Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Internet e Transtorno Mental

De um pequeno cartaz afixado na parede de uma cafeteria, em Chapecó: “Aqui não tem Wi-FI. Conversem entre vocês!”

Psicólogos e psiquiatras ainda divergem sobre o vício ou dependência de crianças e adolescentes que passam o dia inteiro na internet. Para uns, ficar conectado por horas e horas, sem tirar os olhos e a mente da telinha mágica de cristal, é apenas um sintoma de um transtorno mental preexistente, como a depressão e a ansiedade. Como a humanidade contemporânea é feita de muita gente depressiva e ansiosa, o vício da internet seria apenas mais um sintoma desse transtorno generalizado.

Para outros especialistas, no entanto, não há mais dúvida, a conduta compulsiva de muitos internautas, que passam o dia conectados ao mundo virtual, pode ser considerado um tipo de transtorno mental, como uma dependência psíquica, igual à do álcool ou das demais drogas. É verdade que, ainda, não há um reconhecimento oficial. Mas, alguns países já encaram essa conduta de passar o dia todo com o celular nas mãos e olhar na tela, como um problema de saúde pública. É o caso da Coreia do Sul e do Japão.

Penso que não é preciso ser psiquiatra ou psicólogo para entender que não é normal viver o dia inteiro navegando nas ondas do mundo virtual. Principalmente, quando o vício começa a afetar a vida social do dependente, quando a criança ou o adolescente ignora o que se passa ao seu redor, desligando-se da vida familiar, dos amigos, da escola e do trabalho. Conheço alguns pais que estão preocupados com a conduta de seus filhos, que acordam e dormem de celular nas mãos. Esses jovens de mãos de siri, passam o dia inteiro manuseando o polegar, agora transformado em chave da porta de entrada no mundo fantástico e sedutor mundo virtual.

Para os usuários compulsivos da internet, esses que não conseguem mais ficar longe da tela de um computador ou de um celular, já existem clínicas especializadas no tratamento desses cyberdependentes, inclusive no Brasil. Nos Estados Unidos, sociedade tecnologicamente avançada, já são muitas. A Paradigm é uma das que chama a atenção pela luxo e sofisticação. Instalada numa colina da cosmopolita San Francisco, da Califórnia, com vista para a Gold Gate, é uma mansão transformada em casa de recuperação de cybernautas.

A diária tem custo de R$ 5.400 e o tratamento de crianças e adolescentes pode durar até 60 dias de internação, significando que a despesa total não é para qualquer pai comum. Na clínica computadores, tabletes e celulares são proibidos porque a terapia tem um objetivo bem definido: "desprogramar" o viciado e ajudá-lo a se reaproximar da família, dos amigos e da máquina. Então, a ordem é "desconectar" as mentes viciadas ali internadas, libertando-as da dependência causada pelo feitiço da tela mágica, que afasta o ser humano da realidade para escravizá-lo no mundo virtual da fantasia.

Assim é o ser humano, criador e escravo da própria máquina.

Escrito por João José Leal, 29/05/2018 às 14h20 | jjoseleal@gmail.com



João José Leal

Assina a coluna Crônica Semanal

Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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Internet e Transtorno Mental

De um pequeno cartaz afixado na parede de uma cafeteria, em Chapecó: “Aqui não tem Wi-FI. Conversem entre vocês!”

Psicólogos e psiquiatras ainda divergem sobre o vício ou dependência de crianças e adolescentes que passam o dia inteiro na internet. Para uns, ficar conectado por horas e horas, sem tirar os olhos e a mente da telinha mágica de cristal, é apenas um sintoma de um transtorno mental preexistente, como a depressão e a ansiedade. Como a humanidade contemporânea é feita de muita gente depressiva e ansiosa, o vício da internet seria apenas mais um sintoma desse transtorno generalizado.

Para outros especialistas, no entanto, não há mais dúvida, a conduta compulsiva de muitos internautas, que passam o dia conectados ao mundo virtual, pode ser considerado um tipo de transtorno mental, como uma dependência psíquica, igual à do álcool ou das demais drogas. É verdade que, ainda, não há um reconhecimento oficial. Mas, alguns países já encaram essa conduta de passar o dia todo com o celular nas mãos e olhar na tela, como um problema de saúde pública. É o caso da Coreia do Sul e do Japão.

Penso que não é preciso ser psiquiatra ou psicólogo para entender que não é normal viver o dia inteiro navegando nas ondas do mundo virtual. Principalmente, quando o vício começa a afetar a vida social do dependente, quando a criança ou o adolescente ignora o que se passa ao seu redor, desligando-se da vida familiar, dos amigos, da escola e do trabalho. Conheço alguns pais que estão preocupados com a conduta de seus filhos, que acordam e dormem de celular nas mãos. Esses jovens de mãos de siri, passam o dia inteiro manuseando o polegar, agora transformado em chave da porta de entrada no mundo fantástico e sedutor mundo virtual.

Para os usuários compulsivos da internet, esses que não conseguem mais ficar longe da tela de um computador ou de um celular, já existem clínicas especializadas no tratamento desses cyberdependentes, inclusive no Brasil. Nos Estados Unidos, sociedade tecnologicamente avançada, já são muitas. A Paradigm é uma das que chama a atenção pela luxo e sofisticação. Instalada numa colina da cosmopolita San Francisco, da Califórnia, com vista para a Gold Gate, é uma mansão transformada em casa de recuperação de cybernautas.

A diária tem custo de R$ 5.400 e o tratamento de crianças e adolescentes pode durar até 60 dias de internação, significando que a despesa total não é para qualquer pai comum. Na clínica computadores, tabletes e celulares são proibidos porque a terapia tem um objetivo bem definido: "desprogramar" o viciado e ajudá-lo a se reaproximar da família, dos amigos e da máquina. Então, a ordem é "desconectar" as mentes viciadas ali internadas, libertando-as da dependência causada pelo feitiço da tela mágica, que afasta o ser humano da realidade para escravizá-lo no mundo virtual da fantasia.

Assim é o ser humano, criador e escravo da própria máquina.

Escrito por João José Leal, 29/05/2018 às 14h20 | jjoseleal@gmail.com



João José Leal

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Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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