Jornal Página 3
Coluna
Falando Nisso
Por Marlise Schneider

UM EXERCÍCIO GENIAL

Ler é sempre um alento, uma contribuição, um conhecer.

Ler sobre qualquer coisa é isso. Traz isso. Faz isso: enriquecer a nossa mente, acionar as gavetinhas do cérebro, cultivar um bom hábito, manter viva a nossa capacidade de pensar, de produzir, de preencher lacunas, de aprender.

A leitura é um aprendizado para toda vida.

Tem gente que prefere ler livros. Outros preferem jornais. Outros curtem ler propagandas. Outros são adeptos de revistas. Outros preferem ler no computador ou no celular. Tem tudo isso no celular, mas tem aqueles que preferem manusear a coisa...

Entre tantas opções e sugestões quero sugerir um exercício que venho fazendo e que considero simplesmente genial, pela variedade de assuntos, pelos autores e pela contribuição que essa 'ginástica' está trazendo para minha vida. Não precisa ser diário. Pode ser um exercício semanal. Ou mensal. Ou quando der vontade. É um aprendizado e tanto.

O exercício?

Ler as COLUNAS do Página3 Online.

Mesmo aquelas que não são renovadas regularmente (aqui não existem regras, os colunistas escrevem quando querem, quando tem inspiração)

Vou lembrar para você guardar, mas é bem fácil de localizar no site:

AMERICA MISTERIOSA ........... Dalton Maziero

CINERAMA BC  ......................... André Gevaerd

PONTO DE PROSA .................. Ceres Felski

CÁ PRA NÓS ............................. Fernando Baumann

CERVEJUDAS ........................... Camila Utech e Debora Lehnen

COND.GARDEN CITY ................ Saint Clair Nickelle

CRÔNICA SEMANAL ................. João José Leal

DEDO NA MOLEIRA .................. Waldemar Cezar Neto

DRONE ....................................... Hélvion Ribeiro

ECONOMIA & NEGÓCIOS ................. Augusto César Diegoli

ENÉAS ATHANÁZIO ................... Enéas Athanázio

EX PRESSÃO ............................. Caroline Cezar

FABULAR É PRECISO ............... Fabi Langaro Loos

FRENTE&VERSO ....................... Daniele Sisnandes

J.JUNIOR .................................... Jonas Ramos Junior

MARISA FERNANDES .............. Marisa Zanoni Fernandes

PUXANDO REDE ....................... Fabiane Diniz

SÔNIA TETTO ............................ Sônia Tetto

MÃE NA RODA .......................... Ana Paula Góis

MOBILIDADE URBANA ............. Henrique Wendhausen

VIAGENS&TURISMO ................ Marcos Pagelkopf

VINHO COMIGO ........................ Carlos Mayer

Pronto...é leitura que não acaba mais...e coisa boa, porque o time é bom.

Faça o exercício. Não vai se arrepender.

Até mais!

Escrito por Marlise Schneider, 23/02/2018 às 15h30 | lisi@pagina3.com.br

Novos caminhos

Fui ao Cine Boteco da CineramaBC Arthouse essa semana e fiquei alegremente surpresa com a quantidade de jovens que estavam lá para assistir coisas que rolaram nos meus tempos de jovem...os curtas Meu nome é Gal e Os Mutantes e depois o documentário Tropicália, de Marcelo Machado, mostrando aquela explosão cultural, no meio daquela explosão torta da política no país, lá pelos anos pesados da ditadura, 1969, quando a gente tinha medo de tudo, até de cantar...e então na plateia três mais 'antigos' (o Ike, o Marzinho e eu) e nas arquibancadas de olho mais firme do que nunca naquele telão do boteco aquela rapaziada de menos de 20...inesquecível.

Então pensei: que coisa mais legal essa cena, esse ambiente, uma descoberta, mais um espaço muito maneiro para todas as idades. O André Gevaerd, cineasta e produtor, nascido aqui na praia, investiu com força naquele local que fica lá longe,no finalzinho da Rua São Paulo quase na esquina da marginal, e conseguiu chamar um público fiel.

O Tropicália foi um 'reviver' apaixonante, com músicas e letras lindas e algumas tristes, puro protesto. Nós vimos, vivemos e acompanhamos essa historia que a maioria dos nossos jovens, meus netos, nem imaginam como foi. Ler sobre isso é uma coisa. Viver isso é outra bem diferente.

No telão, o movimento e o empenho do Caetano, Gil, Gal, depois a Rita Lee, matei a saudade.

