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Coluna
Fluir - Reflexões sobre o cotidiano
Por Fernanda Schneider

Corona, o surto coletivo da loucura

Me sinto desconectada dos outros seres. O assunto da vez é esse corona vírus e não dou conta de ver – e nem quero - as mensagens de amigos e parentes queridos que me enviam desde como fabricar meu próprio álcool gel até simpatias para o vírus não me pegar… !

Ontem na fila do mercado, duas jovens repetiam sem parar o número de mortos de não sei aonde e que o álcool está em falta e que eu não vou mais sair de casa até segunda ordem - segunda ordem de quem jovens? - eu não comentei nada, mas me senti muito desconfortável de estar ali. Então na minha vez, a caixa sorriu meio tensa e me devolveu “Tá todo mundo doido mesmo, hoje uma moça levou R$ 900 reais só em papel higiênico, para não sair mais de casa”. Rimos juntas da situação e voltei um pouco mais tranquila. Porque tudo bem falar disso, a questão é que as pessoas estão falando apenas disso. É, a meu ver, um surto coletivo de loucura.

Não sou alienada, também estou me protegendo, evitando alguns lugares, lavando as mãos (não tenho álcool gel, mas sabão e água resolve tá? :) e reconheço a gravidade da situação, quando falamos de pessoas que são grupos de risco e também de uma grande crise mundial econômica, que já está acontecendo.

Ocorre é que todo mundo está se sentindo grupo de risco. O pânico descabido, especialmente das pessoas jovens evidencia uma sociedade bastante doente, onde o medo de morrer parece acima da vontade de viver e a falta de solidariedade dá as caras, senão ainda teria álcool para vender. Mas o que me intrigou mesmo foi a moça que levou R$ 900 em papel higiênico. Tem coisa mais simbólica do que isso em tempos de ‘crise’? Uma pessoa preocupada apenas com o seu próprio ra.. opa, com o seu próprio umbigo. Lamentável.

Escrito por Fernanda Schneider, 16/03/2020 às 18h58 | fernanda@pagina3.com.br



Fernanda Schneider

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Corona, o surto coletivo da loucura

Me sinto desconectada dos outros seres. O assunto da vez é esse corona vírus e não dou conta de ver – e nem quero - as mensagens de amigos e parentes queridos que me enviam desde como fabricar meu próprio álcool gel até simpatias para o vírus não me pegar… !

Ontem na fila do mercado, duas jovens repetiam sem parar o número de mortos de não sei aonde e que o álcool está em falta e que eu não vou mais sair de casa até segunda ordem - segunda ordem de quem jovens? - eu não comentei nada, mas me senti muito desconfortável de estar ali. Então na minha vez, a caixa sorriu meio tensa e me devolveu “Tá todo mundo doido mesmo, hoje uma moça levou R$ 900 reais só em papel higiênico, para não sair mais de casa”. Rimos juntas da situação e voltei um pouco mais tranquila. Porque tudo bem falar disso, a questão é que as pessoas estão falando apenas disso. É, a meu ver, um surto coletivo de loucura.

Não sou alienada, também estou me protegendo, evitando alguns lugares, lavando as mãos (não tenho álcool gel, mas sabão e água resolve tá? :) e reconheço a gravidade da situação, quando falamos de pessoas que são grupos de risco e também de uma grande crise mundial econômica, que já está acontecendo.

Ocorre é que todo mundo está se sentindo grupo de risco. O pânico descabido, especialmente das pessoas jovens evidencia uma sociedade bastante doente, onde o medo de morrer parece acima da vontade de viver e a falta de solidariedade dá as caras, senão ainda teria álcool para vender. Mas o que me intrigou mesmo foi a moça que levou R$ 900 em papel higiênico. Tem coisa mais simbólica do que isso em tempos de ‘crise’? Uma pessoa preocupada apenas com o seu próprio ra.. opa, com o seu próprio umbigo. Lamentável.

Escrito por Fernanda Schneider, 16/03/2020 às 18h58 | fernanda@pagina3.com.br



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