Jornal Página 3
Coluna
Mãe na Roda
Por Caroline Cezar

Escândalo no shopping

Uma queixa frequente entre pais e mães é o mau comportamento dos filhos em locais públicos, como shoppings e restaurantes. Apesar de frequentar pouco, toda vez que vou assisto uma cena triste de péssimo comportamento: adulto, cabe lembrar.

Teve uma vez que presenciei uma avó arrastando um menino pelo braço loja afora, gritando tanto quanto ele, com a mãe meio zumbi sustentando o outro lado da criança. Aproximei com a bebê para tentar distrair a raiva, mas ela ignorou e gritou mais alto: 'SE ELE NÃO SABE SE PORTAR VAI TER QUE PAGAR MUITO CARO!' Humilhante a violento.

Outro dia enquanto uma mãe provava dúzias de peças de roupas, o pai, entediado e olhando pro celular, andava atrás da filha disparando: "tira o balão da boca; tira a mão daí; não se mexe; não mexe lá; não fala alto. Se você não se comportar não te dou o doce que prometi".

Vejam só quantos equívocos: humilhação, privação, chantagem, barganha, desatenção e principalmente (bingo!): inadequação da atividade para a criança. Se distrair é normal, errar é humano, mas quando estivermos mais centrados, vamos pensar sobre o assunto?

Será que o comportamento considerado inadequado não é apenas um reflexo da atividade proposta? Será que num lugar livre de estímulos, de prateleiras, de atrações, e com espaço pra correr, esse tipo de coisa aconteceria? Quem, no auge da energia e curiosidade, quer ficar parado, esperando adultos provarem roupas ou perguntarem preços? Quem quer ficar duas horas sentado imóvel numa mesa de restaurante escutando papo adulto e vendo-os mexerem no celular e bebendo e vociferando?

Eu não quero! E quando quiser, sem crianças por perto, porque isso é um programa adulto. Eles não se adaptarem e manifestarem isso claramente é sinal de SAÚDE, mental e física.

Vamos pensar nos shoppings e mercados e centros comerciais como locais de consumo e não de passeio, e aí já temos um bom começo.

 

* Uma dica prática: se houver um ataque, contenha a criança com um abraço muito firme. Sacudir, xingar, mandar parar, só vai piorar a situação. Depois é indispensável olhar para a raiz do problema e refletir sobre isso. 

Escrito por Caroline Cezar, 29/09/2015 às 09h09 | carol.jp3@gmail.com

Ainda não anda???


Quantos anos ele tem? Mas já fala tudo? E andou com quantos meses? Ainda não anda?

Quase impossível fugir dessas indagações quando estamos circulando por aí com bebês.
A mãe quer que ele ande cedo, o pai quer que ele faça um gol, o a vó quer q ele chame de vovó, os tios querem que não seja tão "chucro" e cumprimente direito, a madrinha quer saber o que ele vai ser quando crescer...

É melhor para o desenvolvimento da criança que o bebê não ande ou fale, nem cedo, nem tarde. Que faça as coisas no tempo dele. Não existe idade certa para andar ou falar, mas com certeza é mais tarde do que imaginamos.

É um grande passo para o desenvolvimento intelectual do bebê aprender a andar, mas ver o mundo de pé é um passo maior e tão importante quanto. O bebê deve aprender a andar sozinho e não segurado pelo braços de seus pais. Tiremos da cabeça a imagem idealizada da criança dando o primeiro passo segurada pela mãe e chamada pelo pai. O caminhar deve ser algo natural e espontâneo como foram os primeiros movimentos: abrir os olhos, mover a língua para sugar o mamá, chacoalhar as pernas.

O bebê passa por várias fases desde o seu nascimento, e cada uma delas é importante para o seu desenvolvimento pleno.
Nasce com o corpo mole e frágil, precisa ficar deitado, quentinho, junto ao nosso corpo, para entender como o dele funciona, porque ainda não sabe de nada! Aqui, damos muito colo e aconchego e ele no tempo dele (uns com dias, outros com meses) começa a sustentar a cabeça. Quando já sustenta a cabeça, começamos a segurá-lo no colo em pé, porque "já não quer mais ficar deitado" e ele começa a fortalecer as costas e como num passe de mágica, lá pelo seu meio ano de vida ele sustenta a cabeça e o tronco e já está sentando! É muita alegria para a família e mais ainda para o bebê. Agora ele começa a ver o mundo de um outro ângulo. Precisa então adquirir equilíbrio. O equilíbrio é fundamental para qualquer atividade que iremos fazer em toda a nossa vida, tanto do ponto de vista físico, quanto emocional, portanto é uma das qualidades básicas para a nossa sobrevivência.

