Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Copa do Mundo 2018 – França Campeã!

Merecidamente, com seu futebol, bonito, elegante, sem perder uma partida sequer, a França ganhou a Copa do Mundo de 2018. Apesar dos atos isolados de vandalismo verificados em algumas das maiores cidades francesas, a festa da vitória foi bonita, pacífica, democrática, milhares de eufóricos torcedores, lado a lado, todos se igualando, se irmanando na alegria causada pela vitória e pelo sentimento de ser vencedor do futebol mundial.

Foi, realmente, bonito ver a imagem da bela Champs-Élysées, cartão-postal da capital francesa, a cidade-luz acesa, engalanada, bandeiras tricolores tremulando, o imponente Arco do Triunfo como pano de fundo, lotada de baixo a cima, uma multidão entusiasmada para comemorar o bicampeonato mundial e aplaudir a passagem da sua seleção.

É interessante. Parece que futebol não é paixão somente brasileira, verde-amarela, mas mundial. O fanatismo da torcida parece ser o mesmo, em qualquer país. Basta ganhar um campeonato e levantar o caneco para que uma multidão se sinta vencedora, os torcedores campeões, como se eles próprios fossem os agentes, os atores do embate futebolístico.

Constatei esse fato observando a reação das torcidas dos diversos países, nas arquibancadas dos estádios e nas ruas da Rússia. A cada vitória, de qualquer país que fosse, a festa surgia espontânea e de pronto. Centenas e até milhares de torcedores-turistas, porque Copa do Mundo não é só futebol, explodiam de alegria, gritavam, cantavam, dançavam, como se a vida e a felicidade fossem feitas apenas de gols e vitórias da sua seleção de futebol; como se os jogadores fossem os grandes e únicos heróis da sua pátria amada.

É interessante. Pode mudar a cor da camisa, a nacionalidade e o salário dos atletas. Porém, lá como aqui, caminhão da polícia ou do corpo de bombeiros serve também para desfiles dos heróis e ídolos do futebol. Isto, claro, quando voltam para casa vencedores, de taça na mão para massagear o ego de fanáticos torcedores, reacender o espírito de patriotismo e adubar o sentimento de autoestima nacional.

Lá, a bela melodia da Marselhesa ecoou pela principal avenida e outras ruas parisienses, milhares de franceses entoando o histórico hino nacional que, um dia, já distante no tempo, no histórico 14 de julho de 1789, foi cantado pelo povo sofrido, explorado, faminto, para derrubar a Bastilha e a monarquia de uma nação que precisava ser refundada, política, econômica e socialmente.

Aqui, também, o povo canta o hino nacional, com fervor e devoção, quando nossa seleção verde-amarelo volta de caneco na mão. Infelizmente, não foi na Copa de 2018. O retorno foi amargo, meio disfarçado, com apenas meia dúzia de jogadores voltando para o Brasil. Os demais ficaram pelas europas, onde jogam e faturam milhões.

É interessante ou ironia do processo econômico. Historicamente, o Brasil se consolidou como exportador de café, matérias primas, grãos. Enfim, das commodities, na linguagem do moderno economês. De uns tempos para cá, a exportação de craques do futebol integra, também, nossa pauta exportadora.

Escrito por João José Leal, 20/07/2018 às 21h42 | jjoseleal@gmail.com

Copa do Mundo e o País do Futebol

É chavão que se repete. Somos o país do futebol este esporte que não sai da cabeça dos brasileiros. De segunda a domingo, não faltam jogos pelo país a fora. Afinal, tem série A, da elite que paga milhões aos técnicos e aos ídolos pés de ouro que aqui permanecem. Não, por patriotismo. Ninguém é mais de ferro. Já passou o tempo de craques de majestosos dribles, dos Garrinchas brasileiros que suavam para ostentar a camisa do clube e da seleção. No final da vida, morriam pobres, esquecidos nas arquibancadas da vida ou nos botecos tomando uma cachaça.

Agora, todos aqui jogam de olho numa sedutora EUROproposta, daquelas de fazer cruzar fronteiras sem pensar na pátria amada, na família, nos amigos. Muito menos, na camisa do clube que lhe garantiu a oportunidade de mostrar o talento na arte de dominar a esfera de couro, que faz balançar as redes e explodir corações. Diante do contrato cifrado em milhões, não há jogador que pense na fiel torcida que enche arquibancadas, que aplaude e xinga, que sofre e vibra, que silencia e quebra, que bate e apanha. E, porque fanatismo coletivo contagia e não tem controle, às vezes, chega ao desvario de matar por seu ídolo do clube do coração.

