Jornal Página 3
Coluna
Frente & Verso
Por Daniele Sisnandes

Vá a um festival sozinho

Fotos: Daniele Sisnandes

Viajar 100% sozinha era uma dessas metas que eu ainda não tinha cumprido desde 2016, quando decidi recomeçar a vida. Aí no início de 2018 surgiu bem do nada a oportunidade de ir para Psicodália, um grande festival que acontece no Carnaval, em Rio Negrinho.

Quando recebi minha confirmação foi meio em cima do laço. Eu ia tocar em outro lugar naquele mesmo final de semana e até pensei até em não ir ao festival, porque também não teria ninguém pra ir junto comigo nessa aventura inesperada.

Acontece bastante né, às vezes sem companhia para um determinado evento, a gente acaba deixando de ir. Mas acho que era pra ter sido assim mesmo e foi incrível! Coisas do acaso que marcam a vida da gente pra sempre.

Então foi assim, eu arrumei uma mochila com roupas e outra com mantimentos. Toquei na festa que tinha marcado e no dia seguinte carreguei meu corajoso Picanto vermelho - o Jingo - e subi a serra.

Não fiz propaganda, nem fiquei postando meus passos enquanto estava lá. Desconectei para conectar!

Por isso reforço que ir a um festival como esse é uma das melhores pedidas pra quem também quer um rolê sozinho, pra pensar, sentir, descobrir, principalmente para a mulherada! Digo isso porque é pé na lama e intensidade, mas é muito respeito.

Um festival é um mundo à parte sim. É um extrato dos nossos sonhos utópicos de sociedade ideal. É 'bom dia' nos caminhos, é entrega nos shows é tudo o que se quiser, desde que não perturbe o outro.

Eu já tinha ido a festivais naquele mesmo lugar e sabia o poder energético daquela colina, então eu estava otimista, mas nem perto imaginava o que me esperava.

Quando cheguei na fazenda caía uma garoa fina. O festival já rolava há uns três dias e nem tinha fila para entrar. O estacionamento estava virado em lama e uma patrola ajudava quem queria desatolar, normal!

Antes de tirar as coisas do carro, dei uma volta e fiz o reconhecimento pra ver o que rolava e onde ia parar.

Carreguei meu cartão com Dálias (que é o dinheiro do lugar) e comprei uma cerveja. Achei um lugar irado bem perto dos dois palcos principais e ali montei acampamento. Foi a última trip da minha barraquinha parceira, essa já merecia um descanso.

Eu que não sou trouxa e já passei perrengue a beça, calcei as galochas de borracha, garrei na cadeira e fui pra pista.

Logo quando eu cheguei vivenciei um dos shows mais viscerais. Uma banda de minas chamada Mulamba (que eu absurdamente não conhecia) e logo virei fã. Mulherada responsa tocando lindamente e o povo enlouquecido.

Assim como as minas do palco, as minas do público também arrancaram as blusas e fizeram coro quando começaram a tocar a canção “Mulamba”, um hino de empoderamento feminino. O show todo é um protesto, um ato de coragem, uma experiência inesquecível. Pra nossa sorte elas voltam no próximo Psicodália e tocam em Balneário Camboriú em outubro!!!!

O show da banda Francisco El Hombre também foi incrível, foi essa banda que me arrastou até o Psicodália na verdade e valeu cada minuto.

O Psicodália tem uma particularidade interessante de respeito aos músicos, então em cada horário, um dos palcos funciona. Para que as pessoas possam circular e prestigiar, acredito eu.

Foi assim que eu conheci um monte de artistas sensacionais, como André Prando, Ema Stoned e Daniel Groove e seu brega que vai direto do coração. Esse foi um show tão intenso que quando vi estava super emocionada e olha que eu nunca tinha ouvido o som do cara antes. Acontece quando a gente está receptivo e permite ser tocado pela arte.

Com um festival desse e ainda com um público considerável - são milhares de pessoas - tem banda do país inteiro querendo tocar e a curadoria faz questão de garantir a diversidade. 

Tem muita qualidade musical, nada muito convencional não. Pra quem curte descobrir sons é muito legal.

Mas não são só os shows nos palcos que fazem um festival. Na verdade tem muita arte linda nas entrelinhas, nos caminhos, nos intervalos. Cinema, palhaçaria, interação, muita interação de pessoas de todas as idades, inclusive da criançada.