Nesta hora, em que o bebê ainda está sentado e não se sustenta em pé, não é hora de colocá-lo de pé e incentivar os passinhos... antes de andar, é bom que o bebê já consiga se comunicar, se equilibrar e se defender sozinho. É hora de colocá-lo sentado (no chão, colchão não vale)! Ele vai fortalecer a coluna e treinar bem o pescoço, o giro, e quando tudo isso estiver firme, ele seguirá para o fortalecimento dos braços. Vai cair várias vezes, e cada queda é uma parte o exercício que está fortalecendo os braços e o equilíbrio, e então, quando ele estiver bem seguro de que seus braços estão fortes o suficientes para fazê-lo sentar-se outra vez quando cair, virão as primeiras engatinhadas! Não é hora de colocá-lo de pé e incentivar os passinhos... Seu filho precisa e merece engatinhar! Conhecer o ambiente ao redor é seguro e prazeroso para eles de quatro! Porque ainda não tem suas pernas e equilíbrios completamente desenvolvidos. Então, quando conhecerem o ambiente que os cerca, entenderem como funciona o casa, conseguirem se locomover livremente por todos os cômodos, conseguirem se levantar sozinhos e se por de pé (certamente já terão mais de um ano) estarão prontos para andar.

 

Se incentivada desde cedo, toda criança pode andar cedo, falar cedo, saber as capitais dos estados cedo, mas pra que pular etapas do desenvolvimento?

Nossos filhos serão bebês por muito pouco tempo e este pouco tempo deve ser aproveitado para ser bebê. Em 3 ou 4 anos de vida, eles aprendem mais coisas do que aprenderemos em toda a nossa vida.. precisam aprender tudo desde a cor o céu até a amarrar seu sapatos (mas o que é sapato mesmo? tem que aprender também!) e para isso precisam de tempo para assimilar. Diminua o ritmo das cobranças e dos estímulos, observe o comportamento do bebê, coloque-o no chão e deixe-o explorar!

 

Por uma humanidade mais fraterna!

Paz e bem

Escrito por Ana Paula Góis, 22/09/2015 às 10h08 | conviteecia@hotmail.com

Apoiando o corpo naturalmente

Minha mãe, muito filha da minha vó, sempre cuidou de mim com compressas, chás, bochechos e afins. Quando a gente se batia, passava o schnaps que o vô preparava com álcool e ervas. Quando pegava piolho, enrolava os cabelos num preparado de vinagre e alguma outra coisa. Quando tinha dor de barriga, dor de aflição, dor de saudade, um chazinho. Pra dormir melhor, tirar a febre, esquentar o corpo: compressa quente, compressa fria. Minha filha, de nove anos, pede um escalda-pés quando se sente cansada, ou está pra gripar. Pede chá quando sente que precisa. A pequena de um ano a tudo observa e parece que vai pelo mesmo caminho. O adolescente também pede ajuda fitoterápica quando precisa de conversa.

Além da enorme gama de propriedades medicinas das plantas e ervas e terras, a essência do cuidado natural é o carinho e atenção. A PRESENÇA.

A vida na cidade e as distrações alimentícias e farmacêuticas afastam um pouco a gente desses saberes, nos torna preguiçosos em relação à auto investigação e à observação dos nossos. Também desconhecemos as coisas naturais e como usá-las a nossa favor. Hoje tratamos criança doente com química em pílula, bolacha recheada e televisão - e isso parece um agrado. Ou levamos ela pra um plantão cheio, pra buscar uma receita médica que nos deixe descansar.

Vivemos numa sociedade de consumo onde é considerado normal ingerir grande quantidade de alimentos industrializados e todo tipo de medicamentos. Desde antes de nascer as crianças são submetidas a um padrão social que promove uma intoxicação constante com comida ou remédios e que a longo prazo, cria um ciclo de dependência e enfraquecimento. Esses hábitos também tornam mais difícil pro indivíduo entender o funcionamento dessa máquina perfeita que é o corpo.

É necessário buscar alternativas para apoiar o corpo de maneira natural, e largar as muletas criadas pelas indústrias alimentícia e farmacêutica por interesse primordialmente econômico. As crianças têm direito à liberdade e autonomia que essa não-dependência propicia. Buscar informação é um bom começo!

 

 

 

+  na prática

Essa quinta-feira, 17, a mãe, terapeuta e escritora Anja Kamp estará em Balneário para o workshop "Pega na prática", dicas simples que ela compartilha no livro "Pequenas Emergências, Grandes Alívios". São soluções naturais e caseiras, como faziam nossas avós, para ajudar o organismo nas gripes, tosses, pequenas queimaduras, piolhos e outros desequilíbrios que afetam as crianças e a família.

