Jornal Página 3
Coluna
Fluir - Reflexões sobre o cotidiano
Por Fernanda Schneider

Violência doméstica, o problema do vizinho também é seu

O estresse psicológico que a pandemia de Coronavírus trouxe fica bem evidente nos registros de denúncias de violência doméstica, que tiveram um salto enorme nos últimos dias. Logo no primeiro mês do isolamento social, o Ministério Público de São Paulo registrou aumento de 30% de agressão e abusos sexuais, especialmente contra mulheres e meninas. No Rio de Janeiro, o aumento foi de 50% nos mesmos 30 dias. De lá pra cá, diante dessa alarmante situação, diversos movimentos vem acontecendo nas redes sociais para combater a violência, liderados por organizações públicas e da sociedade civil.

Aqui em Balneário, o número de denúncias também cresceu bastante, a maioria sobre maus tratos e negligência contra crianças e adolescentes. A presidente do Conselho Tutelar, Camile Amorim, me contou que apesar de acontecer muito, o abuso sexual na maior parte das vezes não é relatado pelos menores por medo dos abusadores. Ela comentou também o fato de que vários pais voltaram a trabalhar e as crianças ficam sozinhas em casa, muitas delas sem higiene e alimentação adequadas. Em geral quem denuncia são os vizinhos e vez ou outra algum parente da vítima.

O que você tem a ver com isso ?

Tudo. Ou você sabe que uma pessoa está sendo agredida, violentada e não vai fazer nada?...Se você conhece algum caso, se você vivencia isso seja dentro da sua casa ou na casa do vizinho, denuncie.

Para agressões contra menores, pode usar o Disque 100 ou o número de plantão do Conselho Tutelar, 98883-7585. O Ligue 180 se destina especialmente para a violência contra a mulher.

Faça sua parte.

Escrito por Fernanda Schneider, 27/05/2020 às 16h06 | fernanda@pagina3.com.br

Adentrismos

Respirar em cada ação no momento que ela acontece sem prever o que vem depois, é um alívio. Um aprendizado constante, difícil, mas possível e necessário pra gente resgatar a nossa melhor versão, a da essência, a que já nasce com a gente. Fomos desaprendidos a viver na essência, a maior parte de nós vai sobrevivendo com o seu anexo - telefone - e se distraindo do essencial. 

Quando eu estou totalmente presente no que estou fazendo, não tenho ansiedade e nem sofrimento sobre o futuro ou o passado. Lavando a louça, eu observava a água, o sabão, o movimento. Depois com o meu filho, passei alguns minutos olhando dentro dos olhos dele. Eu de fato, estava ali. Nunca imaginei que conseguir focar no meu trabalho apenas uma hora e meia seguida sem ser incomodada pelos meus próprios devaneios - e o dos outros (zap desligado, hehe) me faria tão bem. Agora é um bom tempo, esse em que ficamos mais resguardados em casa, pra praticar. Uma coisa de cada vez e a vida vai ficando mais leve, simplifica tudinho. Experimenta.           

Escrito por Fernanda Schneider, 07/05/2020 às 16h34 | fernanda@pagina3.com.br

Corona, o surto coletivo da loucura

Me sinto desconectada dos outros seres. O assunto da vez é esse corona vírus e não dou conta de ver – e nem quero - as mensagens de amigos e parentes queridos que me enviam desde como fabricar meu próprio álcool gel até simpatias para o vírus não me pegar… !

Ontem na fila do mercado, duas jovens repetiam sem parar o número de mortos de não sei aonde e que o álcool está em falta e que eu não vou mais sair de casa até segunda ordem - segunda ordem de quem jovens? - eu não comentei nada, mas me senti muito desconfortável de estar ali. Então na minha vez, a caixa sorriu meio tensa e me devolveu “Tá todo mundo doido mesmo, hoje uma moça levou R$ 900 reais só em papel higiênico, para não sair mais de casa”. Rimos juntas da situação e voltei um pouco mais tranquila. Porque tudo bem falar disso, a questão é que as pessoas estão falando apenas disso. É, a meu ver, um surto coletivo de loucura.

Não sou alienada, também estou me protegendo, evitando alguns lugares, lavando as mãos (não tenho álcool gel, mas sabão e água resolve tá? :) e reconheço a gravidade da situação, quando falamos de pessoas que são grupos de risco e também de uma grande crise mundial econômica, que já está acontecendo.

Ocorre é que todo mundo está se sentindo grupo de risco. O pânico descabido, especialmente das pessoas jovens evidencia uma sociedade bastante doente, onde o medo de morrer parece acima da vontade de viver e a falta de solidariedade dá as caras, senão ainda teria álcool para vender. Mas o que me intrigou mesmo foi a moça que levou R$ 900 em papel higiênico. Tem coisa mais simbólica do que isso em tempos de ‘crise’? Uma pessoa preocupada apenas com o seu próprio ra.. opa, com o seu próprio umbigo. Lamentável.