As oficinas também são complementos muito importantes, pela vivência, pelas trocas. Muita energia acontece seja num jogo, aprendendo a fazer tie dye ou encontrando o ritmo.

Geralmente os festivais oferecem bem mais do que bar, tem praça de alimentação, mercadinho, você não fica sem coisas básicas, então a minha dica é leve o que for essencial. Eu sempre volto pra casa com muita comida, principalmente essas coisas prontas porque chego e acabo comendo lá mesmo. Desapega e aproveita os sabores que o lugar te oferece.

Providencialmente a área onde tinha alguns interruptores para o pessoal carregar os celulares, era um centro de convivência e lá se conhecia muita gente. Tinha uma pizza maravilhosa 24 horas por dia e sempre tinha alguém fazendo jam session.

Ali nas madrugadas, quando os palcos silenciavam, rolava o Bailinho de Vinil, um trio que virava os discos e fazia o povo não querer dormir. Era insano!

O Palco do Lago era um lugar bem mítico, coisa linda a energia que rolava por lá. Mesmo com lama, sob chuva, não tinha tempo ruim não.

Por isso a gente tem que ir preparado, levar bastante meia, uma capa boa e sapatos resistentes à água (se a previsão for de chuva), mas principalmente amor e bom humor. Se for para reclamar é melhor ficar no aconchego do lar, mas se quiser ir pra conhecer os mundos, se apaixonar, ouvir boa música e viver sem filtro, vá a um festival sozinho!

Se tiver companhia será uma experiência maravilhosa também, mas se não tiver, vai só com a coragem mesmo.

Para os que gostam de música eletrônica a mesma Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho, recebe o Adhana, na virada deste ano, que está preparando uma estrutura de tirar o chapéu. E pra quem curte rock autoral independente, o Psicodália será no começo de março de 2019.

Mas há também outros lugares por aí recebendo eventos assim, vale a pesquisa. Saia do modo robô por um tempinho, não tem desculpa, só tem bônus. E aí, bora?!

Escrito por Daniele Sisnandes, 11/09/2018 às 17h33 | danikahc@gmail.com

Quer tocar no Psicodália?

Foto: Nicolas Salazar

Bandas interessadas em tocar no Psicodália 2019 têm até sexta-feira (31) para inscreverem suas propostas. O evento acontece de 1 a 6 de março na Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho, que fica a 183km de Balneário Camboriú, e é uma oportunidade e tanto para artistas dedicados ao som autoral.

Entre as bandas inscritas, 12 serão pré-selecionadas pela curadoria do festival e participarão da votação popular. As três mais votadas tocarão na 22ª edição do evento. É a primeira vez que o público vai ajudar, diretamente, a escolher atrações que subirão ao palco.

As bandas selecionadas pela curadoria serão conhecidas no dia 01 de outubro, quando o público iniciará a escolha de suas preferidas, até 17 de outubro. E, finalmente, no dia 19 de outubro serão divulgados os nomes das três atrações que o público quer ver no palco do Psicodália.

O diretor do evento, Klauss Eira, contou que a intenção é apostar em artistas interessados no Festival e aproximar ainda mais o público.

Ele lembra que serão aceitas inscrições de artistas “iniciantes, profissionais, com pouco ou muito tempo de estrada, desde que seja música autoral.”

Ingressos

O primeiro lote de ingressos para o Psicodália 2019 está à venda pelo Disk Ingressos. A novidade é que o cadastro será realizado na hora da compra, facilitando o acesso.

Saiba mais aqui.

 

Escrito por Daniele Sisnandes, 28/08/2018 às 14h02 | danikahc@gmail.com

Você pede ajuda?

Estava pensando em como nós seres humanos temos capacidades espetaculares para dar conta de tantas cobranças dessa nossa era.

A rotina é implacável, as responsabilidades se acumulam e vamos nos superando principalmente porque a concorrência é grande. Isso claro, no meio privado e no lado emocional, já na esfera pública as coisas têm um tempo só delas.

Eu comecei a pensar nisso porque vi uma postagem em alguma rede social, de uma dessas indiretas...uma pessoa ironizava a ausência de amigos em um momento de dificuldade.

Primeira coisa foi me botar no lugar da pessoa e já passei raiva só de pensar que sacanagem ficar sozinho numa hora dessas, mas segundos depois pensei, poxa, eu de alguma forma conheço essa pessoa e nem imaginava que ela precisava de ajuda.

