Jornal Página 3
Coluna
Condomínio Garden City
Por Saint Clair Nickelle

BEAU GEST II

Tenho muito orgulho dos meus dois filhos. A Sabrina é Corretora de imóveis em Balneário Camboriú, o Michel que mora em Bombinhas e trabalha na Optolamp,  com sede em Porto Belo. Mas afinal, por que estou a falar de meus filhos? Por várias razões, mas uma em especial ocorrida dia 02 de abril de 2018, que eu vou passar a descrever, exatamente como o Michel me passou pelo WhatSapp:

“...Preciso compartilhar com vocês algo que aconteceu comigo. Após o trabalho. Fui buscar o Vicente na escola (meu neto que vai fazer 2 anos), às 18h. Íamos direto para casa, só os dois, pois a Aline (minha nora) tinha um curso em Balneário Camboriú.

No caminho de casa, na Avenida Hironildo Conceição, em Porto Belo, neste horário muito  movimentada, nos deparamos com um cachorro andando em ziguezague por entre os carros, liguei o pisca alerta e diminuí a velocidade. Obviamente os carros e motos buzinavam atrás do nosso carro. Permaneci assim até que o cachorro saísse da rua. Ele, então, foi para o acostamento, andando rápido e com nítida aparência de estar perdido. Andamos mais um pouco e de repente o trânsito parou. Era novamente ele entre os carros. Olhei para o Vicente e falei:

- Filho, vamos pegar esse cachorrinho, senão ele vai ser atropelado.

Dei a volta com o carro, estacionei na calçada e o chamei. Ele veio rebolando e pulou para dentro do carro. O Vicente se assustou e começou a chorar, mas logo parou.

Descobri que era uma cadelinha, toda preta e peluda, parecendo uma Cocker Spaniel mestiça. Aí começou a aventura...O que eu ia fazer agora?

Nisso ela já estava acomodada no chão do carro, abaixo do banco do passageiro.

Pensei, um pouco e resolvi voltar para o ponto onde a tinha visto pela primeira vez, há uns quinhentos metros dali.

Comecei a perguntar para algumas pessoas se sabiam de onde ela era, mas ninguém sabia.

- Acho que é do dono do Trovão Lanches. Falou uma senhora.

Ela, então, me acompanhou até lá e soubemos que não era, pois o cachorro dele é macho.

- Quem sabe tu vais até a casa do Senhor Borges das vans, ele tem mais de 20 cachorros, falou o dono do Trovão Lanches. Lá fomos nós, após pegar o endereço. Infelizmente ele não estava em casa, mas um vizinho disse que não era do Borges.

Lembrei-me de uma Pet Shop que fica no início da avenida onde encontrei a Princesa (eu já havia batizado a cachorra para acalmar o Vicente). Já passavam das 19h. Não a conheciam no Pet, mas me passaram o telefone de duas cuidadoras de animais, que talvez poderiam me ajudar.

Fui até lá e, ambas estavam lotadas de cachorros, mais de 20 cada uma. Pediram-me que tirasse uma foto e mandasse para elas, pois iriam postar no facebook.

 

Eu já estava desistindo, pensava na confusão, caso a levasse para casa, pois tenho dois, a Prenda e o Pitoco. Liguei para a dona Dália, minha sogra, para saber de alguém que pudesse ficar coma cachorrinha, pelo menos até o outro dia. Ela, também não sabia.

Dei mais umas voltas e retornei na casa do Borges, mas ele ainda não havia chegado.

Quando estava indo embora passou uma van com a inscrição Borges, quase  me joguei na frente do carro. Estavam ele e a esposa. Expliquei a situação e a esposa dele me disse:

- Quem falou que pegamos cachorros de rua?

- Pode largar essa aí que ela vai retornar para casa.

Agradeci e fui embora.

Liguei novamente para  a dona Dália. Combinei que deixaria o Vicente na casa dela em Itapema e voltaria para tentar localizar a casa do dono da cachorrinha. Deixei o Vicente e retornei para Porto Belo.

