Jornal Página 3
Coluna
Dedo na Moleira
Por Waldemar Cezar Neto

Os espelhinhos e os índios

Hoje é a audiência pública convocada pela Fatma sobre o Estudo de Impacto Ambiental do BC Port, o porto para navios de cruzeiro que querem construir aqui no prolongamento do molhe da Barra Sul e acho oportuno dizer o que penso.

Fui dos primeiros jornalistas a divulgar o assunto quando do chamamento público promovido pela prefeitura no governo Piriquito para esse e outros projetos na praia central.

Com o tempo foi me distanciando do BC Port devido às meias verdades e às inverdades inteiras divulgadas pelos empreendedores.

Dentre as meias verdades cito o número de 300.000 passageiros por ano.

O Rio de Janeiro, cidade mais famosa e internacional do Brasil, que compõe com São Paulo que fica ao lado o principal mercado para passageiros de cruzeiros, recebeu no ano passado cerca de 265 mil pessoas.

Incluindo turistas vindos do exterior.

De que forma Balneário vai atrair 300 mil?

Nas inverdades completas a declaração do BC Port à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) que o empreendimento foi aprovado pela prefeitura.

O Conselho da Cidade disse que não se opunha a que o projeto fosse apresentando e isso é bem diferente de aprovação porque em outros casos quando o Conselho fez a análise do projeto propriamente dito ele foi reprovado.

Além disso, atualmente nada que seja aprovado pelo Conselho pode ser feito sem passar pela Câmara dos Vereadores, então não existe aprovação nenhuma, é uma declaração falsa.

Ainda no ramo das inverdades completas a afirmação constante no projeto ambiental que será lido hoje à noite que o empreendimento possui estacionamento na Barra Sul. Não possui.

O próprio empreendedor declara que incluindo turistas que visitam a região a expectativa é que 5 milhões de pessoas visitem todos os anos o BC Port para frequentar seus restaurantes, shopping e hotel internacional.

Cinco milhões de pessoas e sem uma única vaga para estacionar veículos?

De vez em quando aparecem pessoas por aqui imaginando que a comunidade não sabe fazer contas, que nos impressionamos com projeções mirabolantes, que somos índios deslubrados com espelhinhos.

Balneário já viu coisas desse tipo muitas vezes, pouca gente se impressiona, só os tolos.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 21/11/2017 às 16h14 | waldemar@camboriu.com.br



Waldemar Cezar Neto

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Lê, pesca, cozinha, escreve e é diretor chefe do Jornal Página 3.


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