O problema é que não pedimos ajuda. Resistimos até as dificuldades atingirem níveis críticos. Calados. Como se fosse algum sinal de derrota. Uma ideia tosca que absorvemos como verdade.

Sei do que estou falando porque também não sabia muito pedir ajuda, até bem pouco tempo. Coisa de jovem ou orgulho, paradigmas que vamos quebrando com o tempo e com a evolução que a experiência da vida nos traz.

Além de jornalista e DJ, eu sou sócia da minha mãe em um negócio de doces sob encomenda e em toda Páscoa temos o auge das nossas vendas. Apesar de sermos bem pequenos, nesta época do ano não damos conta sozinhos.

Passamos alguns apertos até percebermos que, pelo menos naquela época, tínhamos que contar com vários colaboradores, delegar... dividir pra conquistar.

A mesma coisa acontece com as emoções. Pedir ajuda não pode ser motivo de vergonha, jamais, porque é um ato de coragem!

Às vezes é uma conversa, um pouco de tempo que você dedica a alguém ou que pede de alguém, não importa. Compartilhar faz o fardo da vida ser mais leve.

Nem todos sabem das nossas lutas, do peso das nossas responsabilidades, falar é importante.

Dar a oportunidade para o outro estender a mão é o primeiro passo. A escolha é dele, mas quem abre a porta é a gente.


Falando em pedir ajuda, no próximo mês, além de darmos boas vindas à primavera, vamos lembrar mais uma vez  do Setembro Amarelo, movimento importante que chama a atenção para a prevenção ao suicídio. 

Balneário Camboriú se engajará nessa luta e lançará seu programa municipal de apoio a quem precisa ser escutado, uma iniciativa e tanto, logo será lançado oficialmente.

Além disso, temos por aqui também o CVV, que sempre tem alguém disponível para escutar. O telefone é 188 e a ligação é gratuita!

Escrito por Daniele Sisnandes, 27/08/2018 às 17h29 | danikahc@gmail.com

Mimo vence festival da canção

A música autoral da região escreveu mais um belo capítulo neste final de semana.

O grupo Mimo, de Itajaí/Porto Belo, foi o grande vencedor da 32ª edição do Moenda da Canção, festival em Santo Antônio da Patrulha, no Rio Grande do Sul.

Formado por Giana Cervi, Vê Domingos e Bruno Kohl, o Mimo concorreu com a música Transbordar e emplacou como melhor música e melhor melodia.

A Moenda da Canção é um dos maiores e mais tradicionais festivais da canção do estado gaúcho. Foi criado em 1978 e tem edições ininterruptas desde 1986.

A edição deste ano contou com nada menos que 645 músicas inscritas. 16 foram selecionadas, apenas eram duas catarinenses.

Para quem quiser ver de perto o talento desse trio transbordar, no dia 1º de setembro o Mimo volta a se reunir no palco, desta vez durante a 21ª edição do Festival de Música de Itajaí, no Teatro Municipal. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) ou R$ 10 (meia).

Confira um trecho da apresentação:

Crédito das imagens: Schibian Philemonn Oliveira Costa

 Fique por dentro de tudo aqui.

Escrito por Daniele Sisnandes, 15/08/2018 às 17h17 | danikahc@gmail.com

JP3 27: um viva a todas as fases!

Estou nos meus últimos dias de férias, mas hoje o Página 3 completa 27 anos de história e também queria registrar minhas lembranças.

É normal em datas comemorativas a gente pensar no que passou, na trajetória até chegar ali e geralmente lembramos mais do que passou há mais tempo. Mas como estou na casa há 11 anos posso falar dessa parte mais recente da história, que também é uma história e tanto.

Entrei pra equipe na última semana de julho de 2007, porém o Página 3 entrou na minha vida no começo dos anos 2000, quando eu ainda era uma adolescente idealista.

Naquela época o punk rock me apresentou o Pablo, um amigo querido que já não está mais entre nós, e que entregava o jornal. Ele me conhecia e achava que eu ia gostar do Página 3 e assim passou a atirar edições fresquinhas na sacada do apartamento em que eu morava, na Rua 700. Foi assim que eu me lembro de conhecer aquele jornalão standart e invocado. Depois conheci a Carol e foi ela que abriu as portas pra mim no Página, alguns anos depois, em 2007, quando eu já cursava jornalismo.

