Jornal Página 3
Coluna
Dedo na Moleira
Por Waldemar Cezar Neto

Quando o tênis importava mais que o futebol

Foto: Associação Leopoldina Juvenil.

Minha primeira lembrança de Copa do Mundo é de 1966, quando eu tinha 12 anos, mas não estava ligado em futebol e sim em tênis.

O Brasil tinha um time bagunçado, Pelé estava quebrado. Depois de passar pela Bulgária perdemos para a Hungria e veio o jogo com Portugal, o único que me ficou na memória.

Minha turma de gurizada estava toda ligada em tênis, Thomaz Koch, Edison Mandarino e Luís Felipe Tavares destroçaram os adversários na Europa e daí a três meses jogariam em Porto Alegre contra os Estados Unidos, penúltimo passo para vencer a inédita Copa Davis.

Por isso jogávamos tênis, onde tinha um campinho de terra era transformado em quadra, as raquetes fazíamos em casa, de madeira.

Foi jogando na casa do seu Emílio, meu vizinho, na quadrinha construída ao lado de um galinheiro (seu Emílio era agrimensor e complementava a renda vendendo ovos) que escutamos pelo rádio a seleção de Portugal acabar com o Brasil e nos eliminar ainda na primeira fase.

Logo o Brasil que havia ganho as duas Copas anteriores.

Mas, não doeu, a eliminação era esperada e de certa forma até desejada porque a delegação estava envolta em politicagem, afinal éramos bicampeões mundiais, imbatíveis e a ditadura militar tinha certeza que “a Copa do Mundo é nossa e com brasileiro não há quem possa”.

Espantosamente o Brasil convocou 45 jogadores e seis deles foram campeões quatro anos depois, naquela inesquecível Copa de 1970, a primeira que nós brasileiros assistimos pela TV: Carlos Alberto, Brito, Pelé, Gerson, Jairzinho e Tostão.

E o tênis? Bem, Koch e Mandarino ganharam dos Estados Unidos o que foi intensamente comemorado nas ruas da capital gaúcha.

Depois perdemos para a Índia em Calcutá, mas essa é outra história.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 18/06/2018 às 15h20 | waldemar@camboriu.com.br



Waldemar Cezar Neto

Assina a coluna Dedo na Moleira

Lê, pesca, cozinha, escreve e é diretor chefe do Jornal Página 3.


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Dedo na Moleira
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Quando o tênis importava mais que o futebol

Foto: Associação Leopoldina Juvenil.

Minha primeira lembrança de Copa do Mundo é de 1966, quando eu tinha 12 anos, mas não estava ligado em futebol e sim em tênis.

O Brasil tinha um time bagunçado, Pelé estava quebrado. Depois de passar pela Bulgária perdemos para a Hungria e veio o jogo com Portugal, o único que me ficou na memória.

Minha turma de gurizada estava toda ligada em tênis, Thomaz Koch, Edison Mandarino e Luís Felipe Tavares destroçaram os adversários na Europa e daí a três meses jogariam em Porto Alegre contra os Estados Unidos, penúltimo passo para vencer a inédita Copa Davis.

Por isso jogávamos tênis, onde tinha um campinho de terra era transformado em quadra, as raquetes fazíamos em casa, de madeira.

Foi jogando na casa do seu Emílio, meu vizinho, na quadrinha construída ao lado de um galinheiro (seu Emílio era agrimensor e complementava a renda vendendo ovos) que escutamos pelo rádio a seleção de Portugal acabar com o Brasil e nos eliminar ainda na primeira fase.

Logo o Brasil que havia ganho as duas Copas anteriores.

Mas, não doeu, a eliminação era esperada e de certa forma até desejada porque a delegação estava envolta em politicagem, afinal éramos bicampeões mundiais, imbatíveis e a ditadura militar tinha certeza que “a Copa do Mundo é nossa e com brasileiro não há quem possa”.

Espantosamente o Brasil convocou 45 jogadores e seis deles foram campeões quatro anos depois, naquela inesquecível Copa de 1970, a primeira que nós brasileiros assistimos pela TV: Carlos Alberto, Brito, Pelé, Gerson, Jairzinho e Tostão.

E o tênis? Bem, Koch e Mandarino ganharam dos Estados Unidos o que foi intensamente comemorado nas ruas da capital gaúcha.

Depois perdemos para a Índia em Calcutá, mas essa é outra história.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 18/06/2018 às 15h20 | waldemar@camboriu.com.br



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