Jornal Página 3
Coluna
Mãe na Roda
Por Caroline Cezar

FÉRIAS, desespero e equívocos

Tem um enorme equívoco cotidiano acontecendo enquanto sociedade: as crianças estão à margem. E ainda estamos falando só das classes mais favorecidas, que tem comida, escola, roupa, lazer. Perceba que em grande parte não há comunicação direta entre sociedade e crianças: falam sobre elas, mas não com elas. Perguntam sobre elas, mas não para elas. A conversa se dá de adulto para adulto, por cima dos seres que fizeram invisíveis mas que a tudo percebem, e quando enfim lhe dirigem a palavra, é de forma besta e abobada.

Pavor coletivo, entrarão em férias, estarão em casa!
Existe um medo absurdo da presença infantil: é como se ali estivesse um espírito incontrolável, ameaçador, destruidor. Dificilmente a criança é integrada ao ambiente de forma natural. Ela está sempre vigiada por muitos pares de olhos, algumas mãos e um equiparato eletrônico que a mantém controlada por grande parte do dia. Ela está sempre sendo servida, distraída, ocupada, abastecida, induzida à apatia e sendo posta de lado.

Participar está cada vez mais raro.

Das conversas, do cotidiano da casa, dos afazeres domésticos, de cuidar do pão, da mesa, da cama.
Não tem vazio, não tem espaço, não tem silêncio.
Direito de só ficar em casa, sem nada pra fazer. Ir lá fora. Andar a pé, pra ir a lugar nenhum. Conversar com um vizinho, mexer com um cachorro na rua, sentar ao lado do pai pra ver o movimento. Ganhar um colo da mãe, um abraço, um ouvido atento.

Quando se fala em criança rimam com empenho, obrigação, ocupação, desespero: tem que ter uma lista muito formidável de passeios e atrações e coisas que piscam - nunca vaga-lumes. Tem que ter o extraordinário, os 4D, 5D, os efeitos especiais, a cereja do bolo, senão eles não vão achar graça. Tem que ter o desenho tal, a comida de pacote, com personagem da tv, senão eles não comem. Tem que ter os compromissos diários, turno e contra-turno, senão eles não páram. O cansaço é intelectual, a comida é sintética, as atividades são programadas, agendadas, e muito bem pagas porque quero dar o melhor pro meu filho. Melhor escola bilíngue, melhor aula de música, melhor roupa de marca, melhor viagem pra disney duas vezes por ano.

Tudo tão pasteurizado aniquilando o que a criança tem de melhor, sua capacidade de criar e imaginar, sua curiosidade intrínseca, sua liberdade de observar, descobrir o seu ritmo, suas aptidões e momentos de expandir e recolher. Seu desejo de interação, natural, de forma saudável, desde muito cedo; sua beleza de diálogos, sua atenção no olhar: isso é cuidar, isso é deixar vir à tona o ser humano, isso é construção social amorosa e libertária.


Precisamos retroceder com essa interferência constante e massiva e criar de novo um espaço digno onde se possa ser criança. 

Escrito por Caroline Cezar, 21/07/2015 às 07h58 | carol.jp3@gmail.com

Não entendi, mostra como faz?

Não existe melhor forma de educar do que dando exemplo. Dificilmente você conseguirá que seu filho faça alguma coisa que ele não vivencia simplesmente porque você falou pra ele fazer! Você quer que seu filho se alimente de forma saudável? Alimente-se e ofereça alimentos saudáveis. Seja você o modelo pelo qual você gostaria que seu filho se guiasse.

Você gostaria que ele cumprimentasse as pessoas que chegam (mesmo as que ele não conhece ou não lembra) de forma gentil e calorosa? Cumprimente as pessoas que chegam (mesmo as que você não conhece ou não lembra) de forma gentil e calorosa!

Nossos filhos estão o tempo todo observando nosso comportamento, para fazer igual. Crianças e adultos são muito parecidos e você pode se colocar no lugar delas para entender alguns comportamentos que você não aprova e aceitá-los, para uma convivência mais leve e saudável. Nós adultos, não queremos beijar e abraçar todo mundo que nos é apresentado e também não queremos ir no colo de todo mundo que conhecemos, porque nosso filho haveria de querer?

Encontrei uma vizinha na rua e nossas crianças ficaram entretidas enquanto eu tentava puxar algum assunto. Enquanto eu falava, ela dava várias orientações para sua pequena e fazia comparações me interrompendo e interrompendo as crianças: "Não pegue! Divida! Pergunte o nome dela! Fale com ela! Brinque, ela é amiguinha! Olhe como ela é linda, ela não tira o sapato como você! Olhe como ela conversa, não fica gemendo como você!".E por fim, do nada, soltou um: "Diga tchau!"


