Jornal Página 3
Coluna
Ex pressão
Por Caroline Cezar

Liberdade de ir e vir! #cidadeparapessoas

Acho muito esquisito quando vejo essas leis que limitam a circulação das pessoas nas ruas, "isso pode, isso não pode", ainda mais em cidades "turísticas" onde são solenemente ignoradas saídas de bares e festas, de onde muitos motoristas vão embora de carro, trocando as pernas e caindo de bêbados. Inclusive as festas organizadas pela prefeitura, durante o dia, e que "fecham" a rua, como os tais "Encontros dos Amigos". Nessa mesma cidade muitas calçadas são ocupadas por mesas -dos mesmos bares-, e outras tem placas de propaganda, carros estacionados "só por um minutinho", ladeiras, buracos. Já fomos considerados os piores do Brasil nesse quesito!

Aí um vereador vai lá e tenta "melhorar" o trânsito, primeiro com uma lei esdrúxula e limitadora sobre bicicletas, patinetes e outros veículos alternativos -que não poluem, não engarrafam e não pagam grandes impostos - soluções que as pessoas encontram para "sair pela tangente" nesse sistema falido em que vivemos. Deu polêmica, então ele amenizou, mas continuou batendo na tecla de que a rua é só para alguns. Me diz como alguém em sã consciência tenta coibir que outro alguém se locomova com um skate numa via pública? Para onde estamos andando?

 


Durante passeio exigindo a ciclovia na Atlântica, prometida há mais de ano (Foto Caroline Cezar)
 

 

O skate nasceu na rua, não tem esporte mais entranhado na cultura street do que ele. Sempre foi marginalizado, ok, mas isso era na década de 20 né, acho que hoje todo mundo está mais esclarecido sobre a liberdade das pessoas se mexerem como quiserem.

Tenho um amigo, o Renanzinho, que não tem carro, e para ir de um lado a outro utiliza pernas, ônibus, bicicleta, carona e skate. De todos o que prefere é o "carrinho", apelido das antigas, porque pode guardar embaixo do braço. A bicicleta, exige um "estacionamento" em segurança - o que a cidade não possibilita (exceto em casas de amigos, e olhe lá); os ônibus levam só a um pedaço do percurso, o resto tem que ser feito a pé - e às vezes é longe; as pernas têm um limite de velocidade; e as caronas é cada um por si e Deus por todos. O skate possibilita uma independência ímpar pra que tem habilidade como meu amigo. Ele pode se cansar na metade e subir num ônibus, pode voltar de bicicleta, pode pôr na mochila.

No "projeto de lei" o vereador tomou o cuidado de lembrar que as bicicletas, quando não tem ciclovia (80% dos casos), devem se locomover pelo lado direito - sentido do trânsito. Ok, correto. Ele esqueceu de lembrar aos ciclistas que os carros não respeitam a distância exigida das bicicletas e que por isso essas estão sujeitas a portas abrindo na cara, a atropelamentos e "finos" que causam tombos graves, mas isso tudo bem, é "normal".

E os patins se encaixam em que "categoria"? Será que levo multa ou apreensão se sair por aí patinando?

 

Não vamos inverter as coisas, sugiro aos vereadores fazerem valer as leis de segurança que já existem e que por falta de fiscalização continuam oferecendo grande risco à comunidade, principalmente quando envolvem álcool e volante. No mais, lembremos sempre, a rua é um lugar PÚBLICO, é para todos, e deve oferecer iguais condições, não importa se é para alguém que gosta de usar o corpo como veículo, ou para outro que passa a vida a imaginar como deve ser isso, com a bunda num escritório.

 


Isso também é BC vereador! (Foto Guilherme Meneghelli)
 

Escrito por Caroline Cezar, 21/08/2013 às 09h09 | carol.jp3@gmail.com



Caroline Cezar

Assina a coluna Ex pressão

É curiosa e encantada com manifestações da natureza, incluindo a humana. Tem resistência a currículos e títulos. Tenta exercitar a entrega cotidiana. Discorda da própria opinião. É apaixonada. Não sabe, nem quer, separar nada de coisa alguma.














