Jornal Página 3
Coluna
Falando Nisso
Por Marlise Schneider

Cenário tétrico e retomada das atividades?

O Ministério da Saúde está dizendo, todos os dias, que estamos no pé da tal curva, ou seja, a coisa está só começando no país.

Soma-se a essa orientação que considero essencial, tudo o que estamos vendo em outros países, todos os dias, sem parar, os números avançam descontroladamente.

E então eu pergunto: com todo esse cenário tétrico diante do nosso nariz, o governador decidiu que várias atividades serão retomadas nos próximos dias? Como assim?

Escrito por Marlise Schneider, 27/03/2020 às 14h15 | lisi@pagina3.com.br

Dr. João Alfredo, partida inesperada

Neste domingo me despedi de um amigo querido. Sabe aquela pessoa boa, reta e correta, que está sempre pensando em fazer o bem, o melhor para os outros? Ele era assim.

Conhecemos há quase 30 anos.

Foi médico da família.

Foi homem público que nunca misturou política em suas quatro gestões como secretário municipal da saúde.

Homem de respeito. De valor. Sempre admirei muito. Estudioso. Toda vez que chegava para uma consulta, ele estava mergulhado em sua biblioteca. Sim, ele tinha muitos e muitos livros da sua área dentro do seu consultório. Sempre dizia: a medicina evolui todo minuto. Ou se atualiza ou não pode exercer…

No serviço público conheceu os trâmites para alcançar recursos além dos municipais, havia degraus para escalar para conseguir mais verbas do Estado ou da União. Rigoroso, ele subia cada um desses degraus e sua equipe o acompanhava. O programa de combate à Aids foi um desses exemplos. E tantos outros.

Homem de muita atitude e poucas palavras.

Às vezes se ‘soltava’. Dizia que quando parasse de clinicar teria que vender o consultório, porque seus dois filhos, nasceram com vocações diferentes. “Um tem o dom do esporte e o outro da música”. Acertou em cheio e depois de aposentado, sempre mandava notícias para o jornal, que eram publicadas nos EUA ou no Canadá, sobre as conquistas do filho mais velho, Fred, um astro do futebol e sobre as novidades que o filho caçula, Giba, revelava no mundo das artes musicais, que domina com vigor.

Mas ele era também teimoso. Por isso, sua esposa Milena estava inconformada com sua repentina partida. Ele vinha sentindo um certo desconforto no peito, mas não aceitou os conselhos que ela dava, de fazer exames...e assim, um dos cardiologistas mais antigos da praia, que cuidava do coração de tanta gente, foi pego de surpresa pelo seu coração.

Fica em paz, Dr.João Alfredo.

Escrito por Marlise Schneider, 06/01/2020 às 12h56 | lisi@pagina3.com.br

Voto consciente

No dia 10 de agosto escrevi neste espaço um texto com o título (QUASE) 60 DIAS DE DÚVIDAS, sobre a campanha eleitoral que estava começando.

Na antevéspera da eleição continuo com dúvidas.

Não sobre em QUEM votar, mas sobre o cenário triste que estamos vivendo, quando este deveria ser um momento de alegria, de responsabilidade, de olhar pra frente, de imaginar que uma eleição pode arrumar o que está torto e devolver a esperança para quem ainda acredita que tem jeito.

Tenho dúvidas sobre a estabilidade do país, dos brasileiros, principalmente a estabilidade emocional que está seriamente afetada, porque parece que as pessoas estão 'duelando' seu voto - quem vota nesse não vota naquele ou quem vota naquele não vota nesse e ponto final. Não tem discussão. É um radicalismo à esquerda e à direita. Coisa desastrosa para um país em desequilibrio.

O radicalismo afetou os defensores do bolsonarismo e os seguidores do lulismo. E só isso. Não parecem preocupados em conhecer as figuras, ler e estudar sobre esses candidatos. E sobre seus vices também, afinal ultimamente os vices têm chegado lá...socorro!!!!

