Jornal Página 3
Coluna
Enéas Athanázio
Por Enéas Athanázio

Documento histórico e biográfico

Entre os nossos escritores, Celestino Sachet é o que mais se empenha no estudo de temas catarinenses. É autor de três livros fundamentais sobre a literatura praticada no Estado desde o início até os dias atuais. Neles, destaca os aspectos biográficos dos autores, analisa suas obras, as correntes a que se filiam e os pontos relevantes de sua produção. Em pacientes e exaustivas pesquisas, tirou do ostracismo autores só conhecidos em determinadas regiões e os revelou a um público mais numeroso. Publicou ainda inúmeros trabalhos esparsos sobre os escritores e a literatura catarinenses, além de alentado volume sobre o Contestado. No momento em que escrevo, dedica-se a um ensaio a respeito da história da Academia Catarinense de Letras, seus integrantes de ontem e de hoje, comentando as obras de cada um e reproduzindo trechos mais significativos delas. Como se vê, um trabalho de envergadura como jamais foi aqui realizado.

Desviando-se dos temas predominantes, o Prof. Sachet publicou uma obra que é ao mesmo tempo a história de uma personalidade e um resumo da história política do país e do Estado. Refiro-me ao livro “Ivo Silveira – Passos do Estadista”, publicado pela Editora da Unisul (Palhoça – 2018). A par da biografia de um dos políticos mais importantes de Santa Catarina, rastreando seus passos ao longo de toda a existência, o autor expõe um panorama sintético dos principais acontecimentos políticos que ocorreram no país nesse período. As crises, as marchas e contramarchas, as tentativas golpistas, a implantação da ditadura, o reencontro com a democracia e as eleições, tudo é rememorado em pinceladas fortes e oportunas para refrescar a memória do leitor. A melancólica impressão que fica, ainda mais para quem acompanhou os fatos com atenção, é de um país perdido, sem rumo e sem destino, que vai rodando em círculos e sem encontrar o caminho. Mas essa é uma face lateral do livro; importa salientar a carreira e as realizações do biografado.

Nascido em Palhoça, Ivo Silveira desde cedo se mostrou vocacionado para a atividade política. Bacharel em Direito, exerceu funções públicas de livre nomeação até se eleger prefeito da cidade natal, iniciando sua longa trajetória na vida pública. Em sucessivos mandatos, foi eleito para a Assembleia Legislativa do Estado, cuja presidência ocupou, culminando pela conquista do Governo do Estado, em renhido e disputado pleito em que derrotou Antônio Carlos Konder Reis, já no período ditatorial. Mais tarde foi candidato ao Senado, sendo vencido pelo mesmo adversário, que lhe deu o troco. Derrotas e vitórias são eventos inerentes à atividade política. Segundo ele, o desprestígio dos políticos em favor dos tecnocratas exerceu influência decisiva na sua derrota. No conjunto, porém, sempre foi bafejado pelas urnas.

Numa busca criteriosa, o biógrafo aponta as realizações de seu personagem, tanto no Legislativo como no Executivo. Na longa permanência no Parlamento exerceu com afinco suas funções, procurando sempre fortalecer o Legislativo como o mais democrático dos poderes. Já como Governador, empenhou-se em realizar um arrojado e moderno programa de realizações em todos os setores. Deu especial atenção ao Legislativo, ao Judiciário, à educação, à energia elétrica, às rodovias, à saúde, à construção da nova ponte, à agricultura e à pesca, aos bancos estaduais então existentes, ao turismo e ao saneamento, ao funcionalismo e tudo mais, para pinçar alguns itens de sua minuciosa prestação de contas. Recebeu inúmeras homenagens em reconhecimento à sua ação governamental e deixou o cargo com elevados índices de aprovação.

Segundo a opinião geral, Silveira foi um democrata e um homem tolerante e compreensivo, incapaz de retaliações contra adversários. Sachet transcreve significativos depoimentos nesse sentido. Segundo afirmou alguém, Ivo Silveira foi um homem sem medo de fazer o Bem e sem coragem para fazer o Mal.

O livro é escrito em estilo simples e direto, proporcionando uma leitura agradável, contendo também curioso material iconográfico. É, em suma, mais uma importante contribuição do operoso professor, crítico literário e historiador à preservação de nossa memória.

Escrito por Enéas Athanázio, 07/01/2019 às 10h27 | e.atha@terra.com.br



Enéas Athanázio

Assina a coluna Enéas Athanázio

Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 51 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.