Quando passa o sedutor cavalo dourado, encilhado, com cestos cheios de moeda, nossos melhores jogadores esquecem pátria, família, torcida, cruzam os mares e se mandam para o Velho Mundo. São treinados, condicionados para jogar futebol, é verdade. Mas, ganhar dinheiro, fortunas das arábias como os seus companheiros que já bateram asas para jogar nos grandes clubes europeus, não é pecado. Vida de milionário, no outro lado do Atlântico, em meio à glória e à fama, longe das favelas e periferias de um país rico e desigual como o Brasil, só franciscano de batina medieval rejeitaria.

Tem também o futebol de pobre, sem direito à tela da Globo, aquele das séries B, C e D, sem torcida organizada, sem cartolas e de pouca gente no estádio. É o futebol dos clubes pequenos que lutam para subir e pagam baixos salários. Ali, estão os atletas que jogam sonhando com salários milionários, com muito dinheiro no bolso. Mas, numa sociedade de alta competição, muitos são os candidatos e muito poucos os escolhidos, para serem pagos a peso de ouro serem idolatrados em palcos iluminados, em quadras de sintético e em gramados verdejantes, sob o olhar fanático de milhões de torcedores, sofredores que se matam por seus ídolos de pés de ouro.

Sim, somos, por excelência, o país do futebol, do melhor futebol do mundo, tão excelente que temos seleções de ouro jogando na Europa. Nem porisso, ganhamos o campeonato mundial para trazer a cobiçada taça. Não sei se foi triste. Mas, a verdade é que, para os brasileiros, a Copa da Rússia terminou mais cedo.

Escrito por João José Leal, 11/07/2018 às 19h09 | jjoseleal@gmail.com

Academia Catarinense de Letras. Agora, sou acadêmico!

Desde o começo do século 17, Inglaterra e França emergiram como as duas grandes potências mundiais. Se a primeira se antecipou em fazer sua revolução industrial, para alcançar o predomínio do comércio internacional, a segunda se destacou no campo da política, da filosofia e das artes geral. Não foi por acaso que, já em 1635, a França conheceu a sua Academia de Letras, reunindo seus principais escritores da época, muitos de renome universal. Apesar de seu fechamento durante a revolução de 1789, a Academia ressurgiu no ano de 1803 e hoje é uma das instituições mais antigas da França. Tem por finalidade maior cultivar o bom uso do idioma, além da complexa tarefa de regulamentar o vocabulário e a gramática da língua francesa.

Ao longo de sua secular existência, Academia Francesa de Letras tem exercido enorme influência no campo da literatura ocidental. Prova disso é a nossa Academia Brasileira, criada em julho de1897 e que teve Machado de Assis como seu primeiro presidente. Seus fundadores fizeram questão de reconhecer que a entidade brasileira inspirava-se no modelo a academia francesa.

Logo, o ideário acadêmico ganhou força em nosso Estado. Em 1920, graças à liderança e ao trabalho perseverante de José Henrique Boiteux, os catarinenses passaram a contar com a sua Academia de Letras – ACL - hoje, conhecida como a Casa José Boiteux. Nossa já quase centenária Academia tem por finalidade estatutária incentivar a produção literária e congregar os mais destacados escritores de Santa Catarina.

A exemplo da sua congênere brasileira, a ACL é integrada por 40 escritores, escolhidos mediante o voto secreto de seus integrantes, reunidos em assembleia convocada para tal fim. A investidura do novo acadêmico é de caráter perpétuo, prática que levou a crítica e a opinião pública a se referir aos seus integrantes como “imortais”. Na realidade, o se pretende é destacar a perpetuidade e a intemporalidade da arte literária universal, cujo patrimônio imaterial permanecerá vivo através dos tempos.

A nossa Academia de Letras surgiu inovando e recepcionando as novas ideias no campo político e social. Desde sua fundação, admitiu a presença feminina em seus quadros, numa época em que a mulher não tinha direito de votar nem de praticar boa parte dos atos da vida civil, sem autorização do marido, então chefe incontestável da vida familiar. Delminda Silveira e Maura de Senna Pereira, professoras e escritoras, foram as pioneiras acadêmicas da Casa de José Boiteux.

Sediada na capital do Estado, fiel à sua finalidade estatutária e, atualmente, presidida pelo acadêmico Salomão Ribas Júnior, a ACL congrega as figuras mais destacadas da Literatura e cultura de Santa Catarina.

Já aposentado de minhas funções junto ao Ministério Público de Santa Catarina e das atividades acadêmicas universitárias, sinto-me feliz e gratificado por ter sido eleito para integrar a Academia Catarinense de Letras. O grande número de amigos que me enviaram carinhosas mensagens de felicitações pela eleição, me deixaram ainda mais por essa importante conquista. A eles meu sincero agradecimento.

