Jornal Página 3
Coluna
Ex pressão
Por Caroline Cezar

Cada vez mais cedo e cada vez mais "coisas"...

A vida corrida e voltada pro consumo excessivo têm feito com que as pessoas percam a noção de termos simples como "saudável", "necessário" e "natural". Inserir as crianças -e cada vez mais cedo- nessa paranóia coletiva é triste, danoso e cruel. Falta tempo e espaço pra criança ser criança, e pasmem, até pros bebês serem bebês.
 

"Você já deve ter visto diversas coisas do tipo: o adulto coloca o bebê de barriga para baixo para que seu corpo fique firme para quando for caminhar. Há uma ação para fazer o bebê caminhar mais cedo. Misteriosamente, depois que ele caminha, os pais querem que ele fique sentado, parado, em um cadeirão. O mesmo acontece com falar. Já vi professoras passando batom vermelho na boca e falando, com a boca bem aberta, de forma exagerada, na frente do bebê, com a intenção de estimular a fala. Mas, quando ele começa a falar demais, os adultos pedem para ficar quieto. Há uma esquizofrenia em casa e na escola. Dão carrinhos, coisa com som, que fala, que pisca, para que, dois ou três anos depois, seja necessário procurar um médico para perguntar: como posso acalmar meu filho? E aí o médico receita medicamentos. Tenho uma premissa que a gente tem que dar tempo para o bebê ser bebê. Cada fase deve ser respeitada. Há uma tendência de se criar academia para bebês ou sites que estimulam o ensino de Matemática quando ele ainda está em gestação. Estão criando agenda, aula disso, daquilo. Está entendendo a loucura?"

 

A fala é de Paulo Fochi, coordenador e professor do curso de especialização em Educação Infantil da Unisinos, no Rio Grande do Sul, em entrevista à Gazeta do Povo. Recomendo a leitura completa aqui!


 

 

"Cadeirinha musical de vibrações calmantes bichinhos da selva": "A vida da mãe de um recém-nascido não é fácil. A correria e a disciplina são constantes para quem tem sob sua responsabilidade uma vida frágil como é a de um bebê que acabou de nascer. Além de tudo, ela tem que fazer isso tudo sem abandonar as outras diversas obrigações do dia a dia. Por isso, é sempre bem-vindo quando a tecnologia pode nos auxiliar, por isso, uma grande ajuda foi a invenção da cadeirinha vibratória para relaxar o bebê" (texto institucional)


Essa cadeirinha é um "precisa-ter" na lista das mamães modernas... Se não temos tempo para criar os filhos não tem problerma, dá-se um jeito...cadeiras que vibram, aulas de incentivo, cuidadores e enfermeiros...  Parece que hoje em dia tempo não é fundamental, só dinheiro... 




 


 

Escrito por Caroline Cezar, 02/12/2013 às 10h51 | carol.jp3@gmail.com

Sejamos estranhos!

Esses dias meu filho de 13 anos falou que eu sou “a mais estranha”, e isso que tô com um corte de cabelo bem normalzinho. Ele tá naquela fase de pré-aborrecência, que fica procurando pêlo em ovo pra arrumar uma discussão. O problema da vez era que toda terça os amigos da escola almoçam no macdonalds, e que eu, muito esquisita, não aprovo o hábito. Também não deixo ele ter um iphone de última geração, e como todos os amigos da escola têm, de novo sou a errada. Tem outros quinhentos itens pra acrescentar na lista de mãe e.t., mas como já passei da idade de ouvir os outros na criação dos filhos, não titubeio e toco o barco. Ele não me deixa nem um pouco em dúvida, pelo contrário, me faz pensar de novo e de novo e só reforçar minhas convicções.