Lembrei que tinha no porta malas, a coleira e a guia do Shanti, que morrera há pouco tempo. Coloquei, então, na Princesa e saímos a caminhar pela Avenida e ruas transversais. Ela andava farejando como se conhecesse a área, mas fazia isso em todos os cantos.

Ainda estava na Avenida e de repente passei por casal de catadores, com uns 5 cachorros. A esposa me chamou e perguntou se o cachorro era meu. Disse que não e que estava justamente procurando pelo dono. Então, ela disse:

- Esse cachorro é meu!

Nisso apareceu o marido dela e veio falar comigo. Disse que era deles, que tinham há pouco tempo e que ele não havia se acostumado com eles. Falou que havia ganho de um homem que morava em apartamento e que não poderia ficar com ele.

Eu estava quase convencido, mas preocupado com a situação, pois andando solta, mesmo com eles, poderia ser atropelada.

Enquanto minha dúvida persistia,  de repente passou um carro e a motorista ficou olhando, parou  e estacionou. Tive a sensação que poderia ser, de fato, a dona da Princesa.

A moça atravessou a rua e afirmou:

- Moço! Essa cachorrinha é minha!

Na hora  me deu uma alívio e falei:

- Eu não acredito, Graças a Deus!

A Moça bateu as mãos e disse:

- Meg, vem com a mãe.

A cachorrinha abanou o rabo e pulou no colo dela.

Ela me contou que a Meg havia desaparecido há uns três meses. Alguém da família afirmou tê-la visto na rua, por isso saíram para procurá-la.

Conversei novamente com o catador e ele estava reclamando que não ganhou recompensa.

Então, eu lhe disse :

- Fique tranquilo que eu vou providenciar umas roupas para entregar-lhe.

Enfim, tive a grata sensação de dever cumprido. Avisei e agradeci a todos que eu havia mobilizado e, fui buscar  o Vicente.”

Escrito por Saint Clair Nickelle, 09/04/2018 às 09h55 | sannickelle@gmail.com



Saint Clair Nickelle

Assina a coluna Condomínio Garden City

Arquiteto aposentado e autor das crônicas denominadas CONDOMÍNIO GARDEN CITY, as quais serão apresentadas em capítulos, descrevendo as relações humanas num condomínio hipotético.


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Tenho muito orgulho dos meus dois filhos. A Sabrina é Corretora de imóveis em Balneário Camboriú, o Michel que mora em Bombinhas e trabalha na Optolamp,  com sede em Porto Belo. Mas afinal, por que estou a falar de meus filhos? Por várias razões, mas uma em especial ocorrida dia 02 de abril de 2018, que eu vou passar a descrever, exatamente como o Michel me passou pelo WhatSapp:

“...Preciso compartilhar com vocês algo que aconteceu comigo. Após o trabalho. Fui buscar o Vicente na escola (meu neto que vai fazer 2 anos), às 18h. Íamos direto para casa, só os dois, pois a Aline (minha nora) tinha um curso em Balneário Camboriú.

No caminho de casa, na Avenida Hironildo Conceição, em Porto Belo, neste horário muito  movimentada, nos deparamos com um cachorro andando em ziguezague por entre os carros, liguei o pisca alerta e diminuí a velocidade. Obviamente os carros e motos buzinavam atrás do nosso carro. Permaneci assim até que o cachorro saísse da rua. Ele, então, foi para o acostamento, andando rápido e com nítida aparência de estar perdido. Andamos mais um pouco e de repente o trânsito parou. Era novamente ele entre os carros. Olhei para o Vicente e falei:

- Filho, vamos pegar esse cachorrinho, senão ele vai ser atropelado.

Dei a volta com o carro, estacionei na calçada e o chamei. Ele veio rebolando e pulou para dentro do carro. O Vicente se assustou e começou a chorar, mas logo parou.

Descobri que era uma cadelinha, toda preta e peluda, parecendo uma Cocker Spaniel mestiça. Aí começou a aventura...O que eu ia fazer agora?

Nisso ela já estava acomodada no chão do carro, abaixo do banco do passageiro.

