Jornal Página 3
Coluna
Condomínio Garden City
Por Saint Clair Nickelle

Haja saco!

Depois que a Administração do Garden City fez uma reunião com a Brigada Militar sobre segurança, muitos moradores que usavam o celular para fofocas e informações descabidas, fizeram “cara feia”. A rede agora era exclusivamente de SEGURANÇA, pois tudo que digitássemos seria recebido pela Central da B.M.

Por decisão de maioria, então, ficariam duas redes, a de segurança, instituída em toda a cidade como Rede de Vizinhos Solidários e a de amigos do Garden City.

Hoje virou moda, utilizar-se o celular para dividir preocupações e responsabilidades em comunidades abertas e fechadas, como no caso dos condomínios. Num primeiro momento o uso das comunicações se deu de forma econômica e responsável, mas nós humanos, não sei se por falta de educação ou mesmo ignorância, nos encantamos com esse aparelhinho chamado celular e, em especial, com a facilidade econômica de usar o whatsapp, daí vem o impulso de dedilhar qualquer coisa que lhe venha na telha.

Outro dia, a dona Júlia, moradora da casa 72 começou a enviar mensagens, na rede de segurança, sobre um cachorro que latia sem parar. Aí, já apareceram vários vizinhos oportunistas, perguntando de qual casa era o cachorro, outro dizendo que também ouvira e que estava muito incomodado, outros dizendo que nada ouviram, que acabou numa chamada da Central da Brigada Militar, explicando pela centésima vez que parassem com mensagens que não diziam respeito à segurança. Parecia coisa de criança fazendo arte e recebendo punição dos pais.

Mas, o pior foi aparecer, depois da advertência da B.M. vizinhos criticando a dona Júlia e os que continuaram com o assunto dela, outros aplaudindo e alguns enviando carinhas de choro. De novo a B.M. pediu para que parassem, senão o Garden City seria retirado, compulsoriamente, da Rede de Vizinhos Solidários. Foi um verdadeiro “banho de água fria” nos impulsivos.

Atualmente a Rede de Vizinhos Solidários é pouco usada, pois de um modo geral, as informações provem da própria Brigada Militar, quando faz alertas sobre furtos de bicicleta na comunidade ou sobre gatunos que agem no nosso Bairro. No entanto, na rede Amigos do Garden City, é uma verdadeira revista de fofocas. Nós aqui em casa já saímos fora, ficando apenas com a de segurança.

O celular foi um grande avanço na comunicação entre as pessoas, mas o que ainda parece questionável, é a interferência das operadoras, em especial colocando mensagens sobre a oferta de serviços, algumas com duas opções:

OK  ou cancelar, mas só funciona a primeira opção, pois se você clicar em cancelar a mensagem volta a todo momento e, aí, só ligando para a operadora...haja saco!

Nas nossas mateadas, que ocorre sempre aos domingos, das 8h às 11h, ficou acertado que desligaríamos o celular e, caso alguém queira chamar um dos membros, basta ligar para a casa do seu Gumercindo, que fica junto da Praça Central, que será avisado.

O único que foi contra foi o Clóvis, genro do seu Gumercindo, que por ser o mais jovem do grupo, está muito apegado àquele aparelhinho mágico. Mas, como foi voto vencido, também cumpre a regra.

 

Na última mateada, comentávamos sobre as eleições e na desesperança que nos assola, como a antever a reeleição dos carreiristas contumazes. O seu Gumercindo foi o primeiro a falar:

- Desculpe pessoal, se continuo pessimista, mas como mudar alguma coisa nesse nosso país, com os oportunistas de sempre?

- Eu concordo, plenamente Gumercindo, os partidos colocam alguns nomes novos apenas como “bois de piranha”, mas os raposões são sempre os mesmos;

- Infelizmente, é isso aí Luiz Paulo, como pode haver honestidade num candidato que gaste 5 vezes mais para se eleger do que vai ganhar ao longo de seu mandato?

- Onde que ele vai buscar compensação?

- Certamente, nos acordos escusos com as grandes empreiteiras...