O workshop acontece no Isev (antigo Santa Inês), a partir das 18h30. Informações e inscrições 9977 3025/ 9129 1119.
 

Escrito por Caroline Cezar, 15/09/2015 às 10h37 | carol.jp3@gmail.com

Começa antes de ser criança

"Acho que o melhor para a criança é tratá-la como criança. Impor assuntos sobre sexualidade ou gênero antes que elas se preocupem com o tema, também não é normal." Comentário de uma leitora em outro artigo da coluna. Acho válido.

A criança.
Que criança?
E a cabeça roda, roda e roda. E enxerga uma sociedade confusa que não sabe o que falar, nem pra quem vai falar. A criança, quem é ela? Onde vive? Com que ocupa seu tempo? Quem cuida? Com quem conversa? O que assiste?

A propaganda entra em casa e aumenta o volume da sua tevê pra falar com suas crianças e você nem vê. Ou acha normal. Das SUAS crianças. Estamos falando só de uma casa, da sua casa. Como generalizar um tema tão complexo?

Você está disposto a assumir sua vida como exemplo pra outras? Você está disposto a ser um modelo de educação - com todos erros e imperfeições inerentes ao ser humano, que se constrói no dia a dia e nunca está pronto? Você está disposto a ser humilde, a aprender, a soltar um pouco as bagagens, a ocupar seu tempo com você mesmo, se reiventar? Você está disposto a se doar?
Por que estamos sempre olhando pra fora?

A sua criança está ali pra dizer muito mais sobre você do que sobre ela mesma. A partir disso podemos crescer, juntos.

Quando começou essa discussão de gênero na escola logo lembrei da Eleanor Luzes, uma cientista carioca que veio falar em Brusque para uma platéia reduzida de universitários desinteressados. Ela dizia coisas tão essenciais a toda humanidade, mas como tinha umas barrigas de grávida e uns nenéns no projetor, parecia que só a meia dúzia de gestantes escutava.

Entre outra porção de coisas, Luzes defende que a Ciência do Início da Vida, tese que ela apresentou, seja uma disciplina escolar de ensino médio. A Ciência do Ensino da Vida ensinaria a esses jovens de 14, 15 anos, submersos num mundo visual e de estímulos constantes, numa distorção completa da sexualidade, sobre a importância e responsabilidade de gerar um filho, e como eles poderiam se apropriar dessa decisão de maneira consciente. A importância de em primeiro lugar, de conceber esse filho a partir de um real desejo de ter um filho.

Filho planejado. Concepção consciente. Gestação com poucas interferências médicas e medicamentosas, centramento, consciência e alimentação livre de venenos. Conhecimento fisiológico dos processos. Nascimento natural. Não-separação da mãe e bebê em nenhuma hipótese imediatamente após o nascimento. Segurança. Aleitamento. AMOR como base de tudo. É muito mais simples que parece. São dicas naturais e básicas mantidas como se fossem segredos ou muito distantes da realidade.

Tinha 36 anos e uma terceira gestação quando ouvi falar sobre quase tudo isso, o saber instintivo que não levamos em consideração pelo bombardeio de informações equivocadas a que somos submetidos. Depois de somar quase 30 consultas pré-natais convencionais, ouvi pela primeira vez, um profissional da saúde que não era um médico, proferir a palavra "períneo" e orientar de que forma eu poderia trabalhar essa parte do corpo para facilitar a passagem de um bebê. Só muito depois entendi que confiança, amor e uns panos quentes seriam tudo que meu bebê precisava pra nascer.

Então é isso. É antes de ser criança que começa. É a criança que vai vir de um casal que sabe o que faz. É a criança que traz como primeiros registros o acolhimento, o amor, a paz, e não a separação, a violência, a artificialização da vida. Isso precisa ser ensinado para que comecemos a caminhar como uma humanidade mais fraterna e menos refém de leis estabelecidas, ditas ou não ditas, por grupos de interesses.

Pesquise mais em www.cienciadoniniciodavida.org

Escrito por Caroline Cezar, 11/09/2015 às 07h04 | carol.jp3@gmail.com

Livre pra vestir qualquer roupagem

Na minha terceira gestação optamos por não saber antecipadamente o sexo do bebê. Não foi nada assim tão ensaiado ou preparado ou cheio de convicções. Naturalmente resolvemos esperar, sem alimentar grandes ansiedades ou polêmicas. Por parte dos outros era quase impossível: desde a caixa do mercado até parentes próximos, desde a tia na fila até vizinhos chegados: as reações eram múltiplas, algumas até agressivas. 