Desde então MUITA coisa mudou, mas vejo tudo com amor. Os padrões de leitura mudaram e mudamos com ele. Também amava ver o papel chegando aos sábados com todo aquele trabalho estampado, mas gosto de pensar no digital com muito entusiasmo.

Em 2017 o Página 3 criou um novo padrão de publicações, eram mensais e com um cara toda diferente, coisa linda de se fazer e ver. Em 2018 veio a decisão de suspender a impressão. O jogo virou e o portal de notícias se tornou de verdade a prioridade número 1.

As métricas contam muito sobre o gosto do leitor, o que o atrai, por quanto tempo, conseguimos entender melhor quem está do outro lado.

Nunca fomos tão lidos ou tivemos tanto alcance. Nunca publicamos tanto online também. É frenético e constante, a notícia não precisa mais esperar.

Imprimimos nossas características no digital e temos um portal que atende muitos públicos. Que cobre de forma única e carinhosa o esporte local, a política, a cidade, a cultura. A gente sabe tragédia e fama atraem, mas produzimos pouco, também um reflexo de quem somos por trás da tela.

Na verdade, uma publicação reflete muito quem a produz. O Página 3 online tem o ideal do impresso, mas com muito mais possibilidades, é um veículo que tem a cara de Balneário Camboriú. Tem mais alcance, mais espaço para escrever, mais vozes, ele é feito por muitos…

Por isso fica aqui minha gratidão, respeito e meus parabéns a todos, de todas as épocas, que colaboraram, enviaram fax, cartas, whats de madrugada, aos apoiadores comerciais pelo reconhecimento e confiança, aos colunistas do online que dispõem de seu tempo para mostrar seu olhar para o mundo através dessa empresa, aos profissionais maravilhosos que passaram por essa redação, aos idealizadores que mantêm o sonho vivo.

E um muito obrigada especial ao leitores, tudo isso só faz sentido por causa de vocês. Vida longa!

Escrito por Daniele Sisnandes, 26/07/2018 às 15h57 | danikahc@gmail.com

O Saboroso vem aí

Foto: Luciano Dias

Chega essa época do ano e a expectativa fica a mil para o início do festival gastronômico Balneário Saboroso, que acontece entre os dias 5 e 29 de julho, em Balneário Camboriú. É sempre aquela dúvida deliciosa de percorrer o cardápio dos mais de 30 restaurantes participantes em busca dos que mais instiga nossos sentidos.

E foi justamente pensando nos sentidos que o Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau formatou o vídeo da campanha deste ano. E ficou lindo!

Tem bom gosto, mostra que a escolha de ir a um restaurante vai muito além de uma necessidade básica, é uma decisão que contempla desejos e a felicidade de estar em uma cidade como Balneário Camboriú.

A Adriana Both de Pin, executiva do Convention, contou que o conceito buscou um lado mais contemporâneo e de humanização no vídeo.

O filme mostra uma mulher que chega em casa e tem os sentidos aguçados. Ela sai sozinha, passeia pela cidade e vivencia os principais pontos, antes de ter a experiência no restaurante. É exatamente o que Balneário é, um lugar livre para tornar desejos em realidade.

Vai muito além dos menus, mas eles continuam sendo os protagonistas deste evento que inspira tantos destinos e atrai tantos visitantes nesta época. A Adriana lembra que o Saboroso já é uma referência e por isso o festival precisa trazer sempre novos conceitos. E muito disso se vê na qualidade e evolução dos menus oferecidos pelo festival.

O Convention trouxe essa proposta de valorizar os ingredientes regionais o que parece que inspirou os chefs. Os menus estão super contemporâneos e mesmo os mais tradicionais trazem uma pegada mais conceitual, vale a conferida no site.

Além disso, o Convention também propôs que os participantes oferecessem versões vegetarianas e alguns aderiram, o que é muito bacana, um carinho a mais para o cliente. Isso sem contar que tem programação paralela para quem é encantado pelo mundo da gastronomia e tem fome de conhecimento também.

Com uma combinação dessa o festival tem tudo para ser mais um sucesso, bater os mais de 14 mil menus vendidos no ano passado e ainda se consolidar como um dos melhores presentes que Balneário Camboriú já ganhou em seu aniversário.

Pra saber mais clique aqui.

Vídeo:

Escrito por Daniele Sisnandes, 27/06/2018 às 18h21 | danikahc@gmail.com



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Daniele Sisnandes

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Ama a música, as letras e gargalhadas. Sonhadora com os pés no chão. Jornalista. Quer ir além da pirâmide invertida, mas que seja frente e verso.


