Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Lisboa

Já escrevi que gosto de viajar, de cruzar ou, melhor, sobrevoar os mares para conhecer terras e gente do outro lado do Atlântico, lá da velha Europa, cheia de catedrais, monumentos e construções dos tempos medievais, suas cidades se exibindo como verdadeiros museus a céu aberto. Suas ruas estão sempre tomadas por milhares de curiosos turistas todos os lugares, porque curiosidade turística não tem pátria nem cor. Minha última viagem me levou a Portugal, terra dos meus antepassados.

Cada vez que piso o solo lusitano sinto uma forte emoção, como se estivesse retornando a uma terra que sempre me foi familiar, a um quintal de minha vida existencial. É como se estivesse caminhando pelas ruas de minha terra tijucana. Talvez, porque corre em minhas veias o sangue português. Afinal, a força do vínculo sanguíneo não deixa de marcar nossas emoções, nosso modo de ver e de sentir a vida.

Gosto de chegar a Lisboa, alegre capital portuguesa, em frente ao Tejo, de cujas margens partiu Cabral para nos descobrir. Conheci a cidade no tempo de Salazar, então, uma cidade triste, cinzenta, atrasada. Escapara ilesa da Segunda Guerra e, 25 anos depois, continuava atrasada em face das demais capitais européias, quase todas devastadas pelo grande conflito mundial e rapidamente reconstruídas, no plano econômico e político, a ponto de não se ver mais vestígios do tempo da guerra.  

Atualmente, Lisboa é uma cidade alegre, bem cuidada, segura, sem assalto e sem violência, cheia de monumentos, catedrais, museus, restaurantes e bares, onde todos parecem vender felicidade ou, quem sabe, ilusão, porque são estados d’alma que muitas vezes se confundem. A gente se sente bem, como se estivesse em terra brasileira, ao caminhar entre gente simpática e acolhedora, pelas ruas da parte alta, o conhecido Chiado, pelas praças do Rocio e do Comércio, cercadas por belas edifícios do final do século 18, construídos depois do grande terremoto que devastou a cidade, conta que o Brasil-colônia, ajudou a pagar, com o ouro daqui levado.

O belo e imponente Mosteiro dos Jerônimos, patrimônio da arquitetura mundidal, com sua construção iniciada na época do descobrimento do Brasil,  é testemunha silenciosa e inquestionável do progresso alcançado pela nação portuguesa, naquela sua época de ouro. Ali perto, outro monumento emblemático. A bela Torre de Belém, erguida à margem do Tejo, local de onde partiam as esquadras portuguesas para singrar os mares e conquistar um vasto império, em terras dos três continentes.

Vi uma Lisboa lotada de turistas de todas as partes do mundo, brasileiros por todos os lados, como sempre reclamando da crise, mas que sempre arranjam uns bons trocados para botar os pés em terras portuguesas.

Afinal, viajar é viver.

Escrito por João José Leal, 21/06/2018 às 09h10 | jjoseleal@gmail.com



João José Leal

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Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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