31/12/2018 às 14h40 | marisazf@hotmail.com

ELEIÇÕES E A ARTE DE SABER QUEM SOMOS

Os selvagens

Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantados

Tomo como ponto de partida para esta reflexão a poesia de Oswaldo de Andrade por dois motivos: o primeiro porque acredito que a ARTE de modo geral, nos permite sair das linhas tradicionais de pensamento – o que por si só já se torna imprescindível; o segundo porque esta poesia é parte do manifesto antropofágico – que tinha entre os objetivos, estruturar a cultura nacional. A antropofagia -  metaforicamente parece servir.   

O atual momento eleitoral, tem evidenciado quase antropofagia: as pessoas parecem praticar o canibalismo!  O nível de acirramento parece ter ultrapassado todos os limites: brigas, ódio, ofensas, agressões verbais e físicas em locais públicos e privados, revelam uma selvageria – não aquela de Oswaldo de Andrade, mas uma totalmente desprovida do reconhecimento de pertencimento do povo brasileiro enquanto nação.

Parece, portanto, que o propósito da década de 20/30 de estruturar a cultura nacional, ainda é um desafio, pois necessitaríamos reconhecer os índios, negros, pobres, mulheres, LGBTs. Necessitaríamos descortinar   quem são os “selvagens”, os “escravizados, ” os “ditadores”. Para isso, precisaríamos, portanto, de possibilidades de constituição de cidadania e de processos humanizadores.

 As eleições de fato revelam quem somos, as causas que abraçamos justificam as bandeiras que empunhamos. Talvez seja por isso, que assistimos espantados à revelação sem o mínimo pudor de homofóbicos, defensores da pena de morte, do armamento, da misoginia, racismo e, a maioria o faz, em nome da “Família, Pátria e de Deus”.  A tríade já conhecida e intimamente ligada a moral que geraram os mais vergonhosos episódios da humanidade - como o nazismo.

Antes das eleições a pauta era a falta de emprego, o preço dos combustíveis, a instabilidade da economia e seus reflexos. Hoje, para determinados grupos, não importa as propostas do candidato sobre economia, trabalho, educação, saúde, previdência, segurança, cultura. Importa o discurso e a solução fáceis – matar, prender, banir, esterilizar em nome da moral e o antipetismo. Ideias que rapidamente germinam regadas por anônimos internautas, especialistas em imagens virais que antagoniza extremismos e clamores de mudanças – sem importar quais serão. Nascera, como lembra Mário Assis Ferreira (2017) o quarto poder a “videocracia”.

Esta pratica política não pode caber no nosso horizonte. Urge, portanto, a necessidade da resistência, da sabedoria e da serenidade. Que possamos, neste domingo, lembrar de todos que lutaram e até morreram para que pudemos ir às urnas. Em nome dos que nos antecederem, em nome dos que virão – que a paz possa ser nosso valor e a divergência a possiblidade de avançarmos para um BRASIL de solidariedade e de justiça social.

 

Quadro: Abaporu de tarsília do Amaral (1928)

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 06/10/2018 às 19h55 | marisazf@hotmail.com

UMA CIDADE PARA AMAR, VIVER E TRANSFORMAR

Balneário Camboriú, esta jovem cidade é símbolo de alegria e inspiração por suas belezas naturais, pelo clima ameno, pela atmosfera e energia que pairam sobre o ar.
 
O mar e suas águas tranquilas embalam sonhos, enchem o coração de modo que é impossível não dizer que esta é uma cidade para AMAR.
 
Do seu povo nativo (quase esquecido), a todos que escolheram aqui VIVER, a sensação é dupla: privilégio e desafio. É visível que, para alguns, a Balneário é próspera, é um lugar de negócios rentáveis, o que cria, de certo modo, uma percepção (vinculada a perversa ideia de meritocracia) que há espaço para todos crescerem economicamente e serem felizes na Maravilha do Atlântico.
 
No entanto, o que parece haver de equívoco nessa percepção? Ela mascara a realidade, cria uma Ilusão social que causa dor, sofrimento e promove o individualismo. Neste sentido, a cidade cosmopolita, com um dos mais custosos metros quadrados do Brasil, impõe á dureza do silêncio e solidão (os índices alarmantes de suicídios, falam por si só).
 