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Vá a um festival sozinho

Fotos: Daniele Sisnandes

Viajar 100% sozinha era uma dessas metas que eu ainda não tinha cumprido desde 2016, quando decidi recomeçar a vida. Aí no início de 2018 surgiu bem do nada a oportunidade de ir para Psicodália, um grande festival que acontece no Carnaval, em Rio Negrinho.

Quando recebi minha confirmação foi meio em cima do laço. Eu ia tocar em outro lugar naquele mesmo final de semana e até pensei até em não ir ao festival, porque também não teria ninguém pra ir junto comigo nessa aventura inesperada.

Acontece bastante né, às vezes sem companhia para um determinado evento, a gente acaba deixando de ir. Mas acho que era pra ter sido assim mesmo e foi incrível! Coisas do acaso que marcam a vida da gente pra sempre.

Então foi assim, eu arrumei uma mochila com roupas e outra com mantimentos. Toquei na festa que tinha marcado e no dia seguinte carreguei meu corajoso Picanto vermelho - o Jingo - e subi a serra.

Não fiz propaganda, nem fiquei postando meus passos enquanto estava lá. Desconectei para conectar!

Por isso reforço que ir a um festival como esse é uma das melhores pedidas pra quem também quer um rolê sozinho, pra pensar, sentir, descobrir, principalmente para a mulherada! Digo isso porque é pé na lama e intensidade, mas é muito respeito.

Um festival é um mundo à parte sim. É um extrato dos nossos sonhos utópicos de sociedade ideal. É 'bom dia' nos caminhos, é entrega nos shows é tudo o que se quiser, desde que não perturbe o outro.

Eu já tinha ido a festivais naquele mesmo lugar e sabia o poder energético daquela colina, então eu estava otimista, mas nem perto imaginava o que me esperava.

Quando cheguei na fazenda caía uma garoa fina. O festival já rolava há uns três dias e nem tinha fila para entrar. O estacionamento estava virado em lama e uma patrola ajudava quem queria desatolar, normal!

Antes de tirar as coisas do carro, dei uma volta e fiz o reconhecimento pra ver o que rolava e onde ia parar.

Carreguei meu cartão com Dálias (que é o dinheiro do lugar) e comprei uma cerveja. Achei um lugar irado bem perto dos dois palcos principais e ali montei acampamento. Foi a última trip da minha barraquinha parceira, essa já merecia um descanso.

Eu que não sou trouxa e já passei perrengue a beça, calcei as galochas de borracha, garrei na cadeira e fui pra pista.

Logo quando eu cheguei vivenciei um dos shows mais viscerais. Uma banda de minas chamada Mulamba (que eu absurdamente não conhecia) e logo virei fã. Mulherada responsa tocando lindamente e o povo enlouquecido.

Assim como as minas do palco, as minas do público também arrancaram as blusas e fizeram coro quando começaram a tocar a canção “Mulamba”, um hino de empoderamento feminino. O show todo é um protesto, um ato de coragem, uma experiência inesquecível. Pra nossa sorte elas voltam no próximo Psicodália e tocam em Balneário Camboriú em outubro!!!!

O show da banda Francisco El Hombre também foi incrível, foi essa banda que me arrastou até o Psicodália na verdade e valeu cada minuto.

O Psicodália tem uma particularidade interessante de respeito aos músicos, então em cada horário, um dos palcos funciona. Para que as pessoas possam circular e prestigiar, acredito eu.

Foi assim que eu conheci um monte de artistas sensacionais, como André Prando, Ema Stoned e Daniel Groove e seu brega que vai direto do coração. Esse foi um show tão intenso que quando vi estava super emocionada e olha que eu nunca tinha ouvido o som do cara antes. Acontece quando a gente está receptivo e permite ser tocado pela arte.

Com um festival desse e ainda com um público considerável - são milhares de pessoas - tem banda do país inteiro querendo tocar e a curadoria faz questão de garantir a diversidade. 

Tem muita qualidade musical, nada muito convencional não. Pra quem curte descobrir sons é muito legal.

Mas não são só os shows nos palcos que fazem um festival. Na verdade tem muita arte linda nas entrelinhas, nos caminhos, nos intervalos. Cinema, palhaçaria, interação, muita interação de pessoas de todas as idades, inclusive da criançada.

As oficinas também são complementos muito importantes, pela vivência, pelas trocas. Muita energia acontece seja num jogo, aprendendo a fazer tie dye ou encontrando o ritmo.