- Como assim não sabe? - Não faz exames? - Tsss, quer pagar de diferente. - Lá vem eles tentando causar. - Que irresponsabilidade! E da dúvida surgiam todos os tipos de problemas, o maior deles não saber de quer cor seria o enxoval, pior que não chamar pelo nome a criança na barriga. As roupassss, o quarto, meu deosssss. Eu brincava de provocar: - Enxoval, o que que isso? Pra que que serve?

Levamos no bom humor e nada podia nos abalar, estávamos com os dois pés fincados na terra e o coração florescendo a mil. Ter vários filhos e alguma idade tem suas vantagens.

E deixa eu contar pra vocês que só fomos ver que a Madu era Madu depois de uns 20 minutos que ela nasceu? Estávamos lá naquele estado de graça absoluta, imersos no vapor e no amor, com a criança grudada no cordão e no peito, quando a outra filha perguntou: e é menina ou menino? Rimos muito e só então verificamos, sim, Sara, você acertou desde o início, tens uma irmã.

Essa irmã desde que nasceu ganhou muitas roupas, muitas mesmo. Às vezes olho pra isso e me parece tão rico: a grande circulação de coisas no nosso meio: sempre que sai algo, vem em dobro, triplo. Fazemos sacolas, levamos, ganhamos outras, num movimento contínuo e ininterrupto. Uma rede! Voltando ao bebê, muitas das roupas vinham de meninos, e muita gente pela rua chamava ela de menino, porque não tem brinco, não tem laço, até o nome soa indefinido, nada identificava muito seu gênero. Eu não ficava explicando, agradecia o elogio com -o ou com a- e seguia.

Agora falta pouco pra ela ter dois anos e quando veste a roupa diz de onde veio, quem trouxe, qual amigo usava. Ela também escolhe o que vai vestir, e eu finjo que não tô vendo. Ela confirma minha teoria que saia é um estado de espírito, tem dias que acorda assim. Ou põe uma faixa atravessada na testa fazendo o tipo woodstock-ainda-vive. Ou uma camiseta de banda. Ou tira toda roupa.

Muitas vezes quando eu que escolho o que ela vai vestir percebo que estamos com as mesmas cores, o mesmo estilo. INTERFERIMOS. Óbvio que interferimos. E é preciso cuidado e atenção com essa interferência, porque sempre vamos achar que temos certeza, que sabemos mais, que estamos fazendo o bem. Precisa espaço para que o sonho floresça, e para estar à vontade com seus próprios desejos.

Há dançarinos maravilhosos querendo sair de dentro de meninos prostrados. Há sufocamento de almas, medo, julgamento e restrição. Há agressão e violência. Que nós, como sociedade, possamos olhar para essas interferências, as leves e as pesadas, e perceber que vem lá de trás todo esse condicionamento imposto sobre como se vestir, como se portar, como caminhar, do que deve gostar (!!!).

Sexualidade é muito mais que pênis e vaginas se misturando de um jeito ou outro, sexualidade é potencial criativo na elevada potência, é força, leveza e expressão que não dizem respeito a apenas atos físicos, e sim personalidade e lugar no mundo.

 

Escrito por Caroline Cezar, 04/09/2015 às 07h58 | carol.jp3@gmail.com

Gênero e sexualidade: presente!

O país inteiro está discutindo se as palavras gênero e sexualidade devem ou não entrar nos Planos Municipais de Educação, assunto que teve grande destaque na mídia principalmente pela manifestação contrária de grupos religiosos sobre o termo.

Os religiosos são organizados e tem total liberdade para se manifestar contrários ao que não gostam, se essa manifestação for pacífica e respeitosa.

Deixando ou não deixando, sendo contra ao favor, as discussões sobre sexualidade e gênero vão acontecer de qualquer jeito, porque são inerentes ao SER humano. A forma que se dará é que vai mudar de acordo com o locutor - pai, mãe, professora, pastor, vizinho, colega, tio que se veste de gaúcho e segura a placa no sinal, ana marias bragas e por aí vai. Lembrando que estamos num mundo cada vez mais aberto e que conversa em roda e não com alguém despejando um conteúdo pros outros sentados mudos ouvindo. E um mundo de diversidade, onde sempre existirão opiniões diferentes e muita gente se expressando como quer.

Quanto mais você olhar para si e suas (in) certezas e condicionamentos, mais vai avançar no relacionamento com o outro. É preciso dar espaço, e respeitar o espaço alheio.

Sobre gênero, compartilho essa notícia que recebi, de pais que resolveram manter em segredo o sexo de seu filho mais novo, para dar à criança a oportunidade de desenvolver a sua identidade sexual por conta própria. A criança foi chamada de STORM (<3). Notícia antiga, mas contextualizada.

