Jornal Página 3
Coluna
Falando Nisso
Por Marlise Schneider

Desculpas? Ah, pára com isso!

Comecei minha carreira de jornalismo em uma redação de esportes. Escrevia sobre todos os esportes, menos futebol e automobilismo. Mas convivia no mesmo ambiente, acompanhava de perto tudo relacionado a futebol. Durante 10 anos, na Cia. Caldas Junior (primeiro na Folha da tarde, depois no Correio do Povo), em Porto Alegre, acompanhei vitórias, derrotas, Olimpíadas, Copas do Mundo, aprendi que não se pode ganhar sempre, entendi que perder faz parte do jogo, mas nunca, jamais, em nenhum momento daqueles 10 anos e dos 22 seguintes que trabalhei em redações do Rio e de Balneário Camboriú vi algo parecido com o que vi neste 8 de julho.


No fundo, no fundo, acho que todo brasileiro estava meio receoso, apesar da Alemanha chegar apertada até a semifinal. Havia um sentimento de ‘possível’ derrota, mas algo assim muito apertado, tipo 2x1...esse era meu palpite para nós, mas poderia ser pra eles também...algo justo, que correspondesse a uma semifinal. Mas 7...???


Não entendo de tática, técnica e essas coisas que milhões de brasileiros dominam. Mas falo do envolvimento, do entorno, do que girou em torno disso...afinal o futebol é a única coisa que consegue parar o país, literalmente.


É por isso que não dá pra aceitar o Felipão pedindo desculpas. Mas não dá mesmo!
É por isso que não dá pra aceitar que foi a falta do Neymar e do Tiago Silva. mas não foi mesmo!
É por isso que não dá pra aceitar que foi um dia bom pra Alemanha e ruím para o Brasil. Tá de brincadeira dizer um negócio desses!
É por isso que não dá pra aceitar essa ‘ducha de água gelada’ depois de todo aquele ‘já ganhou’...aquela ‘certeza’ do hexa...tá escrito no ônibus da seleção... ‘o hexa está chegando...’ que transmitiram pra gente desde que se fala em Copa do Mundo.


Vergonha é o sentimento que me domina hoje.


Tô como aquele conterrâneo que escreveu nas redes que está com vergonha de sair no quintal porque o cachorro dele, um pastor alemão, pode rir dele...
O meu cachorro é um vira-lata. Mas juro por Deus, ele tá me olhando diferente hoje. Cruzes!
 

Escrito por Marlise Schneider, 09/07/2014 às 09h02 | lisi@pagina3.com.br

Foi mais cedo. Que pena.

O ministro Joaquim Barbosa nos deixou meio ‘órfãos’ pelo menos uns 10 anos antes do tempo. Fico imaginando porque ele ‘entregou’ os pontos, se ainda tinha tanto pra fazer. De qualquer forma ele entrou pra história como o homem que botou os mensaleiros atrás das grades, acho que essa é a marca que ele vai levar deste posto que ocupou. Confesso que custei acreditar quando vi que isso de fato aconteceu...

Será que ele se chateou porque botou os caras nos quadrados e alguns colegas dele estão abrindo os quadrados agora? Devagar, como quem não quer nada...vão abrindo, abrindo e daqui a pouco, quando nos dermos conta, tá tudo solto de novo...bandido de gravata é diferente do comum, tem mil meios e caminhos pra se livrar...

Me chamou atenção que o ministro Barbosa falou que agora quer fazer outras coisas, em outros planos, mas que vai torcer para que todos nesse país façam o que tem que ser feito: cumprir a lei, a Constituição. É mais ou menos o óbvio, mas para ter falado nisso...meus botões aqui ficam desconfiados, achando que ele saiu porque de fato isso não vinha acontecendo e, de repente, comprometendo o seu papel, a sua postura.

Será que tô errada?
 

Escrito por Marlise Schneider, 02/07/2014 às 12h12 | lisi@pagina3.com.br

Falta de respeito é pouco

Leio o artigo da colega Marcela Viecelli, publicado no Página3 on line, sobre os ‘efeitos’ do jogo Brasil e México e considerei aquilo tudo um conjunto de falta de educação, de respeito, de compreensão e de preocupar-se com o outro. Não tinha motivo para tanto, ainda mais ontem depois daquele resultado.