Geralmente os festivais oferecem bem mais do que bar, tem praça de alimentação, mercadinho, você não fica sem coisas básicas, então a minha dica é leve o que for essencial. Eu sempre volto pra casa com muita comida, principalmente essas coisas prontas porque chego e acabo comendo lá mesmo. Desapega e aproveita os sabores que o lugar te oferece.

Providencialmente a área onde tinha alguns interruptores para o pessoal carregar os celulares, era um centro de convivência e lá se conhecia muita gente. Tinha uma pizza maravilhosa 24 horas por dia e sempre tinha alguém fazendo jam session.

Ali nas madrugadas, quando os palcos silenciavam, rolava o Bailinho de Vinil, um trio que virava os discos e fazia o povo não querer dormir. Era insano!

O Palco do Lago era um lugar bem mítico, coisa linda a energia que rolava por lá. Mesmo com lama, sob chuva, não tinha tempo ruim não.

Por isso a gente tem que ir preparado, levar bastante meia, uma capa boa e sapatos resistentes à água (se a previsão for de chuva), mas principalmente amor e bom humor. Se for para reclamar é melhor ficar no aconchego do lar, mas se quiser ir pra conhecer os mundos, se apaixonar, ouvir boa música e viver sem filtro, vá a um festival sozinho!

Se tiver companhia será uma experiência maravilhosa também, mas se não tiver, vai só com a coragem mesmo.

Para os que gostam de música eletrônica a mesma Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho, recebe o Adhana, na virada deste ano, que está preparando uma estrutura de tirar o chapéu. E pra quem curte rock autoral independente, o Psicodália será no começo de março de 2019.

Mas há também outros lugares por aí recebendo eventos assim, vale a pesquisa. Saia do modo robô por um tempinho, não tem desculpa, só tem bônus. E aí, bora?!

Escrito por Daniele Sisnandes, 11/09/2018 às 17h33 | danikahc@gmail.com

Quer tocar no Psicodália?

Foto: Nicolas Salazar

Bandas interessadas em tocar no Psicodália 2019 têm até sexta-feira (31) para inscreverem suas propostas. O evento acontece de 1 a 6 de março na Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho, que fica a 183km de Balneário Camboriú, e é uma oportunidade e tanto para artistas dedicados ao som autoral.

Entre as bandas inscritas, 12 serão pré-selecionadas pela curadoria do festival e participarão da votação popular. As três mais votadas tocarão na 22ª edição do evento. É a primeira vez que o público vai ajudar, diretamente, a escolher atrações que subirão ao palco.

As bandas selecionadas pela curadoria serão conhecidas no dia 01 de outubro, quando o público iniciará a escolha de suas preferidas, até 17 de outubro. E, finalmente, no dia 19 de outubro serão divulgados os nomes das três atrações que o público quer ver no palco do Psicodália.

O diretor do evento, Klauss Eira, contou que a intenção é apostar em artistas interessados no Festival e aproximar ainda mais o público.

Ele lembra que serão aceitas inscrições de artistas “iniciantes, profissionais, com pouco ou muito tempo de estrada, desde que seja música autoral.”

Ingressos

O primeiro lote de ingressos para o Psicodália 2019 está à venda pelo Disk Ingressos. A novidade é que o cadastro será realizado na hora da compra, facilitando o acesso.

Saiba mais aqui.

 

Escrito por Daniele Sisnandes, 28/08/2018 às 14h02 | danikahc@gmail.com

Você pede ajuda?

Estava pensando em como nós seres humanos temos capacidades espetaculares para dar conta de tantas cobranças dessa nossa era.

A rotina é implacável, as responsabilidades se acumulam e vamos nos superando principalmente porque a concorrência é grande. Isso claro, no meio privado e no lado emocional, já na esfera pública as coisas têm um tempo só delas.

Eu comecei a pensar nisso porque vi uma postagem em alguma rede social, de uma dessas indiretas...uma pessoa ironizava a ausência de amigos em um momento de dificuldade.

Primeira coisa foi me botar no lugar da pessoa e já passei raiva só de pensar que sacanagem ficar sozinho numa hora dessas, mas segundos depois pensei, poxa, eu de alguma forma conheço essa pessoa e nem imaginava que ela precisava de ajuda.

