Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Letras e Chope

Marejada, em Itajaí. Ocktoberfest, em Blumenau. Fenarreco, em Brusque. O Vale está em festa. Como sempre, serão dias de muita música, dança, chope e comida típica das cozinhas portuguesa e alemã. Também de muito barulho e bebedeira, porque festa é alegria turbinada pelo efeito deletério do álcool, que libera serotonina no cérebro e nos deixa cheios de euforia e excitação. Crise, nem pensar. Deixa para amanhã, que tem eleição, mil discursos na televisão e rosários de solução.

No momento em que os pavilhões abriam suas portas e a festa começava, chope jorrando para a alegria de muita gente de caneco na mão, eu estava em Florianópolis para tomar posse na Cadeira 31, da Academia Catarinense de Letras. A vida é assim mesmo, marcada pela biodiversidade. Uns bebem, dançam e se divertem. Alguns imaginam que, escrever, é preciso para alimentar a alma e divertir o espírito. Outros trabalham duro, porque a vida é preciso ganhar.

Minha eleição aconteceu em junho, num momento de colher os derradeiros frutos da semeadura feita durante a minha vida. E, na quinta-feira, tinha chegado a hora de adentrar o umbral do belo, imponente e centenário Casarão que abriga a Casa das Letras de Santa Catarina, para receber a láurea acadêmica, em reconhecimento ao que escrevi, no campo das letras jurídicas e da literatura, centenas de crônicas publicadas neste jornal e em outros do Estado.

Aposentado, escrever crônicas é o que tenho feito, além de viajar para respirar outros ares. Agora, sinto-me um cronista, lobo solitário sentado em frente à tela do computador – a velha máquina de datilografia já nas prateleiras e armários dos museus – escrevendo para dialogar, numa conversa semanal, com a inteligência, com a razão e com os sentimentos do meu leitor. Nesse processo de interação entre o artífice da palavra e o leitor, escrever é semear emoções e ilusões, é provocar alegrias e sorrisos, tristezas e lágrimas, amor e paz.

Para mim, com sua linguagem coloquial, muitas vezes, marcada pela ironia, a crônica é o gênero literário escrito na véspera, para chegar às mãos do leitor no dia seguinte e ser lida numa página de jornal. E, agora, tempo de comunicação virtual, também, na tela mágica das redes sociais. Assim, é a crônica, com o seu timing, com sua linguagem objetiva, salpicada com o tempero da crítica e da ironia, com sua temática garimpada do cotidiano da vida social, com um texto conciso, ajustado rigorosamente ao espaço da coluna de um jornal.

Como disse no discurso de posse, faço questão de compartilhar esse prêmio acadêmico com todos os leitores de minhas crônicas. São eles a razão maior da minha inspiração para escrever sobre o cotidiano da cidade e a vida das pessoas. Neste momento da minha vida, sinto que escrever é viver porque, enquanto puder sentar ao computador para escrever uma crônica, estarei vivendo para conversar com os meus amigos e leitores.

Escrito por João José Leal, 03/10/2018 às 09h21 | jjoseleal@gmail.com



João José Leal

Assina a coluna Crônica Semanal

Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade

Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br

Página 3
Crônica Semanal
Por João José Leal

Letras e Chope

Marejada, em Itajaí. Ocktoberfest, em Blumenau. Fenarreco, em Brusque. O Vale está em festa. Como sempre, serão dias de muita música, dança, chope e comida típica das cozinhas portuguesa e alemã. Também de muito barulho e bebedeira, porque festa é alegria turbinada pelo efeito deletério do álcool, que libera serotonina no cérebro e nos deixa cheios de euforia e excitação. Crise, nem pensar. Deixa para amanhã, que tem eleição, mil discursos na televisão e rosários de solução.

No momento em que os pavilhões abriam suas portas e a festa começava, chope jorrando para a alegria de muita gente de caneco na mão, eu estava em Florianópolis para tomar posse na Cadeira 31, da Academia Catarinense de Letras. A vida é assim mesmo, marcada pela biodiversidade. Uns bebem, dançam e se divertem. Alguns imaginam que, escrever, é preciso para alimentar a alma e divertir o espírito. Outros trabalham duro, porque a vida é preciso ganhar.

Minha eleição aconteceu em junho, num momento de colher os derradeiros frutos da semeadura feita durante a minha vida. E, na quinta-feira, tinha chegado a hora de adentrar o umbral do belo, imponente e centenário Casarão que abriga a Casa das Letras de Santa Catarina, para receber a láurea acadêmica, em reconhecimento ao que escrevi, no campo das letras jurídicas e da literatura, centenas de crônicas publicadas neste jornal e em outros do Estado.

Aposentado, escrever crônicas é o que tenho feito, além de viajar para respirar outros ares. Agora, sinto-me um cronista, lobo solitário sentado em frente à tela do computador – a velha máquina de datilografia já nas prateleiras e armários dos museus – escrevendo para dialogar, numa conversa semanal, com a inteligência, com a razão e com os sentimentos do meu leitor. Nesse processo de interação entre o artífice da palavra e o leitor, escrever é semear emoções e ilusões, é provocar alegrias e sorrisos, tristezas e lágrimas, amor e paz.

Para mim, com sua linguagem coloquial, muitas vezes, marcada pela ironia, a crônica é o gênero literário escrito na véspera, para chegar às mãos do leitor no dia seguinte e ser lida numa página de jornal. E, agora, tempo de comunicação virtual, também, na tela mágica das redes sociais. Assim, é a crônica, com o seu timing, com sua linguagem objetiva, salpicada com o tempero da crítica e da ironia, com sua temática garimpada do cotidiano da vida social, com um texto conciso, ajustado rigorosamente ao espaço da coluna de um jornal.

Como disse no discurso de posse, faço questão de compartilhar esse prêmio acadêmico com todos os leitores de minhas crônicas. São eles a razão maior da minha inspiração para escrever sobre o cotidiano da cidade e a vida das pessoas. Neste momento da minha vida, sinto que escrever é viver porque, enquanto puder sentar ao computador para escrever uma crônica, estarei vivendo para conversar com os meus amigos e leitores.

Escrito por João José Leal, 03/10/2018 às 09h21 | jjoseleal@gmail.com



João José Leal

Assina a coluna Crônica Semanal

Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade