Jornal Página 3
Coluna
Dedo na Moleira
Por Waldemar Cezar Neto

Nas redes todos os políticos são puros

Recebi da assessoria de imprensa do Partido Social Liberal (PSL) email assinado por seu presidente em Santa Catarina, Lucas Esmeraldino, onde ele afirma que o partido é um exemplo porque não concorda e não fará o uso do Fundo Partidário, assim como não abre mão da chapa pura, evitando arredar seu projeto à velha política.

O PSL é o partido do Bolsonaro, Esmeraldino é vereador em Tubarão e a história real é outra, não essa divulgada por ele.

Dois anos atrás Esmeraldino se elegeu vereador em Tubarão, pelo PSDB, coligado com o PMN e o PR.

Em menos de dois anos o que era bom para Esmeraldino (o PSDB coligado com o PMN e o PR), virou “velha política”.

Mais curioso é que quando concorreu a vereador pela primeira vez naquela cidade do Sul do Estado, em 2012, o candidato a prefeito que ele apoiou tinha o apoio também do PTN / PR / PHS / PMN / PSDB  e PC do B.

De coligação com um partido comunista a liberal empedernido, é isso que a história conta. 

Relatam jornalistas de Tubarão que Esmeraldino não saiu do PSDB porque era “velha política” e sim porque não tinha espaço para voos mais altos como está tendo agora.

Em certo ponto do email enviado pelo presidente estadual do PSL, está escrito que “Vivemos um momento histórico, único de oportunidades, para a ascensão das ideias liberais”.

Desculpe Esmeraldino, o princípio primeiro do liberalismo é a liberdade e não será um grupo liderado por Bolsonaro que irá garantir isso aos cidadãos.

Penso que com ele estaríamos muito mais próximos de uma ditadura do que de um ambiente liberal.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 13/08/2018 às 09h44 | waldemar@camboriu.com.br

O que eles querem é ditadura

A foto mostra o jornalista Vladimir Herzog torturado e morto no DOI-CODI em 1975. Seu assassinato gerou um movimento mundial de repulsa e acelerou o fim da ditadura brasileira.  

Como é normal nessa época a conversa em todos os cantos é eleição presidencial e entre meus amigos bolsonaristas, agoniados com a trágica situação brasileira, o que percebo é a vontade de mudar o país pela força, através de uma ditadura.

Porque os bolsonaristas acreditam que a força pode resolver o que eles consideram os problemas nacionais como corrupção, leniência nas instâncias superiores do judiciário, decadência dos costumes, criminalidade endêmica etc.

O vice de Bolsonaro, general Mourão (não confundir como general Olímpio Mourão Filho que deflagrou o golpe militar de 1o de abril de 1964), em 2015 elogiou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, vulgo Dr. Tibiriçá, o primeiro militar condenado pela prática de tortura.

Segundo a Comissão da Verdade, uma entidade oficial do governo brasileiro, no período em que Ustra comandou o Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna, o famigerado DOI-CODI em São Paulo, 50 pessoas foram torturadas e mortas naquele porão.

Bolsonaro também considera o torturador Ustra um herói da pátria.

Em 2017 Mourão (o vice do Bolsonaro) voltou a externar o que pensa como solução para o país ao declarar que "até chegar o momento em que ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso”.

Traduzindo, impor uma ditadura.

Eu vivi uma ditadura militar. Ela começou quando eu tinha 10 anos de idade e terminou quando completei 31.

Se querem uma ditadura acho conveniente lembrar alguns fatos sobre a útima que tivemos:

1961 - O presidente Jânio Quadros renuncia e Jango Goulart toma posse.

1962 - O Brasil chega a 52% de inflação.

1963 - Inflação se aproxima de 80% e o PIB fica em pouco mais que 0,5%. A crise econômica devora o país.

Mar/1964 - Em São Paulo acontece a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, dentre outras coisas contra "o comunismo que ameaça o Brasil".

Mar/1964 - O general Olímpio Mourão Filho desloca tropas de MG tentando motivar outras guarnições militares a aderirem ao golpe.

1 de Abril de 1964 - O general Costa e Silva se intitula Comandante do Exército e líder da revolução.

15 de abril de 1964 - O general Castelo Branco assume, para sanear o Brasil e promete manter as eleições.

9 de abril de 1964 - A ditadura cassa os primeiros mandatos legislativos.

Junho de 1964 - A ditadura cassa o ex-presidente e agora senador Juscelino Kubitschek e mais 39 políticos.

22 de julho de 1964 - Castelo Branco prorroga seu próprio mandato até 15 de março de 1967.

01 de setembro de 1964 - Jornais começam a denunciar torturas nas prisões da ditadura.

