Jornal Página 3
Coluna
Mãe na Roda
Por Ana Paula Góis

A medida certa da palmadinha

 

Coisa que gera muito assunto é a tal da "palmadinha" nas crianças. Pode ou não pode?

Para responder esta pergunta algumas questões devem ser levantadas:
- Qual a diferença entre um adulto e uma criança?
- Se você pedir para seu marido lavar a louça e ele não for, você pode dar uma palmadinha nele?
- Se seu colega de trabalho, depois de você avisar "mil vezes" que precisa sair no horário sempre se atrasar para trocar de turno você pode dar um beliscão nele?
- Se a atendente da padaria colocar mais uma vez leite frio no seu café quando você pede quente, você pode puxar a orelha dela?

Eu poderia citar aqui muitas situações nas quais você ficaria irritado a ponto de bater em alguém mas não o faz porque sabe que NÃO PODE. O corpo do outro pertence somente a ele e agressão pode te gerar muita confusão e até mesmo te levar para a prisão. Sendo assim, por que os adultos acham que podem e devem bater na criança?

 

Por mais que eu tente, não consigo entender por que adultos relacionam palmada com educação. Reflita sobre os ensinamentos que uma palmada ou puxão de orelha podem trazer? O que seu filho aprenderá com isso? Crianças aprendem por exemplos e ao serem agredidas, a única coisa que podem aprender é agredir. A agressão física afasta, oprime, amedronta e cria novos agressores. Se é muito difícil para você cuidar de crianças sem bater, peça ajuda, leia, converse com outras famílias.

Crianças que apanham não ficam disciplinadas, ficam com baixa auto estima. Se sentem desprotegidas e inseguras... A família deve ser o porto seguro, o ninho, o aconchego.

Existem muitas formas de disciplinar e educar. Procurei muito e não achei em nenhum dicionário ou literatura, "palmada" como sinônimo de "educação", ao contrário violência física sempre está ligada à falta dela.

Prepare o ambiente da sua casa, para que seu filho possa mexer em tudo que estiver ao seu alcance e assim você possa dizer menos "nãos". Pergunte-se sempre por que não? Lembre que CRIANÇAS SÃO PESSOAS iguais aos adultos e dignas do mesmo respeito. Imponha limites claros e rotinas simples para toda a família. Caminhe mais, passeie mais, desça do carro e vá a pé. Aproveite a infância do seu filho para ser criança também. Permita-se brincar, sentar no chão e rolar de rir. A integridade física e emocional do seu filho não podem ser mais importantes que o vaso que ele quebrou, a roupa que ele jogou no chão, ou aquele programa de TV que ela não deixa você assistir.

Nada justifica a violência. Da próxima vez que for levantar a mão para uma criança levante para dar um cafuné seguido de um abraço. Você vai se surpreender como é muito mais eficiente e disciplinador do que uma palmada!


Por uma humanidade mais fraterna.
Paz e bem!

Escrito por Ana Paula Góis, 18/08/2015 às 10h30 | conviteecia@hotmail.com

Parto humanizado: Balneário tem!

Nesse domingo à noite um jornal local fez uma notícia anunciando que nasceu o primeiro bebê de parto humanizado na região nos tempos pós-modernos (termo deles rs). Depois de 12 horas de trabalho de parto a mãe deu a luz a um menino. O nascimento aconteceu no antigo Santa Inês -hoje Instituto de Saúde e Educação, Hospital Vida. Parabéns à família e felicidades!

O nascimento merece destaque. É o primeiro da sala de parto humanizado no Instituto Vida. Ficar 12 horas em espera num hospital, sem que consigam empurrar o "sorinho" (ocitocina sintética), anestesias ou até mesmo uma cirurgia, que é o acontece na maioria dos casos, é heróico. Quanto à chamada, o jornal está atrasado uns anos quando se refere à "região". É fato que a prática do parto humanizado ainda é minoria por aqui (e no resto do país), mas já nasceram muitos bebês, inclusive que já estão correndo e saltitando por aí. Somos uma turma!

A maternidade de Brusque tem há mais de três anos uma sala específica para parto humanizado e recentemente o Instituto Vida (Santa Inês) também recebeu uma - onde nasceu o bebê nesse domingo. Que alegria!

Os partos humanizados também podem acontecer em casa, há equipes de médicos e enfermeiras obstetras que fazem esse atendimento. Eu tive meu bebê assim na Praia do Estaleiro, aqui em Balneário Camboriú, vai fazer dois anos. Minha vizinha, três meses depois, teve também. Minha amiga de Itajaí, que tem uma menina de uns seis anos, também a recebeu em casa. Em Floripa conhecemos a equipe Hanami e a AMA Nascer. Em Blumenau tem a Nascer em Casa, com a doutora Veruska. E parece que a Nascendo em Família daqui também está se mexendo para realizar! Essas equipes também fazem acompanhamento hospitalar - para quem prefere. Às vezes é necessário realizar uma cesárea, e as equipes também minimizam os efeitos dessa cirurgia, lembrando que o que está acontecendo ali é o nascimento de uma vida única, e não uma cirurgia de rotina.