A pequena chorou, esperneou, reclamou, não quis ir! A vizinha então começou com as chantagens, primeiro ameaçadoras: "Vamos, vou contar pro teu pai! Assim é feio, assim eu não gosto de você!" e como nada adiantou, começou com as barganhas: "Vamos eu ponho a galinha pintadinha! Vamos eu te dou uma bala em casa! Vamos eu faço um nescau!" e assim foram embora as duas. E nós, que não tínhamos sido retribuídas com um oi na chegada, fiquemos sem um tchau na saída. Olhei para minha filha que estava com cara de quem não entendeu nada e disse: "Elas foram pra casa." Arrisquei um tchau de longe e minha pequena repetiu um pouco mais alto 'Tau' e seguimos nossa caminhada pela rua.

Minha querida vizinha perdeu e perde todos os dias grandes oportunidades de ajudar na educação da sua pequena. Nestes 10 minutos ao sol poderia ter mostrado com exemplos como gostaria que a pequena se comportasse. Poderia ter falado comigo, perguntado o meu nome e "brincado" comigo um pouco, depois conversaria também com a minha filha e por fim, avisaria a pequena para brincar mais um pouco pois precisavam ir, se despediriam depois e seguiriam... Tomaria o mesmo tempo e seria mais proveitoso para ambas. Mas da maneira como tudo se deu, o que a pequena dela aprendeu? Aprendeu a se comportar exatamente como a mãe dela se comportou e quando ela e a mãe encontrarem uma amiga da mãe na rua, agirá da mesma forma: Não cumprimentará, não vai se apresentar ou esperar ser apresentada, vai interferir na conversa, vai ser intolerante e impaciente, e como se não fosse pouco ainda aprendeu que respeito pode ser conseguido pelo medo ou comprado com algumas guloseimas.

Fique atenta aos exemplos que você dá a seu filho. Crianças não seguem palavras, seguem exemplos. As palavras eles apenas repetem! Seu filhos vão dizer o que você diz, mas também vão fazer o que você faz e vão te tratar da maneira com que você trata os outros. Ensinar por exemplos é mais seguro e o resultado dificilmente te surpreenderá, geralmente é aquele que você esperou.

Procure aproveitar cada etapa e descoberta da "criação dos filhos" para pensar em sobre como você é e como você gostaria de ser. Mudando em você, pode aparecer neles também!

Beijo e até breve. Paz e Bem!

Escrito por Ana Paula Góis, 16/07/2015 às 09h27 | conviteecia@hotmail.com

Por quem você quer um filho?

A ciência comprova que filhos desejados, concepção planejada, é um fator importante na construção de um ser humano amoroso. Amor rima com verdade e planejar passa pela questão essencial de se perguntar, antes de qualquer coisa: POR QUE FILHOS? 


Etapa social?
Já passou (?) o tempo de formatar família de acordo com normas sociais que não nos dizem respeito ou não tem significado para nós. Ter filhos como "mais uma etapa vencida", assim como vestibular, diploma, casamento, casa própria, já era. Apesar de em alguns núcleos esse conceito ainda ser muito forte, está bem mais fácil dizer que o que a gente quer é diferente do que "tem que fazer".


Cuidar de nós?
Gerar um filho com propósito de não ficar sozinho na velhice -ou cuidar do negócio da família, ou trabalhar na roça do pai- é egoísta e descabido. Ninguém devia gerar filho com função determinada, ainda mais em próprio benefício. Gerar deve ser desapegado, inclusive de nossos próprios gostos e aversões, porque queremos filhos livres, que possam escolher o que querem fazer da vida. Né?


Agradar vovó?
Ou vovô, ou titia, ou sogra, ou biso: tomar decisões fundamentais baseadas na alegria e satisfação dos outros é um equívoco grave. A família costuma pressionar, às vezes de maneira bem direta, a chegada de novos membros, mas a decisão é toda e somente dos pais que vão receber a criança. São eles quem vão lidar com as dificuldades reais de ter o filho, e aumentar esse raio de decisão atrapalha muito. É necessária muita sintonia entre o casal, que passa por provas duríssimas de cumplicidade nesses primeiros anos de criação.


Fortalecer o casamento?
Furada TO-TAL! Como diz o item anterior, um bebê é prova de fogo: se algo já não vai bem, pode ter certeza que vai piorar. Estamos falando de casamento no sentido parceria entre homem e mulher, e não instituição. É comum viver infeliz, mas não é natural, e isso reverbera em alta frequência na memória afetiva do bebê desde antes de nascer.


Seu sonho?
Está faltando algo na sua vida? Algo que quis fazer e nunca fez? Você tem buracos a serem preenchidos? Não é um filho que deve fazer isso. Seu sonho é ter pianista na família? Aprende a tocar piano! Queria ser atleta e não deu? Torne-se preparador físico! Enxergue seus quereres pra não transferir expectativas. Um bom exercício é perceber como você imagina esse filho: está todo desenhado, com sexo, roupa, ocupação, personalidade, olhos azuis? Amassa o rascunho, começa denovo, deixa a folha em branco. Muito difícil?


É bonitinho?
Realmente é lindo, incrível, inenarrável ter filhos. Mas é cansativo além da conta, dá muito trabalho, não dá tempo de fazer tudo que quer, é difícil e exigente. Romantizar a maternidade é colocar um obstáculo a mais, além dos outros que já existem, é achar que a gente que está com problema de não ver tudo em rosa (ou azul bebê). Se estiver muito fácil desconfie, tem alguém fazendo o seu trabalho.