De um modo geral as pessoas lêem pouco, cada vez menos. Então esta eleição está girando na internet, no celular, nas redes e ali todo mundo fala o que quer, estão dizendo e escrevendo horrores, coisa nunca vista antes.

O que mais ouvi nestes dias de campanha é os filhotes de Bolsonaro dizendo que votam nele porque não querem o PT de Lula voltar para transformar o Brasil numa Venezuela. E os filhotes petistas dizendo que Lula precisa voltar para fazer o Brasil feliz de novo e impedir que aqui se instale uma ditadura militar ou que acabem com o décimo terceiro e por aí vai.

O ambiente está pesado.

E aí residem as minhas maiores dúvidas: o que vai rolar porque alguém vai perder, não vai?

De resto, fico torcendo para que nestas poucas horas que faltam até o dia da urna, as pessoas parem para pensar com sobriedade, com inteligência, que votem no candidato que realmente consideram o melhor, naquele que tem um plano de trabalho convincente, que não votem com raiva, com ódio, isso nunca deu certo e nunca vai dar.

Quem já viveu uma ditadura, vai saber do que estou falando. Ninguém que já viveu uma ditadura quer um negócio desses de volta. Quem é mais 'antigo' lembra do maior movimento que esse país já viveu 'Diretas Já'. A reconquista pelo voto, a liberdade de escolher quem vai governar, a liberdade de expressão e a volta da democracia, hoje seriamente ameaçada.

Vamos jogar tudo isso fora gente?

A pergunta também vale para aqueles que defendem que só a volta do PT pode salvar o país. Nunca na historia desse país vivemos tantos escândalos, nunca fomos tão escandalosamente roubados e nunca na historia desse país vimos tantos 'colarinhos brancos' atrás das grades.

Vamos jogar tudo isso fora gente?

Por isso, o mais importante nesse momento é votar com consciência. Votar com convicção, naquilo que você acredita e nunca para tirar do páreo um outro candidato. Isso em outras palavras significa cada um ser dono da sua vontade.

Ainda tem tempo.

Vote consciente. E fique de bem com você mesmo. 

Escrito por Marlise Schneider, 05/10/2018 às 14h16 | lisi@pagina3.com.br

Como fica isso?

Há mais de duas semanas, uma senhora bateu na porta para pedir licença e colocar seu lixo (galhos,folhas etc) na caçamba cheia de lixo de construção. Expliquei que não podia colocar nada ali, além desse lixo de obra,porque tudo isso vai para um destino específico. Ela não entendeu.

Perguntou então se podia jogar seu lixo no terreno em frente à nossa casa. Expliquei que não, porque aquele terreno tem dono e tem uma lei municipal que proíbe jogar lixo em terrenos baldios. Ela não entendeu. Falei que havia uma lei municipal nesse sentido. Ela respondeu: Mas o terreno tá cheio de mato...e eu respondi com uma pergunta: 'A senhora gostaria que jogassem lixo no seu terreno?"

Então ela perguntou o que fazer para se desfazer daquele lixo. Aconselhei a colocar em um saco, fechar e colocar na lixeira, para o caminhão levar para o aterro.

Ela virou as costas. Foi embora. Decidiu colocar o lixo na calçada em frente à casa onde trabalhou. Os donos moram em outro estado, só vem de vez em quando.

Faz mais de duas semanas e a coisa está ali sobre o passeio. Os pedestres precisam desviar. Outros sugismundos vão colocando mais lixo em cima.

A pergunta é: quem vai tirar aquele lixo dali?

Escrito por Marlise Schneider, 12/09/2018 às 11h30 | lisi@pagina3.com.br

(Quase) 60 dias de dúvidas

Estamos prontos para os próximos (quase) 60 dias ouvir aquele blá-blá-blá de candidatos? Confesso que não estou e vou viver mais um conflito, porque quero cumprir com meu compromisso de cidadania, mas não sei de que forma.