Agradeço, também, ao jornal Página 3 por aberto suas páginas para publicação semanal de minhas crônicas, proporcionando-me uma oportunidade para que minha obra literária se tornasse maia conhecida Isto, com certeza, foi levado em consideração pelos acadêmicos, no momento da eleição.

Sei que não sou imortal. Afinal, a morte é condição da vida humana. Porém, eterna é a minha gratidão a todos os amigos e leitores que me motivam a continuar escrevendo.

Escrito por João José Leal, 06/07/2018 às 10h34 | jjoseleal@gmail.com

Música, mensagem dos deuses

Não sei tocar nenhum instrumento. Não consigo distinguir uma nota da outra, mas gosto de música. Escrevo minhas crônicas, ouvindo música, de todos os cantos do mundo. Da dita música erudita à boa música popular, aquela que canta a vida, as coisas e o modo de ser das pessoas de cada região e do país.

Estou falando, é claro, da boa música, daquela que não tem idade nem selo de fronteira nacional. Basta que o ritmo, os acordes e a melodia agradem o ouvido. Penso que todo o ser humano gosta de música, que considero a arte mais sublime e envolvente dos nossos sentidos.

Não foi por acaso que Beethoven disse um dia, talvez diante de um piano e por ter (ironia da vida!) ficado surdo, que a melodia é a vida sensível da poesia. Schopenhauer, filosófo cheio de pessimismo, não acreditava na felicidade e achava que a vida é sofrimento positivo que nos faz crer na felicidade, sempre passageira e ilusória. Mesmo com seu azedo ceticismo, escreveu que a música exprime a mais alta filosofia, numa linguagem que a razão não compreende.

Já o grande Aristóteles, na sua sabedoria que atravessa os séculos para ser sempre atual, não deixou por menos. Sentenciou que a música é alguma coisa de natureza divina, celestial, uma beleza que encanta a alma. E Khalil Gibran, o poeta do amor, da amizade, da família e da esperança, aclamado por críticos e leigos, escreveu que a música é a linguagem dos espíritos.

Pelo que se vê, não é exagero dizer que os pensadores apreciam, curtem, amam a boa música, a ponto de sublimá-la e considerá-la algo divino, verdadeiro produto de deuses habitando um Olimpo desconhecido para nós, mortais, mas que deve existir e que seria a fonte celestial dos acordes musicais. Se isto parece uma utopia, uma fantasia, um sonho de ficção, não podemos negar que a música tem alguma origem misteriosa que, certamente, a razão pura desconhece.

Não são apenas os sábios. Nosso compositor dos tempos da Bossa Nossa, que não deixa de ser um porta-estandarte da filosofia popular, que também é de boteco, já disse que “quem não gosta de samba, bom sujeito não é”. Não conheço uma pessoa de bom senso, de temperamento, emocionalmente equilibrado, de bem com a vida, que não goste de nenhum gênero musical. É preciso cuidado com esse indivíduo. Deve ser alguém de outro planeta, um extraterrestre, de um mundo de surdos.

Ou, como diz o samba, alguém “ruim da cabeça ou doente do pé”! 

Escrito por João José Leal, 28/06/2018 às 19h12 | jjoseleal@gmail.com

Lisboa

Já escrevi que gosto de viajar, de cruzar ou, melhor, sobrevoar os mares para conhecer terras e gente do outro lado do Atlântico, lá da velha Europa, cheia de catedrais, monumentos e construções dos tempos medievais, suas cidades se exibindo como verdadeiros museus a céu aberto. Suas ruas estão sempre tomadas por milhares de curiosos turistas todos os lugares, porque curiosidade turística não tem pátria nem cor. Minha última viagem me levou a Portugal, terra dos meus antepassados.

Cada vez que piso o solo lusitano sinto uma forte emoção, como se estivesse retornando a uma terra que sempre me foi familiar, a um quintal de minha vida existencial. É como se estivesse caminhando pelas ruas de minha terra tijucana. Talvez, porque corre em minhas veias o sangue português. Afinal, a força do vínculo sanguíneo não deixa de marcar nossas emoções, nosso modo de ver e de sentir a vida.

Gosto de chegar a Lisboa, alegre capital portuguesa, em frente ao Tejo, de cujas margens partiu Cabral para nos descobrir. Conheci a cidade no tempo de Salazar, então, uma cidade triste, cinzenta, atrasada. Escapara ilesa da Segunda Guerra e, 25 anos depois, continuava atrasada em face das demais capitais européias, quase todas devastadas pelo grande conflito mundial e rapidamente reconstruídas, no plano econômico e político, a ponto de não se ver mais vestígios do tempo da guerra.  