Escrito por Fernanda Schneider, 16/03/2020 às 18h58 | fernanda@pagina3.com.br



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Violência doméstica, o problema do vizinho também é seu

O estresse psicológico que a pandemia de Coronavírus trouxe fica bem evidente nos registros de denúncias de violência doméstica, que tiveram um salto enorme nos últimos dias. Logo no primeiro mês do isolamento social, o Ministério Público de São Paulo registrou aumento de 30% de agressão e abusos sexuais, especialmente contra mulheres e meninas. No Rio de Janeiro, o aumento foi de 50% nos mesmos 30 dias. De lá pra cá, diante dessa alarmante situação, diversos movimentos vem acontecendo nas redes sociais para combater a violência, liderados por organizações públicas e da sociedade civil.

Aqui em Balneário, o número de denúncias também cresceu bastante, a maioria sobre maus tratos e negligência contra crianças e adolescentes. A presidente do Conselho Tutelar, Camile Amorim, me contou que apesar de acontecer muito, o abuso sexual na maior parte das vezes não é relatado pelos menores por medo dos abusadores. Ela comentou também o fato de que vários pais voltaram a trabalhar e as crianças ficam sozinhas em casa, muitas delas sem higiene e alimentação adequadas. Em geral quem denuncia são os vizinhos e vez ou outra algum parente da vítima.

O que você tem a ver com isso ?

Tudo. Ou você sabe que uma pessoa está sendo agredida, violentada e não vai fazer nada?...Se você conhece algum caso, se você vivencia isso seja dentro da sua casa ou na casa do vizinho, denuncie.

Para agressões contra menores, pode usar o Disque 100 ou o número de plantão do Conselho Tutelar, 98883-7585. O Ligue 180 se destina especialmente para a violência contra a mulher.

Faça sua parte.

Escrito por Fernanda Schneider, 27/05/2020 às 16h06 | fernanda@pagina3.com.br

Adentrismos

Respirar em cada ação no momento que ela acontece sem prever o que vem depois, é um alívio. Um aprendizado constante, difícil, mas possível e necessário pra gente resgatar a nossa melhor versão, a da essência, a que já nasce com a gente. Fomos desaprendidos a viver na essência, a maior parte de nós vai sobrevivendo com o seu anexo - telefone - e se distraindo do essencial. 

Quando eu estou totalmente presente no que estou fazendo, não tenho ansiedade e nem sofrimento sobre o futuro ou o passado. Lavando a louça, eu observava a água, o sabão, o movimento. Depois com o meu filho, passei alguns minutos olhando dentro dos olhos dele. Eu de fato, estava ali. Nunca imaginei que conseguir focar no meu trabalho apenas uma hora e meia seguida sem ser incomodada pelos meus próprios devaneios - e o dos outros (zap desligado, hehe) me faria tão bem. Agora é um bom tempo, esse em que ficamos mais resguardados em casa, pra praticar. Uma coisa de cada vez e a vida vai ficando mais leve, simplifica tudinho. Experimenta.           

Escrito por Fernanda Schneider, 07/05/2020 às 16h34 | fernanda@pagina3.com.br

Corona, o surto coletivo da loucura

Me sinto desconectada dos outros seres. O assunto da vez é esse corona vírus e não dou conta de ver – e nem quero - as mensagens de amigos e parentes queridos que me enviam desde como fabricar meu próprio álcool gel até simpatias para o vírus não me pegar… !

Ontem na fila do mercado, duas jovens repetiam sem parar o número de mortos de não sei aonde e que o álcool está em falta e que eu não vou mais sair de casa até segunda ordem - segunda ordem de quem jovens? - eu não comentei nada, mas me senti muito desconfortável de estar ali. Então na minha vez, a caixa sorriu meio tensa e me devolveu “Tá todo mundo doido mesmo, hoje uma moça levou R$ 900 reais só em papel higiênico, para não sair mais de casa”. Rimos juntas da situação e voltei um pouco mais tranquila. Porque tudo bem falar disso, a questão é que as pessoas estão falando apenas disso. É, a meu ver, um surto coletivo de loucura.

Não sou alienada, também estou me protegendo, evitando alguns lugares, lavando as mãos (não tenho álcool gel, mas sabão e água resolve tá? :) e reconheço a gravidade da situação, quando falamos de pessoas que são grupos de risco e também de uma grande crise mundial econômica, que já está acontecendo.

Ocorre é que todo mundo está se sentindo grupo de risco. O pânico descabido, especialmente das pessoas jovens evidencia uma sociedade bastante doente, onde o medo de morrer parece acima da vontade de viver e a falta de solidariedade dá as caras, senão ainda teria álcool para vender. Mas o que me intrigou mesmo foi a moça que levou R$ 900 em papel higiênico. Tem coisa mais simbólica do que isso em tempos de ‘crise’? Uma pessoa preocupada apenas com o seu próprio ra.. opa, com o seu próprio umbigo. Lamentável.

Escrito por Fernanda Schneider, 16/03/2020 às 18h58 | fernanda@pagina3.com.br



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