Jornal Página 3
Coluna
Condomínio Garden City
Por Saint Clair Nickelle

A mensagem

Recebi, de uma moradora do Garden City, dona Simone, uma mensagem muita linda sobre mulheres especiais que caminham dessa maneira em suas vidas ou as que possam se beneficiar com a reflexão, que ela enseja.

Eis a mensagem:

“Chegou no meio da vida e sentou-se para tomar um pouco de ar.

Não sabia.

Não era cansaço, nem estava perdida. Notou-se inteira pela primeira vez em todos esses anos.

Parou ali, entre os dois lados da estrada e ficou observando as margens da sua história, a estrada da vida ficando fininha, calando-se de tão longe que ia.

Estava em paz observando a menina que foi graciosa, cheia de vida.

Estava olhando para si mesma e nem notou.

Ali, naquele instante estava recebendo um presente.

Desembrulhava silenciosamente a sabedoria que tanto pediu para ter mais.

Quando a mulher chega à metade da estrada da vida, começa lentamente a ralentar o passo. (ralentar: o mesmo que tornar-se ralo)

Já notou como tem gente que adora conturbar a própria rotina, alimentar o próprio caos? Ela não. Não mais.

Deixa que passem, deixa que corram, a vida é curta demais para acelerar qualquer coisa.

Ela quer sentir tudo com as pontas dos dedos, ela quer notar o que não viu da primeira vez. Senhora do próprio tempo.

Percebeu, à metade da vida, que caminhou com elegância, que viveu com verdade, que guiou a própria sombra na estrada em direção ao amor.

E como amou! Amor por si, pelos outros, amou em dobro, amou sozinha, amou amar.

A mulher ao centro da vida traz  a leveza que os anos teceram, pacientemente.

Escuta bem mais, coloca a doçura à frente das palavras, guarda as pessoas com preciosismo.

Aquela mulher já perdeu pessoas demais.

Ao meio da estrada, ela já não dorme tanto, mas sonha bem mais.

Sonha pelo simples exercício de sonhar.

Sonha porque notou que o sonho que é o sonho que tempera a vida.

Aprendeu a parar de ficar encarando as linhas do corpo.

Seu espírito teso, seu riso aberto, sua fé gigante não têm rugas, nem celulite, sem encanação. (encanação: sentimento de inquietação ou dúvida)

Descobriu que o segredo é prestar atenção no melhor das coisas, nas qualidades das pessoas , nas belas costas que tem e deixá-las ao alcance da vida dos outros.

Sentada ali, ao centro da própria vida, decidiu seguir um pouco mais.

Há mais estrada para caminhar, mais certezas para perder, mais paixão para trilhar.

Não há dádiva maior do que compreender-se, que encontrar conforto para morar em si mesmo, que perdoar-se de dentro pra fora. Ao centro da vida ela descobriu que a gente não se acaba, a gente vai mesmo é se cabendo, a cada ano um pouco mais. ”

De autoria de Diego Engenho Novo, escritor, publicitário e filho de dona Betânia. Criador do blog Palavra Crônica, vive em São Paulo de onde escreve sobre relacionamentos e cotidiano.

Fiquei muito grato à dona Simone, pela sensibilidade de me enviar o texto acima, o qual li várias vezes, para desobstruir meus olhos e ouvidos das notícias das constantes prisões feitas pela Polícia Federal; do futebol de resultados duvidosos; da eterna troca de favores dos nossos congressistas e por fim, das incríveis facilidades com que são concedidos “habeas corpus” para corruptos contumazes.

Espero, caríssima vizinha, que outros olhos se deliciem dessa mensagem e reflitam, como eu, sobre a estrada de nossas vidas.

Escrito por Saint Clair Nickelle, 13/12/2017 às 13h42 | sannickelle@gmail.com

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Adeus

Fechei os olhos para ouvir o som do silêncio, mas as lágrimas impediram minha tentativa de descontração...o meu amigo respirou seu último suspiro e nos deixou hoje, 30 de novembro de 2017. Foi neste mês que comemoramos seu aniversário, no dia que para muitos é o treze da sorte. Passaram-se apenas dezessete dias daquela segunda-feira, ainda festiva, e ele partiu sem sequer dizer adeus, típico de seu caráter pouco expansivo.