Além de ser a mais chata e a mais estranha faço questão de explicar o porquê das coisas e que esquisito não é ele não ter o telefone e sim todos os outros terem. Muito esquisito mesmo é que alguns já tiveram uns quatro ou cinco, porque “quebrar a tela” é comum. Esses dias um deles foi assaltado na esquina da escola e levaram o aparelho, e eu me pergunto pra que lado o moleque olhava quando o malaco vinha em sua direção. Um telefone que custa dois mil reais, com obsolescência programada, e que eu, profissionalmente, ainda uso a primeira versão. Que funciona direitinho.


Não sou contra a tecnologia, bem pelo contrário, mas acho que as coisas ainda merecem ser tratadas como coisas, as pessoas como pessoas e a escravidão e a dependência como escravidão e dependência. Também não sou contra possibilitar o acesso das tecnologias às crianças, mas se já temos um grave problema com a educação, será que toda essa parafernália eletrônica não se torna um agravante negativo na formação? Tenho certeza absoluta que sim. Nem vamos falar de linha de produção, de onde vêm as coisas e pra onde vão depois... quando viram...lixo!


É difícil criar filhos no meio de tanta gente que vive no automático. Sejamos estranhos, mas não nos deixemos confundir. “Comum” não é “normal”, repitam mil vezes. Não é normal criança ter telefone, não é normal comer fast food, não é normal passar horas sem ir lá fora e gastar os dias na frente de telas, nem se fantasiar digitalmente e passar a viver duas vidas, a inventada e a real (?).


Nem tudo são espinhos e parece que tem mais gente percebendo. Por “conhecidência”, como diz a Sarinha, caíram dois artigos no meu colo essa semana, um do caderno de Equilíbrio da Folha, “Movimento prega a desaceleração da rotina das crianças”; falando sobre o “Slowkids”, um dia para fazer que rolou em São Paulo e apesar do nome meio medíocre (é sequência do dia americano) é por uma nobre causa.

O outro, da Biblioteca Virtual de Antroposofia (indico, googla lá!), se chama “Menos computadores, mais brincadeiras ao ar livre”, e conta dos trágicos números da atualidade e sobre outro movimento, esse na Inglaterra, chamado “The Wild Network”, que prega que bastariam 30 minutos diários de brincadeiras para os menores de 12 anos aumentarem seus níveis de aptidão física e melhorarem seu bem-estar. É o que eles chamam de “pausa selvagem”.


Estamos sendo engolidos por estratégias de marketing e estímulos constantes que não deixam espaço para perceber o quão idiota esse estilo de vida é. E já é Natal! Dingobels, acordaí.

 


“A vida era bem largada. Todo mundo se ocupava da tarefa  de ver o dia atravessar. Pois afinal as coisas não eram iguais às cousas?”
Manoel de Barros

 

Escrito por Caroline Cezar, 21/11/2013 às 18h13 | carol.jp3@gmail.com

Dia da Consciência

 

“Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não no corpo, a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena ou do negro...” Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala

 

Barra Grande, BA

 

Escrito por Caroline Cezar, 20/11/2013 às 09h46 | carol.jp3@gmail.com

Da pele pra dentro #pratyahara

 

O que é o pratyáhára?


O termo pratyáhára está formado por duas palavras sânscritas: prati e ahára. Ahára significa comida, ou algo que você coloca para dentro. Parti é uma preposição que significa contra ou fora. Pratyáhára então significa controle do ahára, ou ter controle sobre as influências externas. No Mahabhárata se compara o pratyáhára a uma tartaruga: ‘assim como a tartaruga recolhe seus membros sob a carapaça, da mesma forma o yogi retrai os sentidos da influência dos objetos externos.’ Normalmente se traduz pratyáhára como controle dos sentidos, mas não é apenas isso.


Existem 3 tipos de ahára/ alimento:
1) o alimento físico, que nutre o corpo e se forma pelas combinações dos cinco elementos.
2) as impressões e sensações que entram através dos sentidos: tato, visão, audição etc.
3) os relacionamentos que temos com os demais: esposo/a, namorado/a, família, amigos, etc., com quem nos relacionamos através do anáhata chakra e que nutrem a nossa alma.