Essas contradições difíceis de serem ditas em meio as comemorações, nos impelem a uma responsável reflexão e à TRANSFORMAÇÃO.
 
Transformar requer reconhecer a sobrevivência da cidade. Isso exige uma profunda mudança de percepção e pensamento sobre a interconexão entre a vida humana, a economia e o meio ambiente. Exige pensar e agir de modo inclusivo, cooperativo e sustentável para satisfazer as necessidades e aspirações do presente, sem com isso, diminuir as chances e perspectivas das gerações futuras (CAPRA, 2006).
 
Uma cidade para VIVER plenamente, AMAR incondicionalmente, requer TRANSFORMAR-SE.
 
Somos ondas do mesmo MAR,
 
Folhas da mesma árvore e
 
Flores do mesmo jardim,
 
Cuidemos do ambiente em que moramos, pois nossos filhos, netos e bisnetos poderão um dia desfrutar dos sonhos que aqui já tivemos e da vida que aqui já vivemos. Parabéns a todos e todas que fazem desta cidade um lugar responsavelmente melhor para viver.
Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 20/07/2018 às 12h55 | marisazf@hotmail.com

APRENDI COM O TEMPO E A VIDA COMEMORAR

 

Aprendi desde cedo a comemorar. Das lembranças da infância, os dias de sol eram os preferidos e, por isso, particularmente comemorados, pois possibilitavam estar nas quadras, nos campinhos improvisados, na rua jogando (futebol, vôlei, handebol), pulando, rindo, correndo, levando bronca por ficar tempo demais a brincar. No entanto, os dias de chuva, lembro que serviam para um nostálgico recolhimento e para os enredos simbólicos: cuidar de um bebê, cozinhar – coisas que para alguns parecem banais, mas hoje as vejo como fundantes da minha relação com a casa e com os pequenos.

Foi nos espaços de uma família numerosa que eu comemorava quando vinha um elogio (porque as críticas eram frequentes), um embalo no colo da mãe (porque colo também era disputado), um passo de dança do pai (porque isso não era comum) ou um brinquedo ganhado (porque isso era raro).

Da infância a vida adulta – que logicamente precisou ser instituída de forma rápida - comemorei o casamento e a maternidade quando a maioria achava cedo demais. Comemorei ser professora de pequenos – quando era para alguns algo muito simples (vivemos ainda uma realidade que quanto menor a idade menor é o valor do professor). Comemorei a minha filiação e entrada no movimento político partidário de esquerda... enfim, aprendi que cada momento precisa ser vivido, aproveitado e valorizado.

Neste meio século de vida aprendi, sobretudo, com aqueles que me cercam a viver, fazer escolhas e as assumir plenamente. Amar, sorrir, dançar, chorar, ser feliz. Por que? Porque como lembra Clarice Lispector, as pessoas mais felizes não têm as melhores coisas, elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.

Portanto, o tempo, a vida e as experiências nos dão a possibilidade de olhar a trajetória de um modo mais leve e nem por isso menos crítico, mais grato do que nostálgico, mais amoroso e mais humano. Gratidão pela vida e por todos que me fazem a cada dia e a cada nova idade, ser mais GENTE!

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 04/07/2018 às 21h48 | marisazf@hotmail.com

MÃE - ENTRE O ATO BIOLÓGICO E A EXPERIÊNCIA DE SER

Me parece oportuno refletir sobre a ideia, ora tão comemorada, ora tão esquecida –  a de ser mãe.  A tarefa biológica marcada como um ato divino, torna a mulher um ser especial e santificado. Gerar um filho, produzir seu próprio alimento, manter uma vida no seu corpo é sem dúvida, algo fora do comum – um corpo hierarquicamente superior em relação ao homem.

Entretanto, a realidade não é nada generosa com as mães: no patriarcalismo tão presente ainda na sociedade, na maioria das vezes ser mãe é um ato solitário, carregado de preconceitos que indicam a santidade do ato, a devoção inata e sempre amorosa como algo inerente a maternidade. Quando se trata de conceituar mãe, portanto, a sociedade tem um conjunto de mitos e representações que vão desde a supermãe, aquela que se sacrifica por tudo, o esteio do lar até aquela que NUNCA ERRA. Estas representações têm gerado dor, angústia e sofrimento para boa parte das mães, pois são seres como qualquer outro: aprendem a SER, na experiência, na partilha, na coletividade. Se constituem, tornam-se e precisam de ajuda para criar e educar os filhos – que aliás, se foram concebidos na partilha, obviamente deveriam ser criados na partilha.  

