Jornal Página 3
Coluna
Falando Nisso
Por Marlise Schneider

Sim, vamos deixar por isso mesmo

Já estou quase me 'acostumando' a perder em eleições...é um exercício de cidadania, no qual acredito, por isso faço o que considero certo e depois respeito a decisão da maioria. É assim que funciona, não é mesmo? 

 

Mas dentro das minhas convicções, e nos últimos anos isso tem se reforçado sobremaneira, me sinto uma espécie de palhaça, nesse contexto. Eu não suporto roubalheira, corrupção, porque aprendi que é errado e defendo essa verdade com veemência. Não consigo concordar, muito menos aceitar essa corrupção instalada no país, em todos os níveis. 

 

 

Por quê isso nunca acaba?

 

Por que os brasileiros aceitam passivamente uma situação como esta, carimbando mais um período para um governo que permite tudo que está acontecendo? Alguém pode explicar como se processa isso na cabeça dos brasileiros? Aquela vergonha do mensalão...a vergonha da Petrobras...escândalos que os brasileiros que lêem jornais e revistas, só ficam sabendo porque tem imprensa que corre atrás, investiga...senão nada disso viria a público...e mesmo assim, a maioria diz...sim, vamos deixar por isso mesmo.

O que há de errado comigo afinal?

 

Escrito por Marlise Schneider, 27/10/2014 às 11h09 | lisi@pagina3.com.br

Vamos deixar por isso mesmo?

 

Nos últimos dias a campanha 'embaralhou' as cabeças desse país, ou pelo menos, tentou. Tenho certeza que muitas cabeças 'foram feitas'. De um lado e de outro. Parece que estamos vivendo uma luta corporal, do bem e do mal, do certo e do errado, do passado e do presente...e acho que vai piorar nestas últimas horas antes do povo ir às urnas.

 

Lembro de algo parecido na minha infância e que me marcou. Era uma disputa frenética e acusações de tudo que era lado e onde eu morava, até os vizinhos se xingavam. Eu curtia porque um dos candidatos, Marechal Lott, distribuía botons, em forma de espada prateada e seu principal adversário, Jânio Quadros, distribuía botons em forma de vassourinhas douradas. Lott dizia que Jânio afundaria o país em dois toques. Jânio dizia que iria 'varrer' a sujeira do país. Marcas da política na infãncia. A vizinhança quase se matava por um ou outro. Eu aproveitava para colecionar espadas e vassouras.

 

Durante a semana acompanhei os programas da campanha, tem mais xingação do que projetos, tem ataques violentos e mentiras deslavadas e o Lula parece 'tremer' de raiva quando fala das aves adversárias. Perdeu a compostura. Não parece um ex-presidente. Mas qualquer brasileiro sabe que o homem não saciou sua fome e quer voltar ao trono. E isso vai acontecer, se o PT ganhar esta eleição.

 

Voto pelo fim da reeleição. Acho que muito tempo no poder, favorece a roubalheira, a impunidade vai se agigantando e o povo vai se ferrando. Acho que quatro anos é um bom tempo para governar. Depois dar lugar a outros projetos e outras ideias. Acredito que só assim o país voltará a crescer para todos e de verdade.

 

Além disso, gosto de mudança. Até aquelas que a gente faz dentro de casa, mudando um móvel de lugar, mudando as cores de um quarto, mudando o quadro do corredor, mudando o corte de cabelo, mudando o que tem dentro do guarda-roupa, mudando o que tem dentro da bolsa...dá um novo alento, um novo ânimo...quem não gosta de mudar?

 

A verdade é que faço parte daquele time de brasileiros que fica com vergonha quando os outros roubam...verdade, gente! Nos últimos anos, a roubalheira dominou esse país em todos os níveis, lá de cima, de onde deveria vir o exemplo, até aqui nas redondezas. É uma vergonha o que está acontecendo. Eu sinto vergonha de tudo isso e de deixarmos isso acontecer.