A vida nos apresenta oportunidades de conviver, mas nem todas agregam algum valor, muitas são meras formalidades da educação, outras, no entanto, nos desafiam pela amizade sincera e pelos valores praticados no convívio e, também, nas discussões. Aquelas discussões que demonstram o que realmente pensamos, e não, o que outros nos induzem a pensar. Foram sempre assim nossos embates e, ele, como juiz e advogado que fora, deixou-me muitas lições. Não praticávamos o exercício da teimosia, apenas defendíamos com paixão nossas convicções.

Até no futebol, nem sempre concordávamos. Seu Flamengo querido merecia sua predileta atenção, mas também suas críticas abalizadas, como eu fazia com o meu Spot Club Internacional.

Ele lembrava do Lamartine Babo, que compôs o Hino do Flamengo:

“Uma vez Flamengo/ Sempre Flamengo/Flamengo sempre eu hei de ser/ É o meu maior prazer/ Vê-lo brilhar / Seja na terra / Seja no mar / Vencer, vencer.”

E, eu, da primeira estrofe do Hino do Internacional:

“Glória do desporto nacional

Oh, Internacional

Que eu vivo a exaltar

Levas a plagas distantes

Feitos relevantes

Vives a brilhar

Correm os anos, surge o amanhã

Radioso de luz, varonil

Segue a tua senda de vitórias

Colorado das glórias

Orgulho do Brasil”

Em nossas diversas viagens, com as respectivas esposas, fizemos várias tentativas para formar uma dupla de cantores, principalmente após algumas biritas... até que não nos saíamos mal, pois em alguns lugares, várias pessoas nos aplaudiam, não sei se por reconhecimento ou pelo excesso de coragem, mas enfim, nos divertíamos muito. O que o Kaká melhor cantava, com seu vozeirão, era tango e bolero.

Ainda me lembro de nossa estada em Nova Petrópolis, lá pelo ano de 1998, quando ainda estávamos nos conhecendo, e fizemos um show no principal restaurante da cidade, foi um sucesso, mas recusamos o convite do dono para outras apresentações.

De todas as viagens, a de Fortaleza foi a mais festiva. Alugamos um carro e percorremos aquelas praias maravilhosas do Ceará. Às vezes pernoitávamos, mesmo sem ter levado roupas para tal ousadia. A de Fernando Noronha, foi a mais desafiadora, principalmente pela chegada no aeroporto e a tentativa infrutífera de aterrisagem. Com uma arremetida da aeronave depois de estar com o trem de pouso quase tocando a pista, o piloto nos informou que caso não fosse possível, voltaríamos para Natal, a que o Kaká disse, solenemente:

- Se este avião voltar para Natal, eu desembarco...

Felizmente, acabamos conhecendo aquele arquipélago, considerado Patrimônio Mundial da UNESCO.

Em Morro de São Paulo, fomos apenas passar o dia e nosso encanto, foi tal, que acabamos nos hospedando.

Em Montevideo, nosso hotel que tinha um grande cassino quase nos impediu de passear, pois as esposas só queriam jogar, mesmo assim fomos à Punta de Leste e Colônia do Sacramento. Esta última foi fundada pelos portugueses em 1608 e uma de suas ruas mais interessantes é a Calle Portugal.

Meu querido amigo, Kaká, vou sentir muito a tua falta, mas em breve muitos de nós, amigos e parentes, vão continuar convivendo contigo em outro plano. Espero, quando for a minha hora, poder contar com a tua inestimável recepção e eterna amizade...

Até breve!   

Escrito por Saint Clair Nickelle, 30/11/2017 às 10h04 | sannickelle@gmail.com

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Dia da Bandeira

Consta da minha certidão de nascimento que eu nasci em 19 de novembro, mas minha irmã, mais velha, diz que eu nasci em 03 de novembro, mas fui registrado no Dia da Bandeira. Levei uma vantagem de 16 dias, fato que me deixa bem mais moço.

Por parte da minha falecida esposa, Sandra, um seu primo, além do fato de ter nascido e ter sido registrado no dia 19 de novembro, é a expressão mais autêntica da data, eis que ele se chama, Miguel Bandeira.