Atualmente, Lisboa é uma cidade alegre, bem cuidada, segura, sem assalto e sem violência, cheia de monumentos, catedrais, museus, restaurantes e bares, onde todos parecem vender felicidade ou, quem sabe, ilusão, porque são estados d’alma que muitas vezes se confundem. A gente se sente bem, como se estivesse em terra brasileira, ao caminhar entre gente simpática e acolhedora, pelas ruas da parte alta, o conhecido Chiado, pelas praças do Rocio e do Comércio, cercadas por belas edifícios do final do século 18, construídos depois do grande terremoto que devastou a cidade, conta que o Brasil-colônia, ajudou a pagar, com o ouro daqui levado.

O belo e imponente Mosteiro dos Jerônimos, patrimônio da arquitetura mundidal, com sua construção iniciada na época do descobrimento do Brasil,  é testemunha silenciosa e inquestionável do progresso alcançado pela nação portuguesa, naquela sua época de ouro. Ali perto, outro monumento emblemático. A bela Torre de Belém, erguida à margem do Tejo, local de onde partiam as esquadras portuguesas para singrar os mares e conquistar um vasto império, em terras dos três continentes.

Vi uma Lisboa lotada de turistas de todas as partes do mundo, brasileiros por todos os lados, como sempre reclamando da crise, mas que sempre arranjam uns bons trocados para botar os pés em terras portuguesas.

Afinal, viajar é viver.

Escrito por João José Leal, 21/06/2018 às 09h10 | jjoseleal@gmail.com

Viagem de Trem

Gosto de viajar de trem. Na Europa, é claro, onde trem sai sempre na hora, marcada em minutos porque pontualidade faz parte da cultura europeia. São confortáveis e democráticos. Se você não vai na primeira classe, o vagão é um espaço onde se misturam jovens mochileiros, executivos engravatados, madames encasacadas bem penteadas e de salto alto. Nesse pedaço de diversidade social móvel e sem discriminação, todos convivem, com certa indiferença e allheamento, é verdade!, mas amistosamente.

Cada um no seu lugar, sem diferença de assento, sem preconceito de classe, de idade ou de raça. Um vagão europeu de passageiros é uma interessante arca de biotipos diversos, chineses, coreanos e japoneses, esses amarelos que só eles sabem a sua origem e que estão tomando conta do mundo globalizado. De nórdicos loiros, todos parecendo Fritzes e Fridas vindos das geladas terras escandinavas. De árabes e negros, a nova onda migratória em busca de trabalho no Velho Mundo. No meio dessa babel étnica e linguística, viajam também, é claro, os nativos europeus país que o turista está visitando.

Gosto de chegar na estação ferroviária, sempre no centro da cidade, referência de localização para quem procura por um endereço qualquer e ver aquele burburinho, aquele corre-corre de gente falando alto, muitos gritando, gente apressada para não perder o trem, que não espera um minuto sequer, porque horário é dever, é ponto de honra e atraso de minutos pode custar caro para a companhia, quase todas ainda empresas públicas.

Gosto de ver, logo no começo da viagem, aquelas casas velhas, muitas já centenárias do tempo da construção dos caminhos de ferro, quase todas de costas, a cozinha virada para a via férrea. para evitar o barulho ensurdecedor das pioneiras locomotivas movidas a vapor, pelo carvão incandescente. porque Seus moradores, gente simples sem escolha de moradia, de certo, quiseram evitar o barulho das pioneiras locomotivas e escolheram a sala para olhar a rua.

Depois, o trem em alta velocidade, 300 km/h, a paisagem do campo desfilando rápido na janela cinematográfica, as pastagens quase sem gado, meia dúzia de bois e ovelhas, porque não estamos contemplando os campos deste Brasil imenso, os trigais e as florestas, hoje retornando às terras europeias. Enfim, a chegada, pontualmente no horário, bem no coração da cidade, uma multidão de passageiros a andar rápido pela plataforma, uns para o trabalho, outros para o lazer, porque a vida é assim mesmo. Uns trabalham e outros se divertem.

É pena. No Brasil, não temos mais trens de passageiro, há muito tempo aposentados, transformados em sucata. Se quisermos percorrer a imensidão do território brasileiro, só de avião porque, de carro, leva tempo e é uma ventura perigosa.

Escrito por João José Leal, 11/06/2018 às 10h24 | jjoseleal@gmail.com



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João José Leal

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Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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Crônica Semanal
Por João José Leal

Copa do Mundo 2018 – França Campeã!