Vamos deixar por isso mesmo? 

 

Escrito por Marlise Schneider, 24/10/2014 às 14h48 | lisi@pagina3.com.br

PELO FIM DA REELEIÇÃO

 

Desde semanas antes do primeiro turno tenho perguntado aos meus botões quem, afinal, está no comando desse país? A presidente está em campanha pela reeleição, o vice-presidente também está...os ministros também estão...então se supõe que estamos 'ao Deus dará'. Por essa e outras, sou firmemente contra a reeleição. Penso que ela, a reeleição, é uma das responsáveis pelo lamaçal de ladroagem (existe essa palavra???) que se instalou em todos os níveis desse país. Em todos os níveis mesmo.

 

Parece que quanto mais m....aparece, mais eles fazem. Tá faltando ventilador no mercado e sobrando m....e impunidade.

É triste, mas é verdade. Estamos cansados de ouvir e ler sobre tantas barbaridades. Quando isso vai parar? Agora mesmo nessa campanha o que mais se ouve são tiroteios de ambos os lados, acusações, tudo ligado a corrupção, a roubalheira e nós ficamos assistindo...pouco se ouve sobre planos de governo, projetos, o que vai mudar de verdade...

Essa semana participei de uma reunião, onde a maioria é classe média ou classe média baixa e ali senti que o pessoal está muito, mas muito indignado com a roubalheira, corrupção na Petrobras, algo que chocou os brasileiros e a presidente tenta de todas as maneiras desconversar, não toma uma atitude...também senti irritação com o bolsa-família, diziam que esse 'paternalismo social' não incentiva o trabalho, o emprego, tem um 'bocado' de gente atirada nas cordas...exatamente essa a expressão que escutei! E enquanto isso essa classe trabalhadora, classe média e média baixa, é sacrificada, vai no mercado e os preços subiram, vai abastecer e o preço vai subir logo, logo...tem que pagar plano de saúde (caríssimos), tem que mandar os filhos pra colégio particular, paga impostos sobre tudo que consome...senti que o pessoal cansou, porque paga, paga e paga de novo pra depois ver e ouvir corrupção por todos os lados...é ela, a corrupção, quem está consumindo o povo...ah e ainda querem mudar a lei pra fechar a boca da imprensa. O pouco-que-se-sabe é graças à imprensa. Ou não?

Por tudo isso que escutei e por tudo que penso, acho que está mesmo na hora de mudar e acabar com a reeleição será uma mudança que beneficiará o povo e intimidará o lastro da corrupção nesse país. Em todos os níveis. Eu ainda acredito.

 

 

Escrito por Marlise Schneider, 15/10/2014 às 12h20 | lisi@pagina3.com.br

Chateação eleitoral

 

Chateação eleitoral

 

Estamos nesse período de 'chateação' eleitoral necessária. Acompanho os programas eleitorais, na medida do possível e leio sobre os candidatos, mas é uma cultura um tanto quanto...só que pra votar precisa ter conhecimento, para 'tentar' não desperdiçar seu precioso voto.

Mas tem coisas que não concordo, por exemplo, desde que começou essa campanha, o país está sem presidente, sem vice... Santa Catarina sem governador, sem vice... e assim por diante. Porque na condição de candidatos estão sempre viajando, às vezes passando por três estados ou cidades em um só dia. Governar como? Pedindo voto?

Mas não é só isso. Os que estão no poder, os que tem a caneta, tem ampla vantagem sobre os demais candidatos. Não tem? Quer concorrer, beleza...mas sai do cargo, afinal vice serve prá quê?

Acho injusto, acho que é hora de repensar reeleição nesse país. Mudar. Quem sabe a roubalheira diminui? Porque anos e anos ocupando cargos e mais cargos, desencadeia desânimo, acomodação e facilita até a corrupção, porque a coisa está enraizada e aí o sujeito começa a se olhar no espelho e pensar... 'pô o cara faz, por que não posso fazer também'?