E o irmãozinho?
Às vezes não chega o perrengue que uma família mal estruturada (não estamos falando de grana) está passando, e mal a cria completa um ano já estão falando em "fazer um irmãozinho". Ou pra ter companhia, ou pra criar tudo junto, ou porque filho único é problema, aqueles lugares comuns que estamos cansados de ouvir e achamos normal. Um: bebê humano é filhote até três anos de idade; 2 - O corpo da mulher leva no mínimo dois anos para se recompor fisiologicamente (mas a cabeça mais, principalmente com amamentação prolongada e sono interrompido); 3 - Vida social existe com amigos, vizinhos, pessoas na rua. 4 - Faça a pergunta inicial de novo e lembre que um "irmãozinho" é outro filho, outra pessoa, e não uma dama de companhia ou um brinquedo novo.


É hora de olhar com mais sinceridade para nossos sentimentos e desejos e propósitos de vida, porque um filho que nasce dessa reflexão já nasce da verdade, já nasce contribuindo para uma sociedade mais equilibrada, mais saudável e amorosa. Decidir sobre a própria vida, assumir as responsabilidades, ponderar, ter capacidade de entrega e doação, e principalmente olhar muito para si são pré-requisitos importantes para cuidadores.

Voltemos ao princípio, e de novo e de novo: POR QUE VOCÊ QUER UM FILHO?

Escrito por Caroline Cezar, 13/07/2015 às 09h51 | carol.jp3@gmail.com

Feliz Dia de Todas as Mães

Essa semana* uma jovem mãe salvou os três filhos de um incêndio na casa onde moravam. A cunhada, que mora atrás, ouviu um estouro forte e quando saiu já viu a mãe correndo pra fora com o bebê de um ano, no meio do fogo. Os outros dois meninos, de 5 e 10 anos, dormiam na parte de cima e as duas mulheres gritaram muito por ajuda porque não era mais possível entrar. Um vizinho trouxe uma escada e, pela sacada, a mãe tirou os dois de casa. Crianças passam bem, mas ela está internada em estado grave, com pulmões danificados e queimaduras. O caso aconteceu em São Paulo, o nome da mãe é Marcela, e uma corrente de orações passou a acontecer todos os dias à noite mobilizando essa grande rede de mães que se formou no mundo real e virtual, mães que ajudam outras mães. Cada uma rezando como sabe, rodas de cura, rodas de canto, meditação, reiki e amor em todas as formas.
A importância de unir os pensamentos e as intenções em prol de alguém que precisa ajuda é imensurável, e numa situação trágica e comovente, fica mais fácil direcionar nosso melhor, ter compaixão.

Amar o próximo não faz distinção, o próximo é todos, quem a gente concorda e quem a gente discorda, quem a gente admira e quem a gente abomina. Que mãe não precisa de ajuda?

Que nós possamos, nesse dia especial de homenagem a quem dá a luz, unir toda nossa força e direcionar a ela, guerreira, que salvou os filhos e a outras tantas que não conseguiram. Que perderam seus filhos para o fogo, para o mar, para os ventos e para a vida. Às mães que olham para essa nobre tarefa que receberam, e para as que não olham. Às mães presentes, e mais ainda às mães omissas. Às mães limitadas, às mães sem mães, às mães sem norte, às mães sem sorte. Direcionar toda nossa intenção positiva às mães que se unem a outras, e mais ainda, às que estão sozinhas. Às que se perguntam e às que acham que sabem. A todas as mães que um dia esqueceram de si e dos seus, esqueceram quem são e a força que têm. Às mães que têm medo e às que têm coragem, às mães que caminham com as próprias pernas e às que não caminham mais. Às mães que deixaram seus filhos, às mães que não conseguiram, às mães que se culpam e se violentam. Às mães que querem ser, às mães que estão, e às que já foram. A todas as mães, sem distinção, porque toda mãe precisa de ajuda para construir um mundo melhor. Só quem é amado consegue amar.

........................................

* Esse texto foi escrito e publicado em maio/ 2015, quando o acidente com a Marcela tinha acabado de acontecer. Só agora ela saiu da UTI e a família lançou uma campanha no Sibite para reconstruir a morada. Clica no link para ver na íntegra.


 

Escrito por Caroline Cezar, 09/07/2015 às 07h16 | carol.jp3@gmail.com

.Socorro, meu filho cresceu!

 

Fala-se em maternidade consciente, parto humanizado, primeiros anos de vida... tudo muito lindo quando temos filhos pequenos. Mas e os filhos maiores? Adora os bebês... são tão fofinhos né? Quando acordam aquela delícia de azedume! Cuida com o que ele come, realiza todos os seus desejos, perde a tarde de domingo para exibí-lo no parque ou numa ‘supermegafesta de 1 aninho’, acompanha as outras mães e faz tudo que a internet ensina bem, afinal a gestação e os três primeiros anos são muito importantes.