Portanto, acredito que avançar do comércio que envolve a data comemorativa seria um pressuposto fundamental para quem deseja um mundo equilibrado e de qualidade. Nesta direção, precisaríamos perguntar: qual rede de apoio as mães têm? Quais estruturas familiares e sociais sustentem a maternagem? Quem é suporte emocional e físico das mães? Como a tarefa de cuidar e educar os meninos e meninas pode ser partilhada? Quem trabalha com a insegurança gerada no nascimento de um filho (seja biológico ou adotivo)?

Pensar sobre o padrão de maternidade construído, sobre quem são de bebês - que choram, tem dor, fraldas, doenças (isso poucas vezes mostrado pelas imagens que circulam – sorridentes e saudáveis), parece um caminho que conduziria ao reconhecimento da vida real e aproximaria a sociedade em torno da geração da vida e da maternagem.

Mães não são seres especiais, não são perfeitas – são seres capazes como qualquer outro de amar, doar-se e fazer melhor possível – se tiverem a oportunidade de viver e se constituir na tarefa de ser mãe.

Os filhos certamente trazem grande mudanças na vida de uma mulher e, com eles grandes oportunidades de ver a vida por muitos vieses e espectros que jamais seriam percebidos sem eles. Mas é preciso resignificar o percurso de modo mais humano e solidário com nossas mães e com todas as formas desta constituição, porque o nascer de um filho não é o nascer de uma mãe e enquanto a vida dela existir ela continuará necessitando de novos arranjos, novos jeitos de SER E SE CONSTITUIR MÃE!  

Fonte imagem: Visualhunt

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 12/05/2018 às 19h34 | marisazf@hotmail.com



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Marisa Zanoni Fernandes

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Ex-vereadora em Balneário Camboriú, é doutora em educação e professora universitária.


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Marisa Fernandes
Por Marisa Zanoni Fernandes

MULHERES VAMOS À LUTA

 

Em meio a uma forte onda conservadora que assola o país, assistimos perplexos declarações que evocam preconceito, ódio, discriminação sem o mínimo de reservas. Fatos que geram e, de certa forma, legitimam a violência.

Naturalizamos e até institucionalizamos a violência, sobretudo, aquela que golpeia mulheres – pelo histórico patriarcado e machismo social; aquela que marca crianças – pelo falso ideário de educação; aquela que atinge as minorias – pela hierarquização e subjugação da diversidade humana e das classes sociais.   Tradicionalmente a sociedade brasileira vive o “mito da não violência” negando e mascarando a dura e cruel realidade. 

Em 2017, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), o Brasil concentrou 40% dos feminicídios da América Latina. O Instituto Data Folha relata que nos últimos 12 meses, 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativas de estrangulamento no Brasil. Enquanto 22 milhões, 37,1% das brasileiras, passaram por algum tipo de assédio. Entre os casos de mais violência, 42% ocorreram no ambiente doméstico. Em Santa Catarina  os números são impressionantes: 23 assassinatos nos últimos sete meses e 92 tentativas de homicídio - mais de 3 feminicídios por mês -a desembargadora Salete Sommariva (TJSC) afirmou que SC é “um dos Estados que mais matam mulheres no Brasil”. Centenas de ocorrências de ameaça, lesão corporal, injúria, calúnia, difamação e dano são registradas todos os dias nas delegacias. Conforme dados da Secretaria de Segurança Pública, divulgados no site do Tribunal de Justiça, nove mulheres são estupradas diariamente no Estado, um número acima da média nacional. O espaço doméstico e familiar é, na grande maioria dos casos (60%), o lugar onde ocorrem as agressões e o agressor alguém que mantém ou manteve com a vítima uma relação de proximidade e intimidade - marido, companheiro e/ou namorado (46% de relações atuais e 23% de relações passadas).