Mas logo após o jogo, fui para um compromisso, na Rua Indonésia e caminhando ao longo da Terceira Avenida, vi cada coisa...gente trêbada chegando em sentido contrário, quase ‘abalroando’ quem andava na calçada...eu desviei de um casal verde e amarelo e ouvi um monte de desaforo do sujeito e da sua namorada, mandando prá lá e prá cá...é claro que não respondi, segui em frente, sem me atrever a olhar para trás...quando de repente, senti um puxão no meu casaco, era o casal verde e amarelo, pedindo explicação, porque eu estava ignorando a alegria deles...eles queriam saber porque!

Me assustei e desviei o caminho. Eles tomaram outro rumo. Foram perguntar pra outros...


Mais adiante, em frente a um bar ou padaria nem lembro, estavam assando espetinhos em uma churrasqueira instalada no passeio. Desviei de novo. O sujeito com um chapelão amarelão e a cara pintada de verde e azul veio atrás, me oferecendo um espetinho de linguiça. Não dei bola. Segui os passos, cada vez mais rápido. Ele insistiu. Eu agradeci. Ele jogou o palito nos meus pés. E quando olhei pra traz, o homem estava botando até as tripas pra fora. Que nojo, revoltou a mente e o estômago.

O resto do caminho foi normal. Mas fiquei pensando, em dia de jogo, não vou mais me arriscar. Melhor ficar dentro de casa. É mais garantido. Por que na rua, recorrer a quem? Embora dentro de casa, mesmo recorrendo a polícia, não adianta muito também, né Marcela!

 

Escrito por Marlise Schneider, 18/06/2014 às 13h23 | lisi@pagina3.com.br

Um viva ao nosso campeão

Ninguém mais do que o Ígor Amorelli merece este título. Este e outros que já conquistou. Este e outros que ainda virão.

 

Na semana passada, quando entrevistei Ígor sobre o Ironman Brasil, comentei que eu estava percebendo uma ‘pressão’ da mídia, porque nunca um brasileiro havia vencido o Ironman Brasil, desde que ele existe, há 13 anos. E na sequência ele e outros que já chegaram perto, com prata e bronze, eram citados. Perguntei a ele, se esta ‘pressão’ indireta incomodava antes de uma prova como esta. Porque o Iron mexe com tudo, físico, emocional, mental, racional...é um negócio complexo.

 

Ele como sempre, muito calmo, respondeu que dependendo do atleta pode ter uma reação positiva ou negativa. “Eu sei que existe essa pressão, mas no meu caso, sei que isso não adianta nada, não vou ganhar nenhum minuto de vantagem e na largada tá todo mundo igual. Nós preparamos nossa cabeça pra dar o melhor sempre, independente de pressão, de adversários, de condições, etc.”, disse Ígor.

 

Resposta de um atleta maduro. Que provou isso na prática. Foi lá, fez tudo o que aprendeu ao longo desses anos e deixou a sua marca.
Sei que este é um marco muito significativo na vida desse super atleta e de toda a família, a Marta, o Edmilson e a mana Talita.

E vai ficar pra sempre na nossa memória. Valeu Ígor.

 

Escrito por Marlise Schneider, 26/05/2014 às 12h07 | lisi@pagina3.com.br

Todo cuidado é pouco. É a regra

Domingo, primeira hora da manhã, uma dúzia de fregueses no sacolão. Quando estava passando pelo caixa chegou uma senhora trêmula, dizendo pra moça do caixa que tinha deixado a bolsinha com o cartão de crédito presa no carrinho de compras e foi só se virar para pegar alguma verdura e quando viu, a bolsinha não estava mais no carrinho. Ela estava literalmente incrédula.

 

Quem ouviu a história não falou, mas pensou, com certeza, como alguém pode se descuidar desse jeito...
Eu entendi o raciocínio daquela senhora. Parecia um ambiente tranquilo, gente de meia idade, idosos, casais, parecia ‘tudo em casa’. Jamais ela imaginou que ali no meio poderia ter alguém com outras intenções que não de comprar frutas e verduras.
Ela acreditou que estava segura.
Compreendi o espanto daquela senhora desolada.

 

Na real, vivemos num mundo em que não podemos mais confiar em nada, nem mesmo em ambientes que nos parecem tão familiares.
Ficar ligado sempre é a regra geral. Qualquer descuido pode dar nisso. Confiança é uma qualidade sim, mas confiar demais pode causar grandes frustrações.