O primeiro debate não acrescentou. Ouvi aquelas mesmas coisas de sempre, promessas de boa saúde, boa educação, transporte adequado, moradia pra todo mundo, acabar com a insegurança e cortar pela raiz tudo que se relaciona com corrupção. É como 'Alice no país das maravilhas'...

Então acho que 'perdi' algumas horas de sono e acordei com as mesmas dúvidas, algumas até maiores, sem saber como colaborar para que esse país tome jeito.

Desde criança ouço meus avós, depois meus pais, injetando esperança...as coisas vão mudar, vão melhorar, tem terra pra todo mundo, comida não vai faltar...cresci escutando isso e hoje continuamos com o mesmo cenário, até pior, porque nunca se roubou tanto nesse país, nunca se enganou tanto nesse país, e o que me fará mudar de ideia? Se não vejo uma luz no túnel.

Lembro da felicidade de poder votar depois da ditadura, meus tempos de adolescente. Quanta esperança! Era como se tivesse conquistado o maior prêmio da vida. Como analisar essa felicidade nesse contexto de hoje? Não cabe. Não é admissível. Ou perdemos tudo que tanto lutamos para conseguir naquela época?

Por essas e outras acredito que os próximos (quase) 60 dias exigirão um grande esforço de mim, de nós que estamos preocupados, que ainda arrastamos uma luzinha fraca de esperança de que as coisas entrem nos trilhos, Confesso que ando indignada, nem curto mais falar em política, mas isso não apaga a nossa cidadania, nosso dever de tentar mudar isso que aí está. Então seguirei estudando as oportunidades de mudança que foram lançadas para o povo brasileiro. São (quase) 60 dias para acalmar as dúvidas e achar uma luz. Será que vou conseguir?   

Escrito por Marlise Schneider, 10/08/2018 às 09h46 | lisi@pagina3.com.br

(Quase) 60 dias de dúvidas

Estamos prontos para os próximos (quase) 60 dias ouvir aquele blá-blá-blá de candidatos? Confesso que não estou e vou viver mais um conflito, porque quero cumprir com meu compromisso de cidadania, mas não sei de que forma.

O primeiro debate não acrescentou. Ouvi aquelas mesmas coisas de sempre, promessas de boa saúde, boa educação, transporte adequado, moradia pra todo mundo, acabar com a insegurança e cortar pela raiz tudo que se relaciona com corrupção. É como 'Alice no país das maravilhas'...

Então acho que 'perdi' algumas horas de sono e acordei com as mesmas dúvidas, algumas até maiores, sem saber como colaborar para que esse país tome jeito.

Desde criança ouço meus avós, depois meus pais, injetando esperança...as coisas vão mudar, vão melhorar, tem terra pra todo mundo, comida não vai faltar...cresci escutando isso e hoje continuamos com o mesmo cenário, até pior, porque nunca se roubou tanto nesse país, nunca se enganou tanto nesse país, e o que me fará mudar de ideia? Se não vejo uma luz no túnel.

Lembro da felicidade de poder votar depois da ditadura, meus tempos de adolescente. Quanta esperança! Era como se tivesse conquistado o maior prêmio da vida. Como analisar essa felicidade nesse contexto de hoje? Não cabe. Não é admissível. Ou perdemos tudo que tanto lutamos para conseguir naquela época?

Por essas e outras acredito que os próximos (quase) 60 dias exigirão um grande esforço de mim, de nós que estamos preocupados, que ainda arrastamos uma luzinha fraca de esperança de que as coisas entrem nos trilhos, Confesso que ando indignada, nem curto mais falar em política, mas isso não apaga a nossa cidadania, nosso dever de tentar mudar isso que aí está. Então seguirei estudando as oportunidades de mudança que foram lançadas para o povo brasileiro. São (quase) 60 dias para acalmar as dúvidas e achar uma luz. Será que vou conseguir? Estamos prontos para os próximos (quase) 60 dias ouvir aquele blá-blá-blá de candidatos? Confesso que não estou e vou viver mais um conflito, porque quero cumprir com meu compromisso de cidadania, mas não sei de que forma.