Setembro de1964 - É criado o Serviço Nacional de Informações (SNI), para controlar a vida dos cidadãos.

Outubro de 1964 - É extinta a União Nacional dos Estudantes (UNE).

Dezembro de 1964 - São 203 denúncias de tortura e 20 mortes.

Outubro de 1965 - São dissolvidos os partidos políticos, a eleição presidencial se torna indireta e civis acusados de crimes políticos passam a ser julgados pela Justiça Militar.

Fevereiro de 1966 - Governadores dos Estados e prefeitos das capitais e de algumas estâncias turísticas passam a ser “eleitos” indiretamente.

Outubro de 1966 - O general Artur da Costa e Silva é escolhido pelas forças armadas para ser o novo ditador do país.

Março de 1968 - Eclodem duas grandes greves de trabalhadores em Contagem e Osasco. Eles protestam contra os baixos salários e a violência da ditadura.

Março de 1968 - O estudante Edson Luís de Lima Souto é assassinado por policiais militares no Rio de Janeiro. Dezenas de milhares de pessoas foram ao enterro o que leva a ditadura um dia depois a proibir passeatas estudantis.

Junho de 1968 - Acontece a Passeata dos 100 mil no Rio de Janeiro contra a violência da ditadura e pelo retorno da democracia.

Dezembro de 1968 - Ditadura baixa o Ato Institucional número 5 - O Congresso Nacional e todas as Assembleias Legislativas são fechadas, menos a de São Paulo. Dentre outras coisas reuniões políticas só podem ocorrer se autorizadas pela polícia e o habeas corpus para crimes de motivação política deixa de existir. Cabia aos ditadores determinar o que era crime de motivação política. Reclamar do preço do gás, por exemplo, podia ser crime político, dependia do militar de plantão.

(...)

Vou parar por aqui, quem ainda não entendeu o que é uma ditadura é imbecil ou se faz de.
 

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 07/08/2018 às 13h52 | waldemar@camboriu.com.br

Neymar desperta inveja pelo talento

Rojas,o verdadeiro fiteiro cai-cai.

Até jornalistas norteamericanos que praticam futebol com bola oval resolveram tirar casquinha com Neymar alegando que ele é cai-cai e fiteiro.

Pura inveja, o brasileiro é dos poucos que sobraram nessa Copa que tratam a bola com carinho.

Gênios como Cristiano Ronaldo, Messi e Iniesta foram embora mais cedo, sobraram Neymar, alguns outros brasileiros, os atacantes uruguaios e o garoto francês.

É a Copa das retrancas, as quartas de final com o pior ranking dos últimos 24 anos segundo levantamento de jornalistas da Folha.

Quase nada de bom futebol, equipes medíocres baseando seu jogo no congestionamento do campo de defesa e quase nunca indo ao ataque.

Nesse cenário o Brasil, depois de entender o que tinha pela frente, é exceção e Neymar a ponta de lança dessa exceção.

O brasileiro tem 1.75m e apenas 68 Kg, é franzino e apanha o tempo todo porque não conseguem pará-lo na categoria.

Quatro anos atrás Neymar saiu da Copa depois que o colombiano Zuñiga enterrou o joelho em sua coluna vertebral. Poderia ter ficado inválido, mas com sorte escapou.

Meses atrás fraturou um dedo do pé, a lesão mais grave da sua carreira.

Nessa semana o mexicano Miguel Layún pisou no seu tornozelo e ele se retorceu de dor, gerando essa onda de falsa indignação no Chile e pelo mundo.

Logo o Chile, aquele do goleiro Roberto Rojas que no Maracanã em 1989 simulou ter sido atingido por um rojão quando sua seleção era eliminada pela brasileira na fase de classificação.

Não existe simulação de Neymar, peça a alguém com 70 quilos para calçar chuteiras e pisar no seu tornozelo para ver se não machuca.

Tite é cabeça feita e parece ter feito a cabeça do Neymar, tipo não dá bola para falatório, vai lá e enfia gols nesses gringos.

Tomara.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 04/07/2018 às 15h53 | waldemar@camboriu.com.br

Mais uma bobagem legislativa

O vereador Roberto Souza Jr. propôs projeto de lei com o seguinte teor:

“Fica obrigatória a publicação de todos os sócios integrantes de pessoas jurídicas contratadas para fornecer serviços e produtos ao Poder Legislativo Municipal, Poder Executivo Municipal e órgãos de administração direta e indireta, independente das formas de contratação”.

Trata-se de uma bobagem, algo supérfluo porque essas informações são públicas e estão disponíveis em bancos de dados atualizados.

Vou desenhar para alguns vereadores entenderem mais fácil.

A prefeitura é obrigada a publicar a homologação das licitações, com o CNPJ da empresa.