Se você ainda não foi conhecer aquele ambiente cultural, faça disso um programa. Tem muita coisa pra ver. Neste Cine Boteco tinha uma variedade de chopes e cervejas artesanais, tudo na Kombicas Growler Station, estacionada ali mesmo, dentro do boteco.

Parabéns André (Dé). Você mostrou que o empenho, a dedicação e sobretudo a paixão pela arte abrem novos caminhos. Você conseguiu!

Escrito por Marlise Schneider, 19/01/2018 às 10h16 | lisi@pagina3.com.br

Mais calma pessoal!

Quero olhar menos as redes esse ano. De vez em quando dou uma passada e vejo que as pessoas andam muito sensíveis, irritadas, xingando fácil, exigindo, cobrando, reclamando e pôxa...o ano acabou de começar...
Há alguns dias estava todo mundo se abraçando, desejando paz, alegrias, esperança e não sei mais o que nesse ano novo. Já esqueceram tudo?
Pela manhã andando na avenida Brasil recebi duas reclamações sobre o trânsito congestionado, parado naquela via. Não é nenhuma novidade. Estamos em alta temporada.
Uma das reclamantes disse que enquanto os ônibus de turismo estiverem parando na Brasil e andando pelas ruas apertadas do centro, nada vai mudar. Do Atlântico Shopping até a 1500 ela levou 50 minutos...e estava indignada.
O outro reclamou porque os turistas estão 'passeando', andando em marcha lenta e atrapalhando o trânsito quando outros precisam cumprir horário no trabalho.
Encontrei também quem reclamasse de outro problema sério que ganha enormes dimensões nesse período de muvuca: estacionar. A moradora levou mais de hora circulando e procurando um local para parar, porque carregava uma pessoa de idade que precisava ir a um consultório.
Nada disso é novo.
Tudo isso se repete todos os anos.
Estamos com a cidade cheia de visitantes.
Se temos que trabalhar, cumprir horários, temos que achar um jeito de chegar, porque isso não vai mudar, porque não tem como mudar de uma hora pra outra. Exige planejamento. Estudo.
Os ônibus de turismo parar no centro, descarregando turistas é um assunto que levantamos neste jornal desde que ele existe, quase três décadas. Não apareceu um jeito até hoje de resolver isso. Sabe por quê? Porque só pensamos no problema quando ele está diante de nós, hoje, agora. E aí não tem jeito mesmo.
Então pessoal, vejo explosões e reclamações por todos os lados.
Vamos acalmar. Se estamos aqui é porque gostamos de estar aqui. Se queremos continuar aqui, vamos juntos em busca de soluções. Só reclamar, chiar, detonar, não resolve nenhum tipo de problema.
Pense nisso. Com calma!

Escrito por Marlise Schneider, 12/01/2018 às 15h09 | lisi@pagina3.com.br

O navio, o churros e a ciclovia

 O pequeno Diego, 8 anos, do interior do Paraná, travou na calçada da beira mar, quando avistou o navio cruzeiro que estava se preparando para ir embora. Do lado de cá da calçada da avenida Atlântica ele estava tão extasiado com aquela cena, manifestava em alto e bom tom, tudo que aquele navio dizia para ele...é muito grande, é gigante...é muito bonito...eu quero ir lá perto...quantas pessoas tem lá dentro...ele perguntava tudo ao mesmo tempo para os pais que também estavam 'imobilizados' pela cena. Eles queriam saber quando vem outro navio, será que ainda estaremos por aqui?

Eu estava ali por perto e fiquei do ladinho acompanhando aquele momento. Depois olhei em volta e vi que tinha muitos Diegos por ali. O pessoal olhava 'por cima' da praia lotada. Todos queriam ver o navio, o último transatlântico que encostou na Barra Sul esse ano.

Nós moradores já incorporamos os transatlânticos, afinal este foi o quinto e nem foi o maior. Fiquei imaginando o Diego se visse um daqueles primeiros que encostaram por ali.

Então me dei conta que os transatlânticos são uma novidade para turistas. 

Depois escutei um grupo comentando que as bancas de churros estão de cara nova, 'melhoraram' o visú. "Além de bonitas, ficaram mais higiênicas", acha uma turista de São Francisco do Sul. Esta é outra novidade nesta temporada. Mas algumas ainda não estão prontas.

Por último a ciclofaixa que não é novidade neste verão, mas chamou atenção de muita gente pelo volume de usuários e alguns em velocidade exagerada. Um garoto se exibindo veloz sobre o patinete elétrico que ganhou no Natal. Quase bateu na mulher que corria. Ouviu desaforos do pessoal que viu a cena. Mas seguiu na mesma disposição. Bikes indo e vindo, crianças com patins pra cima e pra baixo, pedestres atravessando, o local ficou conturbado e exige muita atenção de todos que frequentam ou passam por ali.