Parto humanizado é aquele em que a mãe tem total liberdade para esperar o trabalho acontecer da forma que se sentir mais confortável -com roupa, sem roupa, andando, dançando, comendo, amparada por alguém de sua confiança. Não são feitas as intercorrências consideradas 'padrão' nos hospitais: raspagens, lavagens, anestesias, medicamentos, pose específica para o parto, corte vaginal. Depois que o bebê nasce espera-se um tempo para o cordão umbilical pare de pulsar e assim ele pode aprender a respirar devagar e recebe todo o sangue que é seu de direito. O contato mãe - bebê imediatamente após o parto é priorizado e deve ser estendido o maior tempo possível, de preferência com o bebê mamando, o que é um instinto natural.

As salas de parto humanizado normalmente têm banheira, chuveiro, bolas e banquinhos, e é fundamental uma equipe que entenda o termo e respeite e dê o protagonismo à mãe e ao bebê. Em Brusque já atuavam duas, Gesta e Nascer em Família. Já há outras surgindo. Tem espaço e procura! Tem necessidade!

É isso, estamos caminhando. Já temos na região uma turma nascida de parto humanizado e outra turma ajudando isso a acontecer. Que se multipliquem, que haja amor e haja paz!

O parto, na arte de Amanda Greavette.


 

Escrito por Caroline Cezar, 10/08/2015 às 08h31 | carol.jp3@gmail.com

Crianças livres aprendem mais e melhor!

Tenho a sorte de morar bem pertinho de uma pracinha com parquinho desde que meu primeiro filho (Léo, 12 anos) nasceu, e por lá estou sempre. É difícil ficar com criança o dia todo em casa. Cansa! Cansa a mãe e cansa a criança... O parquinho pode ser um grande aliado e não precisa ser o lugar em que levamos a criança para se cansar. Ele pode e deve ser um lugar usado para descansar! Descansar a mente, descansar os olhos e descansar o corpo.

As crianças desenvolvem-se muito pela observação e o parquinho tem muita coisa para ser observada.
Frequentemente vejo pais correndo atrás de seus filhos pequenos, ajudando a subir as escadas, colocando no escorregador, insistindo para a criança ir neste ou naquele brinquedo porque é legal, ou porque não é assim que brinca.... e logo os pais estão cansados, quem sabe mais cansados do que quando chegaram; as crianças não querem ir embora, pois nem brincaram, fizeram apenas o que os pais determinaram. A criança não teve tempo de observar, de ver como as outras crianças brincam, de fazer a brincadeira de forma diferente, porque teve sempre um adulto dizendo como e quando deve ser feito.

Quando for ao parquinho com seu filho, permita que ele fique solto e fique solta também. Fale menos e observe mais. Não coloque ele no escorregador, coloque ele sentado no chão e escolha um lugar confortável para sentar-se também. Quando ele tiver vontade de escorregar, ele vai tentar subir as escadas. Deixe que ele aprenda a subir as escadas, pode demorar, ele pode preferir ficar no primeiro degrau da escada e cair dele, e depois ir até a metade e voltar, e um dia, chegar até em cima, olhar o escorregador lá do alto e enfim escorregar. Não importa o tempo que ele demorou para isso, ao final da etapa ele vai ter adquirido força, equilíbrio, concentração e determinação.

Permita que seu filho apenas observe... Ele pode ficar 20 minutos ou a manhã toda no parquinho, observando as outras crianças brincarem. Vai estar aprendendo muito mais com isso do que se for colocado 20 vezes no escorregador. Permita que no parque, ele apenas fique ao ar livre, o que já é muito! Sintam a natureza do seu bairro, procurem os pássaros que frequentam as árvores ou os postes, levem água e um livro de animais, brinquem de roda, cantem uma música.

As crianças precisam "ver o mundo girar". Deixe que seu filho veja o mundo girar, não no sentido figurado, mas no literal mesmo. Vá lá fora e leve ele! Permita que ele sinta o vento, veja o céu e que talvez se canse no parquinho!

Paz e Bem.

Escrito por Ana Paula Góis, 05/08/2015 às 07h11 | conviteecia@hotmail.com

Andrezza Negrini, mudança radical com o bebê pequeno

Mãe na Roda Entrevista

Andrezza Negrini sempre foi independente e ativa. Desde cedo trabalhou e viajou bastante, aos 30 anos conhecia 10 países e já tinha morado em três. Seu instinto materno também se fazia presente: foi a única menina entre os quatro irmãos e como a mãe trabalhava fora, ela assumia o "comando" na organização cotidiana. Aos 38 anos, Andrezza deu a luz a Ravi, primeiro filho do casal. Teve que rever conceitos, reprogramar coisas, adaptar outras. Com idéia de continuar viajando e voltar ao trabalho, resolveu unir o útil ao agradável e fazer uma mudança drástica: se mudar para a Indonésia. Foi o jeito que ela encontrou de conciliar a exigência da maternidade nos primeiros anos de vida ao que precisava e queria fazer. Andrezza ressalta que nem tudo é romance e que há muitos perrengues: "Tudo tem dois lados certo? Não está nada fácil, embora o 'face' só mostre a parte boa e colorida da vida.....mas aí também não é um mar de rosas… apenas temos de aproveitar as ondas boas, e aprender com os caldos (risos)".

"Ser mãe é a maior prova de doação, ocupa todo o tempo por todo tempo do mundo".

P - Você sempre trabalhou bastante e quando estava grávida também… Você imaginava que voltaria ao mesmo ritmo profissional depois de ter Ravi?
R -
Imaginava que poderia, e posso: é só terceirizar a criação do meu bebê. O que não imaginava era que iria mudar meu conceito de vida. Temos que trabalhar pra sobreviver, isso é fato. Mas minha prioridade hoje é estar com o Ravi e poder acompanhar cada momento do desenvolvimento dele. E se tiver que mudar meu padrão de vida por isso, já estou de acordo, pois o que temos de mais importante é essa convivência.