Apesar de tudo, levo uma ligeira vantagem, pois junto aos meus familiares do primeiro casamento, comemoram o meu aniversário dia 03 de novembro, pois ficaram sabendo da verdade. Já entre os familiares da Sueli, minha segunda esposa, a comemoração é no Dia da Bandeira, pois se apressaram em verificar a questão cartorial, condição “sine qua non”, para ser aceito na família.

Hoje, plenamente integrado à família Costa, até sou alvo de mensagens muito afetivas, no Dia da Bandeira, tais como:

“Nicinha:

Bom dia meu querido, parabéns, muitas felicidades, que Deus te abençoe imensamente. Você é uma pessoa muito especial e tenho certeza que estará sempre com proteção divina. Obrigada SAN por ser meu cunhado e amigo. Te amo!”

 Agradecimento:

“Desde há muito tempo você mora no meu coração, mas não paga aluguel porque a morada é por amor. Obrigado, querida cunhada!

“Fabiane:

Feliz aniversário meu papis mais lindo, tudo de mais maravilhoso na sua vida, que Deus abençoe você...Obrigada por tudo, serei eternamente grata por tudo o que você faz por nós...Te amo muito!!!!Obrigada por fazer parte das nossas vidas!!! Beijos BI”

 Agradecimento:

“Fabiane, querida filha de coração! Obrigado pela bela mensagem. Também, sou grato pelo carinho de vocês. Ele me dá forças para continuar construindo essa amizade e carinho. Obrigado a você e aos meus netos queridos, Maria Eduarda e Luiz Felipe. Beijos do SAN.

Não vou repetir, aqui, tantas mensagens lindas que recebi, mas todas trazem o carinho com que fui aceito na família da Sueli. Aliás, tive a sorte de continuar cultivando todas as amizades da grande família da Sandra, bem como da que hoje preenche meus dias. Deixei Porto Alegre, onde estudei, me formei em Arquitetura, construí minha vida profissional, casei e tive meus filhos amados, Michel e Sabrina, que por sinal hoje moram aqui em Santa Catarina. Hoje, passados longos anos, moro em Balneário Camboriú, que será, sem dúvida, minha última morada.

E, para não fugir do tema, moro no Parque Bandeirantes, cujas ruas homenageiam os desbravadores do interior brasileiro, como Brás Cubas, Sebastião Tourinho, Pascoal Moreira Cabral Leme, entre tantos, que com suas Entradas e Bandeiras, deram  essa dimensão imensa ao território do Brasil, desrespeitando o Tratado de Tordesilhas, assinado na povoação de Tordesilhas, em 7 de junho de 1494, entre o Reino de Portugal e a Coroa de Castela, esses bandeirantes ocuparam terras que seriam espanholas.

E, assim, passei meu dia de aniversário misturando carinho com fatos históricos.

Escrito por Saint Clair Nickelle, 23/11/2017 às 09h49 | sannickelle@gmail.com

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Treze

Hoje é o dia 13 de novembro de 2017. Minha querida irmã Amábile está fazendo aniversário. Ela é uma pessoa muito especial para mim, pois foi quem me criou, depois que fiquei órfão.

Hoje, também, é o dia em que eu e minha atual esposa, Sueli, comemoramos 19 anos e cinco meses de casados. Como fazemos aniversário de casamento em 13 de junho, não precisamos cair nas armadilhas do dia anterior, ou seja, 12 de junho- Dia dos Namorados, cuja frequência à bares, restaurantes e floriculturas é concorrida demais.

Também, é o dia do aniversário do meu querido amigo Carlos Alberto, o qual com sua tradicional sensibilidade e gentileza, propiciou que um morador da Capital gaúcha tivesse como se hospedar em Balneário Camboriú, lá por volta de 1989, quando estava namorando a irmã de sua esposa Néia.

Com o tempo, acabei me aquerenciando nessa bela e hospitaleira cidade de Balneário Camboriú, onde hoje moro há mais de 12 anos.

Por superstição, o número 13 é considerado de azar em muitas culturas. Devido a essa tradição é costume, em alguns países, não haver o andar ou piso 13 nos edifícios. Até em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, essa crendice era levado a sério. A sexta-feira 13 é, em alguns países mais supersticiosos, associada como um dia ruim e de azar. Já, para o nosso ex-técnico da Seleção Brasileira de Futebol, Mário Lobo Zagallo, o 13 era um número de sorte.

Até nas corridas de Fórmula 1, geralmente não existe o carro com o número 13.