Tudo isso em menos de uma hora. Quarta-feira, dia 27 de dezembro, por volta de 16h.

Pensei com meus botões: uma ida até a praia nessa época é só novidade!

Escrito por Marlise Schneider, 28/12/2017 às 09h15 | lisi@pagina3.com.br

Lutero 500


Quanto mais leio sobre Lutero mais o admiro.

Homem inteligente, de muita coragem e visionário.

Naqueles anos 1500 e pouco ele tinha convicções admiráveis, não aceitava aquele negócio de absolver pecados mediante pagamento...vender cadeira na céu...ele só queria espaço para debater, mostrar porque era contra e acabou provocando uma guerra religiosa, que deu origem ao protestantismo.

Mas ele queria muito mais: alfabetizar para que as pessoas pudessem ler e interpretar a Bíblia; queria educação ao alcance de todos; queria acabar com a hierarquia clerical, não teria mais papa, bispo etc; queria eliminar imagens de santos, porque Deus é um só; queria extinguir o latim em cerimônias religiosas; queria abolir confissão e comunhão; sugeria acabar com o celibato para sacerdotes (ele próprio era monge católico e casou com Catarina von Bora (que era freira) e tantas outras sugestões, muitas delas parecem tão atuais.

Será que ele imaginava o que provocou?

Escrito por Marlise Schneider, 31/10/2017 às 08h08 | lisi@pagina3.com.br

Dias de peso

Esses últimos dias tem sido pesados de encarar.
Parece que as coisas ruíns superam as boas. Ou será que não enxergamos as boas e deixamos que as ruíns as encubram?
Por onde você anda, passa, olha, vê ou lê tem 'uma bomba' explodindo, é disso que todos falam, seja pessoalmente, seja na internet, até nas rodas de chimarrão...fica difícil desligar desse ambiente. Como faz?

*O catastrófico cenário da política brasileira, o que fizeram e continuam fazendo com esta terra maravilhosa? Parece que não tem mais fim, cada dia uma nova bomba estourando. Estamos abatidos e tristes.

*Massacre de Las Vegas, como entender algo tão calculado, a matança de 59 pessoas e centenas de feridos?

*O suicídio do reitor da UFSC em local de entretenimento, chocante. Nas redes há duas versões bem distintas: uns dizem que tirar a vida foi uma confissão dos seus erros. Outros dizem que ele não conseguiu administrar sua inocência. Quem vai saber?

*O vigia que botou fogo na creche, já são 8 mortos, seis crianças menores de 5 anos, uma professora e o próprio. Como entender uma atitude destas?

*A prisão do todo-poderoso e eterno presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) Carlos Arthur Nuzman, há 22 anos nesse cargo. Do Leblon direto pro cadeião. Fiquei pasma, porque entrevistei o Nuzman muitas vezes quando trabalhei no Rio, na época ele era presidente da Confederação Brasileira de Vôlei. Eu admirava o sujeito. Começou como jogador de vôlei. Amador. Das quadras seguiu carreira nos gabinetes. Mas era uma criatura sensível, humilde, todo mundo apostava nele, porque teve grande influência na ascensão do vôlei brasileiro. Nunca, jamais imaginei que um dia virasse manchete policial. E que escondia 16 barras de ouro na Suíça. Deus do céu, que tristeza. Decepção.

*A prisão do ex-terrorista Cesare Battisti, aquele que o então presidente Lula não deixou extraditar, lembram? Pois é, a prisão foi uma notícia boa, mas a lembrança daqueles dias em que o Brasil abriu as portas para o sujeito, renovou, reacendeu a tristeza.

*Pra finalizar as notícias tristes, a morte de Ruth Escobar, a 'perigosa' da ditadura...era assim que os milicos a denominaram, porque ela não tinha medo de enfrentá-los. Sou admiradora do seu talento. Estava com Alzheimer há muitos anos, logo ela, que tinha uma memória fenomenal. Dupla tristeza.

É tanta coisa ruím que dá vontade de nem escrever mais.
Que os próximos dias nos tragam mais coisas BOAS.
Em frente! 

Escrito por Marlise Schneider, 06/10/2017 às 09h18 | lisi@pagina3.com.br



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Marlise Schneider

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... curiosa desde guria, ligada, discreta, caseira, sonhadora. Jornalista, chefe de jornalismo do Jornal Página 3.


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