P - Qual foi o divisor de águas, quando você decidiu desviar do circuito, pegar outro caminho?
R -
Logo após o nascimento do Ravi. Trabalhava com turismo no Brasil...sabe como é, feriados, domingos e dias santos...no mais venho de uma família que acredita que o trabalho engrandece o Homem acima de tudo. Penso que muitas de nós mães queiram dar aos seus filhos aquilo que lhe fizeram falta. Pensamos em ter apenas um filho, não tem lógica pra mim ter que busca-lo das mãos de alguém amável e cuidadoso ou mesmo em uma escola antes de dormir e deixa-lo logo após acordar. Sou muito intensa, quero vivenciar essa relação.

P - E o que percebeu com isso, é mais difícil ou mais fácil se entregar para a maternidade integral?
R -
No meu ponto de vista é muito mais difícil se entregar á maternidade. Renunciar aos sonhos de mulher, desejos profissionais, busca de outros diplomas... diria renunciar ao seu próprio umbigo. Ser mãe é a maior prova de doação, ocupa todo o tempo por todo tempo do mundo.

P - Que dica você dá para quem está sem saber o que fazer nessa fase inicial de ter que voltar à ativa com bebê pequeno?
R -
Aceite sua natureza, seja ela qual for, pois ao contrário de mim percebo mulheres que sofrem no mesmo caso, mas por desejarem voltar à vida profissional e assim se culpam por não sentir a maternidade como almejavam. Todas temos nossos medos e inseguranças, mas se conseguir aceitar o que está sentindo e fazer isso certa que será o melhor, será o melhor. Dê a você mesmo espaço suficiente para seguir a sua própria intuição, e crie um meio de realizar...esse tempo não volta mais, ou seja, você tem uma chance... Eu estou certa que nos julgamentos sou vista de corajosa guerreira a irresponsável louca, do bom ao ruim...Decidi que não tenho que agradar a todos, e sim estar feliz de fazer o que me faz feliz. Deixamos o conforto do lar, adoráveis amigos e profissões por um tempo maior e ainda indefinido ao lado da família....já se passaram quase três meses, ainda não sabemos o que queremos ser quando crescer... mas sabemos que queremos mais e mais esse presente de estar juntos vivenciando o crescimento do nosso bebê nessa etapa tão especial pra nós...se der errado no final, começamos novamente...pra isso, ainda temos tempo.

  
Andrezza curtindo todos os pequenos grandes momentos junto a Ravi e ao marido Guno, agora em Bali.

Escrito por Caroline Cezar, 03/08/2015 às 08h42 | carol.jp3@gmail.com

Exterogestação

Bebê humano nasce prematuro, todos. Seriam necessários mais nove meses, além dos nove que fica no útero, para ele estar pronto. Isso se dá porque somos bípedes de bacia estreita e temos filhotes cabeçudos, que não passariam pelo canal com um ano e meio. Portanto, manter o bebê próximo ao corpo da mãe por meses e meses depois do parto é garantir sua saúde física e psicológica, é ajudar no desenvolvimento, na adaptação à vida aqui fora, dar-lo condições de ser íntegro, seguro e forte. Sem barreiras, afastamentos, horários e limitações. Menos cerquinhas, menos carrinhos, mais do básico: calor, peito, colo, amor. O nome técnico para isso é EXTEROGESTAÇÃO, gestar do lado de fora.

Há dezenas de artigos científicos sobre o assunto* e há facilitadores de colo e proteção, como os slings, esses carregadores de pano que costumam dizer que está na moda. Sim, eles estão aparecendo muito mais nos centros urbanos, mas o que chamam de "moda" é um hábito ancestral, já utilizado por indígenas e inúmeros povos para manter o bebê junto a si e sob cuidados de maneira cômoda, prática e segura.

Um bebê que fica amarrado junto ao corpo da mãe grande parte do tempo dificilmente sofrerá de "cólicas", ou outro desconforto que receba esse nome. Estar no corpo da mãe é um calmante natural, um facilitador da amamentação, sono e bem estar, um protetor dos agentes externos -pessoas, mosquitos, curiosidades, sol, chuva, vento. O sling reproduz o ambiente uterino: é quente, escuro, tem balanço, e escuta-se a voz da mãe o tempo todo. Paraíso na terra.

 
* Um recorte:

Os bebês humanos estão entre os mais indefesos de todos os mamíferos. Por causa do maior tamanho do cérebro e do fato de que o tecido nervoso necessita de mais calorias para se manter que qualquer outro, grande parte do alimento ingerido é gasto em prover nutrição e calor para as células nervosas. Mais significante é o fato de que nossos bebês necessitam nascer mais cedo do que deveriam, com seus cérebros ainda não totalmente desenvolvidos. Se o bebê humano nascesse já com o sistema nervoso central amadurecido, sua cabeça não passaria pela pelve estreita da mãe no momento do parto. Ao contrário de outros mamíferos, como girafas e cavalos, o recém-nascido humano é incapaz de andar por um longo período após o nascimento, porque lhe falta o aparato neurológico maduro para tanto. O custo primal de ter um cérebro grande é que nossos filhotes nascem extremamente dependentes e em necessidade constante de cuidado.

