Jornal Página 3
Coluna
Frente & Verso
Por Daniele Sisnandes

Seletiva Rock’n Beer

O Festival Rock’n Beer, que tem como lema abrir espaço para os originais, tanto no rock como na produção de cerveja artesanal, acontece este ano nos dias 15 e 16 de setembro, em Itajaí. Bandas interessadas em tocar no primeiro dia do festival têm até esta quarta-feira (6) para efetuarem a inscrição.

Das bandas inscritas, nove serão selecionadas. Elas serão divididas em três etapas semifinais, que acontecerão em junho e julho em bares de Itajaí.

A novidade desta edição é que aumentaram as chances de tocar no palco do Rock'n Beer. Antes apenas uma banda era selecionada, mas em 2018 três representantes da música autoral vão disputar a grande final no palco do Festival.

É uma baita oportunidade de tocar em um evento cheio de gente interessada na música autoral e galgar espaço na efervescente cena independente. 

A vencedora da Seletiva Rock´n Beer 2018 ganha a gravação de uma música com vídeo making-of em um estúdio profissional de Itajaí.

Lembrando que só podem se inscrever bandas autorais e que nunca tenham participado do festival.

Inscrições neste link http://www.festivalrocknbeer.com.br/wp/seletiva

Escrito por Daniele Sisnandes, 05/06/2018 às 09h58 | danikahc@gmail.com

As malditas cornetas

Moro perto de uma escola e isso não me incomoda nenhum pouco, apesar do movimento constante, alunos saindo mais cedo diariamente e aquele zum zum zum danado do começo e final das aulas. Nem a festa junina com funk, nem os encerramentos de semestre com cantoria no ginásio, até me divirto. O que me incomoda e muito é uma moda nova: a corneta nas bicicletas!

São geralmente adolescentes maquinados na corneta que aparecem principalmente no fim da aula. Vejo que não se trata de uso por necessidade, é um subterfúgio não convencional para chamar a atenção e que causa danos colaterais.

Na verdade a corneta não me afeta diretamente, mas sim nossas cachorras, especialmente uma cadela de porte grande e protetora da casa, mas que fica extremamente abalada com foguetes e buzinas bizarras.

Não é brincadeira nem exagero. É só ouvir o barulho que começa a correria pela casa. Um dia deixamos as cadelas presas na varanda e saímos. Quando minha mãe chegou achou que tinha entrado em uma cena de crime. Tinha marcas de sangue por toda casa e não era pouco! 

A cachorra ficou tão apavorada com o barulho no fim da aula (não sei precisar se foram bombinhas ou essa corneta das bikes) que deu um jeito de quebrar o vidro da porta e passar por uma proteção de borracha que usamos para isolar o som.

Nesse apavoro ela ficou presa, e nem o vidro foi o bastante para fazê-la desistir de sair dali. Ela se cortou bastante, e ainda tem a marca do talho profundo no longo nariz de pastor alemão para provar. Minh mãe tirou fotos, só que não seria uma boa postar... Passei dias cuidando daquilo, com o coração partido claro, mas tentando entender como um cachorrão daquele acaba traumatizado.

Tem coisas que não vamos entender. Nunca algo assim tinha acontecido e claro que nunca mais deixamos elas lá sozinhas em dias de aula.

Mas eu queria mesmo era falar sobre as malditas cornetas. Não sei se é moda, mas estão se espalhando e cada dia diminui o intervalo de paz dos bichos da rua.

Agora há até catadores de materiais recicláveis usando as buzinas quando se aproximam dos portões. É uma tática que parece inofensiva, mas é maldosa com a bicharada e até perigosa... vai que dá ideia para os mal intencionados.

Enfim...mães e pais, se o filho de vocês também quiser maquinar a bike ou levar bombinhas para a escola, lembre eles que tudo que fazemos pode afetar o outro, e será que é isso mesmo que queremos?

Escrito por Daniele Sisnandes, 17/05/2018 às 17h01 | danikahc@gmail.com

Indique com amor

Publicado na edição impressa do JP3 de setembro.

Vivemos tempos digitais, de opiniões instantâneas e tutoriais. Nós aqui no papel vamos resistindo pelo amor, mas a verdade é que as coisas mudaram e fiquei pensando muito nisso há algumas semanas quando fui em uma noite de palestras onde conheci uma influenciadora digital.