O primeiro debate não acrescentou. Ouvi aquelas mesmas coisas de sempre, promessas de boa saúde, boa educação, transporte adequado, moradia pra todo mundo, acabar com a insegurança e cortar pela raiz tudo que se relaciona com corrupção. É como 'Alice no país das maravilhas'...

Então acho que 'perdi' algumas horas de sono e acordei com as mesmas dúvidas, algumas até maiores, sem saber como colaborar para que esse país tome jeito.

Desde criança ouço meus avós, depois meus pais, injetando esperança...as coisas vão mudar, vão melhorar, tem terra pra todo mundo, comida não vai faltar...cresci escutando isso e hoje continuamos com o mesmo cenário, até pior, porque nunca se roubou tanto nesse país, nunca se enganou tanto nesse país, e o que me fará mudar de ideia? Se não vejo uma luz no túnel.

Lembro da felicidade de poder votar depois da ditadura, meus tempos de adolescente. Quanta esperança! Era como se tivesse conquistado o maior prêmio da vida. Como analisar essa felicidade nesse contexto de hoje? Não cabe. Não é admissível. Ou perdemos tudo que tanto lutamos para conseguir naquela época?

Por essas e outras acredito que os próximos (quase) 60 dias exigirão um grande esforço de mim, de nós que estamos preocupados, que ainda arrastamos uma luzinha fraca de esperança de que as coisas entrem nos trilhos, Confesso que ando indignada, nem curto mais falar em política, mas isso não apaga a nossa cidadania, nosso dever de tentar mudar isso que aí está. Então seguirei estudando as oportunidades de mudança que foram lançadas para o povo brasileiro. São (quase) 60 dias para acalmar as dúvidas e achar uma luz. Será que vou conseguir?  

Escrito por Marlise Schneider, 10/08/2018 às 09h46 | lisi@pagina3.com.br



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Por Marlise Schneider

Cenário tétrico e retomada das atividades?

O Ministério da Saúde está dizendo, todos os dias, que estamos no pé da tal curva, ou seja, a coisa está só começando no país.

Soma-se a essa orientação que considero essencial, tudo o que estamos vendo em outros países, todos os dias, sem parar, os números avançam descontroladamente.

E então eu pergunto: com todo esse cenário tétrico diante do nosso nariz, o governador decidiu que várias atividades serão retomadas nos próximos dias? Como assim?

Escrito por Marlise Schneider, 27/03/2020 às 14h15 | lisi@pagina3.com.br

Dr. João Alfredo, partida inesperada

Neste domingo me despedi de um amigo querido. Sabe aquela pessoa boa, reta e correta, que está sempre pensando em fazer o bem, o melhor para os outros? Ele era assim.

Conhecemos há quase 30 anos.

Foi médico da família.

Foi homem público que nunca misturou política em suas quatro gestões como secretário municipal da saúde.

Homem de respeito. De valor. Sempre admirei muito. Estudioso. Toda vez que chegava para uma consulta, ele estava mergulhado em sua biblioteca. Sim, ele tinha muitos e muitos livros da sua área dentro do seu consultório. Sempre dizia: a medicina evolui todo minuto. Ou se atualiza ou não pode exercer…

No serviço público conheceu os trâmites para alcançar recursos além dos municipais, havia degraus para escalar para conseguir mais verbas do Estado ou da União. Rigoroso, ele subia cada um desses degraus e sua equipe o acompanhava. O programa de combate à Aids foi um desses exemplos. E tantos outros.

Homem de muita atitude e poucas palavras.

Às vezes se ‘soltava’. Dizia que quando parasse de clinicar teria que vender o consultório, porque seus dois filhos, nasceram com vocações diferentes. “Um tem o dom do esporte e o outro da música”. Acertou em cheio e depois de aposentado, sempre mandava notícias para o jornal, que eram publicadas nos EUA ou no Canadá, sobre as conquistas do filho mais velho, Fred, um astro do futebol e sobre as novidades que o filho caçula, Giba, revelava no mundo das artes musicais, que domina com vigor.