O pratyáhára é duplo. Implica:
1) evitar as coisas ruins: alimento ruim, impressões ruins, relacionamentos que nos façam mal e
2) abrir-se para as coisas boas: alimento saudável, impressões boas, relacionamentos e associações que nos fazem bem.
É impossível controlar as impressões mentais e os conteúdos do pensamento sem ter uma dieta correta e relacionamentos que sejam para o bem.

Porém, a importância do pratyáhára está no controle das impressões sensoriais, que permite que a mente se volte para o interior.
Ao recolher a consciência das impressões negativas, o pratyáhára nos fortalece, da mesma forma que um corpo saudável rejeita toxinas e agentes patógenos. Se você for incomodado pelo barulho à sua volta, você está precisando um pouco de pratyáhára. Sem isso, não há como meditar.

Há quatro formas básicas de pratyáhára, que possuem métodos específicos:

1) controle da energia:
O controle dos sentidos inclui o controle da energia vital, o prána, pois os sentidos vão atrás dele. Se a nossa energia não estiver fortalecida, não poderemos controlar os sentidos. Se a vitalidade estiver desequilibrada, os sentidos também ficarão.

2) controle dos sentidos: É a parte mais importante do pratyáhára, embora isso não seja exatamente o que os meios de comunicação esperam de você. Neste presente tecnocrático estamos constantemente submetidos a um bombardeio de imagens e sons: rádio, televisão, cinema, jornais, revistas, computadores, outdoors na rua, etc. A sociedade de consumo se move através do estímulo dos sentidos do homem. Por isso, para não virar mais um fashion victim, é preciso ficar ligado. O detalhe é que os sentidos, assim como as crianças pequenas, têm lá seus caprichos, que estão determinados pelos instintos. São eles que dizem para a mente o que fazer. Se a gente não conseguir dominá-los, seremos escravos deles para sempre. Estamos tão acostumados à atividade sensorial que não conseguimos manter o mínimo controle sobre a mente. Ficamos na roda vida do cotidiano e esquecemos os objetivos essenciais.

3) controle das ações;

4) controle da mente: Vyása, o comentarista de Pátáñjali, compara a mente com uma abelha rainha, e os sentidos com as abelhas operárias. Para onde a mente for, os sentidos seguem atrás. Então, mano pratyáhára é menos sobre controlar os sentidos e mais sobre controlar o próprio pensamento.

 

###

O texto acima foi retirado do site yoga.pro e é de autoria do professor Pedro Kupfer. Fala sobre um dos “braços” do ashtanga yoga, de Patanjali.

Achei apropriado falar de pratyahara nesse momento, em que o processo racional ainda está dormente por aqui. Todas que dão a luz deviam -dias antes- dar-se o direito de desligar os telefones e parar de responder as perguntas técnicas da ansiedade coletiva, o que inclui inúmeras consultas e exames médicos, datas e previsões, pesos e medidas, palpites e pra-quando-é de toda sorte. Isso não ajuda, pelo contrário, só atrapalha na entrega absoluta que merece se dar a um nascimento, vai em direção oposta da conexão verdadeira. O mesmo serve para os primeiros dias, quando tudo que mãe, bebê e família precisam é interiorizar e encontrar seu próprio ritmo. Momento presente, momento maravilhoso, sagrado que é, banalizado que está.


Dedico essa coluna à Madu, que reforçou a necessidade do recolhimento, antes, durante e depois de chegar, o que foi de grande importância para nós.

 

Escrito por Caroline Cezar, 14/11/2013 às 10h24 | carol.jp3@gmail.com

Olhar "infantil"? #arte

Pra quem subestima crianças e sua gigantesca percepção de "mundo"...