Igualdade de condições seria bem mais democrático.

 

Escrito por Marlise Schneider, 29/08/2014 às 15h40 | lisi@pagina3.com.br

Uma Camboriú balneário...

Dediquei uma hora do meu tempo neste domingo ‘cinquentenário’ e ensolarado para sentar em um banco da avenida Atlântica e observar o movimento. Foi tempo suficiente para medir as mudanças. Nesta hora não passou uma só pessoa conhecida. É o sinal da mudança. Do crescimento. Do desenvolvimento. Já venho observando há algum tempo, quando ando pela praia, que ‘parece’ que cada vez encontro menos pessoas conhecidas. É que tem cada dia mais pessoas novas chegando para viver aqui.

O movimento é um termômetro da mudança. Conheço a praia desde o final da década de 70. Moro aqui desde julho de 1988. Caminhar na praia sempre foi sinônimo de encontrar ‘todo mundo’. É abano pra cá, aceno pra lá, cumprimentos e muitas e muitas paradas para uma conversinha rápida, pra não prejudicar a caminhada...outro dia já percebi essa mudança no supermercado, onde encontro cada vez menos meus ‘velhos’ conhecidos...

Na semana passada aqui na redação vivemos intensamente a história, o começo, o crescimento, os personagens e o receio do futuro que muitos demonstraram. Não é pra menos. Já digo porque.

Neste mesmo domingo cinquentenário e ensolarado caminhei no centro e sabem o que mais vi? Lojas fechadas com placa pra alugar e prédios em obras com salas e mais salas pra alugar. Percebi tanta coisa mudando que cheguei a duvidar da minha memória. Pensei: Semana passada funcionava um negócio nesta esquina e agora estão reformando pra abrir outra coisa?

Este jornal que no próximo sábado completa 23 anos funcionou durante muitos anos na rua 1520 esquina com 1500. Era um sobrado em um terreno cheio de árvores ao lado. Lembro que no contrato de aluguel, tivemos que assinar um termo nos comprometendo em não ‘tirar’ nenhuma destas árvores. Prometemos e dissemos, muito pelo contrário, vamos plantar mais e mais. E foi o que fizemos ao longo de quase 9 anos que ali moramos. Ontem passei naquela esquina e naquele terreno tem um prédio imenso e nenhuma árvore...o proprietário se rendeu ao crescimento. Aliás na rua 1500 tanta coisa mudou nos últimos 10 anos...

São muitas as mudanças.

E na conversa que tivemos para fazer o Caderno BC 50 Anos – que modéstia à parte – ficou lindo ( e está nas bancas), muitos dos entrevistados demonstraram sentimento de receio sobre o desafio do futuro, o que mais mudará, além de tudo que já mudou?

Um deles, seu Chedid, disse uma frase que guardei e assino embaixo, ‘eu sempre quis uma Camboriú balneário...’.

Hoje alguém consegue imaginar uma Camboriú balneário?
Eu a vi. Eu a vivi.
Mas hoje não consigo mais senti-la desta forma.
O que não diminui em nada o amor que sinto por ela. Mas cá entre nós, que dá saudade...ah isso dá!!!
 

Escrito por Marlise Schneider, 21/07/2014 às 17h29 | lisi@pagina3.com.br

Desculpas? Ah, pára com isso!

Comecei minha carreira de jornalismo em uma redação de esportes. Escrevia sobre todos os esportes, menos futebol e automobilismo. Mas convivia no mesmo ambiente, acompanhava de perto tudo relacionado a futebol. Durante 10 anos, na Cia. Caldas Junior (primeiro na Folha da tarde, depois no Correio do Povo), em Porto Alegre, acompanhei vitórias, derrotas, Olimpíadas, Copas do Mundo, aprendi que não se pode ganhar sempre, entendi que perder faz parte do jogo, mas nunca, jamais, em nenhum momento daqueles 10 anos e dos 22 seguintes que trabalhei em redações do Rio e de Balneário Camboriú vi algo parecido com o que vi neste 8 de julho.


