Jornal Página 3
Coluna
Mãe na Roda
Por Ana Paula Góis

Eu não dou conta!

Quando uma mãe me pergunta como foi meu dia, como é meu dia a dia, e como eu faço para me organizar a pergunta recorrente é:

- Como você dá conta?

A responta recorrente é: Eu não dou!

Neste mudo de redes sociais, vemos muita foto de crianças bem alimentadas, brincando ao ar livre... tem muita narração de como foi bom ir ao teatro e de como aquela criança é abençoada por estas mães e pais companheiros e perfeitos. Aquela alimentação natural, aquele brinquedo educativo, aquele dia feliz.

Ninguém posta foto daquela lasanha congelada, do banheiro por limpar, da roupa mofando na lavanderia. Daquele momento que a criança deu um chilique no mercado, quando bateu no amiguinho...ninguém posta a linda frase que seu filho disse naquela hora de raiva:

- Mamãe, você é feia!

A verdade é que a maternidade não tem glamour! Até quando ela tem - numa festa de formatura por exemplo - pode ter vindo de dias e dias discutindo sobre roupas e convidados.

A maternidade nos leva a entrar em contato com nossos instintos mais animais. Nos provoca vários partos e vários nascimentos ao longo da caminhada.

Para conseguirmos levar esta caminhada sem culpa é preciso esperar menos. Esperar menos de nós e de nossos filhos! Conseguir relaxar no caos é grande qualidade para uma mãe. Confiar e entregar. Não se julgue e nem se compare, seja apenas o melhor que você consegue ser. Seu filho é único e cada mãe é única também. Conseguir administrar as mudanças que uma criança gera em nossas vidas não é tarefa fácil e não tem prazo para ser cumprida, mesmo porque, primeiro é um bebê, depois uma criança, e logo um adolescente e as dúvidas e incertezas de saber se estamos fazendo a coisa certa nunca desaparece. O binômio mãe e filho/ pai e filho vai precisar enfrentar muitas dificuldades que sempre surgirão e a cada passo que dão, uma mudança interna acontece e temos novos desafios.

Aproveitar cada fase de nossas crias sem culpas ou cobranças. Olhar para a situação como mera expectadora, perceber como nos comportamos, do que mais gostamos. Nosso mundo está cheio de convenções e cabe a nós sermos ou não escravos delas. Seja mais leve com sua casa, seja mais leve com sua família, seja mais leve com você. Olhe para cada dia como o último dia, com mais relaxamento e mais entrega. Liberte-se da obrigação -casa arrumada, bebê dormindo/ adolescente estudando, mamãe sorrindo. Nosso tempo é comprido, temos todo o tempo do mundo para as coisas se ajeitarem. Logo nosso bebê vai estar comendo sozinho, nossa criança vai estar indo pra escola sozinha, nosso adolescente vai estar querendo dormir um pouco mais e fazer qualquer coisa que for mandado um pouco menos.

Menos cobrança para menos distanciamento. Liberdade para ser quem se é, ou como eu prefiro dizer, para ser quem se está. Não julgue, não espere e não rotule, nem você, nem sua cria. Estamos em constante mudança e você é o exemplo que seu filho tem. Se não for hoje, amanhã com certeza sua cria estará imitando suas atitudes e olhar para a sua vida com amor é um grande exemplo a ser seguido pelos seus filhos.

Por uma humanidade mais fraterna.
Paz e Bem.

Escrito por Ana Paula Góis, 09/04/2016 às 08h17 | conviteecia@hotmail.com



Ana Paula Góis

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Mãe na Roda
Por Ana Paula Góis

Eu não dou conta!

Quando uma mãe me pergunta como foi meu dia, como é meu dia a dia, e como eu faço para me organizar a pergunta recorrente é:

- Como você dá conta?

A responta recorrente é: Eu não dou!

Neste mudo de redes sociais, vemos muita foto de crianças bem alimentadas, brincando ao ar livre... tem muita narração de como foi bom ir ao teatro e de como aquela criança é abençoada por estas mães e pais companheiros e perfeitos. Aquela alimentação natural, aquele brinquedo educativo, aquele dia feliz.

Ninguém posta foto daquela lasanha congelada, do banheiro por limpar, da roupa mofando na lavanderia. Daquele momento que a criança deu um chilique no mercado, quando bateu no amiguinho...ninguém posta a linda frase que seu filho disse naquela hora de raiva:

- Mamãe, você é feia!

A verdade é que a maternidade não tem glamour! Até quando ela tem - numa festa de formatura por exemplo - pode ter vindo de dias e dias discutindo sobre roupas e convidados.

A maternidade nos leva a entrar em contato com nossos instintos mais animais. Nos provoca vários partos e vários nascimentos ao longo da caminhada.

Para conseguirmos levar esta caminhada sem culpa é preciso esperar menos. Esperar menos de nós e de nossos filhos! Conseguir relaxar no caos é grande qualidade para uma mãe. Confiar e entregar. Não se julgue e nem se compare, seja apenas o melhor que você consegue ser. Seu filho é único e cada mãe é única também. Conseguir administrar as mudanças que uma criança gera em nossas vidas não é tarefa fácil e não tem prazo para ser cumprida, mesmo porque, primeiro é um bebê, depois uma criança, e logo um adolescente e as dúvidas e incertezas de saber se estamos fazendo a coisa certa nunca desaparece. O binômio mãe e filho/ pai e filho vai precisar enfrentar muitas dificuldades que sempre surgirão e a cada passo que dão, uma mudança interna acontece e temos novos desafios.

Aproveitar cada fase de nossas crias sem culpas ou cobranças. Olhar para a situação como mera expectadora, perceber como nos comportamos, do que mais gostamos. Nosso mundo está cheio de convenções e cabe a nós sermos ou não escravos delas. Seja mais leve com sua casa, seja mais leve com sua família, seja mais leve com você. Olhe para cada dia como o último dia, com mais relaxamento e mais entrega. Liberte-se da obrigação -casa arrumada, bebê dormindo/ adolescente estudando, mamãe sorrindo. Nosso tempo é comprido, temos todo o tempo do mundo para as coisas se ajeitarem. Logo nosso bebê vai estar comendo sozinho, nossa criança vai estar indo pra escola sozinha, nosso adolescente vai estar querendo dormir um pouco mais e fazer qualquer coisa que for mandado um pouco menos.

Menos cobrança para menos distanciamento. Liberdade para ser quem se é, ou como eu prefiro dizer, para ser quem se está. Não julgue, não espere e não rotule, nem você, nem sua cria. Estamos em constante mudança e você é o exemplo que seu filho tem. Se não for hoje, amanhã com certeza sua cria estará imitando suas atitudes e olhar para a sua vida com amor é um grande exemplo a ser seguido pelos seus filhos.

Por uma humanidade mais fraterna.
Paz e Bem.

Escrito por Ana Paula Góis, 09/04/2016 às 08h17 | conviteecia@hotmail.com



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