Escrito por Caroline Cezar, 27/08/2015 às 09h15 | carol.jp3@gmail.com



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Caroline Cezar

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Mãe na Roda
Por Caroline Cezar

Escândalo no shopping

Uma queixa frequente entre pais e mães é o mau comportamento dos filhos em locais públicos, como shoppings e restaurantes. Apesar de frequentar pouco, toda vez que vou assisto uma cena triste de péssimo comportamento: adulto, cabe lembrar.

Teve uma vez que presenciei uma avó arrastando um menino pelo braço loja afora, gritando tanto quanto ele, com a mãe meio zumbi sustentando o outro lado da criança. Aproximei com a bebê para tentar distrair a raiva, mas ela ignorou e gritou mais alto: 'SE ELE NÃO SABE SE PORTAR VAI TER QUE PAGAR MUITO CARO!' Humilhante a violento.

Outro dia enquanto uma mãe provava dúzias de peças de roupas, o pai, entediado e olhando pro celular, andava atrás da filha disparando: "tira o balão da boca; tira a mão daí; não se mexe; não mexe lá; não fala alto. Se você não se comportar não te dou o doce que prometi".

Vejam só quantos equívocos: humilhação, privação, chantagem, barganha, desatenção e principalmente (bingo!): inadequação da atividade para a criança. Se distrair é normal, errar é humano, mas quando estivermos mais centrados, vamos pensar sobre o assunto?

Será que o comportamento considerado inadequado não é apenas um reflexo da atividade proposta? Será que num lugar livre de estímulos, de prateleiras, de atrações, e com espaço pra correr, esse tipo de coisa aconteceria? Quem, no auge da energia e curiosidade, quer ficar parado, esperando adultos provarem roupas ou perguntarem preços? Quem quer ficar duas horas sentado imóvel numa mesa de restaurante escutando papo adulto e vendo-os mexerem no celular e bebendo e vociferando?

Eu não quero! E quando quiser, sem crianças por perto, porque isso é um programa adulto. Eles não se adaptarem e manifestarem isso claramente é sinal de SAÚDE, mental e física.

Vamos pensar nos shoppings e mercados e centros comerciais como locais de consumo e não de passeio, e aí já temos um bom começo.

 

* Uma dica prática: se houver um ataque, contenha a criança com um abraço muito firme. Sacudir, xingar, mandar parar, só vai piorar a situação. Depois é indispensável olhar para a raiz do problema e refletir sobre isso. 

Escrito por Caroline Cezar, 29/09/2015 às 09h09 | carol.jp3@gmail.com

Ainda não anda???


Quantos anos ele tem? Mas já fala tudo? E andou com quantos meses? Ainda não anda?

Quase impossível fugir dessas indagações quando estamos circulando por aí com bebês.
A mãe quer que ele ande cedo, o pai quer que ele faça um gol, o a vó quer q ele chame de vovó, os tios querem que não seja tão "chucro" e cumprimente direito, a madrinha quer saber o que ele vai ser quando crescer...

É melhor para o desenvolvimento da criança que o bebê não ande ou fale, nem cedo, nem tarde. Que faça as coisas no tempo dele. Não existe idade certa para andar ou falar, mas com certeza é mais tarde do que imaginamos.

É um grande passo para o desenvolvimento intelectual do bebê aprender a andar, mas ver o mundo de pé é um passo maior e tão importante quanto. O bebê deve aprender a andar sozinho e não segurado pelo braços de seus pais. Tiremos da cabeça a imagem idealizada da criança dando o primeiro passo segurada pela mãe e chamada pelo pai. O caminhar deve ser algo natural e espontâneo como foram os primeiros movimentos: abrir os olhos, mover a língua para sugar o mamá, chacoalhar as pernas.

O bebê passa por várias fases desde o seu nascimento, e cada uma delas é importante para o seu desenvolvimento pleno.
Nasce com o corpo mole e frágil, precisa ficar deitado, quentinho, junto ao nosso corpo, para entender como o dele funciona, porque ainda não sabe de nada! Aqui, damos muito colo e aconchego e ele no tempo dele (uns com dias, outros com meses) começa a sustentar a cabeça. Quando já sustenta a cabeça, começamos a segurá-lo no colo em pé, porque "já não quer mais ficar deitado" e ele começa a fortalecer as costas e como num passe de mágica, lá pelo seu meio ano de vida ele sustenta a cabeça e o tronco e já está sentando! É muita alegria para a família e mais ainda para o bebê. Agora ele começa a ver o mundo de um outro ângulo. Precisa então adquirir equilíbrio. O equilíbrio é fundamental para qualquer atividade que iremos fazer em toda a nossa vida, tanto do ponto de vista físico, quanto emocional, portanto é uma das qualidades básicas para a nossa sobrevivência.

