Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Heróis de Placa

 Quando eu era pequeno lembro do meu pai explicando sobre as rodovias brasileiras, suas características e nomenclaturas, e que eram numericamente nomeadas, aparentemente sem uma lógica clara, mas que facilitava muito a compreensão dos usuários. Depois de grande fiquei muito decepcionado quando descobri que a BR 101 foi rebatizada de “Governador Mário Covas”. Lendo os jornais da época entendi que  a referida pessoa era amiga e fundadora de um partido político junto com o então presidente da república. Talvez este tenha sido o critério da escolha.

Aí alguém me disse: “ah, mas ele foi um grande político e governador do maior estado do país”, e eu perguntei: “e daí?” Se ele desenvolveu tal papel é porque deve ter sido merecedor em vida, e certamente foi pago para isto, então não há nenhuma pendência. Houve uma troca justa. E continuo perguntando: qual o motivo que justifica isso? Por que descaracterizar algo tão bem pensado?  Então eu vou sugerir que coloque o nome do senhor que todo dia recolhe o lixo da minha casa, este sim para mim desempenha um papel muito importante e não é reconhecido(aliás, só lembramos dele quando não vem trabalhar) e também mal remunerado. Este sim é um herói que merece nome de placa. E como ele tem tantos outros que ajudam a manter a nossa cidade, estado e país em condições de habitabilidade.

Agora falando de Balneário Camboriú. Viajo com frequência e quando  pedem meu endereço e dou o número de uma rua as pessoas ficam pasmas em saber que isso existe. Sempre tive muita alegria em dizer que em minha cidade a nomenclatura das ruas havia sido relativamente planejadas, dentro de uma lógica. Da Avenida Central para norte números ímpares, para sul números pares. Avenida central por representar exatamente isso, o centro da cidade. Bairro das Nações nome de países, dos Municípios nome de cidades, e assim por diante.

A desordem começou com a rua 400 sendo substituída pelo nome de alguém que não lembro ter sabido quem é, e mesmo que lembrasse desconheço o mérito, e mesmo que tenha mérito acho que não merece, pois àquela rua não é de uma pessoa só. Aí tem Avenida do Estado, Terceira e Quarta avenidas com nomes agregados e por fim, a última discussão da nossa casa legislativa, com relação a troca do número de uma rua do calçadão da cidade por  nome  de pessoa recentemente falecida.

Não tenho fôlego para que minhas palavras  cheguem a Brasília, mas tenho para pedir aos nossos vereadores que parem de descaracterizar a cidade, e como eleitor de Balneário Camboriú solicito que deixem o que está certo como está,  e cuidem daquilo que não está certo, que é bastante!

 

 

Escrito por Fernando Baumann, 08/02/2018 às 14h52 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.


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 Quando eu era pequeno lembro do meu pai explicando sobre as rodovias brasileiras, suas características e nomenclaturas, e que eram numericamente nomeadas, aparentemente sem uma lógica clara, mas que facilitava muito a compreensão dos usuários. Depois de grande fiquei muito decepcionado quando descobri que a BR 101 foi rebatizada de “Governador Mário Covas”. Lendo os jornais da época entendi que  a referida pessoa era amiga e fundadora de um partido político junto com o então presidente da república. Talvez este tenha sido o critério da escolha.

Aí alguém me disse: “ah, mas ele foi um grande político e governador do maior estado do país”, e eu perguntei: “e daí?” Se ele desenvolveu tal papel é porque deve ter sido merecedor em vida, e certamente foi pago para isto, então não há nenhuma pendência. Houve uma troca justa. E continuo perguntando: qual o motivo que justifica isso? Por que descaracterizar algo tão bem pensado?  Então eu vou sugerir que coloque o nome do senhor que todo dia recolhe o lixo da minha casa, este sim para mim desempenha um papel muito importante e não é reconhecido(aliás, só lembramos dele quando não vem trabalhar) e também mal remunerado. Este sim é um herói que merece nome de placa. E como ele tem tantos outros que ajudam a manter a nossa cidade, estado e país em condições de habitabilidade.

Agora falando de Balneário Camboriú. Viajo com frequência e quando  pedem meu endereço e dou o número de uma rua as pessoas ficam pasmas em saber que isso existe. Sempre tive muita alegria em dizer que em minha cidade a nomenclatura das ruas havia sido relativamente planejadas, dentro de uma lógica. Da Avenida Central para norte números ímpares, para sul números pares. Avenida central por representar exatamente isso, o centro da cidade. Bairro das Nações nome de países, dos Municípios nome de cidades, e assim por diante.

A desordem começou com a rua 400 sendo substituída pelo nome de alguém que não lembro ter sabido quem é, e mesmo que lembrasse desconheço o mérito, e mesmo que tenha mérito acho que não merece, pois àquela rua não é de uma pessoa só. Aí tem Avenida do Estado, Terceira e Quarta avenidas com nomes agregados e por fim, a última discussão da nossa casa legislativa, com relação a troca do número de uma rua do calçadão da cidade por  nome  de pessoa recentemente falecida.

Não tenho fôlego para que minhas palavras  cheguem a Brasília, mas tenho para pedir aos nossos vereadores que parem de descaracterizar a cidade, e como eleitor de Balneário Camboriú solicito que deixem o que está certo como está,  e cuidem daquilo que não está certo, que é bastante!

 

 

Escrito por Fernando Baumann, 08/02/2018 às 14h52 | fernando@bba-reiki.com.br



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Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.


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