Só que os bebês crescem, e somos humanas. Mamíferas, parideiras, fortes mas Humanas... cometemos erros e mais erros, nem tudo sai como o planejado e nem sempre percebemos quando e onde erramos, e mesmo que percebamos, já fizemos. E então um belo dia o filho cresce... escolhe seus próprios amigos (não brinca mais com o filho da tua melhor amiga. Ops, nem brinca mais), sua pele lisinha dá lugar a uma pele mais forte, e o cheirinho de bebê se foi. Está ali estampado naquele rosto, tudo o que ele recebeu até aqui e nas entrelinhas ele sempre te deixa claro que já anda sozinho, e o pior de tudo é q todos os teus defeitos se materializaram e agora você pode tocá-los, cheirá-los e chama-los por um só nome: FILHO.

Em várias culturas, existem rituais para que meninos virem homens, e para que meninas virem mulheres. Na nossa cultura, nunca se sabe se estamos falando com uma criança ou com um adulto, pq são adolescentes. Fica a cargo dos responsáveis decidirem o que deve ou não fazer um adolescente... uns tem certeza que precisam trabalhar, outros acham loucura pois o estudo vem em primeiro lugar. Obrigamos nossos adolescentes a ir para escola, a acordar quando não querem, a tomar banho todos os dias, a comer menos porcaria. Criticamos seu modo de vestir, de falar, de agir, de pensar, e nos preocupamos, e nos preocupamos outra vez... Com quem ele "tá" andando, o que "tá" comendo, o que anda vendo na internet? Como "tá" gordo, como "tá" magro, e vamos rotulando, comentando com os amigos, expondo e marcando.

Uma criança precisa de liberdade para ser tornar um adulto. Um ser humano precisa de colo e acolhimento em qualquer etapa de sua vida. Não importa quantos anos temos, o lugar mais quente é sempre dentro de um abraço. É hora de parar de tentar controlar nossos adolescentes. Precisamos dar mais abraços e estar mais perto da vida deles. Criticar menos e aceitar mais. Dar mais exemplos do que palavras. Frequentar a mesma praça, descer do carro e falar com os outros pais, conversar sobre os assuntos deles e o mais importante é nos lembrar do adolescente que fomos. Se você não lembra, pergunte para uma amiga, e para sua mãe, e para sua tia, e para seu primeiro namorado e para a tiazinha da esquina que via você passar. Lembrar do adolescente que fomos e fazer mentalmente uma retrospectiva dos exemplos que nos construíram ajudam a sermos os pais do filho que queríamos ter. E lembre também das mães e pais dos teus amigos e amigas. Como elas eram? Como se comportaram quando passaram pela mesma situação que você está passando? Que resultado tiveram? Como você as via?

O mundo está em constante mudança e nós também. Somos as crianças que já nasceram de olho aberto e nossos filhos são os que assustam, pois "já nascem sabendo". Olhemos para eles como nosso fruto que se prepara para ficar maduro, cair do pé e se tornar uma árvore diferente de nós e mais adaptado ao mundo de hoje. Não temos muito o que fazer além de dar sombra na medida para que o sol não os queime, mas os faça crescer!

Boa semana! Paz e bem!

Escrito por Ana Paula Góis, 07/07/2015 às 10h32 | conviteecia@hotmail.com

Mães acompanhadas

 

 “…Precisamos reinventar um esquema antigo, mas com parâmetros modernos, sempre que haja um conjunto de mulheres criando filhos. Não importa quantas, já que uma só mãe não consegue criar uma criança. Mas cinco mães juntas podem criar cem. O segredo está no conjunto, na solidariedade, na companhia e no apoio mútuo.

Nenhuma mulher deveria passar os dias sozinha, com uma criança nos braços. A maternidade é fácil quando estamos acompanhadas. Não julgadas, nem criticadas, nem aconselhadas. Simplesmente junto de outras pessoas, e na medida do possível, junto de outras mulheres que estejam experimentando o mesmo momento vital.

Quando as mulheres estão trocando conversas, brincadeiras, choros ou lembranças com outras mães, resulta muito mais leve permanecer com nossos filhos. No entanto, se estamos sozinhas, acreditamos que não somos capazes, e supomos que deveríamos deixar as crianças aos cuidados de outras pessoas para poder “ocupar-nos de nós mesmas”. Frequentemente não percebemos que o problema está na solidão de permanecer junto à criança. Não em nossa incapacidade de amá-los.

