Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Fim de ano em Balneário Camboriú

A semana foi chuvosa. Mas, o sol brilhou no último dia do ano, para encher de entusiasmo os milhares de turistas que lotaram BCamboriú para as festas de fim de ano.

E põe gente nisso, saindo de edifícios furando os céus sem limite, essas caixas de concreto que um dia alcançaram 4, 10, 30, depois, 40 pavimentos. Agora, avançam para chegar aos 80, porque dos 60 andares, o desafio já foi vencido.

É uma multidão peregrina, aves de arribação de poucos dias, infinda procissão de festivos pagãos, caminhando por ruas e calçadas num vai-e-vem de pura ociosidade.

É muita gente, emergindo dos labirintos de uma cidade congestionada, atrofiada, com suas bocas de esgoto borbulhantes, as entranhas da terra devolvendo o excesso fisiológico que a burocracia oficial não consegue administrar.

É muita gente. Nos quiosques da orla tomados de assalto, veranistas vindos de todas as bandas disputam espaço para levantar nas mãos a euforizante caipirinha ou uma loira bem gelada, fontes do infalíveis do álcool a serviço do prazer coletivo.

Nesses bares praianos, também disputa acirrada em filas sem tamanho, de angustiados veranistas em busca do alívio da necessidade fisiológica, no único vaso sanitário.

Se turistas são algumas centenas de milhares, as latinhas vazias da cevada feita cerveja são de mais de milhão fazendo a alegria dessa gente passageira, em busca do lazer e do divertimento em tempo integral. Vazias, essas lâminas de alumínio pisoteado, sucateado, será convertido em moeda de lata (can coin) para a triste alegria dos catadores excluídos de uma sociedade tão contraditória.

Neste tempo de cidade tomada por aves de arribação chegando de todos os lados, a praia transforma-se numa floresta sem fim de guarda-sóis e barracas, num vasto milharal de lona e pano. Em tempo de virada de ano, assim é a praia de BCamboriú, meca profana do ócio temperado pela água e sal, adubado pela branca areia, curtido pelo raio solar.

No último instante do velho ano, no átimo de tempo que anuncia o novo ano, a multidão invade a praia para assistir ao esperado show pirotécnico dos fogos a colorir e iluminar os ares. Então, aquela gente frente à escuridão do mar, não tem olhos para as ondas se esparramando na areia, porque a fantasia e a ilusão tomam conta das suas mentes. São apenas 15 minutos de magia pirotécnica, mas aquela gente está cheia de esperança no Novo Ano.

Não sei o que vem pela frente nem o que a realidade nos aprontará. Mesmo assim, desejo aos meus leitores um Novo Ano de paz de felicidade.

Escrito por João José Leal, 02/01/2018 às 16h09 | jjoseleal@gmail.com



João José Leal

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Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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