Pensei, um pouco e resolvi voltar para o ponto onde a tinha visto pela primeira vez, há uns quinhentos metros dali.

Comecei a perguntar para algumas pessoas se sabiam de onde ela era, mas ninguém sabia.

- Acho que é do dono do Trovão Lanches. Falou uma senhora.

Ela, então, me acompanhou até lá e soubemos que não era, pois o cachorro dele é macho.

- Quem sabe tu vais até a casa do Senhor Borges das vans, ele tem mais de 20 cachorros, falou o dono do Trovão Lanches. Lá fomos nós, após pegar o endereço. Infelizmente ele não estava em casa, mas um vizinho disse que não era do Borges.

Lembrei-me de uma Pet Shop que fica no início da avenida onde encontrei a Princesa (eu já havia batizado a cachorra para acalmar o Vicente). Já passavam das 19h. Não a conheciam no Pet, mas me passaram o telefone de duas cuidadoras de animais, que talvez poderiam me ajudar.

Fui até lá e, ambas estavam lotadas de cachorros, mais de 20 cada uma. Pediram-me que tirasse uma foto e mandasse para elas, pois iriam postar no facebook.

 

Eu já estava desistindo, pensava na confusão, caso a levasse para casa, pois tenho dois, a Prenda e o Pitoco. Liguei para a dona Dália, minha sogra, para saber de alguém que pudesse ficar coma cachorrinha, pelo menos até o outro dia. Ela, também não sabia.

Dei mais umas voltas e retornei na casa do Borges, mas ele ainda não havia chegado.

Quando estava indo embora passou uma van com a inscrição Borges, quase  me joguei na frente do carro. Estavam ele e a esposa. Expliquei a situação e a esposa dele me disse:

- Quem falou que pegamos cachorros de rua?

- Pode largar essa aí que ela vai retornar para casa.

Agradeci e fui embora.

Liguei novamente para  a dona Dália. Combinei que deixaria o Vicente na casa dela em Itapema e voltaria para tentar localizar a casa do dono da cachorrinha. Deixei o Vicente e retornei para Porto Belo.

Lembrei que tinha no porta malas, a coleira e a guia do Shanti, que morrera há pouco tempo. Coloquei, então, na Princesa e saímos a caminhar pela Avenida e ruas transversais. Ela andava farejando como se conhecesse a área, mas fazia isso em todos os cantos.

Ainda estava na Avenida e de repente passei por casal de catadores, com uns 5 cachorros. A esposa me chamou e perguntou se o cachorro era meu. Disse que não e que estava justamente procurando pelo dono. Então, ela disse:

- Esse cachorro é meu!

Nisso apareceu o marido dela e veio falar comigo. Disse que era deles, que tinham há pouco tempo e que ele não havia se acostumado com eles. Falou que havia ganho de um homem que morava em apartamento e que não poderia ficar com ele.

Eu estava quase convencido, mas preocupado com a situação, pois andando solta, mesmo com eles, poderia ser atropelada.

Enquanto minha dúvida persistia,  de repente passou um carro e a motorista ficou olhando, parou  e estacionou. Tive a sensação que poderia ser, de fato, a dona da Princesa.

A moça atravessou a rua e afirmou:

- Moço! Essa cachorrinha é minha!

Na hora  me deu uma alívio e falei:

- Eu não acredito, Graças a Deus!

A Moça bateu as mãos e disse:

- Meg, vem com a mãe.

A cachorrinha abanou o rabo e pulou no colo dela.

Ela me contou que a Meg havia desaparecido há uns três meses. Alguém da família afirmou tê-la visto na rua, por isso saíram para procurá-la.

Conversei novamente com o catador e ele estava reclamando que não ganhou recompensa.

Então, eu lhe disse :

- Fique tranquilo que eu vou providenciar umas roupas para entregar-lhe.

Enfim, tive a grata sensação de dever cumprido. Avisei e agradeci a todos que eu havia mobilizado e, fui buscar  o Vicente.”

Escrito por Saint Clair Nickelle, 09/04/2018 às 09h55 | sannickelle@gmail.com



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