Por isso, insisto: é responsabilidade das mulheres reconhecer que precisamos voltar a ficar unidas. Entender que, se funcionarem coletivamente e dentro de circuitos femininos, a maternidade poderá ser muito mais doce e suave. E que uma “mãe sozinha” é aquela que não é compreendida, apoiada ou incentivada, embora conviva com muitas pessoas. E “mãe acompanhada” pode ser uma mulher solteira que conte com o aval de sua comunidade.” (Laura Gutman)

 

 

Escrito por Caroline Cezar, 01/07/2015 às 22h24 | carol.jp3@gmail.com



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Caroline Cezar

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Mãe na Roda
Por Caroline Cezar

FÉRIAS, desespero e equívocos

Tem um enorme equívoco cotidiano acontecendo enquanto sociedade: as crianças estão à margem. E ainda estamos falando só das classes mais favorecidas, que tem comida, escola, roupa, lazer. Perceba que em grande parte não há comunicação direta entre sociedade e crianças: falam sobre elas, mas não com elas. Perguntam sobre elas, mas não para elas. A conversa se dá de adulto para adulto, por cima dos seres que fizeram invisíveis mas que a tudo percebem, e quando enfim lhe dirigem a palavra, é de forma besta e abobada.

Pavor coletivo, entrarão em férias, estarão em casa!
Existe um medo absurdo da presença infantil: é como se ali estivesse um espírito incontrolável, ameaçador, destruidor. Dificilmente a criança é integrada ao ambiente de forma natural. Ela está sempre vigiada por muitos pares de olhos, algumas mãos e um equiparato eletrônico que a mantém controlada por grande parte do dia. Ela está sempre sendo servida, distraída, ocupada, abastecida, induzida à apatia e sendo posta de lado.

Participar está cada vez mais raro.

Das conversas, do cotidiano da casa, dos afazeres domésticos, de cuidar do pão, da mesa, da cama.
Não tem vazio, não tem espaço, não tem silêncio.
Direito de só ficar em casa, sem nada pra fazer. Ir lá fora. Andar a pé, pra ir a lugar nenhum. Conversar com um vizinho, mexer com um cachorro na rua, sentar ao lado do pai pra ver o movimento. Ganhar um colo da mãe, um abraço, um ouvido atento.

Quando se fala em criança rimam com empenho, obrigação, ocupação, desespero: tem que ter uma lista muito formidável de passeios e atrações e coisas que piscam - nunca vaga-lumes. Tem que ter o extraordinário, os 4D, 5D, os efeitos especiais, a cereja do bolo, senão eles não vão achar graça. Tem que ter o desenho tal, a comida de pacote, com personagem da tv, senão eles não comem. Tem que ter os compromissos diários, turno e contra-turno, senão eles não páram. O cansaço é intelectual, a comida é sintética, as atividades são programadas, agendadas, e muito bem pagas porque quero dar o melhor pro meu filho. Melhor escola bilíngue, melhor aula de música, melhor roupa de marca, melhor viagem pra disney duas vezes por ano.

Tudo tão pasteurizado aniquilando o que a criança tem de melhor, sua capacidade de criar e imaginar, sua curiosidade intrínseca, sua liberdade de observar, descobrir o seu ritmo, suas aptidões e momentos de expandir e recolher. Seu desejo de interação, natural, de forma saudável, desde muito cedo; sua beleza de diálogos, sua atenção no olhar: isso é cuidar, isso é deixar vir à tona o ser humano, isso é construção social amorosa e libertária.


Precisamos retroceder com essa interferência constante e massiva e criar de novo um espaço digno onde se possa ser criança. 

Escrito por Caroline Cezar, 21/07/2015 às 07h58 | carol.jp3@gmail.com

Não entendi, mostra como faz?

Não existe melhor forma de educar do que dando exemplo. Dificilmente você conseguirá que seu filho faça alguma coisa que ele não vivencia simplesmente porque você falou pra ele fazer! Você quer que seu filho se alimente de forma saudável? Alimente-se e ofereça alimentos saudáveis. Seja você o modelo pelo qual você gostaria que seu filho se guiasse.

Você gostaria que ele cumprimentasse as pessoas que chegam (mesmo as que ele não conhece ou não lembra) de forma gentil e calorosa? Cumprimente as pessoas que chegam (mesmo as que você não conhece ou não lembra) de forma gentil e calorosa!

Nossos filhos estão o tempo todo observando nosso comportamento, para fazer igual. Crianças e adultos são muito parecidos e você pode se colocar no lugar delas para entender alguns comportamentos que você não aprova e aceitá-los, para uma convivência mais leve e saudável. Nós adultos, não queremos beijar e abraçar todo mundo que nos é apresentado e também não queremos ir no colo de todo mundo que conhecemos, porque nosso filho haveria de querer?

Encontrei uma vizinha na rua e nossas crianças ficaram entretidas enquanto eu tentava puxar algum assunto. Enquanto eu falava, ela dava várias orientações para sua pequena e fazia comparações me interrompendo e interrompendo as crianças: "Não pegue! Divida! Pergunte o nome dela! Fale com ela! Brinque, ela é amiguinha! Olhe como ela é linda, ela não tira o sapato como você! Olhe como ela conversa, não fica gemendo como você!".E por fim, do nada, soltou um: "Diga tchau!"