Os youtubers e instagrammers estão entre nós há um tempo, mas há pouco eles mesmos reconheceram essas ocupações como profissões. Entenderam como ganhar dinheiro disparando opiniões, vestindo e comendo. Tudo válido, desde que legítimo.

É que essa volatilidade dá margem para muita desinformação e temos, nós da geração passada, de alertar nossos amigos, filhos e netos a filtrarem conteúdo. Não a rejeitar, e sim filtrar. Não podemos mais ter o mesmo perfil de leitura de outrora.

Estávamos acostumados aos jornais, que por si só já fazem filtros com base em preceitos de ética e na autodefesa contra processos. Hoje em dia as coisas são um pouco diferentes, existem fakes, pessoas que surgem de um dia para o outro, tem de tudo.

Os famosos estão usando as redes como outdoor há tempos, e cara... eles indicam qualquer coisa! Da marca da roupa ao hotel na Grécia, dão até cupom para desconto na companhia aérea que levou eles para as férias. Fica difícil saber o que é real e o que é business.

Os novos comunicadores querem a mesma coisa. Pessoas que DECIDEM se tornar formadores de opinião e para isso estão dispostas a investir, fazer mil selfies, poses, caras e bocas. O objetivo não é só mais ganhar curtidas, é influenciar.

Muitos relatam a alegria que é quando começam a receber presentes para postar a abertura da caixa. Entendo que as coisas mudaram, mas eu me lembro bem quando, há uns 10 anos, recebi um vinho de uma fonte que tinha ficado feliz com uma matéria e me culpei por um tempão achando que aquilo era um jabá. Até hoje fico envergonhada quando recebo algo - eu sei, tenho 31 anos e me sinto jurássica!

As empresas estão ligadas nestes novos comunicadores. Eles falam a mesma língua, ensinam passo a passo, conversam, estão ali entre o comum e a celebridade, mas alcançáveis de alguma forma.

Só que ao mesmo tempo em que observo com atenção redobrada os profissionais da influência digital, nunca valorizei tanto a opinião dos amigos, as indicações de músicas no Spotify, os reviews nos sites de viagem. A opinião é uma ferramenta poderosa! Pode ser que a gente nem imagine, mas o tom que usamos para falar algo pelas redes ecoa, pode mudar o dia de alguém, a vida, o rumo de um negócio.

Não é negativo, é apenas o reconhecimento de uma responsabilidade. Por isso valorize o que você INDICA, mesmo se estiver ganhando algo para isso. Aponte com amor aquilo que for bom, seja claro, valorize a sua opinião, porque sempre tem alguém do outro lado.

Cabe a nós cuidar o que emitimos, para que chegue ao receptor sem ruídos - eis aí um importante preceito da comunicação (não tenho certeza se tem tutorial no Youtube para isso, mas aprendi do jeito antigo). Não sabemos onde tudo isso vai parar, mas seguimos atentos e dispostos a crescer junto.

Escrito por Daniele Sisnandes, 23/10/2017 às 18h11 | danikahc@gmail.com

Horário de verão

Primeira semana do horário de verão é aquele "estrago biológico" como bem resumiu meu amigo poeta Ernesto Wenth Filho no poema "Assalto". 

Não é de todo mal ter mais luz no fim do dia, mas que dói essa adaptação inicial, ah isso dói! Protestamos, entre um bocejo e outro.


Assalto (por Ernesto Wenth Filho)

Roubaram meu sono
mexeram no meu relógio
ficou tudo diferente
um estrago biológico
O cansaço tomou conta
a fome se atrasou
os olhos ficaram pesados
a boca bocejou
Não sei como gostar
não consigo me adaptar
duas vezes por ano
o organismo a reclamar
Falam da economia
de alguns milhões de reais
e a nossa saúde
como ficam os sinais vitais?
Ah...
Mas se aproveita melhor o dia
a noite chega mais tarde
é tudo pura ilusão
para enganar a realidade
Não gosto não
um assalto com armas à mão
devolvam a minha hora
e acabem com o horário de verão

EWF - 2017

Escrito por Daniele Sisnandes, 16/10/2017 às 11h06 | danikahc@gmail.com

Que semana!

Atenção, alerta de #opinião

Que semana! Picos de contestação e uma montanha-russa de tolerância .