No fundo, no fundo, acho que todo brasileiro estava meio receoso, apesar da Alemanha chegar apertada até a semifinal. Havia um sentimento de ‘possível’ derrota, mas algo assim muito apertado, tipo 2x1...esse era meu palpite para nós, mas poderia ser pra eles também...algo justo, que correspondesse a uma semifinal. Mas 7...???


Não entendo de tática, técnica e essas coisas que milhões de brasileiros dominam. Mas falo do envolvimento, do entorno, do que girou em torno disso...afinal o futebol é a única coisa que consegue parar o país, literalmente.


É por isso que não dá pra aceitar o Felipão pedindo desculpas. Mas não dá mesmo!
É por isso que não dá pra aceitar que foi a falta do Neymar e do Tiago Silva. mas não foi mesmo!
É por isso que não dá pra aceitar que foi um dia bom pra Alemanha e ruím para o Brasil. Tá de brincadeira dizer um negócio desses!
É por isso que não dá pra aceitar essa ‘ducha de água gelada’ depois de todo aquele ‘já ganhou’...aquela ‘certeza’ do hexa...tá escrito no ônibus da seleção... ‘o hexa está chegando...’ que transmitiram pra gente desde que se fala em Copa do Mundo.


Vergonha é o sentimento que me domina hoje.


Tô como aquele conterrâneo que escreveu nas redes que está com vergonha de sair no quintal porque o cachorro dele, um pastor alemão, pode rir dele...
O meu cachorro é um vira-lata. Mas juro por Deus, ele tá me olhando diferente hoje. Cruzes!
 

Escrito por Marlise Schneider, 09/07/2014 às 09h02 | lisi@pagina3.com.br



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Marlise Schneider

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... curiosa desde guria, ligada, discreta, caseira, sonhadora. Jornalista, chefe de jornalismo do Jornal Página 3.


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Falando Nisso
Por Marlise Schneider

Sim, vamos deixar por isso mesmo

Já estou quase me 'acostumando' a perder em eleições...é um exercício de cidadania, no qual acredito, por isso faço o que considero certo e depois respeito a decisão da maioria. É assim que funciona, não é mesmo? 

 

Mas dentro das minhas convicções, e nos últimos anos isso tem se reforçado sobremaneira, me sinto uma espécie de palhaça, nesse contexto. Eu não suporto roubalheira, corrupção, porque aprendi que é errado e defendo essa verdade com veemência. Não consigo concordar, muito menos aceitar essa corrupção instalada no país, em todos os níveis. 

 

 

Por quê isso nunca acaba?

 

Por que os brasileiros aceitam passivamente uma situação como esta, carimbando mais um período para um governo que permite tudo que está acontecendo? Alguém pode explicar como se processa isso na cabeça dos brasileiros? Aquela vergonha do mensalão...a vergonha da Petrobras...escândalos que os brasileiros que lêem jornais e revistas, só ficam sabendo porque tem imprensa que corre atrás, investiga...senão nada disso viria a público...e mesmo assim, a maioria diz...sim, vamos deixar por isso mesmo.

O que há de errado comigo afinal?

 

Escrito por Marlise Schneider, 27/10/2014 às 11h09 | lisi@pagina3.com.br

Vamos deixar por isso mesmo?

 

Nos últimos dias a campanha 'embaralhou' as cabeças desse país, ou pelo menos, tentou. Tenho certeza que muitas cabeças 'foram feitas'. De um lado e de outro. Parece que estamos vivendo uma luta corporal, do bem e do mal, do certo e do errado, do passado e do presente...e acho que vai piorar nestas últimas horas antes do povo ir às urnas.