O crescimento do nosso cérebro após o nascimento é mais rápido do que o de qualquer outro mamífero e segue neste ritmo por 12 meses.

A seleção natural demanda que pais humanos cuidem de seus filhos por um longo período e que os filhos dependam dos pais. Esta necessidade mútua traduz-se em um estado emocional chamado “apego”.
Em algumas culturas, como na tribo !Kung, bebês raramente choram por longos períodos e não há sequer uma palavra que signifique “cólica”. As mães carregam os bebês junto ao corpo, com um aparato semelhante a um “sling”, mesmo quando saem para a colheita. A relação mãe-bebê é considerada sacrossanta, eles permanecem juntos o tempo todo. O bebê tem livre acesso ao seio materno e vê o mundo do mesmo ponto de observação que sua mãe.

Nossa cultura ocidental não permite um estilo de vida idêntico ao de tribos primitivas, mas podemos tirar lições valiosas sobre como ajudar nossos bebês na adaptação à vida extra-uterina.

Nos primeiros 3 meses de vida, o bebê humano é tão imaturo que seria benéfico a ele voltar ao útero sempre que a vida aqui fora estivesse difícil. É preciso compreender o que o bebê tinha à sua disposição antes do nascimento, para saber como reproduzir as condições intrauterinas. O bebê no útero fica apertadinho, na posição fetal, envolvido por uma parede uterina morninha, sendo balançado para frente e para trás a maior parte do tempo. Ele também estava ouvindo constantemente um barulho "shhhh shhhh", mais alto que o de um aspirador de pó (o coração e os intestinos da mãe).

A reprodução das condições do ambiente uterino leva a uma resposta neurológica profunda "o reflexo calmante". Quando aplicados corretamente, os sons e sensações do útero têm um efeito tão poderoso que podem relaxar um bebê no meio de uma crise de choro.

(The Happiest Baby on The Block, Dr. Harvey Karp, Bantam Dell, 2002. New York)

Escrito por Caroline Cezar, 29/07/2015 às 08h17 | carol.jp3@gmail.com

Seu filho é muito egoísta!

E um dia seu bebê que era um doce, meigo e tranquilo, começa a andar e a carregar brinquedos. A emoção é grande. Agora ele pode escolher sozinho seus brinquedos e no parquinho, já decide onde quer ficar. Eis que chega sua amiga com o filhinho dela para brincar na sua casa e seu bebê meigo e tranquilo se revela um mini-tirano... Não quer emprestar nenhum brinquedo, grita e esperneia cada vez que o visitante encosta em algo que lhe pertence... Você então, com toda calma e paciência explica que é um amiguinho, que gosta dele, que veio para brincar e que ele tem que emprestar suas coisas para o pequeno. Começa uma pequena batalha e você vai ficando constrangida e só pensa onde foi que você errou: "Será que estou mimando demais? Será que dei muito colo? Onde errei? Meu filho é uma criança egoísta?"

Quero lhe informar que sim, seu fillho é egoísta! E os meus também, e os da vizinha também, e o da sua amiga também!
Crianças menores de 3 anos tem certeza que são o centro do mundo. Não sabem, não querem e não precisam dividir nada.
Agarram seus brinquedos com força para que ninguém arranque da sua mão. Largam tudo e saem correndo gritando quando alguém ameaça carregar alguma coisa que lhe pertence, e nós não precisamos ficar constrangidas com isso.

Mas então o que fazer? Como acabar com isso? Como fazer com que meu filho empreste e divida? E como convidar minha amiga para um café sem que tenhamos que passar a tarde com gritos e choros?

Aqui algumas dicas que podem te ajudar:

1- Aceite e compreenda a fase que seu pequeno está passando. Entenda que ele vê o mundo assim e que para ele tudo bem arrancar as coisas da mão do amiguinho. Entenda que o amiguinho também vê o mundo assim, e aqueles minutos em que os dois estão agarrados aos brinquedos disputando pode ser tão enriquecedor para eles quanto quando estão brincando.

2- Diminua consideravelmente o número de brinquedos e coisas que vocês tem. Em um lugar com menos coisas e mais espaço as crianças brincam umas com as outras.

3- NÃO INTERFIRA! Nem a favor nem contra seu filho. Quando começar a disputa por um brinquedo e aquelas quatro mãozinhas estiverem agarradas ao mesmo objeto, aos gritos de "é meu" e "eu quelo", respire e pense em outra coisa. Aquele que estiver com mais 'gana' do brinquedo, ganhará a disputa e o que perdeu, arrumará uma outra coisa para fazer.

4- NÃO INTERFIRA! É fundamental que nenhum adulto interfira de nenhuma maneira. Não pode mostrar outro brinquedo, não pode distrair a criança e não pode ficar olhando ou comentando.

5- Seja o exemplo! Uma criança egoísta pode estar passando por uma fase pela qual passam todas as crianças, mas pode vir a se tornar um adulto egoísta se os adultos que a cercam são egoístas também. Olhe para si e para sua família, perceba como se comportam e se necessário mude. Perceba se vocês não estão exigindo que o pequeno divida as coisas dele e esquecendo de compartilhar as suas. Não adianta aceitar, entender, não interferir, se na sua família o TER é mais importante do que o SER.

Paz e Bem!