Mas ele era também teimoso. Por isso, sua esposa Milena estava inconformada com sua repentina partida. Ele vinha sentindo um certo desconforto no peito, mas não aceitou os conselhos que ela dava, de fazer exames...e assim, um dos cardiologistas mais antigos da praia, que cuidava do coração de tanta gente, foi pego de surpresa pelo seu coração.

Fica em paz, Dr.João Alfredo.

Escrito por Marlise Schneider, 06/01/2020 às 12h56 | lisi@pagina3.com.br

Voto consciente

No dia 10 de agosto escrevi neste espaço um texto com o título (QUASE) 60 DIAS DE DÚVIDAS, sobre a campanha eleitoral que estava começando.

Na antevéspera da eleição continuo com dúvidas.

Não sobre em QUEM votar, mas sobre o cenário triste que estamos vivendo, quando este deveria ser um momento de alegria, de responsabilidade, de olhar pra frente, de imaginar que uma eleição pode arrumar o que está torto e devolver a esperança para quem ainda acredita que tem jeito.

Tenho dúvidas sobre a estabilidade do país, dos brasileiros, principalmente a estabilidade emocional que está seriamente afetada, porque parece que as pessoas estão 'duelando' seu voto - quem vota nesse não vota naquele ou quem vota naquele não vota nesse e ponto final. Não tem discussão. É um radicalismo à esquerda e à direita. Coisa desastrosa para um país em desequilibrio.

O radicalismo afetou os defensores do bolsonarismo e os seguidores do lulismo. E só isso. Não parecem preocupados em conhecer as figuras, ler e estudar sobre esses candidatos. E sobre seus vices também, afinal ultimamente os vices têm chegado lá...socorro!!!!

De um modo geral as pessoas lêem pouco, cada vez menos. Então esta eleição está girando na internet, no celular, nas redes e ali todo mundo fala o que quer, estão dizendo e escrevendo horrores, coisa nunca vista antes.

O que mais ouvi nestes dias de campanha é os filhotes de Bolsonaro dizendo que votam nele porque não querem o PT de Lula voltar para transformar o Brasil numa Venezuela. E os filhotes petistas dizendo que Lula precisa voltar para fazer o Brasil feliz de novo e impedir que aqui se instale uma ditadura militar ou que acabem com o décimo terceiro e por aí vai.

O ambiente está pesado.

E aí residem as minhas maiores dúvidas: o que vai rolar porque alguém vai perder, não vai?

De resto, fico torcendo para que nestas poucas horas que faltam até o dia da urna, as pessoas parem para pensar com sobriedade, com inteligência, que votem no candidato que realmente consideram o melhor, naquele que tem um plano de trabalho convincente, que não votem com raiva, com ódio, isso nunca deu certo e nunca vai dar.

Quem já viveu uma ditadura, vai saber do que estou falando. Ninguém que já viveu uma ditadura quer um negócio desses de volta. Quem é mais 'antigo' lembra do maior movimento que esse país já viveu 'Diretas Já'. A reconquista pelo voto, a liberdade de escolher quem vai governar, a liberdade de expressão e a volta da democracia, hoje seriamente ameaçada.

Vamos jogar tudo isso fora gente?

A pergunta também vale para aqueles que defendem que só a volta do PT pode salvar o país. Nunca na historia desse país vivemos tantos escândalos, nunca fomos tão escandalosamente roubados e nunca na historia desse país vimos tantos 'colarinhos brancos' atrás das grades.

Vamos jogar tudo isso fora gente?

Por isso, o mais importante nesse momento é votar com consciência. Votar com convicção, naquilo que você acredita e nunca para tirar do páreo um outro candidato. Isso em outras palavras significa cada um ser dono da sua vontade.