 

Lembro de algo parecido na minha infância e que me marcou. Era uma disputa frenética e acusações de tudo que era lado e onde eu morava, até os vizinhos se xingavam. Eu curtia porque um dos candidatos, Marechal Lott, distribuía botons, em forma de espada prateada e seu principal adversário, Jânio Quadros, distribuía botons em forma de vassourinhas douradas. Lott dizia que Jânio afundaria o país em dois toques. Jânio dizia que iria 'varrer' a sujeira do país. Marcas da política na infãncia. A vizinhança quase se matava por um ou outro. Eu aproveitava para colecionar espadas e vassouras.

 

Durante a semana acompanhei os programas da campanha, tem mais xingação do que projetos, tem ataques violentos e mentiras deslavadas e o Lula parece 'tremer' de raiva quando fala das aves adversárias. Perdeu a compostura. Não parece um ex-presidente. Mas qualquer brasileiro sabe que o homem não saciou sua fome e quer voltar ao trono. E isso vai acontecer, se o PT ganhar esta eleição.

 

Voto pelo fim da reeleição. Acho que muito tempo no poder, favorece a roubalheira, a impunidade vai se agigantando e o povo vai se ferrando. Acho que quatro anos é um bom tempo para governar. Depois dar lugar a outros projetos e outras ideias. Acredito que só assim o país voltará a crescer para todos e de verdade.

 

Além disso, gosto de mudança. Até aquelas que a gente faz dentro de casa, mudando um móvel de lugar, mudando as cores de um quarto, mudando o quadro do corredor, mudando o corte de cabelo, mudando o que tem dentro do guarda-roupa, mudando o que tem dentro da bolsa...dá um novo alento, um novo ânimo...quem não gosta de mudar?

 

A verdade é que faço parte daquele time de brasileiros que fica com vergonha quando os outros roubam...verdade, gente! Nos últimos anos, a roubalheira dominou esse país em todos os níveis, lá de cima, de onde deveria vir o exemplo, até aqui nas redondezas. É uma vergonha o que está acontecendo. Eu sinto vergonha de tudo isso e de deixarmos isso acontecer.

Vamos deixar por isso mesmo? 

 

Escrito por Marlise Schneider, 24/10/2014 às 14h48 | lisi@pagina3.com.br

PELO FIM DA REELEIÇÃO

 

Desde semanas antes do primeiro turno tenho perguntado aos meus botões quem, afinal, está no comando desse país? A presidente está em campanha pela reeleição, o vice-presidente também está...os ministros também estão...então se supõe que estamos 'ao Deus dará'. Por essa e outras, sou firmemente contra a reeleição. Penso que ela, a reeleição, é uma das responsáveis pelo lamaçal de ladroagem (existe essa palavra???) que se instalou em todos os níveis desse país. Em todos os níveis mesmo.

 

Parece que quanto mais m....aparece, mais eles fazem. Tá faltando ventilador no mercado e sobrando m....e impunidade.

É triste, mas é verdade. Estamos cansados de ouvir e ler sobre tantas barbaridades. Quando isso vai parar? Agora mesmo nessa campanha o que mais se ouve são tiroteios de ambos os lados, acusações, tudo ligado a corrupção, a roubalheira e nós ficamos assistindo...pouco se ouve sobre planos de governo, projetos, o que vai mudar de verdade...

Essa semana participei de uma reunião, onde a maioria é classe média ou classe média baixa e ali senti que o pessoal está muito, mas muito indignado com a roubalheira, corrupção na Petrobras, algo que chocou os brasileiros e a presidente tenta de todas as maneiras desconversar, não toma uma atitude...também senti irritação com o bolsa-família, diziam que esse 'paternalismo social' não incentiva o trabalho, o emprego, tem um 'bocado' de gente atirada nas cordas...exatamente essa a expressão que escutei! E enquanto isso essa classe trabalhadora, classe média e média baixa, é sacrificada, vai no mercado e os preços subiram, vai abastecer e o preço vai subir logo, logo...tem que pagar plano de saúde (caríssimos), tem que mandar os filhos pra colégio particular, paga impostos sobre tudo que consome...senti que o pessoal cansou, porque paga, paga e paga de novo pra depois ver e ouvir corrupção por todos os lados...é ela, a corrupção, quem está consumindo o povo...ah e ainda querem mudar a lei pra fechar a boca da imprensa. O pouco-que-se-sabe é graças à imprensa. Ou não?