Pense nisso.

Escrito por Marlise Schneider, 24/03/2014 às 09h41 | lisi@pagina3.com.br

Falta dignidade

 

Todos os anos a história se repete. Os índios vêm para praia para faturar um dinheirinho na temporada, vendendo bijuterias e alguns artigos típicos, como arco e flecha e aquelas cestonas de vime (cada vez menos) nas calçadas.

Antes da chegada deles, o pessoal se reúne, diz que esse ano vai ser assim-assado e quando chega a hora, está tudo igual. Em anos anteriores tentaram juntá-los com o pessoal do artesanato, mas eles não gostaram da ideia e ficou por isso mesmo.

Esse ano mesmo eles extrapolaram. Montaram suas tendinhas pela Brasil afora, em frente ao shopping, perto do Bradesco, em frente as Lojas Americanas e por aí vai. Ali eles passam o dia, com crianças, às vezes bebês. Ali eles comem e ali as crianças brincam, apesar do risco, já que o trânsito na Brasil, é constante e intenso.

Essa semana uma leitora ligou pra dizer que alguns até dormem nas calçadas com suas crianças. Até porque o acampamento é distante do centro.

Fico me perguntando porque é tão difícil achar um jeito de melhorar essa situação pra todo mundo. Principalmente para eles, já que é inevitável, todo verão eles vêm. Encontrar um lugar onde possam se alojar com decência e um espaço característico para eles, que todo mundo possa identificar, ali estão as barracas dos índios.

Cada vez que ando pelo centro e vejo estas cenas, fico me perguntando sobre direitos, deveres, e o que vai acontecer se um dia desses um indiozinho – sim, eles correm, brincam e já ‘quase’ foram atropelados ali mesmo – for apanhado por um carro, uma moto, uma bike ou qualquer outra coisa...vai ser um estardalhaço nacional, podem acreditar!

É um assunto sério. É mais do que hora de preocupar-se com essa questão. Senão, no próximo verão, estará tudo igual de novo. Ou não?

Escrito por Marlise Schneider, 07/02/2014 às 15h41 | lisi@pagina3.com.br



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... curiosa desde guria, ligada, discreta, caseira, sonhadora. Jornalista, chefe de jornalismo do Jornal Página 3.














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Desculpas? Ah, pára com isso!

Comecei minha carreira de jornalismo em uma redação de esportes. Escrevia sobre todos os esportes, menos futebol e automobilismo. Mas convivia no mesmo ambiente, acompanhava de perto tudo relacionado a futebol. Durante 10 anos, na Cia. Caldas Junior (primeiro na Folha da tarde, depois no Correio do Povo), em Porto Alegre, acompanhei vitórias, derrotas, Olimpíadas, Copas do Mundo, aprendi que não se pode ganhar sempre, entendi que perder faz parte do jogo, mas nunca, jamais, em nenhum momento daqueles 10 anos e dos 22 seguintes que trabalhei em redações do Rio e de Balneário Camboriú vi algo parecido com o que vi neste 8 de julho.


No fundo, no fundo, acho que todo brasileiro estava meio receoso, apesar da Alemanha chegar apertada até a semifinal. Havia um sentimento de ‘possível’ derrota, mas algo assim muito apertado, tipo 2x1...esse era meu palpite para nós, mas poderia ser pra eles também...algo justo, que correspondesse a uma semifinal. Mas 7...???


Não entendo de tática, técnica e essas coisas que milhões de brasileiros dominam. Mas falo do envolvimento, do entorno, do que girou em torno disso...afinal o futebol é a única coisa que consegue parar o país, literalmente.


É por isso que não dá pra aceitar o Felipão pedindo desculpas. Mas não dá mesmo!
É por isso que não dá pra aceitar que foi a falta do Neymar e do Tiago Silva. mas não foi mesmo!
É por isso que não dá pra aceitar que foi um dia bom pra Alemanha e ruím para o Brasil. Tá de brincadeira dizer um negócio desses!
É por isso que não dá pra aceitar essa ‘ducha de água gelada’ depois de todo aquele ‘já ganhou’...aquela ‘certeza’ do hexa...tá escrito no ônibus da seleção... ‘o hexa está chegando...’ que transmitiram pra gente desde que se fala em Copa do Mundo.


