Jornal Página 3
Coluna
Enéas Athanázio
Por Enéas Athanázio

CONTO EM XILOGRAVURA

Edições da Confraria, selo editorial da Confraria dos Bibliófilos do Brasil (CBB), com sede em Brasília, publicou um volume que é uma preciosidade. Trata-se do conto “Brutalidade”, de autoria do folclorista e pesquisador Leonardo Mota (1891/1948), única incursão conhecida na área da ficção, resgatada de um jornal que não pode ser identificado e publicada em 1920. Bastante longo, bem escrito e encadeado, o conto constitui-se numa grande surpresa, uma vez que revela o talento de um autor interessado em outras áreas para a short story. A história, chocante, se insere entre as obras da corrente naturalista e agrada pela maneira segura com que é conduzida, além do fato de ser uma raridade.

Mais curioso ainda é que o conto, além de publicado de maneira normal, é reproduzido em 50 xilogravuras de autoria do gravurista José Lourenço (Gonzaga), um dos mais conhecidos expoentes dessa arte tão difícil quanto trabalhosa. Como se sabe, a xilogravura é entalhada em uma prancha de um tipo especial de madeira (umburana ou louro), formando um molde sobre o qual é espalhada a tinta para permitir a impressão em papel. Lourenço é profissional da arte, de renome internacional, tendo realizado exposições em várias partes do mundo e suas obras estão expostas em importantes museus. Tem publicado álbuns, incontáveis capas de cordéis e realizado inúmeras outras obras.

Cada cena do conto é retratada em uma xilogravura conforme a visão do artista, de sorte que o leitor pode acompanhar o desenrolar da história cotejando com as ilustrações. A geografia dos locais, a paisagem, as características dos personagens, as suas fisionomias e reações faciais e tudo mais pode ser observado pelo leitor.

Segundo o editor, esse tipo de publicação é rotulado de Romance Gráfico Sem Palavras (Wordless Graphic Novels) e tem longa tradição em vários países. O processo foi criado pelo belga Frans Mosereel e tem sido praticado tanto na Europa como nos Estados Unidos. Não se confunde com as histórias em quadrinhos porque as ilustrações não têm legendas. (Nos Estados Unidos, novel é o nosso romance).

O livro contém interessante crônica de Mimosa Mota Fernandes sobre o pai Leonardo Mota, também conhecido como Leota, um ensaio de Jorge Brito sobre o contista e outro de Gilmar de Carvalho a respeito do gravurista. O conto, sob o aspecto literário, é analisado pelo crítico Sânzio de Azevedo em substancioso e preciso ensaio introdutório.

Como de costume, o livro é em si mesmo uma obra de arte gráfica. Em tamanho grande, com capa dura e sobrecapa, seus exemplares, numerados, se destinam a cada um dos associados da Confraria na ordem de suas inscrições. É obra para colecionadores, apaixonados por livros e leitores exigentes. Exemplares extras podem ser obtidos pelos interessados

_________________________
Confraria dos Bibliófilos do Brasil (CBB):
Caixa Postal 8 6 3 1 – CEP 70302-970 – DF.

 

Escrito por Enéas Athanázio, 20/05/2019 às 11h07 | e.atha@terra.com.br



Enéas Athanázio

Assina a coluna Enéas Athanázio

Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 51 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.


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Edições da Confraria, selo editorial da Confraria dos Bibliófilos do Brasil (CBB), com sede em Brasília, publicou um volume que é uma preciosidade. Trata-se do conto “Brutalidade”, de autoria do folclorista e pesquisador Leonardo Mota (1891/1948), única incursão conhecida na área da ficção, resgatada de um jornal que não pode ser identificado e publicada em 1920. Bastante longo, bem escrito e encadeado, o conto constitui-se numa grande surpresa, uma vez que revela o talento de um autor interessado em outras áreas para a short story. A história, chocante, se insere entre as obras da corrente naturalista e agrada pela maneira segura com que é conduzida, além do fato de ser uma raridade.

Mais curioso ainda é que o conto, além de publicado de maneira normal, é reproduzido em 50 xilogravuras de autoria do gravurista José Lourenço (Gonzaga), um dos mais conhecidos expoentes dessa arte tão difícil quanto trabalhosa. Como se sabe, a xilogravura é entalhada em uma prancha de um tipo especial de madeira (umburana ou louro), formando um molde sobre o qual é espalhada a tinta para permitir a impressão em papel. Lourenço é profissional da arte, de renome internacional, tendo realizado exposições em várias partes do mundo e suas obras estão expostas em importantes museus. Tem publicado álbuns, incontáveis capas de cordéis e realizado inúmeras outras obras.

Cada cena do conto é retratada em uma xilogravura conforme a visão do artista, de sorte que o leitor pode acompanhar o desenrolar da história cotejando com as ilustrações. A geografia dos locais, a paisagem, as características dos personagens, as suas fisionomias e reações faciais e tudo mais pode ser observado pelo leitor.

Segundo o editor, esse tipo de publicação é rotulado de Romance Gráfico Sem Palavras (Wordless Graphic Novels) e tem longa tradição em vários países. O processo foi criado pelo belga Frans Mosereel e tem sido praticado tanto na Europa como nos Estados Unidos. Não se confunde com as histórias em quadrinhos porque as ilustrações não têm legendas. (Nos Estados Unidos, novel é o nosso romance).

O livro contém interessante crônica de Mimosa Mota Fernandes sobre o pai Leonardo Mota, também conhecido como Leota, um ensaio de Jorge Brito sobre o contista e outro de Gilmar de Carvalho a respeito do gravurista. O conto, sob o aspecto literário, é analisado pelo crítico Sânzio de Azevedo em substancioso e preciso ensaio introdutório.

Como de costume, o livro é em si mesmo uma obra de arte gráfica. Em tamanho grande, com capa dura e sobrecapa, seus exemplares, numerados, se destinam a cada um dos associados da Confraria na ordem de suas inscrições. É obra para colecionadores, apaixonados por livros e leitores exigentes. Exemplares extras podem ser obtidos pelos interessados

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