Nesta hora, em que o bebê ainda está sentado e não se sustenta em pé, não é hora de colocá-lo de pé e incentivar os passinhos... antes de andar, é bom que o bebê já consiga se comunicar, se equilibrar e se defender sozinho. É hora de colocá-lo sentado (no chão, colchão não vale)! Ele vai fortalecer a coluna e treinar bem o pescoço, o giro, e quando tudo isso estiver firme, ele seguirá para o fortalecimento dos braços. Vai cair várias vezes, e cada queda é uma parte o exercício que está fortalecendo os braços e o equilíbrio, e então, quando ele estiver bem seguro de que seus braços estão fortes o suficientes para fazê-lo sentar-se outra vez quando cair, virão as primeiras engatinhadas! Não é hora de colocá-lo de pé e incentivar os passinhos... Seu filho precisa e merece engatinhar! Conhecer o ambiente ao redor é seguro e prazeroso para eles de quatro! Porque ainda não tem suas pernas e equilíbrios completamente desenvolvidos. Então, quando conhecerem o ambiente que os cerca, entenderem como funciona o casa, conseguirem se locomover livremente por todos os cômodos, conseguirem se levantar sozinhos e se por de pé (certamente já terão mais de um ano) estarão prontos para andar.

 

Se incentivada desde cedo, toda criança pode andar cedo, falar cedo, saber as capitais dos estados cedo, mas pra que pular etapas do desenvolvimento?

Nossos filhos serão bebês por muito pouco tempo e este pouco tempo deve ser aproveitado para ser bebê. Em 3 ou 4 anos de vida, eles aprendem mais coisas do que aprenderemos em toda a nossa vida.. precisam aprender tudo desde a cor o céu até a amarrar seu sapatos (mas o que é sapato mesmo? tem que aprender também!) e para isso precisam de tempo para assimilar. Diminua o ritmo das cobranças e dos estímulos, observe o comportamento do bebê, coloque-o no chão e deixe-o explorar!

 

Por uma humanidade mais fraterna!

Paz e bem

Escrito por Ana Paula Góis, 22/09/2015 às 10h08 | conviteecia@hotmail.com

Apoiando o corpo naturalmente

Minha mãe, muito filha da minha vó, sempre cuidou de mim com compressas, chás, bochechos e afins. Quando a gente se batia, passava o schnaps que o vô preparava com álcool e ervas. Quando pegava piolho, enrolava os cabelos num preparado de vinagre e alguma outra coisa. Quando tinha dor de barriga, dor de aflição, dor de saudade, um chazinho. Pra dormir melhor, tirar a febre, esquentar o corpo: compressa quente, compressa fria. Minha filha, de nove anos, pede um escalda-pés quando se sente cansada, ou está pra gripar. Pede chá quando sente que precisa. A pequena de um ano a tudo observa e parece que vai pelo mesmo caminho. O adolescente também pede ajuda fitoterápica quando precisa de conversa.

Além da enorme gama de propriedades medicinas das plantas e ervas e terras, a essência do cuidado natural é o carinho e atenção. A PRESENÇA.

A vida na cidade e as distrações alimentícias e farmacêuticas afastam um pouco a gente desses saberes, nos torna preguiçosos em relação à auto investigação e à observação dos nossos. Também desconhecemos as coisas naturais e como usá-las a nossa favor. Hoje tratamos criança doente com química em pílula, bolacha recheada e televisão - e isso parece um agrado. Ou levamos ela pra um plantão cheio, pra buscar uma receita médica que nos deixe descansar.

Vivemos numa sociedade de consumo onde é considerado normal ingerir grande quantidade de alimentos industrializados e todo tipo de medicamentos. Desde antes de nascer as crianças são submetidas a um padrão social que promove uma intoxicação constante com comida ou remédios e que a longo prazo, cria um ciclo de dependência e enfraquecimento. Esses hábitos também tornam mais difícil pro indivíduo entender o funcionamento dessa máquina perfeita que é o corpo.

É necessário buscar alternativas para apoiar o corpo de maneira natural, e largar as muletas criadas pelas indústrias alimentícia e farmacêutica por interesse primordialmente econômico. As crianças têm direito à liberdade e autonomia que essa não-dependência propicia. Buscar informação é um bom começo!

 

 

 

+  na prática

Essa quinta-feira, 17, a mãe, terapeuta e escritora Anja Kamp estará em Balneário para o workshop "Pega na prática", dicas simples que ela compartilha no livro "Pequenas Emergências, Grandes Alívios". São soluções naturais e caseiras, como faziam nossas avós, para ajudar o organismo nas gripes, tosses, pequenas queimaduras, piolhos e outros desequilíbrios que afetam as crianças e a família.