Escrito por Ana Paula Góis, 23/07/2015 às 08h21 | conviteecia@hotmail.com



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Ana Paula Góis

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Mãe na Roda
Por Ana Paula Góis

A medida certa da palmadinha

 

Coisa que gera muito assunto é a tal da "palmadinha" nas crianças. Pode ou não pode?

Para responder esta pergunta algumas questões devem ser levantadas:
- Qual a diferença entre um adulto e uma criança?
- Se você pedir para seu marido lavar a louça e ele não for, você pode dar uma palmadinha nele?
- Se seu colega de trabalho, depois de você avisar "mil vezes" que precisa sair no horário sempre se atrasar para trocar de turno você pode dar um beliscão nele?
- Se a atendente da padaria colocar mais uma vez leite frio no seu café quando você pede quente, você pode puxar a orelha dela?

Eu poderia citar aqui muitas situações nas quais você ficaria irritado a ponto de bater em alguém mas não o faz porque sabe que NÃO PODE. O corpo do outro pertence somente a ele e agressão pode te gerar muita confusão e até mesmo te levar para a prisão. Sendo assim, por que os adultos acham que podem e devem bater na criança?

 

Por mais que eu tente, não consigo entender por que adultos relacionam palmada com educação. Reflita sobre os ensinamentos que uma palmada ou puxão de orelha podem trazer? O que seu filho aprenderá com isso? Crianças aprendem por exemplos e ao serem agredidas, a única coisa que podem aprender é agredir. A agressão física afasta, oprime, amedronta e cria novos agressores. Se é muito difícil para você cuidar de crianças sem bater, peça ajuda, leia, converse com outras famílias.

Crianças que apanham não ficam disciplinadas, ficam com baixa auto estima. Se sentem desprotegidas e inseguras... A família deve ser o porto seguro, o ninho, o aconchego.

Existem muitas formas de disciplinar e educar. Procurei muito e não achei em nenhum dicionário ou literatura, "palmada" como sinônimo de "educação", ao contrário violência física sempre está ligada à falta dela.

Prepare o ambiente da sua casa, para que seu filho possa mexer em tudo que estiver ao seu alcance e assim você possa dizer menos "nãos". Pergunte-se sempre por que não? Lembre que CRIANÇAS SÃO PESSOAS iguais aos adultos e dignas do mesmo respeito. Imponha limites claros e rotinas simples para toda a família. Caminhe mais, passeie mais, desça do carro e vá a pé. Aproveite a infância do seu filho para ser criança também. Permita-se brincar, sentar no chão e rolar de rir. A integridade física e emocional do seu filho não podem ser mais importantes que o vaso que ele quebrou, a roupa que ele jogou no chão, ou aquele programa de TV que ela não deixa você assistir.

Nada justifica a violência. Da próxima vez que for levantar a mão para uma criança levante para dar um cafuné seguido de um abraço. Você vai se surpreender como é muito mais eficiente e disciplinador do que uma palmada!


Por uma humanidade mais fraterna.
Paz e bem!

Escrito por Ana Paula Góis, 18/08/2015 às 10h30 | conviteecia@hotmail.com

Parto humanizado: Balneário tem!

Nesse domingo à noite um jornal local fez uma notícia anunciando que nasceu o primeiro bebê de parto humanizado na região nos tempos pós-modernos (termo deles rs). Depois de 12 horas de trabalho de parto a mãe deu a luz a um menino. O nascimento aconteceu no antigo Santa Inês -hoje Instituto de Saúde e Educação, Hospital Vida. Parabéns à família e felicidades!

O nascimento merece destaque. É o primeiro da sala de parto humanizado no Instituto Vida. Ficar 12 horas em espera num hospital, sem que consigam empurrar o "sorinho" (ocitocina sintética), anestesias ou até mesmo uma cirurgia, que é o acontece na maioria dos casos, é heróico. Quanto à chamada, o jornal está atrasado uns anos quando se refere à "região". É fato que a prática do parto humanizado ainda é minoria por aqui (e no resto do país), mas já nasceram muitos bebês, inclusive que já estão correndo e saltitando por aí. Somos uma turma!

A maternidade de Brusque tem há mais de três anos uma sala específica para parto humanizado e recentemente o Instituto Vida (Santa Inês) também recebeu uma - onde nasceu o bebê nesse domingo. Que alegria!

Os partos humanizados também podem acontecer em casa, há equipes de médicos e enfermeiras obstetras que fazem esse atendimento. Eu tive meu bebê assim na Praia do Estaleiro, aqui em Balneário Camboriú, vai fazer dois anos. Minha vizinha, três meses depois, teve também. Minha amiga de Itajaí, que tem uma menina de uns seis anos, também a recebeu em casa. Em Floripa conhecemos a equipe Hanami e a AMA Nascer. Em Blumenau tem a Nascer em Casa, com a doutora Veruska. E parece que a Nascendo em Família daqui também está se mexendo para realizar! Essas equipes também fazem acompanhamento hospitalar - para quem prefere. Às vezes é necessário realizar uma cesárea, e as equipes também minimizam os efeitos dessa cirurgia, lembrando que o que está acontecendo ali é o nascimento de uma vida única, e não uma cirurgia de rotina.