 

Escrito por Caroline Cezar, 30/10/2013 às 08h08 | carol.jp3@gmail.com

Filhotes abandonados

Hoje é tão comum escutar sobre abandono de cães, gatos e outros animais de estimação -virou um grande movimento social- que a gente esquece de observar o abandono humano. Não me refiro aos bairros pobres, à exploração infantil -seja sexual, de trabalho e outras barbáries-, à criança "largada" na rua, e sim ao abandono cotidiano e considerado "NORMAL" nas famílias de todas as classes sociais, PRINCIPALMENTE nas de média e alta renda, onde mamãe, papai e filhinhos têm agenda cheia de coisas vazias e caras, mas restrito contato familiar em coisas básicas e essenciais, como caminhar na rua, ficar à toa e comer juntos. 

 


Ter filhos não deve ser "mais um passo" no script da vida, têm que nascer de escolha consciente. Filhote humano é FILHOTE até 3 anos de idade, não deve ser separado da mãe em nenhuma hipótese no primeiro ano de vida e vai continuar exigindo amor e atenção por muito e muito tempo.

 

Recomendo a pais e não-pais esse vídeo do pediatra José Martins Filho; ainda não tive acesso aos seus livros, mas sua fala é consistente e fundamentada, cheia de lógica e amor. Que sejamos capazes de refletir!!

 

"Com a vida moderna, as crianças passaram a ocupar um papel secundário ou terciário na vida familiar. Lembre-se de que o futuro da humanidade vai depender dessas crianças que, provavelmente, chegarão aos 100 anos de idade. Fico triste quando, no consultório, a mãe não pode estar presente, ou o pai. E nem mesmo a avó: apenas a babá".


 

Escrito por Caroline Cezar, 23/10/2013 às 09h34 | carol.jp3@gmail.com



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Caroline Cezar

Assina a coluna Ex pressão

É curiosa e encantada com manifestações da natureza, incluindo a humana. Tem resistência a currículos e títulos. Tenta exercitar a entrega cotidiana. Discorda da própria opinião. É apaixonada. Não sabe, nem quer, separar nada de coisa alguma.














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Cada vez mais cedo e cada vez mais "coisas"...

A vida corrida e voltada pro consumo excessivo têm feito com que as pessoas percam a noção de termos simples como "saudável", "necessário" e "natural". Inserir as crianças -e cada vez mais cedo- nessa paranóia coletiva é triste, danoso e cruel. Falta tempo e espaço pra criança ser criança, e pasmem, até pros bebês serem bebês.
 

"Você já deve ter visto diversas coisas do tipo: o adulto coloca o bebê de barriga para baixo para que seu corpo fique firme para quando for caminhar. Há uma ação para fazer o bebê caminhar mais cedo. Misteriosamente, depois que ele caminha, os pais querem que ele fique sentado, parado, em um cadeirão. O mesmo acontece com falar. Já vi professoras passando batom vermelho na boca e falando, com a boca bem aberta, de forma exagerada, na frente do bebê, com a intenção de estimular a fala. Mas, quando ele começa a falar demais, os adultos pedem para ficar quieto. Há uma esquizofrenia em casa e na escola. Dão carrinhos, coisa com som, que fala, que pisca, para que, dois ou três anos depois, seja necessário procurar um médico para perguntar: como posso acalmar meu filho? E aí o médico receita medicamentos. Tenho uma premissa que a gente tem que dar tempo para o bebê ser bebê. Cada fase deve ser respeitada. Há uma tendência de se criar academia para bebês ou sites que estimulam o ensino de Matemática quando ele ainda está em gestação. Estão criando agenda, aula disso, daquilo. Está entendendo a loucura?"

 

A fala é de Paulo Fochi, coordenador e professor do curso de especialização em Educação Infantil da Unisinos, no Rio Grande do Sul, em entrevista à Gazeta do Povo. Recomendo a leitura completa aqui!