A pequena chorou, esperneou, reclamou, não quis ir! A vizinha então começou com as chantagens, primeiro ameaçadoras: "Vamos, vou contar pro teu pai! Assim é feio, assim eu não gosto de você!" e como nada adiantou, começou com as barganhas: "Vamos eu ponho a galinha pintadinha! Vamos eu te dou uma bala em casa! Vamos eu faço um nescau!" e assim foram embora as duas. E nós, que não tínhamos sido retribuídas com um oi na chegada, fiquemos sem um tchau na saída. Olhei para minha filha que estava com cara de quem não entendeu nada e disse: "Elas foram pra casa." Arrisquei um tchau de longe e minha pequena repetiu um pouco mais alto 'Tau' e seguimos nossa caminhada pela rua.

Minha querida vizinha perdeu e perde todos os dias grandes oportunidades de ajudar na educação da sua pequena. Nestes 10 minutos ao sol poderia ter mostrado com exemplos como gostaria que a pequena se comportasse. Poderia ter falado comigo, perguntado o meu nome e "brincado" comigo um pouco, depois conversaria também com a minha filha e por fim, avisaria a pequena para brincar mais um pouco pois precisavam ir, se despediriam depois e seguiriam... Tomaria o mesmo tempo e seria mais proveitoso para ambas. Mas da maneira como tudo se deu, o que a pequena dela aprendeu? Aprendeu a se comportar exatamente como a mãe dela se comportou e quando ela e a mãe encontrarem uma amiga da mãe na rua, agirá da mesma forma: Não cumprimentará, não vai se apresentar ou esperar ser apresentada, vai interferir na conversa, vai ser intolerante e impaciente, e como se não fosse pouco ainda aprendeu que respeito pode ser conseguido pelo medo ou comprado com algumas guloseimas.

Fique atenta aos exemplos que você dá a seu filho. Crianças não seguem palavras, seguem exemplos. As palavras eles apenas repetem! Seu filhos vão dizer o que você diz, mas também vão fazer o que você faz e vão te tratar da maneira com que você trata os outros. Ensinar por exemplos é mais seguro e o resultado dificilmente te surpreenderá, geralmente é aquele que você esperou.

Procure aproveitar cada etapa e descoberta da "criação dos filhos" para pensar em sobre como você é e como você gostaria de ser. Mudando em você, pode aparecer neles também!

Beijo e até breve. Paz e Bem!

Escrito por Ana Paula Góis, 16/07/2015 às 09h27 | conviteecia@hotmail.com

Por quem você quer um filho?

A ciência comprova que filhos desejados, concepção planejada, é um fator importante na construção de um ser humano amoroso. Amor rima com verdade e planejar passa pela questão essencial de se perguntar, antes de qualquer coisa: POR QUE FILHOS? 


Etapa social?
Já passou (?) o tempo de formatar família de acordo com normas sociais que não nos dizem respeito ou não tem significado para nós. Ter filhos como "mais uma etapa vencida", assim como vestibular, diploma, casamento, casa própria, já era. Apesar de em alguns núcleos esse conceito ainda ser muito forte, está bem mais fácil dizer que o que a gente quer é diferente do que "tem que fazer".


Cuidar de nós?
Gerar um filho com propósito de não ficar sozinho na velhice -ou cuidar do negócio da família, ou trabalhar na roça do pai- é egoísta e descabido. Ninguém devia gerar filho com função determinada, ainda mais em próprio benefício. Gerar deve ser desapegado, inclusive de nossos próprios gostos e aversões, porque queremos filhos livres, que possam escolher o que querem fazer da vida. Né?


Agradar vovó?
Ou vovô, ou titia, ou sogra, ou biso: tomar decisões fundamentais baseadas na alegria e satisfação dos outros é um equívoco grave. A família costuma pressionar, às vezes de maneira bem direta, a chegada de novos membros, mas a decisão é toda e somente dos pais que vão receber a criança. São eles quem vão lidar com as dificuldades reais de ter o filho, e aumentar esse raio de decisão atrapalha muito. É necessária muita sintonia entre o casal, que passa por provas duríssimas de cumplicidade nesses primeiros anos de criação.


Fortalecer o casamento?
Furada TO-TAL! Como diz o item anterior, um bebê é prova de fogo: se algo já não vai bem, pode ter certeza que vai piorar. Estamos falando de casamento no sentido parceria entre homem e mulher, e não instituição. É comum viver infeliz, mas não é natural, e isso reverbera em alta frequência na memória afetiva do bebê desde antes de nascer.


Seu sonho?
Está faltando algo na sua vida? Algo que quis fazer e nunca fez? Você tem buracos a serem preenchidos? Não é um filho que deve fazer isso. Seu sonho é ter pianista na família? Aprende a tocar piano! Queria ser atleta e não deu? Torne-se preparador físico! Enxergue seus quereres pra não transferir expectativas. Um bom exercício é perceber como você imagina esse filho: está todo desenhado, com sexo, roupa, ocupação, personalidade, olhos azuis? Amassa o rascunho, começa denovo, deixa a folha em branco. Muito difícil?


É bonitinho?
Realmente é lindo, incrível, inenarrável ter filhos. Mas é cansativo além da conta, dá muito trabalho, não dá tempo de fazer tudo que quer, é difícil e exigente. Romantizar a maternidade é colocar um obstáculo a mais, além dos outros que já existem, é achar que a gente que está com problema de não ver tudo em rosa (ou azul bebê). Se estiver muito fácil desconfie, tem alguém fazendo o seu trabalho.