Para enfrentar este quadro é imprescindível desnaturalizar e desinstitucionalizar a violência e, para tanto, é necessário voltar ao próprio conceito de violência, o que faço recorrendo ao proposto Barus-Michel (2011): “experiência de um caos interno ou a ações ultrajantes cometidas sobre um ambiente, sobre coisas ou pessoas, segundo o ponto de vista de quem a comete ou de quem a sofre”.  Portanto, como a violência é percebida se relaciona diretamente com a maneira como é sentida. O Autor ainda, reforça que a violência se manifesta como excesso na afirmação do “um, todo poderoso que nega a alteridade”. Não podemos mais aceitar justificativas para a violência, ou ouvirmos - ela se descuidou – não devia ter colocado ele para dentro de casa; o crime foi passional; ela o traiu; onde ela estava e com que roupa estava... expressões comuns que culpabilizam a vítima e amenizam o fato em si, como se fosse possível justificar qualquer ato de violência.

A construção de uma cultura que expresse e promova valores de solidariedade, igualdade, equidade, alteridade e respeito às mulheres deve ser vista como uma tarefa cotidiana pública, privada e multidisciplinar. No entanto, o papel do Estado na criação de políticas públicas que atuem fortemente na propagação e articulação de ações para enfrentar a violência contra as meninas e as mulheres brasileiras, é imprescindível para a mudança de rota da cultura da subordinação de gênero.

São necessárias ações educativas, especialmente vinculadas às escolas desde a educação infantil ao ensino superior, fazendo a urgente inclusão da dimensão gênero nos currículos escolares, de tal modo a mostrar como a hierarquia existente na cultura brasileira de subordinação da mulher ao homem, traz sofrimento e desequilíbrios de todas as ordens – econômico, familiar, emocional e aumenta a violência. Ou seja, as escolas e seus professores, não podem – sob pena de colaborarem no aprofundamento da violência -  se submeterem a insanidade que paira nas declarações/ações de membros do atual governo ficando isolada de um processo amplo de transformação para alcançar a equidade de gênero.  

Neste sentido, parece extremamente contraditório que a sociedade brasileira tenha a segurança como uma das suas maiores preocupações e aceita passivamente e de modo acrítico o sofrimento e morte de tantas filhas, mães, esposas, irmãs, meninas, jovens, mulheres, pois não percebe  que a equidade entre homens e mulheres – constitui um caminho para alterar a violência em geral e, de gênero, em particular. Não se combate violência, dizendo que o nascimento da filha mulher “foi uma fraquejada” (Bolsonaro); não se combate o machismo afirmando que “agora meninas usam rosa e meninos azul” (ministra Damares Alves); não se combate preconceito dizendo que “a universidade não é para todos, que ela representa uma elite intelectual” (Ministro da educação Ricardo Vélez).

O fim da violência e da supremacia masculina, reproduzida em falas e ações, é tarefa indispensável mediante a nossa realidade, pois ao mudar a cultura patriarcal, sexista e misógina enraizada nas representações sociais e na mente das pessoas, estaremos pavimentando um caminho para que as mulheres sejam protagonistas dos seus destinos, sejam empoderadas e, assim de fato, possam VIVER sem medo e exercendo a plena cidadania. No entanto, empoderamento, não pode ser apenas um novo jargão, pois, como alerta Friedmann (1996) deve ser entendido como todo acréscimo de poder que, permite aos indivíduos aumentarem a eficácia do seu exercício de cidadania.

Vamos à luta! Até que sejamos todas livres e sem medo se ser MULHER.

 

Imagem: A Mulata - Di Cavalcanti

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 08/03/2019 às 00h52 | marisazf@hotmail.com

ALVORADA VORAZ

Ao término de cada ano é comum projetarmos sonhos, renovarmos esperanças e planejar o futuro. Aguardamos a alvorada.

As projeções, no entanto, estão intimamente vinculadas as percepções que cada um tem da realidade, das experiências que vive e das próprias condições emocionais e existenciais.

Deste modo, parece difícil finalizar o ano de 2018 sem a incômoda percepção que já não é possível previsões seguras. A dinâmica social, política, econômica e cultural tem marcado rupturas e transformações incomensuráveis. Situar-se neste novo ambiente, exige esforço cognitivo e afetivo, isso porque, o que imaginávamos saber sobre o dinamismo social, já não tem validade, e o que acreditávamos ver em algumas pessoas foi desconstruído.