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Acho muito esquisito quando vejo essas leis que limitam a circulação das pessoas nas ruas, "isso pode, isso não pode", ainda mais em cidades "turísticas" onde são solenemente ignoradas saídas de bares e festas, de onde muitos motoristas vão embora de carro, trocando as pernas e caindo de bêbados. Inclusive as festas organizadas pela prefeitura, durante o dia, e que "fecham" a rua, como os tais "Encontros dos Amigos". Nessa mesma cidade muitas calçadas são ocupadas por mesas -dos mesmos bares-, e outras tem placas de propaganda, carros estacionados "só por um minutinho", ladeiras, buracos. Já fomos considerados os piores do Brasil nesse quesito!

Aí um vereador vai lá e tenta "melhorar" o trânsito, primeiro com uma lei esdrúxula e limitadora sobre bicicletas, patinetes e outros veículos alternativos -que não poluem, não engarrafam e não pagam grandes impostos - soluções que as pessoas encontram para "sair pela tangente" nesse sistema falido em que vivemos. Deu polêmica, então ele amenizou, mas continuou batendo na tecla de que a rua é só para alguns. Me diz como alguém em sã consciência tenta coibir que outro alguém se locomova com um skate numa via pública? Para onde estamos andando?

 


Durante passeio exigindo a ciclovia na Atlântica, prometida há mais de ano (Foto Caroline Cezar)
 

 

O skate nasceu na rua, não tem esporte mais entranhado na cultura street do que ele. Sempre foi marginalizado, ok, mas isso era na década de 20 né, acho que hoje todo mundo está mais esclarecido sobre a liberdade das pessoas se mexerem como quiserem.

Tenho um amigo, o Renanzinho, que não tem carro, e para ir de um lado a outro utiliza pernas, ônibus, bicicleta, carona e skate. De todos o que prefere é o "carrinho", apelido das antigas, porque pode guardar embaixo do braço. A bicicleta, exige um "estacionamento" em segurança - o que a cidade não possibilita (exceto em casas de amigos, e olhe lá); os ônibus levam só a um pedaço do percurso, o resto tem que ser feito a pé - e às vezes é longe; as pernas têm um limite de velocidade; e as caronas é cada um por si e Deus por todos. O skate possibilita uma independência ímpar pra que tem habilidade como meu amigo. Ele pode se cansar na metade e subir num ônibus, pode voltar de bicicleta, pode pôr na mochila.

No "projeto de lei" o vereador tomou o cuidado de lembrar que as bicicletas, quando não tem ciclovia (80% dos casos), devem se locomover pelo lado direito - sentido do trânsito. Ok, correto. Ele esqueceu de lembrar aos ciclistas que os carros não respeitam a distância exigida das bicicletas e que por isso essas estão sujeitas a portas abrindo na cara, a atropelamentos e "finos" que causam tombos graves, mas isso tudo bem, é "normal".

E os patins se encaixam em que "categoria"? Será que levo multa ou apreensão se sair por aí patinando?

 

Não vamos inverter as coisas, sugiro aos vereadores fazerem valer as leis de segurança que já existem e que por falta de fiscalização continuam oferecendo grande risco à comunidade, principalmente quando envolvem álcool e volante. No mais, lembremos sempre, a rua é um lugar PÚBLICO, é para todos, e deve oferecer iguais condições, não importa se é para alguém que gosta de usar o corpo como veículo, ou para outro que passa a vida a imaginar como deve ser isso, com a bunda num escritório.

 


Isso também é BC vereador! (Foto Guilherme Meneghelli)
 

Escrito por Caroline Cezar, 21/08/2013 às 09h09 | carol.jp3@gmail.com



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