Merecidamente, com seu futebol, bonito, elegante, sem perder uma partida sequer, a França ganhou a Copa do Mundo de 2018. Apesar dos atos isolados de vandalismo verificados em algumas das maiores cidades francesas, a festa da vitória foi bonita, pacífica, democrática, milhares de eufóricos torcedores, lado a lado, todos se igualando, se irmanando na alegria causada pela vitória e pelo sentimento de ser vencedor do futebol mundial.

Foi, realmente, bonito ver a imagem da bela Champs-Élysées, cartão-postal da capital francesa, a cidade-luz acesa, engalanada, bandeiras tricolores tremulando, o imponente Arco do Triunfo como pano de fundo, lotada de baixo a cima, uma multidão entusiasmada para comemorar o bicampeonato mundial e aplaudir a passagem da sua seleção.

É interessante. Parece que futebol não é paixão somente brasileira, verde-amarela, mas mundial. O fanatismo da torcida parece ser o mesmo, em qualquer país. Basta ganhar um campeonato e levantar o caneco para que uma multidão se sinta vencedora, os torcedores campeões, como se eles próprios fossem os agentes, os atores do embate futebolístico.

Constatei esse fato observando a reação das torcidas dos diversos países, nas arquibancadas dos estádios e nas ruas da Rússia. A cada vitória, de qualquer país que fosse, a festa surgia espontânea e de pronto. Centenas e até milhares de torcedores-turistas, porque Copa do Mundo não é só futebol, explodiam de alegria, gritavam, cantavam, dançavam, como se a vida e a felicidade fossem feitas apenas de gols e vitórias da sua seleção de futebol; como se os jogadores fossem os grandes e únicos heróis da sua pátria amada.

É interessante. Pode mudar a cor da camisa, a nacionalidade e o salário dos atletas. Porém, lá como aqui, caminhão da polícia ou do corpo de bombeiros serve também para desfiles dos heróis e ídolos do futebol. Isto, claro, quando voltam para casa vencedores, de taça na mão para massagear o ego de fanáticos torcedores, reacender o espírito de patriotismo e adubar o sentimento de autoestima nacional.

Lá, a bela melodia da Marselhesa ecoou pela principal avenida e outras ruas parisienses, milhares de franceses entoando o histórico hino nacional que, um dia, já distante no tempo, no histórico 14 de julho de 1789, foi cantado pelo povo sofrido, explorado, faminto, para derrubar a Bastilha e a monarquia de uma nação que precisava ser refundada, política, econômica e socialmente.

Aqui, também, o povo canta o hino nacional, com fervor e devoção, quando nossa seleção verde-amarelo volta de caneco na mão. Infelizmente, não foi na Copa de 2018. O retorno foi amargo, meio disfarçado, com apenas meia dúzia de jogadores voltando para o Brasil. Os demais ficaram pelas europas, onde jogam e faturam milhões.

É interessante ou ironia do processo econômico. Historicamente, o Brasil se consolidou como exportador de café, matérias primas, grãos. Enfim, das commodities, na linguagem do moderno economês. De uns tempos para cá, a exportação de craques do futebol integra, também, nossa pauta exportadora.

Escrito por João José Leal, 20/07/2018 às 21h42 | jjoseleal@gmail.com

Copa do Mundo e o País do Futebol

É chavão que se repete. Somos o país do futebol este esporte que não sai da cabeça dos brasileiros. De segunda a domingo, não faltam jogos pelo país a fora. Afinal, tem série A, da elite que paga milhões aos técnicos e aos ídolos pés de ouro que aqui permanecem. Não, por patriotismo. Ninguém é mais de ferro. Já passou o tempo de craques de majestosos dribles, dos Garrinchas brasileiros que suavam para ostentar a camisa do clube e da seleção. No final da vida, morriam pobres, esquecidos nas arquibancadas da vida ou nos botecos tomando uma cachaça.

Agora, todos aqui jogam de olho numa sedutora EUROproposta, daquelas de fazer cruzar fronteiras sem pensar na pátria amada, na família, nos amigos. Muito menos, na camisa do clube que lhe garantiu a oportunidade de mostrar o talento na arte de dominar a esfera de couro, que faz balançar as redes e explodir corações. Diante do contrato cifrado em milhões, não há jogador que pense na fiel torcida que enche arquibancadas, que aplaude e xinga, que sofre e vibra, que silencia e quebra, que bate e apanha. E, porque fanatismo coletivo contagia e não tem controle, às vezes, chega ao desvario de matar por seu ídolo do clube do coração.