O workshop acontece no Isev (antigo Santa Inês), a partir das 18h30. Informações e inscrições 9977 3025/ 9129 1119.
 

Escrito por Caroline Cezar, 15/09/2015 às 10h37 | carol.jp3@gmail.com

Começa antes de ser criança

"Acho que o melhor para a criança é tratá-la como criança. Impor assuntos sobre sexualidade ou gênero antes que elas se preocupem com o tema, também não é normal." Comentário de uma leitora em outro artigo da coluna. Acho válido.

A criança.
Que criança?
E a cabeça roda, roda e roda. E enxerga uma sociedade confusa que não sabe o que falar, nem pra quem vai falar. A criança, quem é ela? Onde vive? Com que ocupa seu tempo? Quem cuida? Com quem conversa? O que assiste?

A propaganda entra em casa e aumenta o volume da sua tevê pra falar com suas crianças e você nem vê. Ou acha normal. Das SUAS crianças. Estamos falando só de uma casa, da sua casa. Como generalizar um tema tão complexo?

Você está disposto a assumir sua vida como exemplo pra outras? Você está disposto a ser um modelo de educação - com todos erros e imperfeições inerentes ao ser humano, que se constrói no dia a dia e nunca está pronto? Você está disposto a ser humilde, a aprender, a soltar um pouco as bagagens, a ocupar seu tempo com você mesmo, se reiventar? Você está disposto a se doar?
Por que estamos sempre olhando pra fora?

A sua criança está ali pra dizer muito mais sobre você do que sobre ela mesma. A partir disso podemos crescer, juntos.

Quando começou essa discussão de gênero na escola logo lembrei da Eleanor Luzes, uma cientista carioca que veio falar em Brusque para uma platéia reduzida de universitários desinteressados. Ela dizia coisas tão essenciais a toda humanidade, mas como tinha umas barrigas de grávida e uns nenéns no projetor, parecia que só a meia dúzia de gestantes escutava.

Entre outra porção de coisas, Luzes defende que a Ciência do Início da Vida, tese que ela apresentou, seja uma disciplina escolar de ensino médio. A Ciência do Ensino da Vida ensinaria a esses jovens de 14, 15 anos, submersos num mundo visual e de estímulos constantes, numa distorção completa da sexualidade, sobre a importância e responsabilidade de gerar um filho, e como eles poderiam se apropriar dessa decisão de maneira consciente. A importância de em primeiro lugar, de conceber esse filho a partir de um real desejo de ter um filho.

Filho planejado. Concepção consciente. Gestação com poucas interferências médicas e medicamentosas, centramento, consciência e alimentação livre de venenos. Conhecimento fisiológico dos processos. Nascimento natural. Não-separação da mãe e bebê em nenhuma hipótese imediatamente após o nascimento. Segurança. Aleitamento. AMOR como base de tudo. É muito mais simples que parece. São dicas naturais e básicas mantidas como se fossem segredos ou muito distantes da realidade.

Tinha 36 anos e uma terceira gestação quando ouvi falar sobre quase tudo isso, o saber instintivo que não levamos em consideração pelo bombardeio de informações equivocadas a que somos submetidos. Depois de somar quase 30 consultas pré-natais convencionais, ouvi pela primeira vez, um profissional da saúde que não era um médico, proferir a palavra "períneo" e orientar de que forma eu poderia trabalhar essa parte do corpo para facilitar a passagem de um bebê. Só muito depois entendi que confiança, amor e uns panos quentes seriam tudo que meu bebê precisava pra nascer.

Então é isso. É antes de ser criança que começa. É a criança que vai vir de um casal que sabe o que faz. É a criança que traz como primeiros registros o acolhimento, o amor, a paz, e não a separação, a violência, a artificialização da vida. Isso precisa ser ensinado para que comecemos a caminhar como uma humanidade mais fraterna e menos refém de leis estabelecidas, ditas ou não ditas, por grupos de interesses.

Pesquise mais em www.cienciadoniniciodavida.org

Escrito por Caroline Cezar, 11/09/2015 às 07h04 | carol.jp3@gmail.com

Livre pra vestir qualquer roupagem

Na minha terceira gestação optamos por não saber antecipadamente o sexo do bebê. Não foi nada assim tão ensaiado ou preparado ou cheio de convicções. Naturalmente resolvemos esperar, sem alimentar grandes ansiedades ou polêmicas. Por parte dos outros era quase impossível: desde a caixa do mercado até parentes próximos, desde a tia na fila até vizinhos chegados: as reações eram múltiplas, algumas até agressivas. 