A revolução tecnológica, a crise do capitalismo, as questões ambientais afetaram e afetam os modos de vermos o mundo, as formas de trabalho, o papel do Estado, da escola, da política, das famílias e, marcadamente, os processos de interação social.

Se partirmos do pressuposto que nos humanizamos nas relações sociais e nos tornamos gente no contato com o outro, o que assistimos é um crescente isolamento social que aprofunda a crise existencial. O mundo tecnológico ou a revolução 4.0   literalmente tem nos locado na ‘nuvem’ – o que parece gerar serias dificuldades de pertencimento. Estamos menos propensos ao diálogo, a profundidade, a persistência. Tudo e todos passam por nós de modo efêmero:  em manchetes, WhatsApp, Facebook, trocamos informações e construímos nossas “verdades” sobre a realidade e sobre as pessoas. Nos sentimos empoderados e nos tornamos cientistas políticos, críticos econômicos, doutores em educação, experts em segurança e, é claro soldados na guerra contra a corrupção.

 Como num passe de mágica, encontram-se soluções para todos os problemas sociais e despertam a ‘‘alvorada voraz”: excluir e prender os vermelhos, criminalizar os movimentos sociais, fazer apologia à violência contra a mulher, à morte da população LGBTI, dos negros, quilombolas, indígenas; envenenaram a população com agrotóxicos, com as fake news e, assim constrói-se uma distorção sistemática e criminosa da realidade. E ainda, “Nos aguardam exércitos que nos guardam da paz. Que paz?” (RPM)

Perplexidade talvez seja a palavra que marca este momento.  No entanto, recorro ao filosofo alemão Hölderlin quando diz que “onde existe o perigo, nasce também a salvação”. Sejamos capazes de uma séria e critica defesa da Democracia e da construção de um país sem pobreza intelectual, ética e material.

Que nossa Alvorada se inspire em Cartola: ‘’a alvorada lá no morro que beleza, ninguém chora, não há tristeza, ninguém sente dissabor. O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo [...]’’
Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 31/12/2018 às 14h40 | marisazf@hotmail.com

ELEIÇÕES E A ARTE DE SABER QUEM SOMOS

Os selvagens

Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantados

Tomo como ponto de partida para esta reflexão a poesia de Oswaldo de Andrade por dois motivos: o primeiro porque acredito que a ARTE de modo geral, nos permite sair das linhas tradicionais de pensamento – o que por si só já se torna imprescindível; o segundo porque esta poesia é parte do manifesto antropofágico – que tinha entre os objetivos, estruturar a cultura nacional. A antropofagia -  metaforicamente parece servir.   

O atual momento eleitoral, tem evidenciado quase antropofagia: as pessoas parecem praticar o canibalismo!  O nível de acirramento parece ter ultrapassado todos os limites: brigas, ódio, ofensas, agressões verbais e físicas em locais públicos e privados, revelam uma selvageria – não aquela de Oswaldo de Andrade, mas uma totalmente desprovida do reconhecimento de pertencimento do povo brasileiro enquanto nação.

Parece, portanto, que o propósito da década de 20/30 de estruturar a cultura nacional, ainda é um desafio, pois necessitaríamos reconhecer os índios, negros, pobres, mulheres, LGBTs. Necessitaríamos descortinar   quem são os “selvagens”, os “escravizados, ” os “ditadores”. Para isso, precisaríamos, portanto, de possibilidades de constituição de cidadania e de processos humanizadores.

 As eleições de fato revelam quem somos, as causas que abraçamos justificam as bandeiras que empunhamos. Talvez seja por isso, que assistimos espantados à revelação sem o mínimo pudor de homofóbicos, defensores da pena de morte, do armamento, da misoginia, racismo e, a maioria o faz, em nome da “Família, Pátria e de Deus”.  A tríade já conhecida e intimamente ligada a moral que geraram os mais vergonhosos episódios da humanidade - como o nazismo.

