Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Cesare Battisti, fim de uma longa novela

A prisão de Cesare Battisti, nosso conhecido e indesejado hóspede por alguns anos, deve encerrar uma longa novela, que teve início na velha Itália e com alguns capítulos rodados em território brasileiro. A prisão e, principalmente, a decisão do governo boliviano de decretar a imediata deportação de Battisti para a Itália, certamente, vai transformá-lo em mais um condenado do sistema penitenciário italiano e deixará de ser notícia. Depois, virá o esquecimento.

Se fosse preso e mandado para o Brasil - STF com alguns ministros que adoram polêmicas por pura vaidade e que adoram demorados momentos de contemplação nas águas de Narciso - não seria surpresa a decretação de uma liminar, proibindo a imediata extradição de Battisti. Um novo litígio de Direito Internacional, de alta indagação jurídica e constitucional, seria instaurado com todas as garantias constitucionais. No mínimo, alguns anos mais, Battisti poderia passar em solo brasileiro, esta terra que lhe é tão querida.

Sem dúvida, Battisti protagonizou uma novela interessante, cheia de aventuras, de lances espetaculares, que mereceu e, ainda, continua merecendo espaço de destaque no noticiário mundial e no nosso próprio imaginário.

Afinal, é uma novela com enredo marcado por capítulos iniciais de militância política e de sangue, na Itália, nos anos de 1970, quando militou no grupo Proletários Armados Pelo Comunismo - PAC. Talvez, por essa militância tenha angariado a incondicional simpatia do pessoal do PT. Como militante desse grupo rebelde, participou de quatro assassinatos.

Foi, também, uma novela de prisões e fugas, de procuras incessantes e de asilos por simpatias ideológicas,. Depois de passar por outros países, como a França de Mitterrand, que lhe concedeu asilo por alguns anos, aportou no Brasil governado pelo PT. Preso em 2007, mesmo sendo um caso de extradição, o então presidente Lula preferiu conceder-lhe asilo político. E, aqui, ficou até fugir novamente e ser preso na Bolívia. Agora, ironia do destino, seu protetor petista está preso, também se dizendo inocente e perseguido político.

Por alguns dias, ainda, vamos ouvir falar de Battisti. Mas, aos poucos sua polêmica figura, confinada ao interior dos muros de uma prisão italiana, será esquecida. Como disse acima, sua prisão e pronta deportação para a Itália, provavelmente, vai encerrar a longa novela. Afinal, as grades das celas de uma prisão tiram a liberdade e os seus intransponíveis muros erguem uma tenebrosa cortina de silêncio em torno do condenado. Doravante, Césare Battisti não será mais um protagonista em cartaz. O esquecimento envolverá o polêmico personagem e sua figura será olhada pelo retrovisor do vasto caleidoscópio da história.

Escrito por João José Leal, 16/01/2019 às 12h35 | jjoseleal@gmail.com



João José Leal

Assina a coluna Crônica Semanal

Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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Cesare Battisti, fim de uma longa novela

A prisão de Cesare Battisti, nosso conhecido e indesejado hóspede por alguns anos, deve encerrar uma longa novela, que teve início na velha Itália e com alguns capítulos rodados em território brasileiro. A prisão e, principalmente, a decisão do governo boliviano de decretar a imediata deportação de Battisti para a Itália, certamente, vai transformá-lo em mais um condenado do sistema penitenciário italiano e deixará de ser notícia. Depois, virá o esquecimento.

Se fosse preso e mandado para o Brasil - STF com alguns ministros que adoram polêmicas por pura vaidade e que adoram demorados momentos de contemplação nas águas de Narciso - não seria surpresa a decretação de uma liminar, proibindo a imediata extradição de Battisti. Um novo litígio de Direito Internacional, de alta indagação jurídica e constitucional, seria instaurado com todas as garantias constitucionais. No mínimo, alguns anos mais, Battisti poderia passar em solo brasileiro, esta terra que lhe é tão querida.

Sem dúvida, Battisti protagonizou uma novela interessante, cheia de aventuras, de lances espetaculares, que mereceu e, ainda, continua merecendo espaço de destaque no noticiário mundial e no nosso próprio imaginário.

Afinal, é uma novela com enredo marcado por capítulos iniciais de militância política e de sangue, na Itália, nos anos de 1970, quando militou no grupo Proletários Armados Pelo Comunismo - PAC. Talvez, por essa militância tenha angariado a incondicional simpatia do pessoal do PT. Como militante desse grupo rebelde, participou de quatro assassinatos.

Foi, também, uma novela de prisões e fugas, de procuras incessantes e de asilos por simpatias ideológicas,. Depois de passar por outros países, como a França de Mitterrand, que lhe concedeu asilo por alguns anos, aportou no Brasil governado pelo PT. Preso em 2007, mesmo sendo um caso de extradição, o então presidente Lula preferiu conceder-lhe asilo político. E, aqui, ficou até fugir novamente e ser preso na Bolívia. Agora, ironia do destino, seu protetor petista está preso, também se dizendo inocente e perseguido político.

Por alguns dias, ainda, vamos ouvir falar de Battisti. Mas, aos poucos sua polêmica figura, confinada ao interior dos muros de uma prisão italiana, será esquecida. Como disse acima, sua prisão e pronta deportação para a Itália, provavelmente, vai encerrar a longa novela. Afinal, as grades das celas de uma prisão tiram a liberdade e os seus intransponíveis muros erguem uma tenebrosa cortina de silêncio em torno do condenado. Doravante, Césare Battisti não será mais um protagonista em cartaz. O esquecimento envolverá o polêmico personagem e sua figura será olhada pelo retrovisor do vasto caleidoscópio da história.

Escrito por João José Leal, 16/01/2019 às 12h35 | jjoseleal@gmail.com



João José Leal

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Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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