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Coluna
Enéas Athanázio
Por Enéas Athanázio

FILETE QUE ASPIRA A SER RIO

O silêncio reinante a respeito de “Sonetos de Bolso – Antologia Poética”, organizada por Jarbas Júnior e João Carlos Taveira (Thesaurus Editora – Brasília ), me leva a redigir estas notas, ainda que sem a pretensão de julgar o mérito dos poemas nela reunidos.

Trata-se de um belo livro, executado com esmero, em formato pequeno, tipo “pocket-book”, conforme sugere o próprio título. Reúne trabalhos de quinze sonetistas, todos ligados à cidade de Brasília, onde residem ou residiram. São eles: Anderson Braga Horta, Anderson de Araújo Horta, Antonio Miranda, Antonio Temóteo dos Anjos Sobrinho, Fernando Mendes Viana, Henriques do Cerro Azul, José Geraldo Pires de Mello, José Jeronymo Rivera, José Peixoto Júnior, Luiz Carlos de Oliveira Cerqueira, Márcio Catunda, Maria Braga Horta, Nilto Maciel, Romeu Jobim e Viriato Gaspar. Contém ainda excelentes notas explicativas introdutórias e abas de autoria dos organizadores. Segundo Taveira, a presença de uma única mulher se deve ao fato de que as poetas planaltinas não costumam se dedicar ao soneto.

Dois autores me surpreenderam porque desconhecia sua vis poética e, menos ainda, sua arte na composição de sonetos: José Peixoto Júnior e Nilto Maciel. Como escreveu Jarbas Júnior, “Concebido na primeira metade do século XII pelo engenhoso trovador siciliano Giácomo da Lentine, o soneto passa à Itália, onde alcança notoriedade e chega aos cimos da glória com Dante e Petrarca” (p. 9). Daí se expande por toda a Europa onde, “com Luís de Camões esse esplêndido pequeno poema atinge o trono do Monte Parnaso, a elegância simples da perfeição” (loc. cit.). No Brasil o poema metrificado encontrou terreno fértil e tem sido praticado por inúmeros poetas. Nunca desapareceu o gosto dos leitores de poesia pelo soneto e muitos de nossos poetas se tornaram mestres no gênero.

Quanto aos sonetistas acima referidos, José Peixoto Júnior, filho do Cariri Cearense, criado à sombra da Chapada do Araripe, contribui com dez sonetos, todos bem realizados e surpreendentes, como “Castro Alves, Filho de Brasília.” Nilto Maciel, meu velho amigo, foi um escritor prolífico e criativo que nos deixou antes do tempo e faz muita falta. Também contribuiu com dez sonetos, dentre os quais destaco “Oferenda.”

Todos os participantes da antologia são competentes e inspirados sonetistas. Conheço a obra poética de vários deles, alguns de consolidado renome no meio literário. Anderson Braga Horta, Henriques do Cerro Azul, José Peixoto Júnior, Nilto Maciel eu os conheci em pessoa. Já José Jeronymo Rivera, Márcio Catunda e o organizador João Carlos Taveira são ou foram correspondentes. Como diria Monteiro Lobato, são amigos escritos.

Concluindo, penso que “Sonetos de Bolso” foi uma bela iniciativa. É um livro para se carregar na algibeira e para ter sempre à mão, abrindo para uma leitura naqueles momentos em que a alma pede poesia.

Mas o livro não pretende ser uma publicação isolada. Os organizadores cogitam em dar continuidade, incluindo outras poetas. Como escreveu Taveira, “Sonetos de Bolso” é apenas um filete de água que pretende, um dia, transformar-se em córrego, em rio...”

Escrito por Enéas Athanázio, 06/11/2018 às 16h14 | e.atha@terra.com.br



Enéas Athanázio

Assina a coluna Enéas Athanázio

Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 51 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.


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O silêncio reinante a respeito de “Sonetos de Bolso – Antologia Poética”, organizada por Jarbas Júnior e João Carlos Taveira (Thesaurus Editora – Brasília ), me leva a redigir estas notas, ainda que sem a pretensão de julgar o mérito dos poemas nela reunidos.

Trata-se de um belo livro, executado com esmero, em formato pequeno, tipo “pocket-book”, conforme sugere o próprio título. Reúne trabalhos de quinze sonetistas, todos ligados à cidade de Brasília, onde residem ou residiram. São eles: Anderson Braga Horta, Anderson de Araújo Horta, Antonio Miranda, Antonio Temóteo dos Anjos Sobrinho, Fernando Mendes Viana, Henriques do Cerro Azul, José Geraldo Pires de Mello, José Jeronymo Rivera, José Peixoto Júnior, Luiz Carlos de Oliveira Cerqueira, Márcio Catunda, Maria Braga Horta, Nilto Maciel, Romeu Jobim e Viriato Gaspar. Contém ainda excelentes notas explicativas introdutórias e abas de autoria dos organizadores. Segundo Taveira, a presença de uma única mulher se deve ao fato de que as poetas planaltinas não costumam se dedicar ao soneto.

Dois autores me surpreenderam porque desconhecia sua vis poética e, menos ainda, sua arte na composição de sonetos: José Peixoto Júnior e Nilto Maciel. Como escreveu Jarbas Júnior, “Concebido na primeira metade do século XII pelo engenhoso trovador siciliano Giácomo da Lentine, o soneto passa à Itália, onde alcança notoriedade e chega aos cimos da glória com Dante e Petrarca” (p. 9). Daí se expande por toda a Europa onde, “com Luís de Camões esse esplêndido pequeno poema atinge o trono do Monte Parnaso, a elegância simples da perfeição” (loc. cit.). No Brasil o poema metrificado encontrou terreno fértil e tem sido praticado por inúmeros poetas. Nunca desapareceu o gosto dos leitores de poesia pelo soneto e muitos de nossos poetas se tornaram mestres no gênero.

Quanto aos sonetistas acima referidos, José Peixoto Júnior, filho do Cariri Cearense, criado à sombra da Chapada do Araripe, contribui com dez sonetos, todos bem realizados e surpreendentes, como “Castro Alves, Filho de Brasília.” Nilto Maciel, meu velho amigo, foi um escritor prolífico e criativo que nos deixou antes do tempo e faz muita falta. Também contribuiu com dez sonetos, dentre os quais destaco “Oferenda.”

Todos os participantes da antologia são competentes e inspirados sonetistas. Conheço a obra poética de vários deles, alguns de consolidado renome no meio literário. Anderson Braga Horta, Henriques do Cerro Azul, José Peixoto Júnior, Nilto Maciel eu os conheci em pessoa. Já José Jeronymo Rivera, Márcio Catunda e o organizador João Carlos Taveira são ou foram correspondentes. Como diria Monteiro Lobato, são amigos escritos.

Concluindo, penso que “Sonetos de Bolso” foi uma bela iniciativa. É um livro para se carregar na algibeira e para ter sempre à mão, abrindo para uma leitura naqueles momentos em que a alma pede poesia.

Mas o livro não pretende ser uma publicação isolada. Os organizadores cogitam em dar continuidade, incluindo outras poetas. Como escreveu Taveira, “Sonetos de Bolso” é apenas um filete de água que pretende, um dia, transformar-se em córrego, em rio...”

Escrito por Enéas Athanázio, 06/11/2018 às 16h14 | e.atha@terra.com.br



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