Quando passa o sedutor cavalo dourado, encilhado, com cestos cheios de moeda, nossos melhores jogadores esquecem pátria, família, torcida, cruzam os mares e se mandam para o Velho Mundo. São treinados, condicionados para jogar futebol, é verdade. Mas, ganhar dinheiro, fortunas das arábias como os seus companheiros que já bateram asas para jogar nos grandes clubes europeus, não é pecado. Vida de milionário, no outro lado do Atlântico, em meio à glória e à fama, longe das favelas e periferias de um país rico e desigual como o Brasil, só franciscano de batina medieval rejeitaria.

Tem também o futebol de pobre, sem direito à tela da Globo, aquele das séries B, C e D, sem torcida organizada, sem cartolas e de pouca gente no estádio. É o futebol dos clubes pequenos que lutam para subir e pagam baixos salários. Ali, estão os atletas que jogam sonhando com salários milionários, com muito dinheiro no bolso. Mas, numa sociedade de alta competição, muitos são os candidatos e muito poucos os escolhidos, para serem pagos a peso de ouro serem idolatrados em palcos iluminados, em quadras de sintético e em gramados verdejantes, sob o olhar fanático de milhões de torcedores, sofredores que se matam por seus ídolos de pés de ouro.

Sim, somos, por excelência, o país do futebol, do melhor futebol do mundo, tão excelente que temos seleções de ouro jogando na Europa. Nem porisso, ganhamos o campeonato mundial para trazer a cobiçada taça. Não sei se foi triste. Mas, a verdade é que, para os brasileiros, a Copa da Rússia terminou mais cedo.

Escrito por João José Leal, 11/07/2018 às 19h09 | jjoseleal@gmail.com

Academia Catarinense de Letras. Agora, sou acadêmico!

Desde o começo do século 17, Inglaterra e França emergiram como as duas grandes potências mundiais. Se a primeira se antecipou em fazer sua revolução industrial, para alcançar o predomínio do comércio internacional, a segunda se destacou no campo da política, da filosofia e das artes geral. Não foi por acaso que, já em 1635, a França conheceu a sua Academia de Letras, reunindo seus principais escritores da época, muitos de renome universal. Apesar de seu fechamento durante a revolução de 1789, a Academia ressurgiu no ano de 1803 e hoje é uma das instituições mais antigas da França. Tem por finalidade maior cultivar o bom uso do idioma, além da complexa tarefa de regulamentar o vocabulário e a gramática da língua francesa.

Ao longo de sua secular existência, Academia Francesa de Letras tem exercido enorme influência no campo da literatura ocidental. Prova disso é a nossa Academia Brasileira, criada em julho de1897 e que teve Machado de Assis como seu primeiro presidente. Seus fundadores fizeram questão de reconhecer que a entidade brasileira inspirava-se no modelo a academia francesa.

Logo, o ideário acadêmico ganhou força em nosso Estado. Em 1920, graças à liderança e ao trabalho perseverante de José Henrique Boiteux, os catarinenses passaram a contar com a sua Academia de Letras – ACL - hoje, conhecida como a Casa José Boiteux. Nossa já quase centenária Academia tem por finalidade estatutária incentivar a produção literária e congregar os mais destacados escritores de Santa Catarina.

A exemplo da sua congênere brasileira, a ACL é integrada por 40 escritores, escolhidos mediante o voto secreto de seus integrantes, reunidos em assembleia convocada para tal fim. A investidura do novo acadêmico é de caráter perpétuo, prática que levou a crítica e a opinião pública a se referir aos seus integrantes como “imortais”. Na realidade, o se pretende é destacar a perpetuidade e a intemporalidade da arte literária universal, cujo patrimônio imaterial permanecerá vivo através dos tempos.

A nossa Academia de Letras surgiu inovando e recepcionando as novas ideias no campo político e social. Desde sua fundação, admitiu a presença feminina em seus quadros, numa época em que a mulher não tinha direito de votar nem de praticar boa parte dos atos da vida civil, sem autorização do marido, então chefe incontestável da vida familiar. Delminda Silveira e Maura de Senna Pereira, professoras e escritoras, foram as pioneiras acadêmicas da Casa de José Boiteux.

Sediada na capital do Estado, fiel à sua finalidade estatutária e, atualmente, presidida pelo acadêmico Salomão Ribas Júnior, a ACL congrega as figuras mais destacadas da Literatura e cultura de Santa Catarina.

Já aposentado de minhas funções junto ao Ministério Público de Santa Catarina e das atividades acadêmicas universitárias, sinto-me feliz e gratificado por ter sido eleito para integrar a Academia Catarinense de Letras. O grande número de amigos que me enviaram carinhosas mensagens de felicitações pela eleição, me deixaram ainda mais por essa importante conquista. A eles meu sincero agradecimento.