- É, por aí, Clóvis!

- Outro procedimento, que eu não consigo aceitar de maneira alguma, é o candidato que acabou de se eleger,  e se licencia para concorrer a outro mandato. E, o que é pior, talvez se eleja, mesmo que tenha descumprido um compromisso com os eleitores que o elegeram para aquele mandato anterior.

- É um verdadeiro absurdo, seu Gumercindo. Só eleitores cegos não veem isso. Não é possível que alguém que abandone o compromisso e ainda se eleja para outro cargo...

- Que cegueira é essa minha gente!

- Muito bem colocado, SAN. Concordo contigo;

- Mas, mudando de assunto, que vilania daqueles exploradores de pessoas humildes, que só apareceram depois do incêndio em São Paulo. Pessoas vivendo em prédios abandonados, como ratos, mas tendo de pagar aluguel para um bando de safados.

- Opa! Explica aí Luiz Paulo o que significa o termo vilania...

- Tá bem, Clóvis, significa: “atributo ou caráter do que é vil ou vilão...”

- Obrigado!

- De que incêndio tu estás falando?

- Do Edifício Wilton Paes de Almeida, de 26 andares, localizado no Largo do Paiçandu, projetado pelo arq. Roger Zmekhol, que pertencia ao governo federal e que fora abandonado;

- Puxa vida, Luiz Paulo! Como tu estás bem informado.

- Obrigado, Clóvis.

- Pensando bem pessoal, como pode o governo federal ter abandonado um

edifício de 26 andares?

- Próprio de governos desonestos, que iniciam obras e não as concluem, e quando as fazem gastam três vezes mais para sustentar as maracutaias...

- E, aí vêm as eleições para dar continuidade aos mesmos políticos.

- Haja saco! 

Escrito por Saint Clair Nickelle, 09/05/2018 às 08h19 | sannickelle@gmail.com



Saint Clair Nickelle

Assina a coluna Condomínio Garden City

Arquiteto aposentado e autor das crônicas denominadas CONDOMÍNIO GARDEN CITY, as quais serão apresentadas em capítulos, descrevendo as relações humanas num condomínio hipotético.


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Haja saco!

Depois que a Administração do Garden City fez uma reunião com a Brigada Militar sobre segurança, muitos moradores que usavam o celular para fofocas e informações descabidas, fizeram “cara feia”. A rede agora era exclusivamente de SEGURANÇA, pois tudo que digitássemos seria recebido pela Central da B.M.

Por decisão de maioria, então, ficariam duas redes, a de segurança, instituída em toda a cidade como Rede de Vizinhos Solidários e a de amigos do Garden City.

Hoje virou moda, utilizar-se o celular para dividir preocupações e responsabilidades em comunidades abertas e fechadas, como no caso dos condomínios. Num primeiro momento o uso das comunicações se deu de forma econômica e responsável, mas nós humanos, não sei se por falta de educação ou mesmo ignorância, nos encantamos com esse aparelhinho chamado celular e, em especial, com a facilidade econômica de usar o whatsapp, daí vem o impulso de dedilhar qualquer coisa que lhe venha na telha.

Outro dia, a dona Júlia, moradora da casa 72 começou a enviar mensagens, na rede de segurança, sobre um cachorro que latia sem parar. Aí, já apareceram vários vizinhos oportunistas, perguntando de qual casa era o cachorro, outro dizendo que também ouvira e que estava muito incomodado, outros dizendo que nada ouviram, que acabou numa chamada da Central da Brigada Militar, explicando pela centésima vez que parassem com mensagens que não diziam respeito à segurança. Parecia coisa de criança fazendo arte e recebendo punição dos pais.

Mas, o pior foi aparecer, depois da advertência da B.M. vizinhos criticando a dona Júlia e os que continuaram com o assunto dela, outros aplaudindo e alguns enviando carinhas de choro. De novo a B.M. pediu para que parassem, senão o Garden City seria retirado, compulsoriamente, da Rede de Vizinhos Solidários. Foi um verdadeiro “banho de água fria” nos impulsivos.