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Entre os nossos escritores, Celestino Sachet é o que mais se empenha no estudo de temas catarinenses. É autor de três livros fundamentais sobre a literatura praticada no Estado desde o início até os dias atuais. Neles, destaca os aspectos biográficos dos autores, analisa suas obras, as correntes a que se filiam e os pontos relevantes de sua produção. Em pacientes e exaustivas pesquisas, tirou do ostracismo autores só conhecidos em determinadas regiões e os revelou a um público mais numeroso. Publicou ainda inúmeros trabalhos esparsos sobre os escritores e a literatura catarinenses, além de alentado volume sobre o Contestado. No momento em que escrevo, dedica-se a um ensaio a respeito da história da Academia Catarinense de Letras, seus integrantes de ontem e de hoje, comentando as obras de cada um e reproduzindo trechos mais significativos delas. Como se vê, um trabalho de envergadura como jamais foi aqui realizado.

Desviando-se dos temas predominantes, o Prof. Sachet publicou uma obra que é ao mesmo tempo a história de uma personalidade e um resumo da história política do país e do Estado. Refiro-me ao livro “Ivo Silveira – Passos do Estadista”, publicado pela Editora da Unisul (Palhoça – 2018). A par da biografia de um dos políticos mais importantes de Santa Catarina, rastreando seus passos ao longo de toda a existência, o autor expõe um panorama sintético dos principais acontecimentos políticos que ocorreram no país nesse período. As crises, as marchas e contramarchas, as tentativas golpistas, a implantação da ditadura, o reencontro com a democracia e as eleições, tudo é rememorado em pinceladas fortes e oportunas para refrescar a memória do leitor. A melancólica impressão que fica, ainda mais para quem acompanhou os fatos com atenção, é de um país perdido, sem rumo e sem destino, que vai rodando em círculos e sem encontrar o caminho. Mas essa é uma face lateral do livro; importa salientar a carreira e as realizações do biografado.

Nascido em Palhoça, Ivo Silveira desde cedo se mostrou vocacionado para a atividade política. Bacharel em Direito, exerceu funções públicas de livre nomeação até se eleger prefeito da cidade natal, iniciando sua longa trajetória na vida pública. Em sucessivos mandatos, foi eleito para a Assembleia Legislativa do Estado, cuja presidência ocupou, culminando pela conquista do Governo do Estado, em renhido e disputado pleito em que derrotou Antônio Carlos Konder Reis, já no período ditatorial. Mais tarde foi candidato ao Senado, sendo vencido pelo mesmo adversário, que lhe deu o troco. Derrotas e vitórias são eventos inerentes à atividade política. Segundo ele, o desprestígio dos políticos em favor dos tecnocratas exerceu influência decisiva na sua derrota. No conjunto, porém, sempre foi bafejado pelas urnas.

Numa busca criteriosa, o biógrafo aponta as realizações de seu personagem, tanto no Legislativo como no Executivo. Na longa permanência no Parlamento exerceu com afinco suas funções, procurando sempre fortalecer o Legislativo como o mais democrático dos poderes. Já como Governador, empenhou-se em realizar um arrojado e moderno programa de realizações em todos os setores. Deu especial atenção ao Legislativo, ao Judiciário, à educação, à energia elétrica, às rodovias, à saúde, à construção da nova ponte, à agricultura e à pesca, aos bancos estaduais então existentes, ao turismo e ao saneamento, ao funcionalismo e tudo mais, para pinçar alguns itens de sua minuciosa prestação de contas. Recebeu inúmeras homenagens em reconhecimento à sua ação governamental e deixou o cargo com elevados índices de aprovação.

Segundo a opinião geral, Silveira foi um democrata e um homem tolerante e compreensivo, incapaz de retaliações contra adversários. Sachet transcreve significativos depoimentos nesse sentido. Segundo afirmou alguém, Ivo Silveira foi um homem sem medo de fazer o Bem e sem coragem para fazer o Mal.

O livro é escrito em estilo simples e direto, proporcionando uma leitura agradável, contendo também curioso material iconográfico. É, em suma, mais uma importante contribuição do operoso professor, crítico literário e historiador à preservação de nossa memória.

Escrito por Enéas Athanázio, 07/01/2019 às 10h27 | e.atha@terra.com.br



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Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 51 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.


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