 

 

"Cadeirinha musical de vibrações calmantes bichinhos da selva": "A vida da mãe de um recém-nascido não é fácil. A correria e a disciplina são constantes para quem tem sob sua responsabilidade uma vida frágil como é a de um bebê que acabou de nascer. Além de tudo, ela tem que fazer isso tudo sem abandonar as outras diversas obrigações do dia a dia. Por isso, é sempre bem-vindo quando a tecnologia pode nos auxiliar, por isso, uma grande ajuda foi a invenção da cadeirinha vibratória para relaxar o bebê" (texto institucional)


Essa cadeirinha é um "precisa-ter" na lista das mamães modernas... Se não temos tempo para criar os filhos não tem problerma, dá-se um jeito...cadeiras que vibram, aulas de incentivo, cuidadores e enfermeiros...  Parece que hoje em dia tempo não é fundamental, só dinheiro... 




 


 

Escrito por Caroline Cezar, 02/12/2013 às 10h51 | carol.jp3@gmail.com

Sejamos estranhos!

Esses dias meu filho de 13 anos falou que eu sou “a mais estranha”, e isso que tô com um corte de cabelo bem normalzinho. Ele tá naquela fase de pré-aborrecência, que fica procurando pêlo em ovo pra arrumar uma discussão. O problema da vez era que toda terça os amigos da escola almoçam no macdonalds, e que eu, muito esquisita, não aprovo o hábito. Também não deixo ele ter um iphone de última geração, e como todos os amigos da escola têm, de novo sou a errada. Tem outros quinhentos itens pra acrescentar na lista de mãe e.t., mas como já passei da idade de ouvir os outros na criação dos filhos, não titubeio e toco o barco. Ele não me deixa nem um pouco em dúvida, pelo contrário, me faz pensar de novo e de novo e só reforçar minhas convicções.


Além de ser a mais chata e a mais estranha faço questão de explicar o porquê das coisas e que esquisito não é ele não ter o telefone e sim todos os outros terem. Muito esquisito mesmo é que alguns já tiveram uns quatro ou cinco, porque “quebrar a tela” é comum. Esses dias um deles foi assaltado na esquina da escola e levaram o aparelho, e eu me pergunto pra que lado o moleque olhava quando o malaco vinha em sua direção. Um telefone que custa dois mil reais, com obsolescência programada, e que eu, profissionalmente, ainda uso a primeira versão. Que funciona direitinho.


Não sou contra a tecnologia, bem pelo contrário, mas acho que as coisas ainda merecem ser tratadas como coisas, as pessoas como pessoas e a escravidão e a dependência como escravidão e dependência. Também não sou contra possibilitar o acesso das tecnologias às crianças, mas se já temos um grave problema com a educação, será que toda essa parafernália eletrônica não se torna um agravante negativo na formação? Tenho certeza absoluta que sim. Nem vamos falar de linha de produção, de onde vêm as coisas e pra onde vão depois... quando viram...lixo!


É difícil criar filhos no meio de tanta gente que vive no automático. Sejamos estranhos, mas não nos deixemos confundir. “Comum” não é “normal”, repitam mil vezes. Não é normal criança ter telefone, não é normal comer fast food, não é normal passar horas sem ir lá fora e gastar os dias na frente de telas, nem se fantasiar digitalmente e passar a viver duas vidas, a inventada e a real (?).


Nem tudo são espinhos e parece que tem mais gente percebendo. Por “conhecidência”, como diz a Sarinha, caíram dois artigos no meu colo essa semana, um do caderno de Equilíbrio da Folha, “Movimento prega a desaceleração da rotina das crianças”; falando sobre o “Slowkids”, um dia para fazer que rolou em São Paulo e apesar do nome meio medíocre (é sequência do dia americano) é por uma nobre causa.

O outro, da Biblioteca Virtual de Antroposofia (indico, googla lá!), se chama “Menos computadores, mais brincadeiras ao ar livre”, e conta dos trágicos números da atualidade e sobre outro movimento, esse na Inglaterra, chamado “The Wild Network”, que prega que bastariam 30 minutos diários de brincadeiras para os menores de 12 anos aumentarem seus níveis de aptidão física e melhorarem seu bem-estar. É o que eles chamam de “pausa selvagem”.