A pessoa que tem medo do número 13 sofre de TRISCAIDECAFOBIA, que significa: “medo irracional e incomum do número 13” . Fato que não ocorre com os petistas no Brasil, já que seu número de Código Eleitoral é o 13.

Nós, vis mortais, atribuímos significado para as coisas que nos cercam, incluindo tradições nem sempre explicadas, mas que perpetuamos por medo e irracionalidade, tais como:

-“Fez uma careta e o vento passou? Seu rosto vai ficar assim para sempre;

- Se a sua orelha está quente e vermelha, alguém estaria falando de você;

- Não é bom deixar o chinelo de ponta-cabeça, porque isso traria mau agouro;

- Coceira na palma da mão é sinal de que há dinheiro chegando;

- Quebrar um espelho traz sete anos de azar para o autor;

- Achar um trevo de quatro folhas é sinal de que a sorte está por perto;

- A visita chata vai embora se uma vassoura for colocada atrás da porta;

- Passar embaixo de uma escada traz má sorte e é perigoso;

- Acredita-se que bater na madeira três vezes espanta o azar;

- Plantas poderosas como arruda e espada de São Jorge afastam mau olhado;

- Faça um pedido para uma estrela cadente e ele vai se realizar;

- Quando aparecem, joaninhas e borboletas, seriam sinais de boa sorte…”

Nossa vida, mesmo sendo considerada mais intelectualizada, ou seja, sabemos bem mais do que sabiam nossos pais e avós, mesmo assim não consegue absorver o ritmo das mudanças e se vê cada vez mais sem identidade, como boiada que não para pensar. Estaríamos nós sofrendo de ansiedade irracional, quer pelo excesso de informações, quer pela incapacidade de colocar pé no freio?

Às vezes, duvidamos da nossa capacidade de nos ajustar às novas situações e, mesmo com essa avalanche de mudanças, ainda temos que conviver com nossas crendices.  

Mas. enfim, descobrir a beleza da vida deve ser nossa meta, estejamos ou não no roldão das mudanças. Assim como as crendices não devem dominar nossas ações, também, devemos focar na beleza da vida, absorvendo as coisas simples que nos cercam e tirando delas o combustível para a felicidade.

Escrito por Saint Clair Nickelle, 14/11/2017 às 07h50 | sannickelle@gmail.com

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Brasil, potência econômica

 Hoje, 25 de outubro de 2017, acompanhei, por um telejornal, a reeleição do Secretário Geral do Comitê Central do Partido Comunista da China. Seus cerca de 350 membros, numa postura educada e comprometida, estavam reelegendo Xi Jinping e as seis demais autoridades que constituem o Comitê Executivo Central. Eles, os sete membros, continuarão a exercer a autoridade máxima dentro do Partido Comunista da China (PCC).

O Congresso Brasileiro que é bicameral, composto por duas casas: o Senado Federal, integrado por 81 senadores, representam as 27 unidades federativas   (26 estados e o distrito federal) e Câmara dos Deputados, integrada por 513 deputados federais, que representam o povo.

São portanto, 594 membros, cujo custo é astronômico, mas como o Brasil é a maior potência econômica do planeta, não se mede o que custa para cada brasileiro sustentar tamanha mordomia.

O que chama a atenção, de nós brasileiros, ao assistir qualquer reunião do Congresso Brasileiro, tanto por parte do Senado, como por parte da Câmara dos Deputados, é a postura displicente e desleixada dos nossos representantes. Só se vê conchavos, celulares em funcionamento, conversas informais pelos risos e tapinhas nas costas, mesmo que alguém esteja falando no púlpito ou membros da mesa diretora pedindo silêncio e atenção.

Para atender a esse mundaréu de representantes, existem cerca de 20.000 funcionários no Congresso Brasileiro, muitos dos quais, ganhando bem mais do que um senador ou deputado federal. Façamos as contas e veremos porquê o governo está sempre se queixando de déficit. Mas, como disse antes, se somos uma potência econômica, deixemos essas miudezas para países de economia mais fraca que a nossa, como os Estados Unidos, a China, a Alemanha, etc.