E o irmãozinho?
Às vezes não chega o perrengue que uma família mal estruturada (não estamos falando de grana) está passando, e mal a cria completa um ano já estão falando em "fazer um irmãozinho". Ou pra ter companhia, ou pra criar tudo junto, ou porque filho único é problema, aqueles lugares comuns que estamos cansados de ouvir e achamos normal. Um: bebê humano é filhote até três anos de idade; 2 - O corpo da mulher leva no mínimo dois anos para se recompor fisiologicamente (mas a cabeça mais, principalmente com amamentação prolongada e sono interrompido); 3 - Vida social existe com amigos, vizinhos, pessoas na rua. 4 - Faça a pergunta inicial de novo e lembre que um "irmãozinho" é outro filho, outra pessoa, e não uma dama de companhia ou um brinquedo novo.


É hora de olhar com mais sinceridade para nossos sentimentos e desejos e propósitos de vida, porque um filho que nasce dessa reflexão já nasce da verdade, já nasce contribuindo para uma sociedade mais equilibrada, mais saudável e amorosa. Decidir sobre a própria vida, assumir as responsabilidades, ponderar, ter capacidade de entrega e doação, e principalmente olhar muito para si são pré-requisitos importantes para cuidadores.

Voltemos ao princípio, e de novo e de novo: POR QUE VOCÊ QUER UM FILHO?

Escrito por Caroline Cezar, 13/07/2015 às 09h51 | carol.jp3@gmail.com

Feliz Dia de Todas as Mães

Essa semana* uma jovem mãe salvou os três filhos de um incêndio na casa onde moravam. A cunhada, que mora atrás, ouviu um estouro forte e quando saiu já viu a mãe correndo pra fora com o bebê de um ano, no meio do fogo. Os outros dois meninos, de 5 e 10 anos, dormiam na parte de cima e as duas mulheres gritaram muito por ajuda porque não era mais possível entrar. Um vizinho trouxe uma escada e, pela sacada, a mãe tirou os dois de casa. Crianças passam bem, mas ela está internada em estado grave, com pulmões danificados e queimaduras. O caso aconteceu em São Paulo, o nome da mãe é Marcela, e uma corrente de orações passou a acontecer todos os dias à noite mobilizando essa grande rede de mães que se formou no mundo real e virtual, mães que ajudam outras mães. Cada uma rezando como sabe, rodas de cura, rodas de canto, meditação, reiki e amor em todas as formas.
A importância de unir os pensamentos e as intenções em prol de alguém que precisa ajuda é imensurável, e numa situação trágica e comovente, fica mais fácil direcionar nosso melhor, ter compaixão.

Amar o próximo não faz distinção, o próximo é todos, quem a gente concorda e quem a gente discorda, quem a gente admira e quem a gente abomina. Que mãe não precisa de ajuda?

Que nós possamos, nesse dia especial de homenagem a quem dá a luz, unir toda nossa força e direcionar a ela, guerreira, que salvou os filhos e a outras tantas que não conseguiram. Que perderam seus filhos para o fogo, para o mar, para os ventos e para a vida. Às mães que olham para essa nobre tarefa que receberam, e para as que não olham. Às mães presentes, e mais ainda às mães omissas. Às mães limitadas, às mães sem mães, às mães sem norte, às mães sem sorte. Direcionar toda nossa intenção positiva às mães que se unem a outras, e mais ainda, às que estão sozinhas. Às que se perguntam e às que acham que sabem. A todas as mães que um dia esqueceram de si e dos seus, esqueceram quem são e a força que têm. Às mães que têm medo e às que têm coragem, às mães que caminham com as próprias pernas e às que não caminham mais. Às mães que deixaram seus filhos, às mães que não conseguiram, às mães que se culpam e se violentam. Às mães que querem ser, às mães que estão, e às que já foram. A todas as mães, sem distinção, porque toda mãe precisa de ajuda para construir um mundo melhor. Só quem é amado consegue amar.

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* Esse texto foi escrito e publicado em maio/ 2015, quando o acidente com a Marcela tinha acabado de acontecer. Só agora ela saiu da UTI e a família lançou uma campanha no Sibite para reconstruir a morada. Clica no link para ver na íntegra.


 

Escrito por Caroline Cezar, 09/07/2015 às 07h16 | carol.jp3@gmail.com

.Socorro, meu filho cresceu!

 

Fala-se em maternidade consciente, parto humanizado, primeiros anos de vida... tudo muito lindo quando temos filhos pequenos. Mas e os filhos maiores? Adora os bebês... são tão fofinhos né? Quando acordam aquela delícia de azedume! Cuida com o que ele come, realiza todos os seus desejos, perde a tarde de domingo para exibí-lo no parque ou numa ‘supermegafesta de 1 aninho’, acompanha as outras mães e faz tudo que a internet ensina bem, afinal a gestação e os três primeiros anos são muito importantes.

