Jornal Página 3
Coluna
Frente & Verso
Por Daniele Sisnandes

As malditas cornetas

Moro perto de uma escola e isso não me incomoda nenhum pouco, apesar do movimento constante, alunos saindo mais cedo diariamente e aquele zum zum zum danado do começo e final das aulas. Nem a festa junina com funk, nem os encerramentos de semestre com cantoria no ginásio, até me divirto. O que me incomoda e muito é uma moda nova: a corneta nas bicicletas!

São geralmente adolescentes maquinados na corneta que aparecem principalmente no fim da aula. Vejo que não se trata de uso por necessidade, é um subterfúgio não convencional para chamar a atenção e que causa danos colaterais.

Na verdade a corneta não me afeta diretamente, mas sim nossas cachorras, especialmente uma cadela de porte grande e protetora da casa, mas que fica extremamente abalada com foguetes e buzinas bizarras.

Não é brincadeira nem exagero. É só ouvir o barulho que começa a correria pela casa. Um dia deixamos as cadelas presas na varanda e saímos. Quando minha mãe chegou achou que tinha entrado em uma cena de crime. Tinha marcas de sangue por toda casa e não era pouco! 

A cachorra ficou tão apavorada com o barulho no fim da aula (não sei precisar se foram bombinhas ou essa corneta das bikes) que deu um jeito de quebrar o vidro da porta e passar por uma proteção de borracha que usamos para isolar o som.

Nesse apavoro ela ficou presa, e nem o vidro foi o bastante para fazê-la desistir de sair dali. Ela se cortou bastante, e ainda tem a marca do talho profundo no longo nariz de pastor alemão para provar. Minh mãe tirou fotos, só que não seria uma boa postar... Passei dias cuidando daquilo, com o coração partido claro, mas tentando entender como um cachorrão daquele acaba traumatizado.

Tem coisas que não vamos entender. Nunca algo assim tinha acontecido e claro que nunca mais deixamos elas lá sozinhas em dias de aula.

Mas eu queria mesmo era falar sobre as malditas cornetas. Não sei se é moda, mas estão se espalhando e cada dia diminui o intervalo de paz dos bichos da rua.

Agora há até catadores de materiais recicláveis usando as buzinas quando se aproximam dos portões. É uma tática que parece inofensiva, mas é maldosa com a bicharada e até perigosa... vai que dá ideia para os mal intencionados.

Enfim...mães e pais, se o filho de vocês também quiser maquinar a bike ou levar bombinhas para a escola, lembre eles que tudo que fazemos pode afetar o outro, e será que é isso mesmo que queremos?

Escrito por Daniele Sisnandes, 17/05/2018 às 17h01 | danikahc@gmail.com



Daniele Sisnandes

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Ama a música, as letras e gargalhadas. Sonhadora com os pés no chão. Jornalista. Editoria do Página 3 Online. Quer ir além da pirâmide invertida, mas que seja frente e verso.


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