Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Bolsonaros, Rachadinha e Fundo Eleitoral

Não é preciso pesquisa para saber que os brasileiros condenam a corrupção, querem que as autoridades policiais investiguem todos os casos e que a justiça aplique severa punição aos malfeitores do dinheiro público. Essa disposição ficou evidente na eleição de outubro passado. O eleitor deixou um recado claro de que não compactua com ações de políticos e administradores que lesam os cofres da nação, enchendo bolsos particulares com recursos financeiros, que deveriam ser aplicados na saúde, na educação, na segurança pública e em obras de infraestrutura.

Porisso, o presidente Jair Bolsonaro não pode frustrar essa vontade popular. Ele próprio, antes e depois da eleição garantiu que, no seu governo, não haveria espaço para a velha política, que escolheria técnicos competentes e de ficha limpa para os ministérios e demais cargos da administração pública federal. Mas, parece que a prática está se afastando do discurso teórico.

Por ironia, o primeiro caso de improbidade a atingir o presidente está dentro da sua própria casa. Investigações já realizadas mostram que seu filho, Flávio, está envolvido no caso da mais que suspeita movimentação de 1 milhão e 200 mil reais, feitos sem comprovação da origem, na conta bancária de seu ex-motorista da Assembléia do Rio de Janeiro, Fabrício Queiroz. Parte desse enorme e inexplicado valor teria sido depositada por assessores do próprio Flávio, agora, senador por São Paulo, certamente, eleito com a ajuda do nome paterno e da onda eleitoral Bolsonaro.

Tudo indica que os depósitos correspondiam a um esquema de corrupção, a tal de “Rachadinha”, que obriga o assessor parlamentar a entregar parte do seu salário para o deputado que o nomeou. Infelizmente, é uma prática de corrupção generalizada em todo o país, que ajuda a encher o bolso de deputados estaduais, de forma criminosa. A verdade é que o Flávio Bolsonaro está enrolado e não tem como explicar esse estranho tráfico de dinheiro público que, parece ter BOLSO como destino final.

Acuado, o presidente teria dito que, “quem deve tem que pagar, não importa quem for”. Mas, depois, falou mais alto o coração de pai para insinuar que seu filho está sendo objeto de perseguição. O fato precisa ser devidamente esclarecido, caso contrário, o presidente ficará numa situação eticamente bastante vulnerável e, politicamente, insustentável. Todos esperam que Jair Bolsonaro cumpra sua promessa de combater a corrupção.

Agora, em meio às notícias sobre a tragédia de Brumadinho, assassinatos, execuções sumárias que, nesse país, são de tragédias quase diárias, Gustavo Bebianno, do PSL e responsável pela Secretaria-Geral da Presidência, está nas páginas policiais, causando enorme desgaste político ao governo de Bolsonaro. Teria usado candidatas-laranjas para desviar dinheiro do Fundo Eleitoral. Bolsonaro logo reagiu para afastar seu secretário, mas seu partido saiu em defesa do envolvido, sob eterno pretexto de que não há prova do malfeito. Na verdade, muitos parlamentares devem estar com o rabo preso, na distribuição do dinheiro fácil do Fundo Partidário.

Todos esperam que Jair Bolsonaro cumpra sua promessa de combater a corrupção. Mas, parece que a coisa não é tão fácil assim!

Escrito por João José Leal, 18/02/2019 às 09h58 | jjoseleal@gmail.com



João José Leal

Assina a coluna Crônica Semanal

Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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Bolsonaros, Rachadinha e Fundo Eleitoral

Não é preciso pesquisa para saber que os brasileiros condenam a corrupção, querem que as autoridades policiais investiguem todos os casos e que a justiça aplique severa punição aos malfeitores do dinheiro público. Essa disposição ficou evidente na eleição de outubro passado. O eleitor deixou um recado claro de que não compactua com ações de políticos e administradores que lesam os cofres da nação, enchendo bolsos particulares com recursos financeiros, que deveriam ser aplicados na saúde, na educação, na segurança pública e em obras de infraestrutura.

Porisso, o presidente Jair Bolsonaro não pode frustrar essa vontade popular. Ele próprio, antes e depois da eleição garantiu que, no seu governo, não haveria espaço para a velha política, que escolheria técnicos competentes e de ficha limpa para os ministérios e demais cargos da administração pública federal. Mas, parece que a prática está se afastando do discurso teórico.

Por ironia, o primeiro caso de improbidade a atingir o presidente está dentro da sua própria casa. Investigações já realizadas mostram que seu filho, Flávio, está envolvido no caso da mais que suspeita movimentação de 1 milhão e 200 mil reais, feitos sem comprovação da origem, na conta bancária de seu ex-motorista da Assembléia do Rio de Janeiro, Fabrício Queiroz. Parte desse enorme e inexplicado valor teria sido depositada por assessores do próprio Flávio, agora, senador por São Paulo, certamente, eleito com a ajuda do nome paterno e da onda eleitoral Bolsonaro.

Tudo indica que os depósitos correspondiam a um esquema de corrupção, a tal de “Rachadinha”, que obriga o assessor parlamentar a entregar parte do seu salário para o deputado que o nomeou. Infelizmente, é uma prática de corrupção generalizada em todo o país, que ajuda a encher o bolso de deputados estaduais, de forma criminosa. A verdade é que o Flávio Bolsonaro está enrolado e não tem como explicar esse estranho tráfico de dinheiro público que, parece ter BOLSO como destino final.

Acuado, o presidente teria dito que, “quem deve tem que pagar, não importa quem for”. Mas, depois, falou mais alto o coração de pai para insinuar que seu filho está sendo objeto de perseguição. O fato precisa ser devidamente esclarecido, caso contrário, o presidente ficará numa situação eticamente bastante vulnerável e, politicamente, insustentável. Todos esperam que Jair Bolsonaro cumpra sua promessa de combater a corrupção.

Agora, em meio às notícias sobre a tragédia de Brumadinho, assassinatos, execuções sumárias que, nesse país, são de tragédias quase diárias, Gustavo Bebianno, do PSL e responsável pela Secretaria-Geral da Presidência, está nas páginas policiais, causando enorme desgaste político ao governo de Bolsonaro. Teria usado candidatas-laranjas para desviar dinheiro do Fundo Eleitoral. Bolsonaro logo reagiu para afastar seu secretário, mas seu partido saiu em defesa do envolvido, sob eterno pretexto de que não há prova do malfeito. Na verdade, muitos parlamentares devem estar com o rabo preso, na distribuição do dinheiro fácil do Fundo Partidário.

Todos esperam que Jair Bolsonaro cumpra sua promessa de combater a corrupção. Mas, parece que a coisa não é tão fácil assim!

Escrito por João José Leal, 18/02/2019 às 09h58 | jjoseleal@gmail.com



João José Leal

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Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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