Parto humanizado é aquele em que a mãe tem total liberdade para esperar o trabalho acontecer da forma que se sentir mais confortável -com roupa, sem roupa, andando, dançando, comendo, amparada por alguém de sua confiança. Não são feitas as intercorrências consideradas 'padrão' nos hospitais: raspagens, lavagens, anestesias, medicamentos, pose específica para o parto, corte vaginal. Depois que o bebê nasce espera-se um tempo para o cordão umbilical pare de pulsar e assim ele pode aprender a respirar devagar e recebe todo o sangue que é seu de direito. O contato mãe - bebê imediatamente após o parto é priorizado e deve ser estendido o maior tempo possível, de preferência com o bebê mamando, o que é um instinto natural.

As salas de parto humanizado normalmente têm banheira, chuveiro, bolas e banquinhos, e é fundamental uma equipe que entenda o termo e respeite e dê o protagonismo à mãe e ao bebê. Em Brusque já atuavam duas, Gesta e Nascer em Família. Já há outras surgindo. Tem espaço e procura! Tem necessidade!

É isso, estamos caminhando. Já temos na região uma turma nascida de parto humanizado e outra turma ajudando isso a acontecer. Que se multipliquem, que haja amor e haja paz!

O parto, na arte de Amanda Greavette.


 

Escrito por Caroline Cezar, 10/08/2015 às 08h31 | carol.jp3@gmail.com

Crianças livres aprendem mais e melhor!

Tenho a sorte de morar bem pertinho de uma pracinha com parquinho desde que meu primeiro filho (Léo, 12 anos) nasceu, e por lá estou sempre. É difícil ficar com criança o dia todo em casa. Cansa! Cansa a mãe e cansa a criança... O parquinho pode ser um grande aliado e não precisa ser o lugar em que levamos a criança para se cansar. Ele pode e deve ser um lugar usado para descansar! Descansar a mente, descansar os olhos e descansar o corpo.

As crianças desenvolvem-se muito pela observação e o parquinho tem muita coisa para ser observada.
Frequentemente vejo pais correndo atrás de seus filhos pequenos, ajudando a subir as escadas, colocando no escorregador, insistindo para a criança ir neste ou naquele brinquedo porque é legal, ou porque não é assim que brinca.... e logo os pais estão cansados, quem sabe mais cansados do que quando chegaram; as crianças não querem ir embora, pois nem brincaram, fizeram apenas o que os pais determinaram. A criança não teve tempo de observar, de ver como as outras crianças brincam, de fazer a brincadeira de forma diferente, porque teve sempre um adulto dizendo como e quando deve ser feito.

Quando for ao parquinho com seu filho, permita que ele fique solto e fique solta também. Fale menos e observe mais. Não coloque ele no escorregador, coloque ele sentado no chão e escolha um lugar confortável para sentar-se também. Quando ele tiver vontade de escorregar, ele vai tentar subir as escadas. Deixe que ele aprenda a subir as escadas, pode demorar, ele pode preferir ficar no primeiro degrau da escada e cair dele, e depois ir até a metade e voltar, e um dia, chegar até em cima, olhar o escorregador lá do alto e enfim escorregar. Não importa o tempo que ele demorou para isso, ao final da etapa ele vai ter adquirido força, equilíbrio, concentração e determinação.

Permita que seu filho apenas observe... Ele pode ficar 20 minutos ou a manhã toda no parquinho, observando as outras crianças brincarem. Vai estar aprendendo muito mais com isso do que se for colocado 20 vezes no escorregador. Permita que no parque, ele apenas fique ao ar livre, o que já é muito! Sintam a natureza do seu bairro, procurem os pássaros que frequentam as árvores ou os postes, levem água e um livro de animais, brinquem de roda, cantem uma música.

As crianças precisam "ver o mundo girar". Deixe que seu filho veja o mundo girar, não no sentido figurado, mas no literal mesmo. Vá lá fora e leve ele! Permita que ele sinta o vento, veja o céu e que talvez se canse no parquinho!

Paz e Bem.

Escrito por Ana Paula Góis, 05/08/2015 às 07h11 | conviteecia@hotmail.com

Andrezza Negrini, mudança radical com o bebê pequeno

Mãe na Roda Entrevista

Andrezza Negrini sempre foi independente e ativa. Desde cedo trabalhou e viajou bastante, aos 30 anos conhecia 10 países e já tinha morado em três. Seu instinto materno também se fazia presente: foi a única menina entre os quatro irmãos e como a mãe trabalhava fora, ela assumia o "comando" na organização cotidiana. Aos 38 anos, Andrezza deu a luz a Ravi, primeiro filho do casal. Teve que rever conceitos, reprogramar coisas, adaptar outras. Com idéia de continuar viajando e voltar ao trabalho, resolveu unir o útil ao agradável e fazer uma mudança drástica: se mudar para a Indonésia. Foi o jeito que ela encontrou de conciliar a exigência da maternidade nos primeiros anos de vida ao que precisava e queria fazer. Andrezza ressalta que nem tudo é romance e que há muitos perrengues: "Tudo tem dois lados certo? Não está nada fácil, embora o 'face' só mostre a parte boa e colorida da vida.....mas aí também não é um mar de rosas… apenas temos de aproveitar as ondas boas, e aprender com os caldos (risos)".

"Ser mãe é a maior prova de doação, ocupa todo o tempo por todo tempo do mundo".

P - Você sempre trabalhou bastante e quando estava grávida também… Você imaginava que voltaria ao mesmo ritmo profissional depois de ter Ravi?
R -
Imaginava que poderia, e posso: é só terceirizar a criação do meu bebê. O que não imaginava era que iria mudar meu conceito de vida. Temos que trabalhar pra sobreviver, isso é fato. Mas minha prioridade hoje é estar com o Ravi e poder acompanhar cada momento do desenvolvimento dele. E se tiver que mudar meu padrão de vida por isso, já estou de acordo, pois o que temos de mais importante é essa convivência.