Vergonha é o sentimento que me domina hoje.


Tô como aquele conterrâneo que escreveu nas redes que está com vergonha de sair no quintal porque o cachorro dele, um pastor alemão, pode rir dele...
O meu cachorro é um vira-lata. Mas juro por Deus, ele tá me olhando diferente hoje. Cruzes!
 

Escrito por Marlise Schneider, 09/07/2014 às 09h02 | lisi@pagina3.com.br

Foi mais cedo. Que pena.

O ministro Joaquim Barbosa nos deixou meio ‘órfãos’ pelo menos uns 10 anos antes do tempo. Fico imaginando porque ele ‘entregou’ os pontos, se ainda tinha tanto pra fazer. De qualquer forma ele entrou pra história como o homem que botou os mensaleiros atrás das grades, acho que essa é a marca que ele vai levar deste posto que ocupou. Confesso que custei acreditar quando vi que isso de fato aconteceu...

Será que ele se chateou porque botou os caras nos quadrados e alguns colegas dele estão abrindo os quadrados agora? Devagar, como quem não quer nada...vão abrindo, abrindo e daqui a pouco, quando nos dermos conta, tá tudo solto de novo...bandido de gravata é diferente do comum, tem mil meios e caminhos pra se livrar...

Me chamou atenção que o ministro Barbosa falou que agora quer fazer outras coisas, em outros planos, mas que vai torcer para que todos nesse país façam o que tem que ser feito: cumprir a lei, a Constituição. É mais ou menos o óbvio, mas para ter falado nisso...meus botões aqui ficam desconfiados, achando que ele saiu porque de fato isso não vinha acontecendo e, de repente, comprometendo o seu papel, a sua postura.

Será que tô errada?
 

Escrito por Marlise Schneider, 02/07/2014 às 12h12 | lisi@pagina3.com.br

Falta de respeito é pouco

Leio o artigo da colega Marcela Viecelli, publicado no Página3 on line, sobre os ‘efeitos’ do jogo Brasil e México e considerei aquilo tudo um conjunto de falta de educação, de respeito, de compreensão e de preocupar-se com o outro. Não tinha motivo para tanto, ainda mais ontem depois daquele resultado.

Mas logo após o jogo, fui para um compromisso, na Rua Indonésia e caminhando ao longo da Terceira Avenida, vi cada coisa...gente trêbada chegando em sentido contrário, quase ‘abalroando’ quem andava na calçada...eu desviei de um casal verde e amarelo e ouvi um monte de desaforo do sujeito e da sua namorada, mandando prá lá e prá cá...é claro que não respondi, segui em frente, sem me atrever a olhar para trás...quando de repente, senti um puxão no meu casaco, era o casal verde e amarelo, pedindo explicação, porque eu estava ignorando a alegria deles...eles queriam saber porque!

Me assustei e desviei o caminho. Eles tomaram outro rumo. Foram perguntar pra outros...


Mais adiante, em frente a um bar ou padaria nem lembro, estavam assando espetinhos em uma churrasqueira instalada no passeio. Desviei de novo. O sujeito com um chapelão amarelão e a cara pintada de verde e azul veio atrás, me oferecendo um espetinho de linguiça. Não dei bola. Segui os passos, cada vez mais rápido. Ele insistiu. Eu agradeci. Ele jogou o palito nos meus pés. E quando olhei pra traz, o homem estava botando até as tripas pra fora. Que nojo, revoltou a mente e o estômago.

O resto do caminho foi normal. Mas fiquei pensando, em dia de jogo, não vou mais me arriscar. Melhor ficar dentro de casa. É mais garantido. Por que na rua, recorrer a quem? Embora dentro de casa, mesmo recorrendo a polícia, não adianta muito também, né Marcela!

 

Escrito por Marlise Schneider, 18/06/2014 às 13h23 | lisi@pagina3.com.br

Um viva ao nosso campeão

Ninguém mais do que o Ígor Amorelli merece este título. Este e outros que já conquistou. Este e outros que ainda virão.

 

Na semana passada, quando entrevistei Ígor sobre o Ironman Brasil, comentei que eu estava percebendo uma ‘pressão’ da mídia, porque nunca um brasileiro havia vencido o Ironman Brasil, desde que ele existe, há 13 anos. E na sequência ele e outros que já chegaram perto, com prata e bronze, eram citados. Perguntei a ele, se esta ‘pressão’ indireta incomodava antes de uma prova como esta. Porque o Iron mexe com tudo, físico, emocional, mental, racional...é um negócio complexo.