Por tudo isso que escutei e por tudo que penso, acho que está mesmo na hora de mudar e acabar com a reeleição será uma mudança que beneficiará o povo e intimidará o lastro da corrupção nesse país. Em todos os níveis. Eu ainda acredito.

 

 

Escrito por Marlise Schneider, 15/10/2014 às 12h20 | lisi@pagina3.com.br

Chateação eleitoral

 

Chateação eleitoral

 

Estamos nesse período de 'chateação' eleitoral necessária. Acompanho os programas eleitorais, na medida do possível e leio sobre os candidatos, mas é uma cultura um tanto quanto...só que pra votar precisa ter conhecimento, para 'tentar' não desperdiçar seu precioso voto.

Mas tem coisas que não concordo, por exemplo, desde que começou essa campanha, o país está sem presidente, sem vice... Santa Catarina sem governador, sem vice... e assim por diante. Porque na condição de candidatos estão sempre viajando, às vezes passando por três estados ou cidades em um só dia. Governar como? Pedindo voto?

Mas não é só isso. Os que estão no poder, os que tem a caneta, tem ampla vantagem sobre os demais candidatos. Não tem? Quer concorrer, beleza...mas sai do cargo, afinal vice serve prá quê?

Acho injusto, acho que é hora de repensar reeleição nesse país. Mudar. Quem sabe a roubalheira diminui? Porque anos e anos ocupando cargos e mais cargos, desencadeia desânimo, acomodação e facilita até a corrupção, porque a coisa está enraizada e aí o sujeito começa a se olhar no espelho e pensar... 'pô o cara faz, por que não posso fazer também'?

Igualdade de condições seria bem mais democrático.

 

Escrito por Marlise Schneider, 29/08/2014 às 15h40 | lisi@pagina3.com.br

Uma Camboriú balneário...

Dediquei uma hora do meu tempo neste domingo ‘cinquentenário’ e ensolarado para sentar em um banco da avenida Atlântica e observar o movimento. Foi tempo suficiente para medir as mudanças. Nesta hora não passou uma só pessoa conhecida. É o sinal da mudança. Do crescimento. Do desenvolvimento. Já venho observando há algum tempo, quando ando pela praia, que ‘parece’ que cada vez encontro menos pessoas conhecidas. É que tem cada dia mais pessoas novas chegando para viver aqui.

O movimento é um termômetro da mudança. Conheço a praia desde o final da década de 70. Moro aqui desde julho de 1988. Caminhar na praia sempre foi sinônimo de encontrar ‘todo mundo’. É abano pra cá, aceno pra lá, cumprimentos e muitas e muitas paradas para uma conversinha rápida, pra não prejudicar a caminhada...outro dia já percebi essa mudança no supermercado, onde encontro cada vez menos meus ‘velhos’ conhecidos...

Na semana passada aqui na redação vivemos intensamente a história, o começo, o crescimento, os personagens e o receio do futuro que muitos demonstraram. Não é pra menos. Já digo porque.

Neste mesmo domingo cinquentenário e ensolarado caminhei no centro e sabem o que mais vi? Lojas fechadas com placa pra alugar e prédios em obras com salas e mais salas pra alugar. Percebi tanta coisa mudando que cheguei a duvidar da minha memória. Pensei: Semana passada funcionava um negócio nesta esquina e agora estão reformando pra abrir outra coisa?