Tivemos diretor da prefeitura chamando arte de rua de vandalismo, liminar para “cura gay”, proibição de livre manifestação e quando achávamos que abriríamos uma cerveja gelada no fim da sexta-feira, um vereador da situação esquenta o clima se posicionando contra uma decisão do próprio governo. Caracas, que semana, que prazer vivenciá-la!

Não existe alegria alguma em testemunhar o ódio, repudio veementemente a intolerância, mas não podemos perder a esperança do debate e isso sim, faz as coisas valerem a pena.

A cólera encontrou no Facebook um meio de proliferação, é um fato. Por outro lado, tem sido através das redes que estranhos têm reforçado um coro de décadas por liberdade, espaço e representatividade. Não precisamos ir longe, nossas questões estão logo ali.
 

E gente, são questões humanas! A dra Céres escreveu um texto tão coerente essa semana que me deu esperança em meio ao tiroteio. Lembrou sobre nos importarmos mais com a nossa própria vida e felicidade, em vez de apontar alvos. Pra quê mirar no alheio?

Respeito muito a fé, mas os fanáticos (abanadores de bandeira e religiosos) me fazem questionar o mistério da crença, da “ideologia” travestida de escudo.

Nego, nego e nego novamente concordar com o retrocesso: três ou quantas vezes forem necessárias. Nego silenciar frente a perguntas sem resposta, aos “mistérios”, aos argumentos para a insensatez. Eles não existem, são embustes!

Esse mundo já viveu seus dias sombrios, agora chega, bora acordar!

 

Escrito por Daniele Sisnandes, 23/09/2017 às 01h50 | danikahc@gmail.com

Ainda há tempo

A negatividade é uma arte maldita própria do ser humano e tem sido aprimorada nesses tempos “sociais”. Gente, como estamos intolerantes!

Com o tempo me tornei uma pessoa vigilante do humor, do poder das reações e do impacto da postura otimista frente às dificuldades. Pode parecer algo óbvio, mas não é. A maioria de nós tem a negatividade como resposta automática e nem percebe. E como se não fosse suficiente externar oralmente, agora achincalhamos nas redes sociais.

Isso eu também já fiz, por isso, falo com propriedade. O próprio Facebook lembra o teor dos meus comentários ao longo da breve trajetória na rede e eu admito com muito orgulho que mudei baseada em muitos fatores.

Há uns anos, uma colega jornalista e amiga querida que me atentou pra isso numa madrugada em que nos encontramos na porta de um boteco da orla. Ela abriu meus olhos para o meu tom e ainda disse com cara de gatinho, “miga, não pega bem”.

Muita água rolou desde então. Muita autocrítica, altos e baixos na vida e resolvi manter o direito de ficar calada.

Quando silenciamos e patrulhamos a nós mesmos, a voz do entorno ganha espaço. E nesta função em que estamos de produtores de conteúdo e moderadores, lidamos diariamente com vozes que gritam, travam guerras, amam e odeiam em breves períodos de tempo.

Teve uma época em que chegamos a criar uma editoria chamada “Quem se importa?” aqui no jornal, uma abordagem irônica para publicar pautas de variedades da agência, muitas sobre celebridades. Tudo amplamente criticado e igualmente lido. Um dos paradoxos dessa vida cibernética.

Nos dividimos na tarefa de ler os comentários. É pesado. No começo não lia porque me afetava...a agressividade, o deboche, o sarcasmo...entretanto aprendi também com isso. Apesar de não concordar, aprendi a não sofrer com o problema alheio e não querer que todos pensem da minha maneira. Tirei essa lição da web e levei para a vida.

Todo dia temos algum assunto que atrai mais atenção e invariavelmente cria certa polêmica. Pode ser uma proposta como a construção de um dog park, uma notícia policial sem a foto do “meliante” escancarada ou uma professora agredida dentro de sala de aula.

Recortes. Mesmo que contextualizados, são recortes. Julgar as coisas isoladamente não melhora o mundo e o pior é que essa é uma postura coletiva que se espalha feito vírus.

Mudar podemos, melhorar podemos. "As pessoas não são más, elas só estão perdidas", canta Ciolo. Se ainda estamos por aí, é porque ainda há tempo, eu acredito também. Sigamos em frente!

Escrito por Daniele Sisnandes, 22/08/2017 às 18h44 | danikahc@gmail.com



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Daniele Sisnandes

Assina a coluna Frente & Verso

Ama a música, as letras e gargalhadas. Sonhadora com os pés no chão. Jornalista. Editoria do Página 3 Online. Quer ir além da pirâmide invertida, mas que seja frente e verso.