Ainda tem tempo.

Vote consciente. E fique de bem com você mesmo. 

Escrito por Marlise Schneider, 05/10/2018 às 14h16 | lisi@pagina3.com.br

Como fica isso?

Há mais de duas semanas, uma senhora bateu na porta para pedir licença e colocar seu lixo (galhos,folhas etc) na caçamba cheia de lixo de construção. Expliquei que não podia colocar nada ali, além desse lixo de obra,porque tudo isso vai para um destino específico. Ela não entendeu.

Perguntou então se podia jogar seu lixo no terreno em frente à nossa casa. Expliquei que não, porque aquele terreno tem dono e tem uma lei municipal que proíbe jogar lixo em terrenos baldios. Ela não entendeu. Falei que havia uma lei municipal nesse sentido. Ela respondeu: Mas o terreno tá cheio de mato...e eu respondi com uma pergunta: 'A senhora gostaria que jogassem lixo no seu terreno?"

Então ela perguntou o que fazer para se desfazer daquele lixo. Aconselhei a colocar em um saco, fechar e colocar na lixeira, para o caminhão levar para o aterro.

Ela virou as costas. Foi embora. Decidiu colocar o lixo na calçada em frente à casa onde trabalhou. Os donos moram em outro estado, só vem de vez em quando.

Faz mais de duas semanas e a coisa está ali sobre o passeio. Os pedestres precisam desviar. Outros sugismundos vão colocando mais lixo em cima.

A pergunta é: quem vai tirar aquele lixo dali?

Escrito por Marlise Schneider, 12/09/2018 às 11h30 | lisi@pagina3.com.br

(Quase) 60 dias de dúvidas

Estamos prontos para os próximos (quase) 60 dias ouvir aquele blá-blá-blá de candidatos? Confesso que não estou e vou viver mais um conflito, porque quero cumprir com meu compromisso de cidadania, mas não sei de que forma.

O primeiro debate não acrescentou. Ouvi aquelas mesmas coisas de sempre, promessas de boa saúde, boa educação, transporte adequado, moradia pra todo mundo, acabar com a insegurança e cortar pela raiz tudo que se relaciona com corrupção. É como 'Alice no país das maravilhas'...

Então acho que 'perdi' algumas horas de sono e acordei com as mesmas dúvidas, algumas até maiores, sem saber como colaborar para que esse país tome jeito.

Desde criança ouço meus avós, depois meus pais, injetando esperança...as coisas vão mudar, vão melhorar, tem terra pra todo mundo, comida não vai faltar...cresci escutando isso e hoje continuamos com o mesmo cenário, até pior, porque nunca se roubou tanto nesse país, nunca se enganou tanto nesse país, e o que me fará mudar de ideia? Se não vejo uma luz no túnel.

Lembro da felicidade de poder votar depois da ditadura, meus tempos de adolescente. Quanta esperança! Era como se tivesse conquistado o maior prêmio da vida. Como analisar essa felicidade nesse contexto de hoje? Não cabe. Não é admissível. Ou perdemos tudo que tanto lutamos para conseguir naquela época?

Por essas e outras acredito que os próximos (quase) 60 dias exigirão um grande esforço de mim, de nós que estamos preocupados, que ainda arrastamos uma luzinha fraca de esperança de que as coisas entrem nos trilhos, Confesso que ando indignada, nem curto mais falar em política, mas isso não apaga a nossa cidadania, nosso dever de tentar mudar isso que aí está. Então seguirei estudando as oportunidades de mudança que foram lançadas para o povo brasileiro. São (quase) 60 dias para acalmar as dúvidas e achar uma luz. Será que vou conseguir?   

Escrito por Marlise Schneider, 10/08/2018 às 09h46 | lisi@pagina3.com.br

(Quase) 60 dias de dúvidas

Estamos prontos para os próximos (quase) 60 dias ouvir aquele blá-blá-blá de candidatos? Confesso que não estou e vou viver mais um conflito, porque quero cumprir com meu compromisso de cidadania, mas não sei de que forma.