O pior de tudo é que essa organização democrática se estende para estados e municípios. Não tentem calcular o que custam as assembleias legislativas e as câmaras de vereadores, vocês deixarão de dormir e, certamente, terão pesadelos

por muitos anos. Como eternos cúmplices alienados, a cada dois anos, estaremos lá nas filas para votar e eleger aqueles que, se eleitos, sorrirão, não sei se de nós ou das mordomias que nós continuaremos sustentando. Haja fôlego para tanto trabalho de todos nós, em especial para os que não sabiam: sim, somos uma potência econômica! 

Essa incrível constatação das mordomias que sustentamos, me fez lembrar de um apadrinhado político que procurou o Presidente Getúlio Vargas, no Palácio do Catete, vindo de São Borja no Rio Grande do Sul. Como fora indicado por um político gaúcho, o Presidente se viu obrigado a recebê-lo...

- Dr. Getúlio, estou aqui para reivindicar um emprego no governo, já que sou seu correligionário e conterrâneo;

Dr. Getúlio, com aquela sua tradicional calma, perguntou-lhe:

- Em que o Sr. deseja trabalhar?

- Não querendo abusar da sua bondade, eu desejo trabalhar de estafeta, mas entregando correspondência só aqui no Palácio do Catete, preferencialmente no turno da tarde, das 14h até as 16h, segundas, quartas e sextas. Pela manhã, pretendo conhecer a cidade do Rio de Janeiro;

O Presidente Getúlio Vargas, mesmo estando admirado da cara-de-pau do conterrâneo, ainda lhe perguntou:

- E, qual é a sua pretensão salarial?

- Dr. Getúlio, uns 3 salários mínimos, ou seja cerca de 5.196,84 cruzeiros;

O Presidente, já se levantando, disse-lhe:

- Fique tranquilo, tão logo surja a oportunidade, a segunda vaga será sua;

- Como assim, a segunda vaga, Senhor Presidente?

- Sim, a segunda vaga, pois a primeira será minha...

E, assim, desde há muito tempo, estamos sustentando párias, que trabalham pouco, ganham muito e pouco contribuem para o país crescer e se tornar, de fato, uma POTÊNCA ECONÔMICA...   

Escrito por Saint Clair Nickelle, 27/10/2017 às 08h49 | sannickelle@gmail.com

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In SEGURANÇA

- Pessoal tem um cara de camisa azul e bermuda cinza, andando pelo Condomínio. Liguei para a Portaria e me informaram que não houve ingresso autorizado, com as características descritas. Ele acabou de passar pelo acesso 5, onde resido. Por favor, vamos ficar de olhos abertos...

- Oi! Zuleide! É a Fátima quem fala...eu moro junto à Praça Central e, também vi esse sujeito, como descreveste. Achei que era prestador de serviço, porque não despertava suspeita...Tu tens razão vamos ficar atentos.

- Esses são os mais perigosos, Fátima...especialistas em disfarce, tal qual espião.

- Oi, vizinhas! Aqui é a Juliete, da casa 45. Hoje, mais cedo, andei pelas ruas do Garden City, fazendo minha tradicional caminhada matinal, mas não constatei nenhum estranho. Que horas você disse que viu a tal pessoa, Zuleide?

- Juliete!, Foi por volta das 10 horas da manhã.

- Nesse horário eu já estava em casa, pois voltei lá pelas 9h e 30 min.

- Já avisaste a Portaria?

- Sim! Eles já mandaram um segurança percorrer o Condomínio...

- OK! Obrigado Zuleide. Qualquer novidade manda pelo whatsApp...

Após esses diálogos, os celulares não pararam mais de tocar, transmitindo informações, a maioria especulativa, sobre onde estaria o tal estranho, que poderia ser um ladrão, assassino, tarado...

Os moradores do Garden City pareciam estar entrando em pânico, toda vez que o tilintar do celular tocava. Ora era alguém que teria visto o intruso em outros acessos, ora era visto colhendo frutas. Por último, foi o seu Epaminondas, que anunciou tê-lo visto, com toda a certeza de seus 90 anos, entre a quadra de tênis e o muro da divisa sul do Garden City, na Praça Central, onde tem várias árvores frutíferas. Vários moradores correram para lá, na esperança de interceptá-lo. Vasculharam cuidadosamente a área, mas não o encontraram...Logo essa informação foi transmitida para todos, aumentando, ainda mais, o pânico.