Atualmente a Rede de Vizinhos Solidários é pouco usada, pois de um modo geral, as informações provem da própria Brigada Militar, quando faz alertas sobre furtos de bicicleta na comunidade ou sobre gatunos que agem no nosso Bairro. No entanto, na rede Amigos do Garden City, é uma verdadeira revista de fofocas. Nós aqui em casa já saímos fora, ficando apenas com a de segurança.

O celular foi um grande avanço na comunicação entre as pessoas, mas o que ainda parece questionável, é a interferência das operadoras, em especial colocando mensagens sobre a oferta de serviços, algumas com duas opções:

OK  ou cancelar, mas só funciona a primeira opção, pois se você clicar em cancelar a mensagem volta a todo momento e, aí, só ligando para a operadora...haja saco!

Nas nossas mateadas, que ocorre sempre aos domingos, das 8h às 11h, ficou acertado que desligaríamos o celular e, caso alguém queira chamar um dos membros, basta ligar para a casa do seu Gumercindo, que fica junto da Praça Central, que será avisado.

O único que foi contra foi o Clóvis, genro do seu Gumercindo, que por ser o mais jovem do grupo, está muito apegado àquele aparelhinho mágico. Mas, como foi voto vencido, também cumpre a regra.

 

Na última mateada, comentávamos sobre as eleições e na desesperança que nos assola, como a antever a reeleição dos carreiristas contumazes. O seu Gumercindo foi o primeiro a falar:

- Desculpe pessoal, se continuo pessimista, mas como mudar alguma coisa nesse nosso país, com os oportunistas de sempre?

- Eu concordo, plenamente Gumercindo, os partidos colocam alguns nomes novos apenas como “bois de piranha”, mas os raposões são sempre os mesmos;

- Infelizmente, é isso aí Luiz Paulo, como pode haver honestidade num candidato que gaste 5 vezes mais para se eleger do que vai ganhar ao longo de seu mandato?

- Onde que ele vai buscar compensação?

- Certamente, nos acordos escusos com as grandes empreiteiras...

- É, por aí, Clóvis!

- Outro procedimento, que eu não consigo aceitar de maneira alguma, é o candidato que acabou de se eleger,  e se licencia para concorrer a outro mandato. E, o que é pior, talvez se eleja, mesmo que tenha descumprido um compromisso com os eleitores que o elegeram para aquele mandato anterior.

- É um verdadeiro absurdo, seu Gumercindo. Só eleitores cegos não veem isso. Não é possível que alguém que abandone o compromisso e ainda se eleja para outro cargo...

- Que cegueira é essa minha gente!

- Muito bem colocado, SAN. Concordo contigo;

- Mas, mudando de assunto, que vilania daqueles exploradores de pessoas humildes, que só apareceram depois do incêndio em São Paulo. Pessoas vivendo em prédios abandonados, como ratos, mas tendo de pagar aluguel para um bando de safados.

- Opa! Explica aí Luiz Paulo o que significa o termo vilania...

- Tá bem, Clóvis, significa: “atributo ou caráter do que é vil ou vilão...”

- Obrigado!

- De que incêndio tu estás falando?

- Do Edifício Wilton Paes de Almeida, de 26 andares, localizado no Largo do Paiçandu, projetado pelo arq. Roger Zmekhol, que pertencia ao governo federal e que fora abandonado;

- Puxa vida, Luiz Paulo! Como tu estás bem informado.

- Obrigado, Clóvis.

- Pensando bem pessoal, como pode o governo federal ter abandonado um

edifício de 26 andares?

- Próprio de governos desonestos, que iniciam obras e não as concluem, e quando as fazem gastam três vezes mais para sustentar as maracutaias...

- E, aí vêm as eleições para dar continuidade aos mesmos políticos.

- Haja saco! 

Escrito por Saint Clair Nickelle, 09/05/2018 às 08h19 | sannickelle@gmail.com



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Arquiteto aposentado e autor das crônicas denominadas CONDOMÍNIO GARDEN CITY, as quais serão apresentadas em capítulos, descrevendo as relações humanas num condomínio hipotético.


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