Estamos sendo engolidos por estratégias de marketing e estímulos constantes que não deixam espaço para perceber o quão idiota esse estilo de vida é. E já é Natal! Dingobels, acordaí.

 


“A vida era bem largada. Todo mundo se ocupava da tarefa  de ver o dia atravessar. Pois afinal as coisas não eram iguais às cousas?”
Manoel de Barros

 

Escrito por Caroline Cezar, 21/11/2013 às 18h13 | carol.jp3@gmail.com

Dia da Consciência

 

“Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não no corpo, a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena ou do negro...” Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala

 

Barra Grande, BA

 

Escrito por Caroline Cezar, 20/11/2013 às 09h46 | carol.jp3@gmail.com

Da pele pra dentro #pratyahara

 

O que é o pratyáhára?


O termo pratyáhára está formado por duas palavras sânscritas: prati e ahára. Ahára significa comida, ou algo que você coloca para dentro. Parti é uma preposição que significa contra ou fora. Pratyáhára então significa controle do ahára, ou ter controle sobre as influências externas. No Mahabhárata se compara o pratyáhára a uma tartaruga: ‘assim como a tartaruga recolhe seus membros sob a carapaça, da mesma forma o yogi retrai os sentidos da influência dos objetos externos.’ Normalmente se traduz pratyáhára como controle dos sentidos, mas não é apenas isso.


Existem 3 tipos de ahára/ alimento:
1) o alimento físico, que nutre o corpo e se forma pelas combinações dos cinco elementos.
2) as impressões e sensações que entram através dos sentidos: tato, visão, audição etc.
3) os relacionamentos que temos com os demais: esposo/a, namorado/a, família, amigos, etc., com quem nos relacionamos através do anáhata chakra e que nutrem a nossa alma.


O pratyáhára é duplo. Implica:
1) evitar as coisas ruins: alimento ruim, impressões ruins, relacionamentos que nos façam mal e
2) abrir-se para as coisas boas: alimento saudável, impressões boas, relacionamentos e associações que nos fazem bem.
É impossível controlar as impressões mentais e os conteúdos do pensamento sem ter uma dieta correta e relacionamentos que sejam para o bem.

Porém, a importância do pratyáhára está no controle das impressões sensoriais, que permite que a mente se volte para o interior.
Ao recolher a consciência das impressões negativas, o pratyáhára nos fortalece, da mesma forma que um corpo saudável rejeita toxinas e agentes patógenos. Se você for incomodado pelo barulho à sua volta, você está precisando um pouco de pratyáhára. Sem isso, não há como meditar.

Há quatro formas básicas de pratyáhára, que possuem métodos específicos:

1) controle da energia:
O controle dos sentidos inclui o controle da energia vital, o prána, pois os sentidos vão atrás dele. Se a nossa energia não estiver fortalecida, não poderemos controlar os sentidos. Se a vitalidade estiver desequilibrada, os sentidos também ficarão.

2) controle dos sentidos: É a parte mais importante do pratyáhára, embora isso não seja exatamente o que os meios de comunicação esperam de você. Neste presente tecnocrático estamos constantemente submetidos a um bombardeio de imagens e sons: rádio, televisão, cinema, jornais, revistas, computadores, outdoors na rua, etc. A sociedade de consumo se move através do estímulo dos sentidos do homem. Por isso, para não virar mais um fashion victim, é preciso ficar ligado. O detalhe é que os sentidos, assim como as crianças pequenas, têm lá seus caprichos, que estão determinados pelos instintos. São eles que dizem para a mente o que fazer. Se a gente não conseguir dominá-los, seremos escravos deles para sempre. Estamos tão acostumados à atividade sensorial que não conseguimos manter o mínimo controle sobre a mente. Ficamos na roda vida do cotidiano e esquecemos os objetivos essenciais.