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Seletiva Rock’n Beer

O Festival Rock’n Beer, que tem como lema abrir espaço para os originais, tanto no rock como na produção de cerveja artesanal, acontece este ano nos dias 15 e 16 de setembro, em Itajaí. Bandas interessadas em tocar no primeiro dia do festival têm até esta quarta-feira (6) para efetuarem a inscrição.

Das bandas inscritas, nove serão selecionadas. Elas serão divididas em três etapas semifinais, que acontecerão em junho e julho em bares de Itajaí.

A novidade desta edição é que aumentaram as chances de tocar no palco do Rock'n Beer. Antes apenas uma banda era selecionada, mas em 2018 três representantes da música autoral vão disputar a grande final no palco do Festival.

É uma baita oportunidade de tocar em um evento cheio de gente interessada na música autoral e galgar espaço na efervescente cena independente. 

A vencedora da Seletiva Rock´n Beer 2018 ganha a gravação de uma música com vídeo making-of em um estúdio profissional de Itajaí.

Lembrando que só podem se inscrever bandas autorais e que nunca tenham participado do festival.

Inscrições neste link http://www.festivalrocknbeer.com.br/wp/seletiva

Escrito por Daniele Sisnandes, 05/06/2018 às 09h58 | danikahc@gmail.com

As malditas cornetas

Moro perto de uma escola e isso não me incomoda nenhum pouco, apesar do movimento constante, alunos saindo mais cedo diariamente e aquele zum zum zum danado do começo e final das aulas. Nem a festa junina com funk, nem os encerramentos de semestre com cantoria no ginásio, até me divirto. O que me incomoda e muito é uma moda nova: a corneta nas bicicletas!

São geralmente adolescentes maquinados na corneta que aparecem principalmente no fim da aula. Vejo que não se trata de uso por necessidade, é um subterfúgio não convencional para chamar a atenção e que causa danos colaterais.

Na verdade a corneta não me afeta diretamente, mas sim nossas cachorras, especialmente uma cadela de porte grande e protetora da casa, mas que fica extremamente abalada com foguetes e buzinas bizarras.

Não é brincadeira nem exagero. É só ouvir o barulho que começa a correria pela casa. Um dia deixamos as cadelas presas na varanda e saímos. Quando minha mãe chegou achou que tinha entrado em uma cena de crime. Tinha marcas de sangue por toda casa e não era pouco! 

A cachorra ficou tão apavorada com o barulho no fim da aula (não sei precisar se foram bombinhas ou essa corneta das bikes) que deu um jeito de quebrar o vidro da porta e passar por uma proteção de borracha que usamos para isolar o som.

Nesse apavoro ela ficou presa, e nem o vidro foi o bastante para fazê-la desistir de sair dali. Ela se cortou bastante, e ainda tem a marca do talho profundo no longo nariz de pastor alemão para provar. Minh mãe tirou fotos, só que não seria uma boa postar... Passei dias cuidando daquilo, com o coração partido claro, mas tentando entender como um cachorrão daquele acaba traumatizado.

Tem coisas que não vamos entender. Nunca algo assim tinha acontecido e claro que nunca mais deixamos elas lá sozinhas em dias de aula.

Mas eu queria mesmo era falar sobre as malditas cornetas. Não sei se é moda, mas estão se espalhando e cada dia diminui o intervalo de paz dos bichos da rua.

Agora há até catadores de materiais recicláveis usando as buzinas quando se aproximam dos portões. É uma tática que parece inofensiva, mas é maldosa com a bicharada e até perigosa... vai que dá ideia para os mal intencionados.

Enfim...mães e pais, se o filho de vocês também quiser maquinar a bike ou levar bombinhas para a escola, lembre eles que tudo que fazemos pode afetar o outro, e será que é isso mesmo que queremos?

Escrito por Daniele Sisnandes, 17/05/2018 às 17h01 | danikahc@gmail.com

Indique com amor

Publicado na edição impressa do JP3 de setembro.

Vivemos tempos digitais, de opiniões instantâneas e tutoriais. Nós aqui no papel vamos resistindo pelo amor, mas a verdade é que as coisas mudaram e fiquei pensando muito nisso há algumas semanas quando fui em uma noite de palestras onde conheci uma influenciadora digital.