 

Ele como sempre, muito calmo, respondeu que dependendo do atleta pode ter uma reação positiva ou negativa. “Eu sei que existe essa pressão, mas no meu caso, sei que isso não adianta nada, não vou ganhar nenhum minuto de vantagem e na largada tá todo mundo igual. Nós preparamos nossa cabeça pra dar o melhor sempre, independente de pressão, de adversários, de condições, etc.”, disse Ígor.

 

Resposta de um atleta maduro. Que provou isso na prática. Foi lá, fez tudo o que aprendeu ao longo desses anos e deixou a sua marca.
Sei que este é um marco muito significativo na vida desse super atleta e de toda a família, a Marta, o Edmilson e a mana Talita.

E vai ficar pra sempre na nossa memória. Valeu Ígor.

 

Escrito por Marlise Schneider, 26/05/2014 às 12h07 | lisi@pagina3.com.br

Todo cuidado é pouco. É a regra

Domingo, primeira hora da manhã, uma dúzia de fregueses no sacolão. Quando estava passando pelo caixa chegou uma senhora trêmula, dizendo pra moça do caixa que tinha deixado a bolsinha com o cartão de crédito presa no carrinho de compras e foi só se virar para pegar alguma verdura e quando viu, a bolsinha não estava mais no carrinho. Ela estava literalmente incrédula.

 

Quem ouviu a história não falou, mas pensou, com certeza, como alguém pode se descuidar desse jeito...
Eu entendi o raciocínio daquela senhora. Parecia um ambiente tranquilo, gente de meia idade, idosos, casais, parecia ‘tudo em casa’. Jamais ela imaginou que ali no meio poderia ter alguém com outras intenções que não de comprar frutas e verduras.
Ela acreditou que estava segura.
Compreendi o espanto daquela senhora desolada.

 

Na real, vivemos num mundo em que não podemos mais confiar em nada, nem mesmo em ambientes que nos parecem tão familiares.
Ficar ligado sempre é a regra geral. Qualquer descuido pode dar nisso. Confiança é uma qualidade sim, mas confiar demais pode causar grandes frustrações.

Pense nisso.

Escrito por Marlise Schneider, 24/03/2014 às 09h41 | lisi@pagina3.com.br

Falta dignidade

 

Todos os anos a história se repete. Os índios vêm para praia para faturar um dinheirinho na temporada, vendendo bijuterias e alguns artigos típicos, como arco e flecha e aquelas cestonas de vime (cada vez menos) nas calçadas.

Antes da chegada deles, o pessoal se reúne, diz que esse ano vai ser assim-assado e quando chega a hora, está tudo igual. Em anos anteriores tentaram juntá-los com o pessoal do artesanato, mas eles não gostaram da ideia e ficou por isso mesmo.

Esse ano mesmo eles extrapolaram. Montaram suas tendinhas pela Brasil afora, em frente ao shopping, perto do Bradesco, em frente as Lojas Americanas e por aí vai. Ali eles passam o dia, com crianças, às vezes bebês. Ali eles comem e ali as crianças brincam, apesar do risco, já que o trânsito na Brasil, é constante e intenso.

Essa semana uma leitora ligou pra dizer que alguns até dormem nas calçadas com suas crianças. Até porque o acampamento é distante do centro.

Fico me perguntando porque é tão difícil achar um jeito de melhorar essa situação pra todo mundo. Principalmente para eles, já que é inevitável, todo verão eles vêm. Encontrar um lugar onde possam se alojar com decência e um espaço característico para eles, que todo mundo possa identificar, ali estão as barracas dos índios.

Cada vez que ando pelo centro e vejo estas cenas, fico me perguntando sobre direitos, deveres, e o que vai acontecer se um dia desses um indiozinho – sim, eles correm, brincam e já ‘quase’ foram atropelados ali mesmo – for apanhado por um carro, uma moto, uma bike ou qualquer outra coisa...vai ser um estardalhaço nacional, podem acreditar!

É um assunto sério. É mais do que hora de preocupar-se com essa questão. Senão, no próximo verão, estará tudo igual de novo. Ou não?

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