Agradeço, também, ao jornal Página 3 por aberto suas páginas para publicação semanal de minhas crônicas, proporcionando-me uma oportunidade para que minha obra literária se tornasse maia conhecida Isto, com certeza, foi levado em consideração pelos acadêmicos, no momento da eleição.

Sei que não sou imortal. Afinal, a morte é condição da vida humana. Porém, eterna é a minha gratidão a todos os amigos e leitores que me motivam a continuar escrevendo.

Escrito por João José Leal, 06/07/2018 às 10h34 | jjoseleal@gmail.com

Música, mensagem dos deuses

Não sei tocar nenhum instrumento. Não consigo distinguir uma nota da outra, mas gosto de música. Escrevo minhas crônicas, ouvindo música, de todos os cantos do mundo. Da dita música erudita à boa música popular, aquela que canta a vida, as coisas e o modo de ser das pessoas de cada região e do país.

Estou falando, é claro, da boa música, daquela que não tem idade nem selo de fronteira nacional. Basta que o ritmo, os acordes e a melodia agradem o ouvido. Penso que todo o ser humano gosta de música, que considero a arte mais sublime e envolvente dos nossos sentidos.

Não foi por acaso que Beethoven disse um dia, talvez diante de um piano e por ter (ironia da vida!) ficado surdo, que a melodia é a vida sensível da poesia. Schopenhauer, filosófo cheio de pessimismo, não acreditava na felicidade e achava que a vida é sofrimento positivo que nos faz crer na felicidade, sempre passageira e ilusória. Mesmo com seu azedo ceticismo, escreveu que a música exprime a mais alta filosofia, numa linguagem que a razão não compreende.

Já o grande Aristóteles, na sua sabedoria que atravessa os séculos para ser sempre atual, não deixou por menos. Sentenciou que a música é alguma coisa de natureza divina, celestial, uma beleza que encanta a alma. E Khalil Gibran, o poeta do amor, da amizade, da família e da esperança, aclamado por críticos e leigos, escreveu que a música é a linguagem dos espíritos.

Pelo que se vê, não é exagero dizer que os pensadores apreciam, curtem, amam a boa música, a ponto de sublimá-la e considerá-la algo divino, verdadeiro produto de deuses habitando um Olimpo desconhecido para nós, mortais, mas que deve existir e que seria a fonte celestial dos acordes musicais. Se isto parece uma utopia, uma fantasia, um sonho de ficção, não podemos negar que a música tem alguma origem misteriosa que, certamente, a razão pura desconhece.

Não são apenas os sábios. Nosso compositor dos tempos da Bossa Nossa, que não deixa de ser um porta-estandarte da filosofia popular, que também é de boteco, já disse que “quem não gosta de samba, bom sujeito não é”. Não conheço uma pessoa de bom senso, de temperamento, emocionalmente equilibrado, de bem com a vida, que não goste de nenhum gênero musical. É preciso cuidado com esse indivíduo. Deve ser alguém de outro planeta, um extraterrestre, de um mundo de surdos.

Ou, como diz o samba, alguém “ruim da cabeça ou doente do pé”! 

Escrito por João José Leal, 28/06/2018 às 19h12 | jjoseleal@gmail.com

Lisboa

Já escrevi que gosto de viajar, de cruzar ou, melhor, sobrevoar os mares para conhecer terras e gente do outro lado do Atlântico, lá da velha Europa, cheia de catedrais, monumentos e construções dos tempos medievais, suas cidades se exibindo como verdadeiros museus a céu aberto. Suas ruas estão sempre tomadas por milhares de curiosos turistas todos os lugares, porque curiosidade turística não tem pátria nem cor. Minha última viagem me levou a Portugal, terra dos meus antepassados.

Cada vez que piso o solo lusitano sinto uma forte emoção, como se estivesse retornando a uma terra que sempre me foi familiar, a um quintal de minha vida existencial. É como se estivesse caminhando pelas ruas de minha terra tijucana. Talvez, porque corre em minhas veias o sangue português. Afinal, a força do vínculo sanguíneo não deixa de marcar nossas emoções, nosso modo de ver e de sentir a vida.

Gosto de chegar a Lisboa, alegre capital portuguesa, em frente ao Tejo, de cujas margens partiu Cabral para nos descobrir. Conheci a cidade no tempo de Salazar, então, uma cidade triste, cinzenta, atrasada. Escapara ilesa da Segunda Guerra e, 25 anos depois, continuava atrasada em face das demais capitais européias, quase todas devastadas pelo grande conflito mundial e rapidamente reconstruídas, no plano econômico e político, a ponto de não se ver mais vestígios do tempo da guerra.  