Os youtubers e instagrammers estão entre nós há um tempo, mas há pouco eles mesmos reconheceram essas ocupações como profissões. Entenderam como ganhar dinheiro disparando opiniões, vestindo e comendo. Tudo válido, desde que legítimo.

É que essa volatilidade dá margem para muita desinformação e temos, nós da geração passada, de alertar nossos amigos, filhos e netos a filtrarem conteúdo. Não a rejeitar, e sim filtrar. Não podemos mais ter o mesmo perfil de leitura de outrora.

Estávamos acostumados aos jornais, que por si só já fazem filtros com base em preceitos de ética e na autodefesa contra processos. Hoje em dia as coisas são um pouco diferentes, existem fakes, pessoas que surgem de um dia para o outro, tem de tudo.

Os famosos estão usando as redes como outdoor há tempos, e cara... eles indicam qualquer coisa! Da marca da roupa ao hotel na Grécia, dão até cupom para desconto na companhia aérea que levou eles para as férias. Fica difícil saber o que é real e o que é business.

Os novos comunicadores querem a mesma coisa. Pessoas que DECIDEM se tornar formadores de opinião e para isso estão dispostas a investir, fazer mil selfies, poses, caras e bocas. O objetivo não é só mais ganhar curtidas, é influenciar.

Muitos relatam a alegria que é quando começam a receber presentes para postar a abertura da caixa. Entendo que as coisas mudaram, mas eu me lembro bem quando, há uns 10 anos, recebi um vinho de uma fonte que tinha ficado feliz com uma matéria e me culpei por um tempão achando que aquilo era um jabá. Até hoje fico envergonhada quando recebo algo - eu sei, tenho 31 anos e me sinto jurássica!

As empresas estão ligadas nestes novos comunicadores. Eles falam a mesma língua, ensinam passo a passo, conversam, estão ali entre o comum e a celebridade, mas alcançáveis de alguma forma.

Só que ao mesmo tempo em que observo com atenção redobrada os profissionais da influência digital, nunca valorizei tanto a opinião dos amigos, as indicações de músicas no Spotify, os reviews nos sites de viagem. A opinião é uma ferramenta poderosa! Pode ser que a gente nem imagine, mas o tom que usamos para falar algo pelas redes ecoa, pode mudar o dia de alguém, a vida, o rumo de um negócio.

Não é negativo, é apenas o reconhecimento de uma responsabilidade. Por isso valorize o que você INDICA, mesmo se estiver ganhando algo para isso. Aponte com amor aquilo que for bom, seja claro, valorize a sua opinião, porque sempre tem alguém do outro lado.

Cabe a nós cuidar o que emitimos, para que chegue ao receptor sem ruídos - eis aí um importante preceito da comunicação (não tenho certeza se tem tutorial no Youtube para isso, mas aprendi do jeito antigo). Não sabemos onde tudo isso vai parar, mas seguimos atentos e dispostos a crescer junto.

Escrito por Daniele Sisnandes, 23/10/2017 às 18h11 | danikahc@gmail.com

Horário de verão

Primeira semana do horário de verão é aquele "estrago biológico" como bem resumiu meu amigo poeta Ernesto Wenth Filho no poema "Assalto". 

Não é de todo mal ter mais luz no fim do dia, mas que dói essa adaptação inicial, ah isso dói! Protestamos, entre um bocejo e outro.


Assalto (por Ernesto Wenth Filho)

Roubaram meu sono
mexeram no meu relógio
ficou tudo diferente
um estrago biológico
O cansaço tomou conta
a fome se atrasou
os olhos ficaram pesados
a boca bocejou
Não sei como gostar
não consigo me adaptar
duas vezes por ano
o organismo a reclamar
Falam da economia
de alguns milhões de reais
e a nossa saúde
como ficam os sinais vitais?
Ah...
Mas se aproveita melhor o dia
a noite chega mais tarde
é tudo pura ilusão
para enganar a realidade
Não gosto não
um assalto com armas à mão
devolvam a minha hora
e acabem com o horário de verão

EWF - 2017

Escrito por Daniele Sisnandes, 16/10/2017 às 11h06 | danikahc@gmail.com

Que semana!

Atenção, alerta de #opinião

Que semana! Picos de contestação e uma montanha-russa de tolerância .

