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Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Mentiras Sinceras

 Ao que se diz, o Brasil é um país com sistema politico/administrativo democrático.  Mas enfim, o que isso significa? Eu particularmente tenho dificuldade em entender, pois de modo geral acho que é mais discurso que prática. Parece embalagem bonita de um presente qualquer.

Primeiro porque o gestor público quando eleito representa apenas uma parcela da sociedade, pois sua ascensão se dá por maioria simples, ficando uma legião de órfãos a buscar horizontes. O “nós e eles” que ouvimos num passado recente.

Segundo porque democracia não é doutrina. É cultura e valor. Acreditar em um nome é personificar o herói salvador, aquele que tudo sabe, o filho mais próximo do Criador. Uma sociedade solidamente constituída não permite o enaltecimento de projetos de poder, mas sim de projeto de estado, que dura bem mais que um ou dois mandatos e é resultado do entendimento coletivo.

Terceiro porque antes de eleito o candidato olha para fora, para o eleitor. Depois de eleito ele olha para dentro, para  interesses dos seus. Sem generalizar, de forma costumaz é isto que acontece. E também tem o poder econômico, que desiguala a disputa.

Em quarto por que  democracia é a razão de decisões coletivas, onde metade mais um prevalece, e a dinâmica diária da administração pública não permite tal possibilidade. Também por responsabilização de quem assina, que tem seu CPF exposto e sujeito as sanções da lei. Então a gestão pública é participativa, onde o responsável eleito de forma democrática deve decidir pelo melhor caminho após ouvir todos os interessados.

E por último, uma sociedade democrática só pode assim ser considerada quando antes, bem antes, ter claro quais são seu deveres. É justo reivindicar direitos baseados nos princípios da igualdade e da justiça, da razão e da verdade, mas é inconsistente e inócuo quando não se conhece quais são as obrigações. Por mais indesejado que seja,  precisamos reconhecer que o nosso modelo democrático chegou de forma avessa e com atalhos, e confundiu tudo. É como uma nau sem rumo - sem vela e sem leme - em meio a uma tempestade

Escrito por Fernando Baumann, 12/01/2018 às 16h45 | fernando@bba-reiki.com.br

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Fernando Baumann

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Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.
















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