P - Qual foi o divisor de águas, quando você decidiu desviar do circuito, pegar outro caminho?
R -
Logo após o nascimento do Ravi. Trabalhava com turismo no Brasil...sabe como é, feriados, domingos e dias santos...no mais venho de uma família que acredita que o trabalho engrandece o Homem acima de tudo. Penso que muitas de nós mães queiram dar aos seus filhos aquilo que lhe fizeram falta. Pensamos em ter apenas um filho, não tem lógica pra mim ter que busca-lo das mãos de alguém amável e cuidadoso ou mesmo em uma escola antes de dormir e deixa-lo logo após acordar. Sou muito intensa, quero vivenciar essa relação.

P - E o que percebeu com isso, é mais difícil ou mais fácil se entregar para a maternidade integral?
R -
No meu ponto de vista é muito mais difícil se entregar á maternidade. Renunciar aos sonhos de mulher, desejos profissionais, busca de outros diplomas... diria renunciar ao seu próprio umbigo. Ser mãe é a maior prova de doação, ocupa todo o tempo por todo tempo do mundo.

P - Que dica você dá para quem está sem saber o que fazer nessa fase inicial de ter que voltar à ativa com bebê pequeno?
R -
Aceite sua natureza, seja ela qual for, pois ao contrário de mim percebo mulheres que sofrem no mesmo caso, mas por desejarem voltar à vida profissional e assim se culpam por não sentir a maternidade como almejavam. Todas temos nossos medos e inseguranças, mas se conseguir aceitar o que está sentindo e fazer isso certa que será o melhor, será o melhor. Dê a você mesmo espaço suficiente para seguir a sua própria intuição, e crie um meio de realizar...esse tempo não volta mais, ou seja, você tem uma chance... Eu estou certa que nos julgamentos sou vista de corajosa guerreira a irresponsável louca, do bom ao ruim...Decidi que não tenho que agradar a todos, e sim estar feliz de fazer o que me faz feliz. Deixamos o conforto do lar, adoráveis amigos e profissões por um tempo maior e ainda indefinido ao lado da família....já se passaram quase três meses, ainda não sabemos o que queremos ser quando crescer... mas sabemos que queremos mais e mais esse presente de estar juntos vivenciando o crescimento do nosso bebê nessa etapa tão especial pra nós...se der errado no final, começamos novamente...pra isso, ainda temos tempo.

  
Andrezza curtindo todos os pequenos grandes momentos junto a Ravi e ao marido Guno, agora em Bali.

Escrito por Caroline Cezar, 03/08/2015 às 08h42 | carol.jp3@gmail.com

Exterogestação

Bebê humano nasce prematuro, todos. Seriam necessários mais nove meses, além dos nove que fica no útero, para ele estar pronto. Isso se dá porque somos bípedes de bacia estreita e temos filhotes cabeçudos, que não passariam pelo canal com um ano e meio. Portanto, manter o bebê próximo ao corpo da mãe por meses e meses depois do parto é garantir sua saúde física e psicológica, é ajudar no desenvolvimento, na adaptação à vida aqui fora, dar-lo condições de ser íntegro, seguro e forte. Sem barreiras, afastamentos, horários e limitações. Menos cerquinhas, menos carrinhos, mais do básico: calor, peito, colo, amor. O nome técnico para isso é EXTEROGESTAÇÃO, gestar do lado de fora.

Há dezenas de artigos científicos sobre o assunto* e há facilitadores de colo e proteção, como os slings, esses carregadores de pano que costumam dizer que está na moda. Sim, eles estão aparecendo muito mais nos centros urbanos, mas o que chamam de "moda" é um hábito ancestral, já utilizado por indígenas e inúmeros povos para manter o bebê junto a si e sob cuidados de maneira cômoda, prática e segura.

Um bebê que fica amarrado junto ao corpo da mãe grande parte do tempo dificilmente sofrerá de "cólicas", ou outro desconforto que receba esse nome. Estar no corpo da mãe é um calmante natural, um facilitador da amamentação, sono e bem estar, um protetor dos agentes externos -pessoas, mosquitos, curiosidades, sol, chuva, vento. O sling reproduz o ambiente uterino: é quente, escuro, tem balanço, e escuta-se a voz da mãe o tempo todo. Paraíso na terra.

 
* Um recorte:

Os bebês humanos estão entre os mais indefesos de todos os mamíferos. Por causa do maior tamanho do cérebro e do fato de que o tecido nervoso necessita de mais calorias para se manter que qualquer outro, grande parte do alimento ingerido é gasto em prover nutrição e calor para as células nervosas. Mais significante é o fato de que nossos bebês necessitam nascer mais cedo do que deveriam, com seus cérebros ainda não totalmente desenvolvidos. Se o bebê humano nascesse já com o sistema nervoso central amadurecido, sua cabeça não passaria pela pelve estreita da mãe no momento do parto. Ao contrário de outros mamíferos, como girafas e cavalos, o recém-nascido humano é incapaz de andar por um longo período após o nascimento, porque lhe falta o aparato neurológico maduro para tanto. O custo primal de ter um cérebro grande é que nossos filhotes nascem extremamente dependentes e em necessidade constante de cuidado.