Antes das eleições a pauta era a falta de emprego, o preço dos combustíveis, a instabilidade da economia e seus reflexos. Hoje, para determinados grupos, não importa as propostas do candidato sobre economia, trabalho, educação, saúde, previdência, segurança, cultura. Importa o discurso e a solução fáceis – matar, prender, banir, esterilizar em nome da moral e o antipetismo. Ideias que rapidamente germinam regadas por anônimos internautas, especialistas em imagens virais que antagoniza extremismos e clamores de mudanças – sem importar quais serão. Nascera, como lembra Mário Assis Ferreira (2017) o quarto poder a “videocracia”.

Esta pratica política não pode caber no nosso horizonte. Urge, portanto, a necessidade da resistência, da sabedoria e da serenidade. Que possamos, neste domingo, lembrar de todos que lutaram e até morreram para que pudemos ir às urnas. Em nome dos que nos antecederem, em nome dos que virão – que a paz possa ser nosso valor e a divergência a possiblidade de avançarmos para um BRASIL de solidariedade e de justiça social.

 

Quadro: Abaporu de tarsília do Amaral (1928)

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 06/10/2018 às 19h55 | marisazf@hotmail.com

UMA CIDADE PARA AMAR, VIVER E TRANSFORMAR

Balneário Camboriú, esta jovem cidade é símbolo de alegria e inspiração por suas belezas naturais, pelo clima ameno, pela atmosfera e energia que pairam sobre o ar.
 
O mar e suas águas tranquilas embalam sonhos, enchem o coração de modo que é impossível não dizer que esta é uma cidade para AMAR.
 
Do seu povo nativo (quase esquecido), a todos que escolheram aqui VIVER, a sensação é dupla: privilégio e desafio. É visível que, para alguns, a Balneário é próspera, é um lugar de negócios rentáveis, o que cria, de certo modo, uma percepção (vinculada a perversa ideia de meritocracia) que há espaço para todos crescerem economicamente e serem felizes na Maravilha do Atlântico.
 
No entanto, o que parece haver de equívoco nessa percepção? Ela mascara a realidade, cria uma Ilusão social que causa dor, sofrimento e promove o individualismo. Neste sentido, a cidade cosmopolita, com um dos mais custosos metros quadrados do Brasil, impõe á dureza do silêncio e solidão (os índices alarmantes de suicídios, falam por si só).
 
Essas contradições difíceis de serem ditas em meio as comemorações, nos impelem a uma responsável reflexão e à TRANSFORMAÇÃO.
 
Transformar requer reconhecer a sobrevivência da cidade. Isso exige uma profunda mudança de percepção e pensamento sobre a interconexão entre a vida humana, a economia e o meio ambiente. Exige pensar e agir de modo inclusivo, cooperativo e sustentável para satisfazer as necessidades e aspirações do presente, sem com isso, diminuir as chances e perspectivas das gerações futuras (CAPRA, 2006).
 
Uma cidade para VIVER plenamente, AMAR incondicionalmente, requer TRANSFORMAR-SE.
 
Somos ondas do mesmo MAR,
 
Folhas da mesma árvore e
 
Flores do mesmo jardim,
 
Cuidemos do ambiente em que moramos, pois nossos filhos, netos e bisnetos poderão um dia desfrutar dos sonhos que aqui já tivemos e da vida que aqui já vivemos. Parabéns a todos e todas que fazem desta cidade um lugar responsavelmente melhor para viver.
Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 20/07/2018 às 12h55 | marisazf@hotmail.com

APRENDI COM O TEMPO E A VIDA COMEMORAR

 

Aprendi desde cedo a comemorar. Das lembranças da infância, os dias de sol eram os preferidos e, por isso, particularmente comemorados, pois possibilitavam estar nas quadras, nos campinhos improvisados, na rua jogando (futebol, vôlei, handebol), pulando, rindo, correndo, levando bronca por ficar tempo demais a brincar. No entanto, os dias de chuva, lembro que serviam para um nostálgico recolhimento e para os enredos simbólicos: cuidar de um bebê, cozinhar – coisas que para alguns parecem banais, mas hoje as vejo como fundantes da minha relação com a casa e com os pequenos.

Foi nos espaços de uma família numerosa que eu comemorava quando vinha um elogio (porque as críticas eram frequentes), um embalo no colo da mãe (porque colo também era disputado), um passo de dança do pai (porque isso não era comum) ou um brinquedo ganhado (porque isso era raro).