Tivemos diretor da prefeitura chamando arte de rua de vandalismo, liminar para “cura gay”, proibição de livre manifestação e quando achávamos que abriríamos uma cerveja gelada no fim da sexta-feira, um vereador da situação esquenta o clima se posicionando contra uma decisão do próprio governo. Caracas, que semana, que prazer vivenciá-la!

Não existe alegria alguma em testemunhar o ódio, repudio veementemente a intolerância, mas não podemos perder a esperança do debate e isso sim, faz as coisas valerem a pena.

A cólera encontrou no Facebook um meio de proliferação, é um fato. Por outro lado, tem sido através das redes que estranhos têm reforçado um coro de décadas por liberdade, espaço e representatividade. Não precisamos ir longe, nossas questões estão logo ali.
 

E gente, são questões humanas! A dra Céres escreveu um texto tão coerente essa semana que me deu esperança em meio ao tiroteio. Lembrou sobre nos importarmos mais com a nossa própria vida e felicidade, em vez de apontar alvos. Pra quê mirar no alheio?

Respeito muito a fé, mas os fanáticos (abanadores de bandeira e religiosos) me fazem questionar o mistério da crença, da “ideologia” travestida de escudo.

Nego, nego e nego novamente concordar com o retrocesso: três ou quantas vezes forem necessárias. Nego silenciar frente a perguntas sem resposta, aos “mistérios”, aos argumentos para a insensatez. Eles não existem, são embustes!

Esse mundo já viveu seus dias sombrios, agora chega, bora acordar!

 

Escrito por Daniele Sisnandes, 23/09/2017 às 01h50 | danikahc@gmail.com

Ainda há tempo

A negatividade é uma arte maldita própria do ser humano e tem sido aprimorada nesses tempos “sociais”. Gente, como estamos intolerantes!

Com o tempo me tornei uma pessoa vigilante do humor, do poder das reações e do impacto da postura otimista frente às dificuldades. Pode parecer algo óbvio, mas não é. A maioria de nós tem a negatividade como resposta automática e nem percebe. E como se não fosse suficiente externar oralmente, agora achincalhamos nas redes sociais.

Isso eu também já fiz, por isso, falo com propriedade. O próprio Facebook lembra o teor dos meus comentários ao longo da breve trajetória na rede e eu admito com muito orgulho que mudei baseada em muitos fatores.

Há uns anos, uma colega jornalista e amiga querida que me atentou pra isso numa madrugada em que nos encontramos na porta de um boteco da orla. Ela abriu meus olhos para o meu tom e ainda disse com cara de gatinho, “miga, não pega bem”.

Muita água rolou desde então. Muita autocrítica, altos e baixos na vida e resolvi manter o direito de ficar calada.

Quando silenciamos e patrulhamos a nós mesmos, a voz do entorno ganha espaço. E nesta função em que estamos de produtores de conteúdo e moderadores, lidamos diariamente com vozes que gritam, travam guerras, amam e odeiam em breves períodos de tempo.

Teve uma época em que chegamos a criar uma editoria chamada “Quem se importa?” aqui no jornal, uma abordagem irônica para publicar pautas de variedades da agência, muitas sobre celebridades. Tudo amplamente criticado e igualmente lido. Um dos paradoxos dessa vida cibernética.

Nos dividimos na tarefa de ler os comentários. É pesado. No começo não lia porque me afetava...a agressividade, o deboche, o sarcasmo...entretanto aprendi também com isso. Apesar de não concordar, aprendi a não sofrer com o problema alheio e não querer que todos pensem da minha maneira. Tirei essa lição da web e levei para a vida.

Todo dia temos algum assunto que atrai mais atenção e invariavelmente cria certa polêmica. Pode ser uma proposta como a construção de um dog park, uma notícia policial sem a foto do “meliante” escancarada ou uma professora agredida dentro de sala de aula.

Recortes. Mesmo que contextualizados, são recortes. Julgar as coisas isoladamente não melhora o mundo e o pior é que essa é uma postura coletiva que se espalha feito vírus.

Mudar podemos, melhorar podemos. "As pessoas não são más, elas só estão perdidas", canta Ciolo. Se ainda estamos por aí, é porque ainda há tempo, eu acredito também. Sigamos em frente!

Escrito por Daniele Sisnandes, 22/08/2017 às 18h44 | danikahc@gmail.com



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Ama a música, as letras e gargalhadas. Sonhadora com os pés no chão. Jornalista. Editoria do Página 3 Online. Quer ir além da pirâmide invertida, mas que seja frente e verso.


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