O Síndico, que fazia parte da rede de vizinhos solidários, entrou no whatsApp para pedir que as pessoas apenas ficassem atentas, mas que evitassem transmitir informações especulativas que, além de aumentar o pânico, não ajudavam a segurança do Condomínio. O pedido do Síndico foi mal recebido pelos mais medrosos, que passaram a solicitar uma providência policial urgente por parte do Síndico. Outros sugeriam organizar um grupo, que armado de paus e facões poderia surrar e prender o assaltante. O Síndico disse, em resposta oficial:

Senhores moradores, ninguém, sob hipótese alguma, está autorizado a reunir um grupo justiceiro, já que nada se sabe sobre a pessoa descrita inicialmente pela Dona Zuleide. A Administração do Garden City, se reserva o direito de condenar, à priori, qualquer ato de justiça que atente contra às leis e, em especial, a Convenção e o Regimento do Condomínio.

Após esse pronunciamento, os ânimos belicosos, tal qual os apoiadores do modelo Trump, foram se acalmando. Mas, bastou a dona Zuleide comunicar ter visto novamente o estranho, para tudo recomeçar como um furação:

- Onde?

- Em que acesso?

- A que horas?

- Será que está armado? Ainda bem que as crianças estão nas escolas...

- Meu Deus! Chamem a polícia!

Depois de toda essa polêmica, o Síndico precisou intervir, comunicando que o segurança do Garden City, encontrou o tal sujeito. Trata-se, como ele mesmo nos disse, de um novo morador, de nome Olívio Cordeiro, que se mudara no último fim-de- semana para o Garden City. O Síndico, pelo whatsApp, informou o seguinte:

- Senhores moradores: agora que esclarecemos o mal entendido, pois trata-se de um novo morador, que adquiriu a casa n. 72, no último acesso, e que se mudou ontem para o Garden City, só nos resta agradecer à Deus por não termos cometido nenhum atentado para uma pessoa inocente que, ao saber da mobilização dos moradores e da própria segurança do Condomínio, até passou mal...

- Por favor pessoal, que esse episódio nos sirva de lição...A segurança é imprescindível nos dias de hoje, mas daí ficarmos cegos e cheios de ódio, sem qualquer certeza do que, de fato, esteja acontecendo, pode nos levar a praticar atos de pura insanidade. Quando um fato chamar a atenção de alguém, procure informar-se, antes de sair espalhando notícia falsa.

Será que a crise de valores, que permeia nossa sociedade, possa estar despertando condutas questionáveis?

Os altos índices de criminalidade e corrupção, que preenchem a totalidade dos noticiários, estaria afetando a capacidade de pensar dos brasileiros, gerando uma insegurança acima dos fatos?

No plano mundial, alguns líderes mais belicosos, como Donald Trump e King Jong Um, fazem renascer a ideia do uso de artefatos nucleares, até então, suscitados apenas durante a guerra fria.

Seriam, também, essas notícias, que nos chegam, sem qualquer filtro, capazes de aumentar a in SEGURANÇA e, por outro lado, reduzir nossa capacidade de construir um convívio mais saudável?

A insegurança implica a existência de um perigo ou de um risco iminente, o que não é o caso do Garden City, que possui empregados especializados nessa área, bem como todo o aparato físico. Portanto, o comportamento constatado, certamente provem de informações alheias a realidade local, onde a mais banal conversa foi capaz de gerar um pânico incontrolável...

As crianças, que começaram a chegar ao Garden City, depois das aulas, ficaram perplexas com os acontecimentos, gerados pelo medo e, de imaginar, que suas famílias fossem incapazes, como adultos, de discernir o certo do errado. As crianças, menos suscetíveis a criar caraminholas na cabeça, criticaram seus pais, porque um inocente poderia ter sido penalizado pela insanidade de duas vizinhas, que acenderam o pavio curto dos demais moradores...

 As crianças, certamente, estão mais imunes às notícias que preenchem a quase totalidade dos jornais televisivos. O que já não ocorre com os adultos.

Escrito por Saint Clair Nickelle, 12/10/2017 às 10h38 | sannickelle@gmail.com

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Saint Clair Nickelle

Assina a coluna Condomínio Garden City

Arquiteto aposentado e autor das crônicas denominadas CONDOMÍNIO GARDEN CITY, as quais serão apresentadas em capítulos, descrevendo as relações humanas num condomínio hipotético.
















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