O primeiro debate não acrescentou. Ouvi aquelas mesmas coisas de sempre, promessas de boa saúde, boa educação, transporte adequado, moradia pra todo mundo, acabar com a insegurança e cortar pela raiz tudo que se relaciona com corrupção. É como 'Alice no país das maravilhas'...

Então acho que 'perdi' algumas horas de sono e acordei com as mesmas dúvidas, algumas até maiores, sem saber como colaborar para que esse país tome jeito.

Desde criança ouço meus avós, depois meus pais, injetando esperança...as coisas vão mudar, vão melhorar, tem terra pra todo mundo, comida não vai faltar...cresci escutando isso e hoje continuamos com o mesmo cenário, até pior, porque nunca se roubou tanto nesse país, nunca se enganou tanto nesse país, e o que me fará mudar de ideia? Se não vejo uma luz no túnel.

Lembro da felicidade de poder votar depois da ditadura, meus tempos de adolescente. Quanta esperança! Era como se tivesse conquistado o maior prêmio da vida. Como analisar essa felicidade nesse contexto de hoje? Não cabe. Não é admissível. Ou perdemos tudo que tanto lutamos para conseguir naquela época?

Por essas e outras acredito que os próximos (quase) 60 dias exigirão um grande esforço de mim, de nós que estamos preocupados, que ainda arrastamos uma luzinha fraca de esperança de que as coisas entrem nos trilhos, Confesso que ando indignada, nem curto mais falar em política, mas isso não apaga a nossa cidadania, nosso dever de tentar mudar isso que aí está. Então seguirei estudando as oportunidades de mudança que foram lançadas para o povo brasileiro. São (quase) 60 dias para acalmar as dúvidas e achar uma luz. Será que vou conseguir? Estamos prontos para os próximos (quase) 60 dias ouvir aquele blá-blá-blá de candidatos? Confesso que não estou e vou viver mais um conflito, porque quero cumprir com meu compromisso de cidadania, mas não sei de que forma.

O primeiro debate não acrescentou. Ouvi aquelas mesmas coisas de sempre, promessas de boa saúde, boa educação, transporte adequado, moradia pra todo mundo, acabar com a insegurança e cortar pela raiz tudo que se relaciona com corrupção. É como 'Alice no país das maravilhas'...

Então acho que 'perdi' algumas horas de sono e acordei com as mesmas dúvidas, algumas até maiores, sem saber como colaborar para que esse país tome jeito.

Desde criança ouço meus avós, depois meus pais, injetando esperança...as coisas vão mudar, vão melhorar, tem terra pra todo mundo, comida não vai faltar...cresci escutando isso e hoje continuamos com o mesmo cenário, até pior, porque nunca se roubou tanto nesse país, nunca se enganou tanto nesse país, e o que me fará mudar de ideia? Se não vejo uma luz no túnel.

Lembro da felicidade de poder votar depois da ditadura, meus tempos de adolescente. Quanta esperança! Era como se tivesse conquistado o maior prêmio da vida. Como analisar essa felicidade nesse contexto de hoje? Não cabe. Não é admissível. Ou perdemos tudo que tanto lutamos para conseguir naquela época?

Por essas e outras acredito que os próximos (quase) 60 dias exigirão um grande esforço de mim, de nós que estamos preocupados, que ainda arrastamos uma luzinha fraca de esperança de que as coisas entrem nos trilhos, Confesso que ando indignada, nem curto mais falar em política, mas isso não apaga a nossa cidadania, nosso dever de tentar mudar isso que aí está. Então seguirei estudando as oportunidades de mudança que foram lançadas para o povo brasileiro. São (quase) 60 dias para acalmar as dúvidas e achar uma luz. Será que vou conseguir?  

Escrito por Marlise Schneider, 10/08/2018 às 09h46 | lisi@pagina3.com.br



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