Da infância a vida adulta – que logicamente precisou ser instituída de forma rápida - comemorei o casamento e a maternidade quando a maioria achava cedo demais. Comemorei ser professora de pequenos – quando era para alguns algo muito simples (vivemos ainda uma realidade que quanto menor a idade menor é o valor do professor). Comemorei a minha filiação e entrada no movimento político partidário de esquerda... enfim, aprendi que cada momento precisa ser vivido, aproveitado e valorizado.

Neste meio século de vida aprendi, sobretudo, com aqueles que me cercam a viver, fazer escolhas e as assumir plenamente. Amar, sorrir, dançar, chorar, ser feliz. Por que? Porque como lembra Clarice Lispector, as pessoas mais felizes não têm as melhores coisas, elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.

Portanto, o tempo, a vida e as experiências nos dão a possibilidade de olhar a trajetória de um modo mais leve e nem por isso menos crítico, mais grato do que nostálgico, mais amoroso e mais humano. Gratidão pela vida e por todos que me fazem a cada dia e a cada nova idade, ser mais GENTE!

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 04/07/2018 às 21h48 | marisazf@hotmail.com

MÃE - ENTRE O ATO BIOLÓGICO E A EXPERIÊNCIA DE SER

Me parece oportuno refletir sobre a ideia, ora tão comemorada, ora tão esquecida –  a de ser mãe.  A tarefa biológica marcada como um ato divino, torna a mulher um ser especial e santificado. Gerar um filho, produzir seu próprio alimento, manter uma vida no seu corpo é sem dúvida, algo fora do comum – um corpo hierarquicamente superior em relação ao homem.

Entretanto, a realidade não é nada generosa com as mães: no patriarcalismo tão presente ainda na sociedade, na maioria das vezes ser mãe é um ato solitário, carregado de preconceitos que indicam a santidade do ato, a devoção inata e sempre amorosa como algo inerente a maternidade. Quando se trata de conceituar mãe, portanto, a sociedade tem um conjunto de mitos e representações que vão desde a supermãe, aquela que se sacrifica por tudo, o esteio do lar até aquela que NUNCA ERRA. Estas representações têm gerado dor, angústia e sofrimento para boa parte das mães, pois são seres como qualquer outro: aprendem a SER, na experiência, na partilha, na coletividade. Se constituem, tornam-se e precisam de ajuda para criar e educar os filhos – que aliás, se foram concebidos na partilha, obviamente deveriam ser criados na partilha.  

Portanto, acredito que avançar do comércio que envolve a data comemorativa seria um pressuposto fundamental para quem deseja um mundo equilibrado e de qualidade. Nesta direção, precisaríamos perguntar: qual rede de apoio as mães têm? Quais estruturas familiares e sociais sustentem a maternagem? Quem é suporte emocional e físico das mães? Como a tarefa de cuidar e educar os meninos e meninas pode ser partilhada? Quem trabalha com a insegurança gerada no nascimento de um filho (seja biológico ou adotivo)?

Pensar sobre o padrão de maternidade construído, sobre quem são de bebês - que choram, tem dor, fraldas, doenças (isso poucas vezes mostrado pelas imagens que circulam – sorridentes e saudáveis), parece um caminho que conduziria ao reconhecimento da vida real e aproximaria a sociedade em torno da geração da vida e da maternagem.

Mães não são seres especiais, não são perfeitas – são seres capazes como qualquer outro de amar, doar-se e fazer melhor possível – se tiverem a oportunidade de viver e se constituir na tarefa de ser mãe.

Os filhos certamente trazem grande mudanças na vida de uma mulher e, com eles grandes oportunidades de ver a vida por muitos vieses e espectros que jamais seriam percebidos sem eles. Mas é preciso resignificar o percurso de modo mais humano e solidário com nossas mães e com todas as formas desta constituição, porque o nascer de um filho não é o nascer de uma mãe e enquanto a vida dela existir ela continuará necessitando de novos arranjos, novos jeitos de SER E SE CONSTITUIR MÃE!  

Fonte imagem: Visualhunt

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 12/05/2018 às 19h34 | marisazf@hotmail.com



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Marisa Zanoni Fernandes

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Ex-vereadora em Balneário Camboriú, é doutora em educação e professora universitária.


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