Atualmente, Lisboa é uma cidade alegre, bem cuidada, segura, sem assalto e sem violência, cheia de monumentos, catedrais, museus, restaurantes e bares, onde todos parecem vender felicidade ou, quem sabe, ilusão, porque são estados d’alma que muitas vezes se confundem. A gente se sente bem, como se estivesse em terra brasileira, ao caminhar entre gente simpática e acolhedora, pelas ruas da parte alta, o conhecido Chiado, pelas praças do Rocio e do Comércio, cercadas por belas edifícios do final do século 18, construídos depois do grande terremoto que devastou a cidade, conta que o Brasil-colônia, ajudou a pagar, com o ouro daqui levado.

O belo e imponente Mosteiro dos Jerônimos, patrimônio da arquitetura mundidal, com sua construção iniciada na época do descobrimento do Brasil,  é testemunha silenciosa e inquestionável do progresso alcançado pela nação portuguesa, naquela sua época de ouro. Ali perto, outro monumento emblemático. A bela Torre de Belém, erguida à margem do Tejo, local de onde partiam as esquadras portuguesas para singrar os mares e conquistar um vasto império, em terras dos três continentes.

Vi uma Lisboa lotada de turistas de todas as partes do mundo, brasileiros por todos os lados, como sempre reclamando da crise, mas que sempre arranjam uns bons trocados para botar os pés em terras portuguesas.

Afinal, viajar é viver.

Escrito por João José Leal, 21/06/2018 às 09h10 | jjoseleal@gmail.com

Viagem de Trem

Gosto de viajar de trem. Na Europa, é claro, onde trem sai sempre na hora, marcada em minutos porque pontualidade faz parte da cultura europeia. São confortáveis e democráticos. Se você não vai na primeira classe, o vagão é um espaço onde se misturam jovens mochileiros, executivos engravatados, madames encasacadas bem penteadas e de salto alto. Nesse pedaço de diversidade social móvel e sem discriminação, todos convivem, com certa indiferença e allheamento, é verdade!, mas amistosamente.

Cada um no seu lugar, sem diferença de assento, sem preconceito de classe, de idade ou de raça. Um vagão europeu de passageiros é uma interessante arca de biotipos diversos, chineses, coreanos e japoneses, esses amarelos que só eles sabem a sua origem e que estão tomando conta do mundo globalizado. De nórdicos loiros, todos parecendo Fritzes e Fridas vindos das geladas terras escandinavas. De árabes e negros, a nova onda migratória em busca de trabalho no Velho Mundo. No meio dessa babel étnica e linguística, viajam também, é claro, os nativos europeus país que o turista está visitando.

Gosto de chegar na estação ferroviária, sempre no centro da cidade, referência de localização para quem procura por um endereço qualquer e ver aquele burburinho, aquele corre-corre de gente falando alto, muitos gritando, gente apressada para não perder o trem, que não espera um minuto sequer, porque horário é dever, é ponto de honra e atraso de minutos pode custar caro para a companhia, quase todas ainda empresas públicas.

Gosto de ver, logo no começo da viagem, aquelas casas velhas, muitas já centenárias do tempo da construção dos caminhos de ferro, quase todas de costas, a cozinha virada para a via férrea. para evitar o barulho ensurdecedor das pioneiras locomotivas movidas a vapor, pelo carvão incandescente. porque Seus moradores, gente simples sem escolha de moradia, de certo, quiseram evitar o barulho das pioneiras locomotivas e escolheram a sala para olhar a rua.

Depois, o trem em alta velocidade, 300 km/h, a paisagem do campo desfilando rápido na janela cinematográfica, as pastagens quase sem gado, meia dúzia de bois e ovelhas, porque não estamos contemplando os campos deste Brasil imenso, os trigais e as florestas, hoje retornando às terras europeias. Enfim, a chegada, pontualmente no horário, bem no coração da cidade, uma multidão de passageiros a andar rápido pela plataforma, uns para o trabalho, outros para o lazer, porque a vida é assim mesmo. Uns trabalham e outros se divertem.

É pena. No Brasil, não temos mais trens de passageiro, há muito tempo aposentados, transformados em sucata. Se quisermos percorrer a imensidão do território brasileiro, só de avião porque, de carro, leva tempo e é uma ventura perigosa.

Escrito por João José Leal, 11/06/2018 às 10h24 | jjoseleal@gmail.com



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João José Leal

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Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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