Jornal Página 3
Coluna
Condomínio Garden City
Por Saint Clair Nickelle

A mensagem

Recebi, de uma moradora do Garden City, dona Simone, uma mensagem muita linda sobre mulheres especiais que caminham dessa maneira em suas vidas ou as que possam se beneficiar com a reflexão, que ela enseja.

Eis a mensagem:

“Chegou no meio da vida e sentou-se para tomar um pouco de ar.

Não sabia.

Não era cansaço, nem estava perdida. Notou-se inteira pela primeira vez em todos esses anos.

Parou ali, entre os dois lados da estrada e ficou observando as margens da sua história, a estrada da vida ficando fininha, calando-se de tão longe que ia.

Estava em paz observando a menina que foi graciosa, cheia de vida.

Estava olhando para si mesma e nem notou.

Ali, naquele instante estava recebendo um presente.

Desembrulhava silenciosamente a sabedoria que tanto pediu para ter mais.

Quando a mulher chega à metade da estrada da vida, começa lentamente a ralentar o passo. (ralentar: o mesmo que tornar-se ralo)

Já notou como tem gente que adora conturbar a própria rotina, alimentar o próprio caos? Ela não. Não mais.

Deixa que passem, deixa que corram, a vida é curta demais para acelerar qualquer coisa.

Ela quer sentir tudo com as pontas dos dedos, ela quer notar o que não viu da primeira vez. Senhora do próprio tempo.

Percebeu, à metade da vida, que caminhou com elegância, que viveu com verdade, que guiou a própria sombra na estrada em direção ao amor.

E como amou! Amor por si, pelos outros, amou em dobro, amou sozinha, amou amar.

A mulher ao centro da vida traz  a leveza que os anos teceram, pacientemente.

Escuta bem mais, coloca a doçura à frente das palavras, guarda as pessoas com preciosismo.

Aquela mulher já perdeu pessoas demais.

Ao meio da estrada, ela já não dorme tanto, mas sonha bem mais.

Sonha pelo simples exercício de sonhar.

Sonha porque notou que o sonho que é o sonho que tempera a vida.

Aprendeu a parar de ficar encarando as linhas do corpo.

Seu espírito teso, seu riso aberto, sua fé gigante não têm rugas, nem celulite, sem encanação. (encanação: sentimento de inquietação ou dúvida)

Descobriu que o segredo é prestar atenção no melhor das coisas, nas qualidades das pessoas , nas belas costas que tem e deixá-las ao alcance da vida dos outros.

Sentada ali, ao centro da própria vida, decidiu seguir um pouco mais.

Há mais estrada para caminhar, mais certezas para perder, mais paixão para trilhar.

Não há dádiva maior do que compreender-se, que encontrar conforto para morar em si mesmo, que perdoar-se de dentro pra fora. Ao centro da vida ela descobriu que a gente não se acaba, a gente vai mesmo é se cabendo, a cada ano um pouco mais. ”

De autoria de Diego Engenho Novo, escritor, publicitário e filho de dona Betânia. Criador do blog Palavra Crônica, vive em São Paulo de onde escreve sobre relacionamentos e cotidiano.

Fiquei muito grato à dona Simone, pela sensibilidade de me enviar o texto acima, o qual li várias vezes, para desobstruir meus olhos e ouvidos das notícias das constantes prisões feitas pela Polícia Federal; do futebol de resultados duvidosos; da eterna troca de favores dos nossos congressistas e por fim, das incríveis facilidades com que são concedidos “habeas corpus” para corruptos contumazes.

Espero, caríssima vizinha, que outros olhos se deliciem dessa mensagem e reflitam, como eu, sobre a estrada de nossas vidas.

Escrito por Saint Clair Nickelle, 13/12/2017 às 13h42 | sannickelle@gmail.com

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Saint Clair Nickelle

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Arquiteto aposentado e autor das crônicas denominadas CONDOMÍNIO GARDEN CITY, as quais serão apresentadas em capítulos, descrevendo as relações humanas num condomínio hipotético.
















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