Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Calçadão da Avenida Central

Lembro quando a Avenida Central, porta de chegada à praia central de Balneário Camboriú, recebeu a pavimentação, pedra por pedra, com paralelepípedos. Foi um grande avanço. Depois, como dizem, chegou o progresso. E a Avenida Central recebeu o manto betuminoso da negritude asfáltica. Não sei quando surgiu o calçadão, construído sobre o trecho inicial da Avenida Central, entre as avenidas Atlântica e Brasil, no coração urbano da cidade-praia. Acho que foi depois do asfaltamento da avenida.

Mas, lembro bem da sua primeira versão, com o piso revestido de mosaicos em pedra portuguesa, que costumamos chamar pelo nome francês de petit-pavé. Apesar de ser simples, malcuidado, sem árvores, pouca ou quase nenhuma flor, o calçadão era bonito, pelos desenhos formados pelas pequenas pedras pretas e brancas. Além disso, acompanhava o padrão de revestimento das calçadas de Balneário Camboriú.

Em 2011, em vez de cuidar, restaurar e melhorar o que estava construído, a administração municipal veio com o discurso da necessidade de “revitalização”, essa mágica palavra que a muitos seduz, do calçadão da Avenida Central. Apresentou um projeto com a proposta de novo e moderno piso, luminárias de última geração, muitos e confortáveis bancos, árvores de sombra e flores mil. O projeto previa, inclusive, a cobertura, com placas de acrílico, de toda a extensão do calçadão. O então prefeito queria que todos caminhassem protegidos das intempéries, pelo prodigioso guarda-chuva do poder público municipal a serviço do cidadão, turista ou aqui residente.

Por incompetência ou má-fé, apresentaram um projeto e executaram outro, bem diferente. O novo piso, que parece sempre sujo, logo começou a quebrar, dando a impressão de abandono. Bancos, árvores e flores ficaram longe da beleza estampada no projeto. A arrojada cobertura, anunciada como a principal inovação do projeto, ficou apenas no papel, proibida pelo Corpo de Bombeiros, em nome da segurança dos prédios do entorno. A obra foi um fiasco. Relevou-se um gasto desnecessário e deixou um rastro de frustração e indignação.

Passados menos de 10 anos, o calçadão está malcuidado e em completo abandono. Uma vergonha. Pior, ainda. Foi, literalmente, cercado pelos donos de bares e lanchonetes que ocupam metade do espaço de circulação, como se fosse quintal dos seus próprios estabelecimentos. Se, do outro lado, um concorrente fizer o mesmo, uma parafernália de mesas e cadeiras, seguramente, vai impedir que as pessoas circulem por aquele espaço público. De qualquer forma, quem por ali caminha, e é muita gente, tem que serpentear entre diversos obstáculos que ali se encontram sem manutenção e sem cuidado.

Infelizmente, nossos administradores municipais priorizam grandiosas e discutíveis obras, como é o caso do aterro da praia central e se esquecem ou não querem preservar nem melhorar o que já está construído, de utilidade comprovada. É uma cultura nociva de administrar para realizar um projeto político pessoal. E, assim, esquecem que a boa política manda governar para atender ao bem comum da coletividade.

Prova disso é o calçadão da Avenida Central, em grande parte ocupado por donos de bares e lanchonetes e abandonado pelo poder público.

Escrito por João José Leal, 08/02/2019 às 09h30 | jjoseleal@gmail.com



João José Leal

Assina a coluna Crônica Semanal

Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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Calçadão da Avenida Central

Lembro quando a Avenida Central, porta de chegada à praia central de Balneário Camboriú, recebeu a pavimentação, pedra por pedra, com paralelepípedos. Foi um grande avanço. Depois, como dizem, chegou o progresso. E a Avenida Central recebeu o manto betuminoso da negritude asfáltica. Não sei quando surgiu o calçadão, construído sobre o trecho inicial da Avenida Central, entre as avenidas Atlântica e Brasil, no coração urbano da cidade-praia. Acho que foi depois do asfaltamento da avenida.

Mas, lembro bem da sua primeira versão, com o piso revestido de mosaicos em pedra portuguesa, que costumamos chamar pelo nome francês de petit-pavé. Apesar de ser simples, malcuidado, sem árvores, pouca ou quase nenhuma flor, o calçadão era bonito, pelos desenhos formados pelas pequenas pedras pretas e brancas. Além disso, acompanhava o padrão de revestimento das calçadas de Balneário Camboriú.

Em 2011, em vez de cuidar, restaurar e melhorar o que estava construído, a administração municipal veio com o discurso da necessidade de “revitalização”, essa mágica palavra que a muitos seduz, do calçadão da Avenida Central. Apresentou um projeto com a proposta de novo e moderno piso, luminárias de última geração, muitos e confortáveis bancos, árvores de sombra e flores mil. O projeto previa, inclusive, a cobertura, com placas de acrílico, de toda a extensão do calçadão. O então prefeito queria que todos caminhassem protegidos das intempéries, pelo prodigioso guarda-chuva do poder público municipal a serviço do cidadão, turista ou aqui residente.

Por incompetência ou má-fé, apresentaram um projeto e executaram outro, bem diferente. O novo piso, que parece sempre sujo, logo começou a quebrar, dando a impressão de abandono. Bancos, árvores e flores ficaram longe da beleza estampada no projeto. A arrojada cobertura, anunciada como a principal inovação do projeto, ficou apenas no papel, proibida pelo Corpo de Bombeiros, em nome da segurança dos prédios do entorno. A obra foi um fiasco. Relevou-se um gasto desnecessário e deixou um rastro de frustração e indignação.

Passados menos de 10 anos, o calçadão está malcuidado e em completo abandono. Uma vergonha. Pior, ainda. Foi, literalmente, cercado pelos donos de bares e lanchonetes que ocupam metade do espaço de circulação, como se fosse quintal dos seus próprios estabelecimentos. Se, do outro lado, um concorrente fizer o mesmo, uma parafernália de mesas e cadeiras, seguramente, vai impedir que as pessoas circulem por aquele espaço público. De qualquer forma, quem por ali caminha, e é muita gente, tem que serpentear entre diversos obstáculos que ali se encontram sem manutenção e sem cuidado.

Infelizmente, nossos administradores municipais priorizam grandiosas e discutíveis obras, como é o caso do aterro da praia central e se esquecem ou não querem preservar nem melhorar o que já está construído, de utilidade comprovada. É uma cultura nociva de administrar para realizar um projeto político pessoal. E, assim, esquecem que a boa política manda governar para atender ao bem comum da coletividade.

Prova disso é o calçadão da Avenida Central, em grande parte ocupado por donos de bares e lanchonetes e abandonado pelo poder público.

Escrito por João José Leal, 08/02/2019 às 09h30 | jjoseleal@gmail.com



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Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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