3) controle das ações;

4) controle da mente: Vyása, o comentarista de Pátáñjali, compara a mente com uma abelha rainha, e os sentidos com as abelhas operárias. Para onde a mente for, os sentidos seguem atrás. Então, mano pratyáhára é menos sobre controlar os sentidos e mais sobre controlar o próprio pensamento.

 

###

O texto acima foi retirado do site yoga.pro e é de autoria do professor Pedro Kupfer. Fala sobre um dos “braços” do ashtanga yoga, de Patanjali.

Achei apropriado falar de pratyahara nesse momento, em que o processo racional ainda está dormente por aqui. Todas que dão a luz deviam -dias antes- dar-se o direito de desligar os telefones e parar de responder as perguntas técnicas da ansiedade coletiva, o que inclui inúmeras consultas e exames médicos, datas e previsões, pesos e medidas, palpites e pra-quando-é de toda sorte. Isso não ajuda, pelo contrário, só atrapalha na entrega absoluta que merece se dar a um nascimento, vai em direção oposta da conexão verdadeira. O mesmo serve para os primeiros dias, quando tudo que mãe, bebê e família precisam é interiorizar e encontrar seu próprio ritmo. Momento presente, momento maravilhoso, sagrado que é, banalizado que está.


Dedico essa coluna à Madu, que reforçou a necessidade do recolhimento, antes, durante e depois de chegar, o que foi de grande importância para nós.

 

Escrito por Caroline Cezar, 14/11/2013 às 10h24 | carol.jp3@gmail.com

Olhar "infantil"? #arte

Pra quem subestima crianças e sua gigantesca percepção de "mundo"...

 

Escrito por Caroline Cezar, 30/10/2013 às 08h08 | carol.jp3@gmail.com

Filhotes abandonados

Hoje é tão comum escutar sobre abandono de cães, gatos e outros animais de estimação -virou um grande movimento social- que a gente esquece de observar o abandono humano. Não me refiro aos bairros pobres, à exploração infantil -seja sexual, de trabalho e outras barbáries-, à criança "largada" na rua, e sim ao abandono cotidiano e considerado "NORMAL" nas famílias de todas as classes sociais, PRINCIPALMENTE nas de média e alta renda, onde mamãe, papai e filhinhos têm agenda cheia de coisas vazias e caras, mas restrito contato familiar em coisas básicas e essenciais, como caminhar na rua, ficar à toa e comer juntos. 

 


Ter filhos não deve ser "mais um passo" no script da vida, têm que nascer de escolha consciente. Filhote humano é FILHOTE até 3 anos de idade, não deve ser separado da mãe em nenhuma hipótese no primeiro ano de vida e vai continuar exigindo amor e atenção por muito e muito tempo.

 

Recomendo a pais e não-pais esse vídeo do pediatra José Martins Filho; ainda não tive acesso aos seus livros, mas sua fala é consistente e fundamentada, cheia de lógica e amor. Que sejamos capazes de refletir!!

 

"Com a vida moderna, as crianças passaram a ocupar um papel secundário ou terciário na vida familiar. Lembre-se de que o futuro da humanidade vai depender dessas crianças que, provavelmente, chegarão aos 100 anos de idade. Fico triste quando, no consultório, a mãe não pode estar presente, ou o pai. E nem mesmo a avó: apenas a babá".


 

Escrito por Caroline Cezar, 23/10/2013 às 09h34 | carol.jp3@gmail.com



4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14

Caroline Cezar

Assina a coluna Ex pressão

É curiosa e encantada com manifestações da natureza, incluindo a humana. Tem resistência a currículos e títulos. Tenta exercitar a entrega cotidiana. Discorda da própria opinião. É apaixonada. Não sabe, nem quer, separar nada de coisa alguma.