Só que os bebês crescem, e somos humanas. Mamíferas, parideiras, fortes mas Humanas... cometemos erros e mais erros, nem tudo sai como o planejado e nem sempre percebemos quando e onde erramos, e mesmo que percebamos, já fizemos. E então um belo dia o filho cresce... escolhe seus próprios amigos (não brinca mais com o filho da tua melhor amiga. Ops, nem brinca mais), sua pele lisinha dá lugar a uma pele mais forte, e o cheirinho de bebê se foi. Está ali estampado naquele rosto, tudo o que ele recebeu até aqui e nas entrelinhas ele sempre te deixa claro que já anda sozinho, e o pior de tudo é q todos os teus defeitos se materializaram e agora você pode tocá-los, cheirá-los e chama-los por um só nome: FILHO.

Em várias culturas, existem rituais para que meninos virem homens, e para que meninas virem mulheres. Na nossa cultura, nunca se sabe se estamos falando com uma criança ou com um adulto, pq são adolescentes. Fica a cargo dos responsáveis decidirem o que deve ou não fazer um adolescente... uns tem certeza que precisam trabalhar, outros acham loucura pois o estudo vem em primeiro lugar. Obrigamos nossos adolescentes a ir para escola, a acordar quando não querem, a tomar banho todos os dias, a comer menos porcaria. Criticamos seu modo de vestir, de falar, de agir, de pensar, e nos preocupamos, e nos preocupamos outra vez... Com quem ele "tá" andando, o que "tá" comendo, o que anda vendo na internet? Como "tá" gordo, como "tá" magro, e vamos rotulando, comentando com os amigos, expondo e marcando.

Uma criança precisa de liberdade para ser tornar um adulto. Um ser humano precisa de colo e acolhimento em qualquer etapa de sua vida. Não importa quantos anos temos, o lugar mais quente é sempre dentro de um abraço. É hora de parar de tentar controlar nossos adolescentes. Precisamos dar mais abraços e estar mais perto da vida deles. Criticar menos e aceitar mais. Dar mais exemplos do que palavras. Frequentar a mesma praça, descer do carro e falar com os outros pais, conversar sobre os assuntos deles e o mais importante é nos lembrar do adolescente que fomos. Se você não lembra, pergunte para uma amiga, e para sua mãe, e para sua tia, e para seu primeiro namorado e para a tiazinha da esquina que via você passar. Lembrar do adolescente que fomos e fazer mentalmente uma retrospectiva dos exemplos que nos construíram ajudam a sermos os pais do filho que queríamos ter. E lembre também das mães e pais dos teus amigos e amigas. Como elas eram? Como se comportaram quando passaram pela mesma situação que você está passando? Que resultado tiveram? Como você as via?

O mundo está em constante mudança e nós também. Somos as crianças que já nasceram de olho aberto e nossos filhos são os que assustam, pois "já nascem sabendo". Olhemos para eles como nosso fruto que se prepara para ficar maduro, cair do pé e se tornar uma árvore diferente de nós e mais adaptado ao mundo de hoje. Não temos muito o que fazer além de dar sombra na medida para que o sol não os queime, mas os faça crescer!

Boa semana! Paz e bem!

Escrito por Ana Paula Góis, 07/07/2015 às 10h32 | conviteecia@hotmail.com

Mães acompanhadas

 

 “…Precisamos reinventar um esquema antigo, mas com parâmetros modernos, sempre que haja um conjunto de mulheres criando filhos. Não importa quantas, já que uma só mãe não consegue criar uma criança. Mas cinco mães juntas podem criar cem. O segredo está no conjunto, na solidariedade, na companhia e no apoio mútuo.

Nenhuma mulher deveria passar os dias sozinha, com uma criança nos braços. A maternidade é fácil quando estamos acompanhadas. Não julgadas, nem criticadas, nem aconselhadas. Simplesmente junto de outras pessoas, e na medida do possível, junto de outras mulheres que estejam experimentando o mesmo momento vital.

Quando as mulheres estão trocando conversas, brincadeiras, choros ou lembranças com outras mães, resulta muito mais leve permanecer com nossos filhos. No entanto, se estamos sozinhas, acreditamos que não somos capazes, e supomos que deveríamos deixar as crianças aos cuidados de outras pessoas para poder “ocupar-nos de nós mesmas”. Frequentemente não percebemos que o problema está na solidão de permanecer junto à criança. Não em nossa incapacidade de amá-los.

Por isso, insisto: é responsabilidade das mulheres reconhecer que precisamos voltar a ficar unidas. Entender que, se funcionarem coletivamente e dentro de circuitos femininos, a maternidade poderá ser muito mais doce e suave. E que uma “mãe sozinha” é aquela que não é compreendida, apoiada ou incentivada, embora conviva com muitas pessoas. E “mãe acompanhada” pode ser uma mulher solteira que conte com o aval de sua comunidade.” (Laura Gutman)

 

 

Escrito por Caroline Cezar, 01/07/2015 às 22h24 | carol.jp3@gmail.com



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Caroline Cezar

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