O crescimento do nosso cérebro após o nascimento é mais rápido do que o de qualquer outro mamífero e segue neste ritmo por 12 meses.

A seleção natural demanda que pais humanos cuidem de seus filhos por um longo período e que os filhos dependam dos pais. Esta necessidade mútua traduz-se em um estado emocional chamado “apego”.
Em algumas culturas, como na tribo !Kung, bebês raramente choram por longos períodos e não há sequer uma palavra que signifique “cólica”. As mães carregam os bebês junto ao corpo, com um aparato semelhante a um “sling”, mesmo quando saem para a colheita. A relação mãe-bebê é considerada sacrossanta, eles permanecem juntos o tempo todo. O bebê tem livre acesso ao seio materno e vê o mundo do mesmo ponto de observação que sua mãe.

Nossa cultura ocidental não permite um estilo de vida idêntico ao de tribos primitivas, mas podemos tirar lições valiosas sobre como ajudar nossos bebês na adaptação à vida extra-uterina.

Nos primeiros 3 meses de vida, o bebê humano é tão imaturo que seria benéfico a ele voltar ao útero sempre que a vida aqui fora estivesse difícil. É preciso compreender o que o bebê tinha à sua disposição antes do nascimento, para saber como reproduzir as condições intrauterinas. O bebê no útero fica apertadinho, na posição fetal, envolvido por uma parede uterina morninha, sendo balançado para frente e para trás a maior parte do tempo. Ele também estava ouvindo constantemente um barulho "shhhh shhhh", mais alto que o de um aspirador de pó (o coração e os intestinos da mãe).

A reprodução das condições do ambiente uterino leva a uma resposta neurológica profunda "o reflexo calmante". Quando aplicados corretamente, os sons e sensações do útero têm um efeito tão poderoso que podem relaxar um bebê no meio de uma crise de choro.

(The Happiest Baby on The Block, Dr. Harvey Karp, Bantam Dell, 2002. New York)

Escrito por Caroline Cezar, 29/07/2015 às 08h17 | carol.jp3@gmail.com

Seu filho é muito egoísta!

E um dia seu bebê que era um doce, meigo e tranquilo, começa a andar e a carregar brinquedos. A emoção é grande. Agora ele pode escolher sozinho seus brinquedos e no parquinho, já decide onde quer ficar. Eis que chega sua amiga com o filhinho dela para brincar na sua casa e seu bebê meigo e tranquilo se revela um mini-tirano... Não quer emprestar nenhum brinquedo, grita e esperneia cada vez que o visitante encosta em algo que lhe pertence... Você então, com toda calma e paciência explica que é um amiguinho, que gosta dele, que veio para brincar e que ele tem que emprestar suas coisas para o pequeno. Começa uma pequena batalha e você vai ficando constrangida e só pensa onde foi que você errou: "Será que estou mimando demais? Será que dei muito colo? Onde errei? Meu filho é uma criança egoísta?"

Quero lhe informar que sim, seu fillho é egoísta! E os meus também, e os da vizinha também, e o da sua amiga também!
Crianças menores de 3 anos tem certeza que são o centro do mundo. Não sabem, não querem e não precisam dividir nada.
Agarram seus brinquedos com força para que ninguém arranque da sua mão. Largam tudo e saem correndo gritando quando alguém ameaça carregar alguma coisa que lhe pertence, e nós não precisamos ficar constrangidas com isso.

Mas então o que fazer? Como acabar com isso? Como fazer com que meu filho empreste e divida? E como convidar minha amiga para um café sem que tenhamos que passar a tarde com gritos e choros?

Aqui algumas dicas que podem te ajudar:

1- Aceite e compreenda a fase que seu pequeno está passando. Entenda que ele vê o mundo assim e que para ele tudo bem arrancar as coisas da mão do amiguinho. Entenda que o amiguinho também vê o mundo assim, e aqueles minutos em que os dois estão agarrados aos brinquedos disputando pode ser tão enriquecedor para eles quanto quando estão brincando.

2- Diminua consideravelmente o número de brinquedos e coisas que vocês tem. Em um lugar com menos coisas e mais espaço as crianças brincam umas com as outras.

3- NÃO INTERFIRA! Nem a favor nem contra seu filho. Quando começar a disputa por um brinquedo e aquelas quatro mãozinhas estiverem agarradas ao mesmo objeto, aos gritos de "é meu" e "eu quelo", respire e pense em outra coisa. Aquele que estiver com mais 'gana' do brinquedo, ganhará a disputa e o que perdeu, arrumará uma outra coisa para fazer.

4- NÃO INTERFIRA! É fundamental que nenhum adulto interfira de nenhuma maneira. Não pode mostrar outro brinquedo, não pode distrair a criança e não pode ficar olhando ou comentando.

5- Seja o exemplo! Uma criança egoísta pode estar passando por uma fase pela qual passam todas as crianças, mas pode vir a se tornar um adulto egoísta se os adultos que a cercam são egoístas também. Olhe para si e para sua família, perceba como se comportam e se necessário mude. Perceba se vocês não estão exigindo que o pequeno divida as coisas dele e esquecendo de compartilhar as suas. Não adianta aceitar, entender, não interferir, se na sua família o TER é mais importante do que o SER.

Paz e Bem!

Escrito por Ana Paula Góis, 23/07/2015 às 08h21 | conviteecia@hotmail.com



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Ana Paula Góis

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