Jornal Página 3
Coluna
Condomínio Garden City
Por Saint Clair Nickelle

O amor

Morar em Condomínio, como numa cidade pequena, todos ficam sabendo de tudo. Quem trai, quem é comportado, quem é conquistador, quem é homosexual, quem é honesto ou desonesto, etc.

Vocês lembram do marido da Marialba, que vivia dando em cima das empregadas domésticas e, que levou a esposa preterida a atacar a Noeli, por entender que ela estava dando “corda” para o Paulão, seu marido. Coitada da Noeli, além de inexpressiva, não era nenhuma “gostosa” para chamar a atenção do Paulão. Mas, enfim acabou agredida de graça.

Vocês lembram da Ritinha e do Julinho que costumavam namorar na Praça da frente…Pois é, depois de tanto namorar, a Ritinha ficou “embuchada ”, para desespero das famílias dos dois adolescentes.

A família da Ritinha queria que a filha abortasse, pois não gostava do Julinho que, para eles, era um desocupado e leviano.

Eles, quando ficaram sabendo da gravidez, quase bateram na Ritinha, dizendo-lhe:

- Onde você estava com a cabeça Rita Maria da Silveira, para transar com aquele irresponsável que vive às custas do pais?

- Pessoal eu o amo. Vocês parecem que nunca se apaixonaram. De repente eu sou uma Maria Madalena que deve ser apedrejada. Em que mundo vocês vivem?

Enquanto que a família do Julinho a acusava de devassa, afirmando que seu rico filho jamais casaria com alguém que já tinha transado com meio Condomínio. A tensão entre as duas famílias só não propiciou uma tragédia, porque o Julinho disse:

- Eu amo a Rita Maria e vou casar com ela, quer vocês queiram ou não.

A mãe e o pai do Julinho ficaram horrorizados com a decisão do filho e, ponderaram:

- Se você casar com essa lambisgoia, nós te deserdamos…Você não terá como se sustentar, muito menos a criança que ela está esperando, seu trouxa inconsequente.

- Você nem sabe se o filho é teu…

- Eu sei que é. Foi feito com muito amor. Diferente deste amor que vocês dizem sentir por mim…

- Filho ingrato, depois de tudo que fizemos por ti é assim que nos trata.

- Vá, então, case com aquela devassa e esqueça que somos teus pais.

- Não era isso que eu esperava de meus pais, mas só agora eu entendo o real valor que sou para vocês…Obrigado pelos meios que me deram, mas eu não posso deixar de assumir essa responsabilidade para com a Rita, principalmente agora que ela está grávida.

- Vocês me julgam como um criminoso.

- Se olhem no espelho do tempo, dezoito anos atrás.

- Você, mamãe, não estava grávida quando casou?

- Chega, Júlio Henrique, o meu passado não tem nada a ver com a situação atual.

- Como não, mamãe?

- Que eu saiba, você casou com o papai porque já me tinha na barriga.

- Se isso lhe causou um trauma, então, eu posso concluir que fui um filho indesejado…

- Não, meu filho querido. Você foi concebido com muito amor e, desde que ficamos sabendo, eu e seu pai, nós passamos a te amar para sempre.

- Então, pai e mãe, porque não querem me apoiar agora?

Um imenso silêncio pairou no ar…E alguns dias depois os pais do Julinho o chamaram para converser:

- Perdoe-nos, filho.

- Às vezes, por excesso de amor, cometemos injustiças.

- Você, meu filho amado, podes casar com a Rita Maria. Nós vamos te dar pleno apoio para o casamento, não é meu bem?

- Sim, sim!

- Se você nos permitir, filho, nós gostaríamos de falar com os pais da Rita.

- Tudo bem, eu aceito.

A conversa dos pais do Julinho com os pais da Ritinha, foi exitosa, desanuviando todas as incertezas. Inclusive, eles decidiram que o casamento seria realizado na Praça central do Garden City, para que todos os moradores fossem convidados.

No dia aprazado, a Praça central estava plenamente enfeitada e, no caramanchão, o Juiz de Paz, aguardava os noivos. Eles entraram sob aplausos, conduzidos respectivamente, pela mãe do Júlio Henrique e, logo atrás, pelo pai da Rita Maria.

A festa, para centenas de convidados, foi a mais emocionante dos últimos tempos. Naquele momento, todas as possíveis desavenças deram lugar a troca esfuziante de gentilezas O amor venceu.

"O amor é uma questão complexa que reflete a atitude e a filosofia de cada pessoa para com a vida. Eis por que acredito que as pessoas não devem se envolver em relacionamentos de forma leviana. É como diz um ditado japonês:"O amor não é um jogo". Se o amor pudesse ser explicado de forma racional, todos os sofrimentos que ele causa desapareceriam do mundo. Porém, o importante é que, sem respeito, nenhum relacionamento durará muito tempo nem duas pessoas serão capazes de extrair o melhor uma da outra."??Brasil Seikyo, edição n° 1.264, 12 de março de 1994, pág. 3.)

 

Escrito por Saint Clair Nickelle, 16/11/2016 às 10h28 | sannickelle@gmail.com



Saint Clair Nickelle

Assina a coluna Condomínio Garden City

Arquiteto aposentado e autor das crônicas denominadas CONDOMÍNIO GARDEN CITY, as quais serão apresentadas em capítulos, descrevendo as relações humanas num condomínio hipotético.