Com o CNPJ vou à página da internet da Receita Federal

 

Obtenho a ficha da empresa na Receita e clico na opção conhecer os sócios

 

E aí está o resultado


 

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 25/06/2018 às 11h31 | waldemar@camboriu.com.br

#CompredeSC, uma campanha sem pé nem cabeça

O Governo do Estado lançou a campanha “Compre de Santa Catarina”, com o objetivo de incentivar que os consumidores prefiram produtos locais, mas ela carece de lógica porque tem visão de paróquia em um mundo de consumidores globalizados.

Quase diariamente o governo do Raimundo distribui textos sobre a campanha à imprensa e no de hoje um comerciante entrevistado alega que aderiu ao projeto “porque é necessário incentivar as compras em lojas físicas, já que a concorrência com a Internet é grande”.

Se eu pudesse sugerir algo a esse comerciante seria que ele abrisse uma loja na internet porque esse é um caminho sem volta.

Qualquer compra que possa ser programada custa mais barata se feita em lojas eletrônicas, não interessa se elas estão em Turvo, Ermo, Sombrio ou São Bernardo do Campo.

Entendo que campanha como a promovida pelo governo estadual teria sentido se o próprio governo deixasse de ser olho grande e desse algum tipo de desconto na forma de incentivo fiscal.

Outro bom motivo para comprar produtos catarinenses é que alguns são realmente excelentes, como certas marcas de confecções e indústrias tradicionais como a Hemmer.

Falando em Hemmer, dia desses fui em Blumenau na Nana Hamburgueria Artesanal, competente e por isso lotada de clientes casa de sanduiches na Rua Antônio da Veiga, naquela loira cidade.

O garçom serviu os acompanhamentos e a mostarda era da Heinz, a gigante ex-norte americana do setor de conservas hoje administrada pelo fundo brasileiro 3G.

Fiquei pensando como a Hemmer é ruim de marketing, por deixar que uma empresa “alienígena” venda condimentos para sanduiches em sua cidade natal.

Os caras da Hemmer poderiam se espelhar nos marqueteiros da Eisenbahm porque em qualquer canto que se vá em Blumenau lá está uma plaquinha daquela cervejaria blumenauense.

Bem, blumenauense em termos, a Eisenbahm pertencia à japonesa Kirin que vendeu o negócio para os holandeses da Heineken.

Como se vê, é #Tudocatarinense.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 20/06/2018 às 16h53 | waldemar@camboriu.com.br

Quando o tênis importava mais que o futebol

Foto: Associação Leopoldina Juvenil.

Minha primeira lembrança de Copa do Mundo é de 1966, quando eu tinha 12 anos, mas não estava ligado em futebol e sim em tênis.

O Brasil tinha um time bagunçado, Pelé estava quebrado. Depois de passar pela Bulgária perdemos para a Hungria e veio o jogo com Portugal, o único que me ficou na memória.

Minha turma de gurizada estava toda ligada em tênis, Thomaz Koch, Edison Mandarino e Luís Felipe Tavares destroçaram os adversários na Europa e daí a três meses jogariam em Porto Alegre contra os Estados Unidos, penúltimo passo para vencer a inédita Copa Davis.

Por isso jogávamos tênis, onde tinha um campinho de terra era transformado em quadra, as raquetes fazíamos em casa, de madeira.

Foi jogando na casa do seu Emílio, meu vizinho, na quadrinha construída ao lado de um galinheiro (seu Emílio era agrimensor e complementava a renda vendendo ovos) que escutamos pelo rádio a seleção de Portugal acabar com o Brasil e nos eliminar ainda na primeira fase.

Logo o Brasil que havia ganho as duas Copas anteriores.

Mas, não doeu, a eliminação era esperada e de certa forma até desejada porque a delegação estava envolta em politicagem, afinal éramos bicampeões mundiais, imbatíveis e a ditadura militar tinha certeza que “a Copa do Mundo é nossa e com brasileiro não há quem possa”.

Espantosamente o Brasil convocou 45 jogadores e seis deles foram campeões quatro anos depois, naquela inesquecível Copa de 1970, a primeira que nós brasileiros assistimos pela TV: Carlos Alberto, Brito, Pelé, Gerson, Jairzinho e Tostão.

E o tênis? Bem, Koch e Mandarino ganharam dos Estados Unidos o que foi intensamente comemorado nas ruas da capital gaúcha.

Depois perdemos para a Índia em Calcutá, mas essa é outra história.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 18/06/2018 às 15h20 | waldemar@camboriu.com.br



1 2 3 4 5 6

Waldemar Cezar Neto

Assina a coluna Dedo na Moleira

Lê, pesca, cozinha, escreve e é diretor chefe do Jornal Página 3.


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade

Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br