Este jornal que no próximo sábado completa 23 anos funcionou durante muitos anos na rua 1520 esquina com 1500. Era um sobrado em um terreno cheio de árvores ao lado. Lembro que no contrato de aluguel, tivemos que assinar um termo nos comprometendo em não ‘tirar’ nenhuma destas árvores. Prometemos e dissemos, muito pelo contrário, vamos plantar mais e mais. E foi o que fizemos ao longo de quase 9 anos que ali moramos. Ontem passei naquela esquina e naquele terreno tem um prédio imenso e nenhuma árvore...o proprietário se rendeu ao crescimento. Aliás na rua 1500 tanta coisa mudou nos últimos 10 anos...

São muitas as mudanças.

E na conversa que tivemos para fazer o Caderno BC 50 Anos – que modéstia à parte – ficou lindo ( e está nas bancas), muitos dos entrevistados demonstraram sentimento de receio sobre o desafio do futuro, o que mais mudará, além de tudo que já mudou?

Um deles, seu Chedid, disse uma frase que guardei e assino embaixo, ‘eu sempre quis uma Camboriú balneário...’.

Hoje alguém consegue imaginar uma Camboriú balneário?
Eu a vi. Eu a vivi.
Mas hoje não consigo mais senti-la desta forma.
O que não diminui em nada o amor que sinto por ela. Mas cá entre nós, que dá saudade...ah isso dá!!!
 

Escrito por Marlise Schneider, 21/07/2014 às 17h29 | lisi@pagina3.com.br

Desculpas? Ah, pára com isso!

Comecei minha carreira de jornalismo em uma redação de esportes. Escrevia sobre todos os esportes, menos futebol e automobilismo. Mas convivia no mesmo ambiente, acompanhava de perto tudo relacionado a futebol. Durante 10 anos, na Cia. Caldas Junior (primeiro na Folha da tarde, depois no Correio do Povo), em Porto Alegre, acompanhei vitórias, derrotas, Olimpíadas, Copas do Mundo, aprendi que não se pode ganhar sempre, entendi que perder faz parte do jogo, mas nunca, jamais, em nenhum momento daqueles 10 anos e dos 22 seguintes que trabalhei em redações do Rio e de Balneário Camboriú vi algo parecido com o que vi neste 8 de julho.


No fundo, no fundo, acho que todo brasileiro estava meio receoso, apesar da Alemanha chegar apertada até a semifinal. Havia um sentimento de ‘possível’ derrota, mas algo assim muito apertado, tipo 2x1...esse era meu palpite para nós, mas poderia ser pra eles também...algo justo, que correspondesse a uma semifinal. Mas 7...???


Não entendo de tática, técnica e essas coisas que milhões de brasileiros dominam. Mas falo do envolvimento, do entorno, do que girou em torno disso...afinal o futebol é a única coisa que consegue parar o país, literalmente.


É por isso que não dá pra aceitar o Felipão pedindo desculpas. Mas não dá mesmo!
É por isso que não dá pra aceitar que foi a falta do Neymar e do Tiago Silva. mas não foi mesmo!
É por isso que não dá pra aceitar que foi um dia bom pra Alemanha e ruím para o Brasil. Tá de brincadeira dizer um negócio desses!
É por isso que não dá pra aceitar essa ‘ducha de água gelada’ depois de todo aquele ‘já ganhou’...aquela ‘certeza’ do hexa...tá escrito no ônibus da seleção... ‘o hexa está chegando...’ que transmitiram pra gente desde que se fala em Copa do Mundo.


Vergonha é o sentimento que me domina hoje.


Tô como aquele conterrâneo que escreveu nas redes que está com vergonha de sair no quintal porque o cachorro dele, um pastor alemão, pode rir dele...
O meu cachorro é um vira-lata. Mas juro por Deus, ele tá me olhando diferente hoje. Cruzes!
 

Escrito por Marlise Schneider, 09/07/2014 às 09h02 | lisi@pagina3.com.br



6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

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