- Como assim não sabe? - Não faz exames? - Tsss, quer pagar de diferente. - Lá vem eles tentando causar. - Que irresponsabilidade! E da dúvida surgiam todos os tipos de problemas, o maior deles não saber de quer cor seria o enxoval, pior que não chamar pelo nome a criança na barriga. As roupassss, o quarto, meu deosssss. Eu brincava de provocar: - Enxoval, o que que isso? Pra que que serve?

Levamos no bom humor e nada podia nos abalar, estávamos com os dois pés fincados na terra e o coração florescendo a mil. Ter vários filhos e alguma idade tem suas vantagens.

E deixa eu contar pra vocês que só fomos ver que a Madu era Madu depois de uns 20 minutos que ela nasceu? Estávamos lá naquele estado de graça absoluta, imersos no vapor e no amor, com a criança grudada no cordão e no peito, quando a outra filha perguntou: e é menina ou menino? Rimos muito e só então verificamos, sim, Sara, você acertou desde o início, tens uma irmã.

Essa irmã desde que nasceu ganhou muitas roupas, muitas mesmo. Às vezes olho pra isso e me parece tão rico: a grande circulação de coisas no nosso meio: sempre que sai algo, vem em dobro, triplo. Fazemos sacolas, levamos, ganhamos outras, num movimento contínuo e ininterrupto. Uma rede! Voltando ao bebê, muitas das roupas vinham de meninos, e muita gente pela rua chamava ela de menino, porque não tem brinco, não tem laço, até o nome soa indefinido, nada identificava muito seu gênero. Eu não ficava explicando, agradecia o elogio com -o ou com a- e seguia.

Agora falta pouco pra ela ter dois anos e quando veste a roupa diz de onde veio, quem trouxe, qual amigo usava. Ela também escolhe o que vai vestir, e eu finjo que não tô vendo. Ela confirma minha teoria que saia é um estado de espírito, tem dias que acorda assim. Ou põe uma faixa atravessada na testa fazendo o tipo woodstock-ainda-vive. Ou uma camiseta de banda. Ou tira toda roupa.

Muitas vezes quando eu que escolho o que ela vai vestir percebo que estamos com as mesmas cores, o mesmo estilo. INTERFERIMOS. Óbvio que interferimos. E é preciso cuidado e atenção com essa interferência, porque sempre vamos achar que temos certeza, que sabemos mais, que estamos fazendo o bem. Precisa espaço para que o sonho floresça, e para estar à vontade com seus próprios desejos.

Há dançarinos maravilhosos querendo sair de dentro de meninos prostrados. Há sufocamento de almas, medo, julgamento e restrição. Há agressão e violência. Que nós, como sociedade, possamos olhar para essas interferências, as leves e as pesadas, e perceber que vem lá de trás todo esse condicionamento imposto sobre como se vestir, como se portar, como caminhar, do que deve gostar (!!!).

Sexualidade é muito mais que pênis e vaginas se misturando de um jeito ou outro, sexualidade é potencial criativo na elevada potência, é força, leveza e expressão que não dizem respeito a apenas atos físicos, e sim personalidade e lugar no mundo.

 

Escrito por Caroline Cezar, 04/09/2015 às 07h58 | carol.jp3@gmail.com

Gênero e sexualidade: presente!

O país inteiro está discutindo se as palavras gênero e sexualidade devem ou não entrar nos Planos Municipais de Educação, assunto que teve grande destaque na mídia principalmente pela manifestação contrária de grupos religiosos sobre o termo.

Os religiosos são organizados e tem total liberdade para se manifestar contrários ao que não gostam, se essa manifestação for pacífica e respeitosa.

Deixando ou não deixando, sendo contra ao favor, as discussões sobre sexualidade e gênero vão acontecer de qualquer jeito, porque são inerentes ao SER humano. A forma que se dará é que vai mudar de acordo com o locutor - pai, mãe, professora, pastor, vizinho, colega, tio que se veste de gaúcho e segura a placa no sinal, ana marias bragas e por aí vai. Lembrando que estamos num mundo cada vez mais aberto e que conversa em roda e não com alguém despejando um conteúdo pros outros sentados mudos ouvindo. E um mundo de diversidade, onde sempre existirão opiniões diferentes e muita gente se expressando como quer.

Quanto mais você olhar para si e suas (in) certezas e condicionamentos, mais vai avançar no relacionamento com o outro. É preciso dar espaço, e respeitar o espaço alheio.

Sobre gênero, compartilho essa notícia que recebi, de pais que resolveram manter em segredo o sexo de seu filho mais novo, para dar à criança a oportunidade de desenvolver a sua identidade sexual por conta própria. A criança foi chamada de STORM (<3). Notícia antiga, mas contextualizada.

Escrito por Caroline Cezar, 27/08/2015 às 09h15 | carol.jp3@gmail.com



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Caroline Cezar

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