O problema é que não pedimos ajuda. Resistimos até as dificuldades atingirem níveis críticos. Calados. Como se fosse algum sinal de derrota. Uma ideia tosca que absorvemos como verdade.

Sei do que estou falando porque também não sabia muito pedir ajuda, até bem pouco tempo. Coisa de jovem ou orgulho, paradigmas que vamos quebrando com o tempo e com a evolução que a experiência da vida nos traz.

Além de jornalista e DJ, eu sou sócia da minha mãe em um negócio de doces sob encomenda e em toda Páscoa temos o auge das nossas vendas. Apesar de sermos bem pequenos, nesta época do ano não damos conta sozinhos.

Passamos alguns apertos até percebermos que, pelo menos naquela época, tínhamos que contar com vários colaboradores, delegar... dividir pra conquistar.

A mesma coisa acontece com as emoções. Pedir ajuda não pode ser motivo de vergonha, jamais, porque é um ato de coragem!

Às vezes é uma conversa, um pouco de tempo que você dedica a alguém ou que pede de alguém, não importa. Compartilhar faz o fardo da vida ser mais leve.

Nem todos sabem das nossas lutas, do peso das nossas responsabilidades, falar é importante.

Dar a oportunidade para o outro estender a mão é o primeiro passo. A escolha é dele, mas quem abre a porta é a gente.


Falando em pedir ajuda, no próximo mês, além de darmos boas vindas à primavera, vamos lembrar mais uma vez  do Setembro Amarelo, movimento importante que chama a atenção para a prevenção ao suicídio. 

Balneário Camboriú se engajará nessa luta e lançará seu programa municipal de apoio a quem precisa ser escutado, uma iniciativa e tanto, logo será lançado oficialmente.

Além disso, temos por aqui também o CVV, que sempre tem alguém disponível para escutar. O telefone é 188 e a ligação é gratuita!

Escrito por Daniele Sisnandes, 27/08/2018 às 17h29 | danikahc@gmail.com

Mimo vence festival da canção

A música autoral da região escreveu mais um belo capítulo neste final de semana.

O grupo Mimo, de Itajaí/Porto Belo, foi o grande vencedor da 32ª edição do Moenda da Canção, festival em Santo Antônio da Patrulha, no Rio Grande do Sul.

Formado por Giana Cervi, Vê Domingos e Bruno Kohl, o Mimo concorreu com a música Transbordar e emplacou como melhor música e melhor melodia.

A Moenda da Canção é um dos maiores e mais tradicionais festivais da canção do estado gaúcho. Foi criado em 1978 e tem edições ininterruptas desde 1986.

A edição deste ano contou com nada menos que 645 músicas inscritas. 16 foram selecionadas, apenas eram duas catarinenses.

Para quem quiser ver de perto o talento desse trio transbordar, no dia 1º de setembro o Mimo volta a se reunir no palco, desta vez durante a 21ª edição do Festival de Música de Itajaí, no Teatro Municipal. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) ou R$ 10 (meia).

Confira um trecho da apresentação:

Crédito das imagens: Schibian Philemonn Oliveira Costa

 Fique por dentro de tudo aqui.

Escrito por Daniele Sisnandes, 15/08/2018 às 17h17 | danikahc@gmail.com

JP3 27: um viva a todas as fases!

Estou nos meus últimos dias de férias, mas hoje o Página 3 completa 27 anos de história e também queria registrar minhas lembranças.

É normal em datas comemorativas a gente pensar no que passou, na trajetória até chegar ali e geralmente lembramos mais do que passou há mais tempo. Mas como estou na casa há 11 anos posso falar dessa parte mais recente da história, que também é uma história e tanto.

Entrei pra equipe na última semana de julho de 2007, porém o Página 3 entrou na minha vida no começo dos anos 2000, quando eu ainda era uma adolescente idealista.

Naquela época o punk rock me apresentou o Pablo, um amigo querido que já não está mais entre nós, e que entregava o jornal. Ele me conhecia e achava que eu ia gostar do Página 3 e assim passou a atirar edições fresquinhas na sacada do apartamento em que eu morava, na Rua 700. Foi assim que eu me lembro de conhecer aquele jornalão standart e invocado. Depois conheci a Carol e foi ela que abriu as portas pra mim no Página, alguns anos depois, em 2007, quando eu já cursava jornalismo.

Desde então MUITA coisa mudou, mas vejo tudo com amor. Os padrões de leitura mudaram e mudamos com ele. Também amava ver o papel chegando aos sábados com todo aquele trabalho estampado, mas gosto de pensar no digital com muito entusiasmo.