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Condomínio Garden City
Por Saint Clair Nickelle

O amor

Morar em Condomínio, como numa cidade pequena, todos ficam sabendo de tudo. Quem trai, quem é comportado, quem é conquistador, quem é homosexual, quem é honesto ou desonesto, etc.

Vocês lembram do marido da Marialba, que vivia dando em cima das empregadas domésticas e, que levou a esposa preterida a atacar a Noeli, por entender que ela estava dando “corda” para o Paulão, seu marido. Coitada da Noeli, além de inexpressiva, não era nenhuma “gostosa” para chamar a atenção do Paulão. Mas, enfim acabou agredida de graça.

Vocês lembram da Ritinha e do Julinho que costumavam namorar na Praça da frente…Pois é, depois de tanto namorar, a Ritinha ficou “embuchada ”, para desespero das famílias dos dois adolescentes.

A família da Ritinha queria que a filha abortasse, pois não gostava do Julinho que, para eles, era um desocupado e leviano.

Eles, quando ficaram sabendo da gravidez, quase bateram na Ritinha, dizendo-lhe:

- Onde você estava com a cabeça Rita Maria da Silveira, para transar com aquele irresponsável que vive às custas do pais?

- Pessoal eu o amo. Vocês parecem que nunca se apaixonaram. De repente eu sou uma Maria Madalena que deve ser apedrejada. Em que mundo vocês vivem?

Enquanto que a família do Julinho a acusava de devassa, afirmando que seu rico filho jamais casaria com alguém que já tinha transado com meio Condomínio. A tensão entre as duas famílias só não propiciou uma tragédia, porque o Julinho disse:

- Eu amo a Rita Maria e vou casar com ela, quer vocês queiram ou não.

A mãe e o pai do Julinho ficaram horrorizados com a decisão do filho e, ponderaram:

- Se você casar com essa lambisgoia, nós te deserdamos…Você não terá como se sustentar, muito menos a criança que ela está esperando, seu trouxa inconsequente.

- Você nem sabe se o filho é teu…

- Eu sei que é. Foi feito com muito amor. Diferente deste amor que vocês dizem sentir por mim…

- Filho ingrato, depois de tudo que fizemos por ti é assim que nos trata.

- Vá, então, case com aquela devassa e esqueça que somos teus pais.

- Não era isso que eu esperava de meus pais, mas só agora eu entendo o real valor que sou para vocês…Obrigado pelos meios que me deram, mas eu não posso deixar de assumir essa responsabilidade para com a Rita, principalmente agora que ela está grávida.

- Vocês me julgam como um criminoso.

- Se olhem no espelho do tempo, dezoito anos atrás.

- Você, mamãe, não estava grávida quando casou?

- Chega, Júlio Henrique, o meu passado não tem nada a ver com a situação atual.

- Como não, mamãe?

- Que eu saiba, você casou com o papai porque já me tinha na barriga.

- Se isso lhe causou um trauma, então, eu posso concluir que fui um filho indesejado…

- Não, meu filho querido. Você foi concebido com muito amor e, desde que ficamos sabendo, eu e seu pai, nós passamos a te amar para sempre.

- Então, pai e mãe, porque não querem me apoiar agora?

Um imenso silêncio pairou no ar…E alguns dias depois os pais do Julinho o chamaram para converser:

- Perdoe-nos, filho.

- Às vezes, por excesso de amor, cometemos injustiças.

- Você, meu filho amado, podes casar com a Rita Maria. Nós vamos te dar pleno apoio para o casamento, não é meu bem?

- Sim, sim!

- Se você nos permitir, filho, nós gostaríamos de falar com os pais da Rita.

- Tudo bem, eu aceito.

A conversa dos pais do Julinho com os pais da Ritinha, foi exitosa, desanuviando todas as incertezas. Inclusive, eles decidiram que o casamento seria realizado na Praça central do Garden City, para que todos os moradores fossem convidados.

No dia aprazado, a Praça central estava plenamente enfeitada e, no caramanchão, o Juiz de Paz, aguardava os noivos. Eles entraram sob aplausos, conduzidos respectivamente, pela mãe do Júlio Henrique e, logo atrás, pelo pai da Rita Maria.

A festa, para centenas de convidados, foi a mais emocionante dos últimos tempos. Naquele momento, todas as possíveis desavenças deram lugar a troca esfuziante de gentilezas O amor venceu.

"O amor é uma questão complexa que reflete a atitude e a filosofia de cada pessoa para com a vida. Eis por que acredito que as pessoas não devem se envolver em relacionamentos de forma leviana. É como diz um ditado japonês:"O amor não é um jogo". Se o amor pudesse ser explicado de forma racional, todos os sofrimentos que ele causa desapareceriam do mundo. Porém, o importante é que, sem respeito, nenhum relacionamento durará muito tempo nem duas pessoas serão capazes de extrair o melhor uma da outra."??Brasil Seikyo, edição n° 1.264, 12 de março de 1994, pág. 3.)

 

Escrito por Saint Clair Nickelle, 16/11/2016 às 10h28 | sannickelle@gmail.com



Saint Clair Nickelle

Assina a coluna Condomínio Garden City

Arquiteto aposentado e autor das crônicas denominadas CONDOMÍNIO GARDEN CITY, as quais serão apresentadas em capítulos, descrevendo as relações humanas num condomínio hipotético.