Em 2017 o Página 3 criou um novo padrão de publicações, eram mensais e com um cara toda diferente, coisa linda de se fazer e ver. Em 2018 veio a decisão de suspender a impressão. O jogo virou e o portal de notícias se tornou de verdade a prioridade número 1.

As métricas contam muito sobre o gosto do leitor, o que o atrai, por quanto tempo, conseguimos entender melhor quem está do outro lado.

Nunca fomos tão lidos ou tivemos tanto alcance. Nunca publicamos tanto online também. É frenético e constante, a notícia não precisa mais esperar.

Imprimimos nossas características no digital e temos um portal que atende muitos públicos. Que cobre de forma única e carinhosa o esporte local, a política, a cidade, a cultura. A gente sabe tragédia e fama atraem, mas produzimos pouco, também um reflexo de quem somos por trás da tela.

Na verdade, uma publicação reflete muito quem a produz. O Página 3 online tem o ideal do impresso, mas com muito mais possibilidades, é um veículo que tem a cara de Balneário Camboriú. Tem mais alcance, mais espaço para escrever, mais vozes, ele é feito por muitos…

Por isso fica aqui minha gratidão, respeito e meus parabéns a todos, de todas as épocas, que colaboraram, enviaram fax, cartas, whats de madrugada, aos apoiadores comerciais pelo reconhecimento e confiança, aos colunistas do online que dispõem de seu tempo para mostrar seu olhar para o mundo através dessa empresa, aos profissionais maravilhosos que passaram por essa redação, aos idealizadores que mantêm o sonho vivo.

E um muito obrigada especial ao leitores, tudo isso só faz sentido por causa de vocês. Vida longa!

Escrito por Daniele Sisnandes, 26/07/2018 às 15h57 | danikahc@gmail.com

O Saboroso vem aí

Foto: Luciano Dias

Chega essa época do ano e a expectativa fica a mil para o início do festival gastronômico Balneário Saboroso, que acontece entre os dias 5 e 29 de julho, em Balneário Camboriú. É sempre aquela dúvida deliciosa de percorrer o cardápio dos mais de 30 restaurantes participantes em busca dos que mais instiga nossos sentidos.

E foi justamente pensando nos sentidos que o Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau formatou o vídeo da campanha deste ano. E ficou lindo!

Tem bom gosto, mostra que a escolha de ir a um restaurante vai muito além de uma necessidade básica, é uma decisão que contempla desejos e a felicidade de estar em uma cidade como Balneário Camboriú.

A Adriana Both de Pin, executiva do Convention, contou que o conceito buscou um lado mais contemporâneo e de humanização no vídeo.

O filme mostra uma mulher que chega em casa e tem os sentidos aguçados. Ela sai sozinha, passeia pela cidade e vivencia os principais pontos, antes de ter a experiência no restaurante. É exatamente o que Balneário é, um lugar livre para tornar desejos em realidade.

Vai muito além dos menus, mas eles continuam sendo os protagonistas deste evento que inspira tantos destinos e atrai tantos visitantes nesta época. A Adriana lembra que o Saboroso já é uma referência e por isso o festival precisa trazer sempre novos conceitos. E muito disso se vê na qualidade e evolução dos menus oferecidos pelo festival.

O Convention trouxe essa proposta de valorizar os ingredientes regionais o que parece que inspirou os chefs. Os menus estão super contemporâneos e mesmo os mais tradicionais trazem uma pegada mais conceitual, vale a conferida no site.

Além disso, o Convention também propôs que os participantes oferecessem versões vegetarianas e alguns aderiram, o que é muito bacana, um carinho a mais para o cliente. Isso sem contar que tem programação paralela para quem é encantado pelo mundo da gastronomia e tem fome de conhecimento também.

Com uma combinação dessa o festival tem tudo para ser mais um sucesso, bater os mais de 14 mil menus vendidos no ano passado e ainda se consolidar como um dos melhores presentes que Balneário Camboriú já ganhou em seu aniversário.

Pra saber mais clique aqui.

Vídeo:

Escrito por Daniele Sisnandes, 27/06/2018 às 18h21 | danikahc@gmail.com



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Daniele Sisnandes

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Ama a música, as letras e gargalhadas. Sonhadora com os pés no chão. Jornalista. Quer ir além da pirâmide invertida, mas que seja frente e verso.


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